A afasia é um distúrbio de linguagem de etiologia neurológica que pode acometer tanto a expressão quanto a recepção. As alterações podem variar em grau, limitando a capacidade de o indivíduo se comunicar de forma eficaz. Pode acometer todos os elementos da linguagem, todas as modalidades de comunicação, assim como os modos de input e output. Um paciente com alteração de linguagem, após acidente vascular cerebral, com discurso fluente, deficit na nomeação e compreensão, e repetição preservada, apresenta afasia:
- A)De Broca.
Errada, porque a afasia de Broca costuma ter fala não fluente, com fala esforço e repetição prejudicada.
- B)De Wernicke.
Errada, porque na afasia de Wernicke a fala é fluente e a compreensão é ruim, mas a repetição geralmente também está comprometida.
- C)De condução.
Errada, porque a afasia de condução costuma ter fala fluente e repetição bem prejudicada, além de dificuldade de nomeação.
- D)Transcortical motora.
Errada, porque a afasia transcortical motora tem fala não fluente, com compreensão relativamente preservada e repetição preservada.
- E)Transcortical sensorial.
Certa, porque o padrão descrito é de fala fluente, compreensão prejudicada, nomeação alterada e repetição preservada, típico de afasia transcortical sensorial.
Gabarito: E
A afasia é um quadro de alteração de linguagem causado por lesão neurológica, muito comum após AVC. O segredo para identificar o tipo de afasia é olhar o trio clássico: fluência, compreensão e repetição. Quando a fala é fluente, mas a compreensão está prejudicada e a repetição fica preservada, a pista aponta para afasia transcortical sensorial. Nesse quadro, a pessoa pode falar bastante, mas a fala pode vir com pouco conteúdo informativo, parafasias e dificuldade de nomeação. O ponto que chama atenção é justamente a repetição preservada, porque isso ajuda a diferenciar de outras afasias fluentes, como a de Wernicke, em que a compreensão também está ruim, mas a repetição costuma estar alterada. A lógica é quase de prova-relâmpago: fluente + compreensão ruim + repetição boa = transcortical sensorial. Já se a fala fosse não fluente, com esforço articulatório e agramatismo, você pensaria em Broca; se fosse fluente com compreensão ruim e repetição ruim, pensaria em Wernicke. É o tipo de questão em que a banca tenta te fazer tropeçar no detalhe da repetição. Então, no caso descrito, o gabarito E está correto porque o paciente apresenta discurso fluente, déficit de compreensão e nomeação, com repetição preservada, padrão típico de afasia transcortical sensorial.