A tecnologia tem desempenhado um papel cada vez mais importante na reabilitação fonoaudiológica, com inovações como o uso de biofeedback e realidade aumentada. No tratamento de pacientes com distúrbios de voz, o biofeedback tem se mostrado uma ferramenta valiosa para melhorar o controle vocal. Considere um paciente com disfonia funcional, que apresenta tensão excessiva na laringe durante a fonação. Qual seria a aplicação mais adequada do biofeedback no tratamento desse paciente?
- A)Utilização de um sistema de biofeedback visual que monitora a atividade dos músculos extrínsecos da laringe, permitindo que o paciente ajuste a tensão muscular em tempo real durante a produção vocal.
Correta, porque o biofeedback visual permite monitorar a tensão muscular laríngea e ajustar em tempo real um padrão de fonação com excesso de esforço.
- B)Aplicação de biofeedback auditivo com amplificação da frequência fundamental da voz, permitindo que o paciente perceba suas variações de frequência e modifique a intensidade vocal conforme necessário.
Errada, porque amplificação da frequência fundamental não é a aplicação mais adequada para controlar tensão laríngea, além de misturar percepção de pitch com intensidade vocal.
- C)Uso de biofeedback tátil através de sensores colocados no pescoço e tórax, proporcionando ao paciente uma sensação palpável das vibrações vocais, o que facilita o ajuste da pressão subglótica durante a fonação.
Errada, porque o foco em vibração tátil e pressão subglótica não aborda diretamente a hiperfunção laríngea descrita no enunciado.
- D)Implementação de um sistema de biofeedback auditivo-retroativo, que grava a produção vocal do paciente e reproduz o som com um atraso de 2 segundos, para que ele possa ajustar a articulação dos sons de forma controlada.
Errada, porque o feedback auditivo com atraso é uma técnica usada em outras finalidades e não é o melhor recurso para reduzir tensão excessiva na laringe.
- E)Aplicação de biofeedback respiratório, com sensores que monitoram o padrão respiratório do paciente durante a fonação, permitindo que ele regule a coordenação entre respiração e produção vocal.
Errada, porque o monitoramento respiratório pode ajudar na coordenação pneumo-fono-articulatória, mas não é a aplicação mais específica para tensão laríngea na disfonia funcional.
Gabarito: A
Na disfonia funcional com tensão excessiva na laringe, o objetivo é ajudar voce a perceber e reduzir o esforço muscular desnecessário durante a fonação. Aqui, o biofeedback entra como um espelho tecnológico: ele mostra ao paciente informações do próprio comportamento vocal em tempo real, facilitando o autocontrole e a mudança do padrão inadequado. No caso descrito, a aplicação mais adequada é o biofeedback visual monitorando a atividade dos músculos extrínsecos da laringe. Isso faz sentido porque a tensão excessiva costuma estar ligada a um uso laríngeo e cervical exagerado, e visualizar essa atividade ajuda o paciente a identificar quando está comprimindo demais a região e a ajustar a produção vocal na hora. Em terapia de voz, isso é muito útil porque a correção não fica só na orientação verbal do fonoaudiólogo. O paciente vê o próprio desempenho e consegue associar sensação, esforço e resultado acústico, o que favorece aprendizagem motora e reorganização do padrão fonatório. Em termos práticos, é o clássico "ver para conseguir corrigir". As demais alternativas até falam de feedback, mas fogem do foco do problema: aqui o ponto central não é só respiração, frequência ou atraso auditivo, e sim a tensão laríngea durante a fonação. Por isso, a alternativa A é a que melhor traduz o uso do biofeedback nesse quadro.