Com relação à sucção, à deglutição e à respiração em bebês recém-nascidos, analise as afirmativas a seguir. I. A deglutição já está presente antes mesmo do nascimento, tendo suas primeiras ocorrências por volta da décima terceira semana de gestação. II. Como a respiração e a deglutição são funções competitivas em nível de vias aéreas superiores, a coordenação entre respiração e deglutição é crucial. III. Para os recém-nascidos pré-termo ou a termo, com disfunção do sistema nervoso central ou respiratória, a alimentação oral pode ser um procedimento seguro. Está correto o que se afirma em
- A)I, somente.
Esta opção sustenta que apenas a afirmativa I seria correta, isto é, que a deglutição já aparece no período intrauterino, por volta da 13ª semana. De fato, a literatura de desenvolvimento orofacial descreve o início dos movimentos de deglutição no feto nessa fase, mas a alternativa fica incompleta porque também há correção na afirmativa II. Por isso, ela não reúne o conjunto de proposições verdadeiras exigido.
- B)II, somente.
Aqui se afirma que somente a ideia de que respiração e deglutição competem pelas vias aéreas superiores estaria correta. Esse raciocínio faz sentido porque ambas as funções precisam ser coordenadas para evitar aspiração, especialmente no recém-nascido, mas a proposta ignora que a afirmativa I também está correta. Assim, a alternativa erra por exclusão indevida de um item verdadeiro.
- C)III, somente.
Essa alternativa diz que apenas a afirmativa III estaria correta, como se a alimentação oral fosse segura em recém-nascidos pré-termo ou a termo com disfunção do sistema nervoso central ou respiratória. Na prática, esses quadros aumentam o risco de incoordenação sucção-deglutição-respiração, fadiga e aspiração, o que exige cautela e, muitas vezes, via alternativa de alimentação. Portanto, a proposição III está incorreta no mérito.
- D)I e II, somente.
Esta é a opção que reúne as duas proposições verdadeiras: a deglutição já pode ser observada no período fetal, em torno da 13ª semana, e a coordenação entre deglutição e respiração é essencial porque ambas disputam o mesmo espaço funcional nas vias aéreas superiores. Esse é justamente o padrão esperado no recém-nascido saudável, em que a proteção de vias aéreas depende do bom encadeamento entre sucção, deglutição e pausa respiratória. Como a afirmativa III é falsa, o conjunto correto é I e II בלבד.
- E)I, II e III.
A opção inclui I, II e III como verdadeiras, mas a terceira afirmativa não se sustenta. Recém-nascidos com disfunção neurológica ou respiratória têm maior probabilidade de desorganização da alimentação oral e de broncoaspiração, de modo que essa conduta não pode ser tratada como automaticamente segura. Como apenas I e II estão corretas, a inclusão de III invalida a alternativa.
Gabarito: D
Nos bebês, sucção, deglutição e respiração formam um trio que precisa funcionar em harmonia, porque a via aérea é compartilhada e qualquer descompasso pode atrapalhar a alimentação e a segurança respiratória. A deglutição começa ainda na vida intrauterina, com movimentos fetais observados por volta da 13ª semana de gestação, o que mostra que esse reflexo já vem sendo treinado antes do nascimento. Depois que o bebê nasce, a coordenação entre sucção, deglutição e respiração vira assunto sério. Ele precisa sugar, engolir e voltar a respirar sem “tropeçar” nesse ritmo, especialmente durante a alimentação. Por isso, a integração entre essas funções é essencial para evitar engasgos, dessaturação e outros sinais de aspiração. A afirmativa III está errada porque recém-nascidos pré-termo ou a termo com disfunção do sistema nervoso central ou respiratória não são, em regra, candidatos a alimentação oral segura de imediato. Nesses casos, a equipe precisa avaliar maturidade, coordenação e estabilidade clínica antes de liberar via oral. Ou seja, não é porque o bebê é pequeno que tudo pode, infelizmente o corpo não faz acordo automático com a colher. Assim, estão corretas apenas as afirmativas I e II, o que justifica o gabarito D. Em prova de Fonoaudiologia, sempre desconfie de frases que chamam alimentação oral de "segura" em bebê com instabilidade neurológica ou respiratória, porque isso costuma ser a armadilha clássica.