Com relação à Triagem Auditiva Neonatal Universal (TANU), analise as afirmativas a seguir. I. No Brasil, a TANU tem como objetivo identificar perdas auditivas cocleares maiores ou iguais a 35dB NA para os neonatos sem indicadores de risco para deficiência auditiva (IRDA). II. A etapa da TANU é o começo de uma linha de cuidados em saúde auditiva em neonatos, sendo essencial para o sucesso de todas as etapas subsequentes. III. A TANU já é uma realidade para praticamente todos os municípios e estados brasileiros e tem sido realizada com qualidade e efetividade na maioria deles, reduzindo de forma significativa a idade do diagnóstico da surdez no Brasil. Está correto o que se afirma em
- A)I, apenas.
A proposta é marcar como corretas apenas a asserção I. De fato, a I condiz com a finalidade da TANU ao buscar, nos recém-nascidos sem IRDA, perdas cocleares já relevantes, na faixa de 35 dB NA ou mais. O problema é que a II também traduz corretamente a TANU como porta de entrada da linha de cuidado em saúde auditiva, então a alternativa fica estreita demais.
- B)II, apenas.
Esta opção reconhece somente a II, isto é, a ideia de que a TANU inaugura a linha de cuidado em saúde auditiva e é decisiva para o encaminhamento e a intervenção precoces. Esse raciocínio está correto, porque a triagem não é um ato isolado, mas o início de um fluxo assistencial. Porém, a I também está de acordo com as diretrizes da TANU ao apontar o limiar auditivo que se pretende identificar, de modo que não dá para limitar a resposta à II.
- C)III, apenas.
Aqui se sustenta que apenas a III seria verdadeira, mas ela descreve um cenário que não corresponde à realidade brasileira. A implantação da TANU ainda é desigual entre municípios e estados, com falhas de cobertura, qualidade e seguimento, e por isso não se pode afirmar que ela já seja amplamente realizada com efetividade. Além disso, a idade do diagnóstico da surdez ainda não foi reduzida de forma consistente em todo o país.
- D)I e II, apenas.
A alternativa reúne exatamente as duas assertivas que se sustentam: a I, sobre o objetivo da TANU em detectar perdas cocleares já significativas em neonatos sem IRDA, e a II, sobre a triagem como início da linha de cuidado em saúde auditiva. Essas duas ideias estão alinhadas às diretrizes de triagem neonatal auditiva e ao fluxo de atenção do SUS. Como a III exagera ao falar em cobertura quase universal e em qualidade generalizada, este conjunto é o correto.
- E)I, II e III.
A opção afirma que I, II e III estariam corretas. Embora I e II correspondam ao conteúdo técnico da TANU, a III não retrata o quadro brasileiro, que ainda é heterogêneo, com cobertura insuficiente e diagnóstico frequentemente tardio. Assim, a presença da III invalida a alternativa.
Gabarito: D
A TANU, ou triagem auditiva neonatal universal, é aquele primeiro filtro que tenta separar quem provavelmente ouve bem de quem precisa de investigação mais detalhada. No Brasil, para os neonatos sem indicadores de risco para deficiência auditiva (IRDA), o objetivo é detectar perdas auditivas cocleares em torno de 35 dB NA ou mais, o que torna a afirmativa I correta dentro do padrão cobrado em prova. Isso conversa com a lógica da Lei 12.303/2010, que tornou obrigatória a triagem por emissões otoacústicas em maternidades, como parte da atenção auditiva precoce. A afirmativa II também está certa porque a TANU não é um fim em si mesma: ela é a porta de entrada de uma linha de cuidado. Se a triagem falha, atrasa ou é mal feita, todo o resto fica comprometido - diagnóstico, encaminhamento, intervenção e acompanhamento. Em audiologia neonatal, a graça não é só triagem, é chegar cedo e seguir o percurso correto. Já a afirmativa III exagera bonito e por isso cai. A TANU ainda não é realidade com cobertura e qualidade homogêneas em praticamente todos os municípios e estados brasileiros, e a redução da idade do diagnóstico da surdez ainda não é significativa de modo uniforme no país. Em outras palavras: existe avanço, mas não esse cenário idealizado que a banca descreve. Por isso, o gabarito é D: I e II estão corretas, e a III está errada.