A gagueira é considerada um transtorno da fluência verbal e vem sendo compreendida em vários estudos da atualidade, que contemplam seus critérios de diagnóstico, os fatores de risco, as causas e os princípios de como se dá o processo de avaliação e a terapia fonoaudiológica indicada para quem gagueja. Com base nesse assunto, assinale a alternativa CORRETA.
- A)A prevalência média de gagueira na população geral é aproximadamente 10%, cuja idade média de início de transtorno se dá aos 25 meses de idade de forma abrupta.
Errada, porque a prevalência da gagueira na população geral não é de 10% e o início costuma ocorrer bem antes dos 25 meses, geralmente na primeira infância.
- B)Atualmente, a gagueira tem sido compreendida de maneira multifatorial, de modo que múltiplos fatores inerentes ao próprio indivíduo e ao ambiente interagem e contribuem para o seu surgimento.
Certa, pois a gagueira é atualmente entendida como um transtorno multifatorial, resultante da interação entre características do indivíduo e influências ambientais.
- C)Durante a intervenção terapêutica, dificilmente o progresso terapêutico para quem gagueja já se mostre evidente em um período de três meses, pois a abordagem terapêutica inclui métodos que promovem efeitos em longo prazo, entre dez e quinze meses.
Errada, porque a evolução terapêutica pode aparecer em menos tempo, e não existe regra de que só haja progresso após 10 a 15 meses.
- D)Análises de fluência na leitura não são bem-vindas e não são recomendadas para compor o processo avaliativo, bem como a aplicação de protocolos de rastreio para alterações do processamento auditivo central e de transtornos do comportamento visando à análise do risco de condições comórbidas.
Errada, porque a leitura pode sim ser usada na avaliação da fluência, e protocolos de rastreio de comorbidades podem compor a investigação clínica.
Gabarito: B
A gagueira é um transtorno da fluência que costuma aparecer ainda na infância e pode variar muito de intensidade ao longo do tempo. Hoje, a visão mais aceita é a multifatorial: não existe uma única causa “culpada”, porque fatores biológicos, linguísticos, motores, emocionais e ambientais podem interagir no surgimento e na manutenção do quadro. Ou seja, não é só “ansiedade” nem só “imitação”, e isso muda bastante a forma de avaliar e tratar. Na avaliação fonoaudiológica, o profissional observa a fala em diferentes contextos, a frequência e o tipo das rupturas, o impacto na comunicação e possíveis fatores associados. Também é comum investigar histórico familiar, idade de início, situações de piora e presença de comorbidades. A leitura pode entrar na análise da fluência, sim, porque ajuda a observar o comportamento do indivíduo em outra tarefa de fala, com demandas distintas. Na terapia, o foco pode ser modificação da gagueira, maior naturalidade da fala, redução do esforço e melhora da comunicação funcional, sempre com metas individualizadas. O tempo de resposta varia bastante, então não existe uma regra fixa como “só melhora depois de muitos meses”. Por isso, a alternativa B está correta: ela resume exatamente a compreensão atual da gagueira como um fenômeno multifatorial, em que o indivíduo e o ambiente interagem para favorecer o seu aparecimento e sua manutenção.