O transtorno de linguagem oral que se caracteriza por uma fala com perda de contraste, devido, principalmente, à substituição constante de fonemas, tornando o discurso ambíguo e de difícil inteligibilidade, denomina-se
- A)atraso de linguagem.
Errada, porque atraso de linguagem é um quadro mais amplo, envolvendo atraso global do desenvolvimento linguístico, e não essa alteração específica de contrastes fonêmicos.
- B)distúrbio específico de linguagem.
Errada, pois o distúrbio específico de linguagem afeta principalmente a aquisição e o uso da linguagem em sentido mais amplo, não sendo a melhor definição para substituição constante de fonemas.
- C)transtorno fonológico.
Certa, porque o quadro descrito corresponde ao transtorno fonológico, com trocas fonêmicas frequentes, perda de contraste e fala de difícil inteligibilidade.
- D)transtorno global do desenvolvimento.
Errada, porque transtorno global do desenvolvimento é uma condição mais abrangente do neurodesenvolvimento, não uma denominação específica para esse tipo de alteração da fala.
- E)transtorno fonético.
Errada, porque transtorno fonético se relaciona mais à articulação motora dos sons, e não à substituição sistemática de fonemas que compromete os contrastes da fala.
Gabarito: C
Quando a fala perde contraste e fica cheia de substituições de fonemas, o problema costuma estar na organização dos sons da língua, e não apenas na produção “mecânica” de um som isolado. Nessa situação, a criança ou o paciente troca sons de forma constante, o que embaralha a mensagem e derruba a inteligibilidade do discurso, deixando a fala ambígua. Isso é bem típico do transtorno fonológico. Aqui, o ponto central não é a dificuldade articulatória pura, mas sim o uso inadequado dos fonemas dentro do sistema da língua. Em outras palavras: a pessoa até tenta falar, mas escolhe ou organiza os sons de modo errado, como se a fala perdesse seus contrastes naturais. Por isso o gabarito é a letra C. O enunciado praticamente entrega a definição clássica do transtorno fonológico: substituições fonêmicas frequentes, fala pouco inteligível e prejuízo na distinção entre palavras. É o famoso caso em que a fala parece “embaralhada”, não por falta de vontade, mas por alteração na organização dos sons. Já o transtorno fonético seria mais ligado à articulação do som, isto é, à execução motora do fonema, e não à substituição constante que afeta o contraste linguístico. Em prova, a FGV costuma cobrar bem essa diferença: fonético é produção; fonológico é organização/uso dos sons.