Indivíduos com esclerose lateral amiotrófica, doença neuromuscular degenerativa que acomete neurônios motores superiores e/ou inferiores, apresentam declínios multidimensionais; dentre eles as alterações na fala. Assim, a comunicação por meio da fala fica comprometida, ocorrendo a disartria. Sobre as alterações de fala em pacientes com esclerose lateral amiotrófica, analise as afirmativas a seguir. I. Na esclerose lateral amiotrófica, a disartria pode ocorrer com características espásticas ou flácidas; os pacientes geralmente apresentam prejuízos na articulação, fala lenta e laboriosa, produção consonantal imprecisa, hipernasalidade e aspereza. Entretanto, seja na disartria espástica ou flácida, os pacientes com esclerose lateral amiotrófica que apresentam esse quadro têm um comprometimento considerável na comunicação. II. As alterações motoras da fala em indivíduos com esclerose lateral amiotrófica vêm sendo descritas, ao longo dos anos, com mais intensidade e frequência naqueles indivíduos que apresentam início dos sintomas bulbares. As características bulbares, no declínio motor da fala, evidenciam comprometimento de todos os seus subsistemas, principalmente respiração, fonação, articulação e ressonância, e são percebidas à medida que vai diminuindo a sua inteligibilidade. III. As alterações motoras de fala e linguagem na esclerose lateral amiotrófica impõem à pessoa uma situação de vulnerabilidade comunicativa, caracterizada como qualquer falha no processo de comunicação entre o indivíduo e seu interlocutor, que interfere na sua participação social e pode levar ao desenvolvimento de problemas emocionais e/ou ansiedade, frustração, medo e tristeza gradativamente, afastando-a do convívio social, de familiares e amigos. Está correto o que se afirma em
- A)I, II e III.
A alternativa reúne as três afirmativas, e o conjunto está de acordo com a clínica da esclerose lateral amiotrófica. Nessa doença, a disartria pode apresentar traços espásticos, flácidos ou mistos, com lentidão, imprecisão articulatória, hipernasalidade e voz áspera; além disso, o início bulbar costuma trazer alterações mais marcantes nos subsistemas da fala. Também é correto afirmar que a limitação da comunicação pode gerar vulnerabilidade comunicativa, impacto social e sofrimento emocional.
- B)III, apenas.
Esta opção sustenta que apenas a afirmativa III estaria correta. De fato, ela descreve adequadamente a vulnerabilidade comunicativa causada pela piora da fala na ELA, com repercussões sociais e emocionais. O problema é que as afirmativas I e II também estão corretas, então reduzir a resposta à III torna a alternativa incompleta.
- C)I e II, apenas.
Aqui se sustenta que apenas I e II estariam corretas, isto é, a descrição da disartria na ELA e o padrão mais intenso nos casos de início bulbar. Esses dois pontos são compatíveis com a fisiopatologia da doença e com a evolução da inteligibilidade. Porém, a afirmativa III também está correta ao relacionar a alteração comunicativa a prejuízo na participação social e a impactos emocionais, de modo que a exclusão dela invalida a opção.
- D)I e III, apenas.
A alternativa reúne a descrição clínica da disartria na ELA e os efeitos psicossociais da perda da fala, o que de fato corresponde ao quadro da doença. A limitação está em desconsiderar a afirmativa II, que destaca justamente a maior frequência e intensidade das alterações motoras de fala nos casos de início bulbar, um dado clássico na avaliação fonoaudiológica. Como II também procede, a combinação de I e III não fecha a questão.
- E)II e III, apenas.
Esta opção considera corretas as afirmativas II e III, ou seja, o perfil de maior comprometimento nos casos de início bulbar e a vulnerabilidade comunicativa decorrente da progressão da doença. Ambos os conteúdos são verdadeiros, mas a afirmativa I também é correta ao caracterizar os sinais típicos da disartria na ELA, como lentidão, imprecisão consonantal, hipernasalidade e aspereza vocal. Por isso, a alternativa deixa de incluir uma proposição igualmente válida.
Gabarito: A
Na esclerose lateral amiotrófica (ELA), a fala costuma ser atingida porque a doença compromete neurônios motores superiores e/ou inferiores, o que pode gerar quadros de disartria espástica, flácida ou, mais frequentemente, uma mistura das duas. Na prática, isso aparece como fala lenta e esforçada, articulação imprecisa, alteração de voz, ressonância alterada e redução da inteligibilidade. A pessoa até quer falar, mas o sistema motor começa a fazer greve no meio do caminho. A afirmativa I está correta porque descreve exatamente esse padrão: na ELA podem surgir características espásticas ou flácidas, com prejuízo importante na comunicação. A II também está correta, pois os casos com início bulbar costumam apresentar alterações mais evidentes na fala, com comprometimento de subsistemas como respiração, fonação, articulação e ressonância, levando à queda da inteligibilidade. A III também está correta porque essas alterações de fala e linguagem geram vulnerabilidade comunicativa, isto é, dificuldade real de troca com o interlocutor, com impacto na participação social e possível repercussão emocional, como frustração, medo, tristeza e ansiedade. Esse raciocínio é bem alinhado à abordagem fonoaudiológica contemporânea, que não olha só para a função motora, mas também para o efeito na vida cotidiana e na interação social. Por isso, o gabarito é a letra A: todas as afirmativas estão compatíveis com o quadro fonoaudiológico da ELA e com a forma como a disartria costuma se manifestar nesses pacientes.