Um paciente idoso com histórico de câncer de cabeça e pescoço foi submetido a cirurgia de ressecção tumoral extensa e apresenta disfagia severa no pós-operatório. O principal objetivo da intervenção fonoaudiológica nesse caso é:
- A)Restringir completamente a alimentação oral, indicando nutrição exclusivamente por sonda enteral definitiva.
Errada, porque a nutrição por sonda pode ser necessária em alguns casos, mas não é o objetivo principal nem deve ser tratada como solução definitiva sem reavaliação da deglutição.
- B)Favorecer a reabilitação da deglutição, garantindo segurança alimentar e qualidade de vida.
Certa, porque a intervenção fonoaudiológica busca reabilitar a deglutição com segurança, reduzir risco de aspiração e preservar a qualidade de vida.
- C)Focar apenas na reabilitação da articulação da fala, desconsiderando os aspectos alimentares.
Errada, porque a atuação fonoaudiológica hospitalar não se limita à fala; em disfagia, o foco principal é a alimentação segura e a função de deglutição.
- D)Aplicar exclusivamente técnicas de massagem cervical para melhorar a funcionalidade da deglutição.
Errada, porque massagem cervical isolada não resolve disfagia severa e não substitui avaliação, manejo e reabilitação fonoaudiológica adequados.
Gabarito: B
Em fonoaudiologia hospitalar, especialmente após cirurgia extensa de cabeça e pescoço, o foco não fica só na fala. A prioridade é olhar a deglutição com cuidado, porque esse paciente pode ter risco de aspiração, desnutrição e perda importante de qualidade de vida. Ou seja: antes de pensar em liberar dieta, você precisa pensar em segurança e funcionalidade. No pós-operatório, a atuação fonoaudiológica costuma envolver avaliação clínica e, quando indicado, orientação de consistência alimentar, estratégias compensatórias, exercícios e acompanhamento da progressão da via oral. A meta não é “forçar” alimentação, mas recuperar o máximo possível da função deglutitória de forma segura. Isso é bem alinhado com a prática baseada em cuidado integral do paciente hospitalizado. Por isso, o gabarito é a letra B. Ela resume exatamente o objetivo central: reabilitar a deglutição, reduzir riscos durante a alimentação e ajudar o paciente a retomar, quando possível, uma alimentação oral mais segura. Se a deglutição melhora, a vida do paciente melhora junto - e isso vale ouro no contexto oncológico. As outras alternativas exageram, restringem demais ou focam em um pedaço pequeno do problema. Em disfagia severa, a conduta pode até exigir suporte enteral temporário, mas isso não substitui o objetivo da reabilitação fonoaudiológica. A ideia é recuperar função e segurança, não desistir da via oral de saída.