Os programas de saúde auditiva neonatal têm por objetivo a realização de ações que visem minimizar as consequências causadas por perdas auditivas congênitas e permanentes em lactentes. São ações que envolvem a triagem auditiva, o diagnóstico médico e audiológico e a intervenção terapêutica, quando necessária, a fim de garantir o desenvolvimento da fala e da linguagem em lactentes com deficiência auditiva. Assinale a afirmativa correta.
- A)A Triagem Auditiva Neonatal Universal (TANU), realizada preferencialmente nas maternidades no primeiro dia de vida, nos lactentes que possuem Indicadores de Risco para a Deficiência Auditiva (IRDA), permite a identificação de possíveis alterações auditivas.
Errada, porque a TANU é realizada em todos os recém-nascidos, e não apenas em lactentes com IRDA, além de não ser restrita ao primeiro dia de vida.
- B)No caso de falha no teste e reteste da TANU, a etapa seguinte de diagnóstico é deflagrada. O processo de diagnóstico envolve apenas a avaliação fonoaudiológica com procedimentos eletrofisiológicos e eletroacústicos, sendo sua conclusão recomendada até o primeiro ano de vida, em 90% dos lactentes encaminhados após falha na TANU.
Errada, porque o diagnóstico não envolve apenas avaliação fonoaudiológica e exames eletrofisiológicos/eletroacústicos, e a meta não é aguardar até o primeiro ano, mas concluir o quanto antes.
- C)Na fase de diagnóstico, pretende-se confirmar a alteração auditiva, caracterizando-a pelo seu tipo, grau e configuração, por meio de exames como o Potencial Evocado Auditivo de Troncoencefálico (PEATE), com estímulo clique para verificação de sincronia neuronal e o PEATE com frequências específicas (PEATE-FE) de 500, 1.000, 2.000 e 4.000Hz, por via aérea e via óssea, quando for necessário.
Certa, porque descreve corretamente a fase diagnóstica com PEATE clique, PEATE-FE e via aérea e óssea quando indicada para confirmar e caracterizar a perda auditiva.
- D)Os exames eletroacústicos envolvem a realização das emissões otoacústicas evocadas por estímulo transiente e produto de distorção; a audiometria com reforço visual e comportamental, assim como o registro das medidas de imitância acústica com timpanometria e a pesquisa do reflexo acústico. Preconiza-se que, caso o lactente tenha uma perda auditiva permanente confirmada, a seleção e indicação de dispositivos auditivos e terapias fonoaudiológicas sejam iniciadas até o 2º ano de vida, período propício ao desenvolvimento da plasticidade neuronal.
Errada, porque audiometria com reforço visual e comportamental é método comportamental, não eletroacústico, e a intervenção deve começar bem antes do 2º ano de vida.
Gabarito: C
A saúde auditiva neonatal segue uma lógica bem organizada: primeiro vem a triagem, depois o diagnóstico e, se houver perda confirmada, entra a intervenção o quanto antes. A ideia é simples, mas importantíssima: quanto mais cedo a deficiência auditiva é identificada e tratada, maior a chance de preservar o desenvolvimento da fala e da linguagem. Na prática, isso inclui a Triagem Auditiva Neonatal Universal (TANU), os exames diagnósticos audiológicos e o encaminhamento para adaptação de dispositivos e terapia fonoaudiológica quando necessário. O SUS e as diretrizes brasileiras de saúde auditiva infantil seguem esse raciocínio de detecção e intervenção precoces. A alternativa C está correta porque descreve adequadamente a fase diagnóstica: nela, busca-se confirmar a perda auditiva, definir tipo, grau e configuração, utilizando exames como o PEATE com estímulo clique para avaliar a integridade da via auditiva e sincronia neural, além do PEATE por frequências específicas (PEATE-FE), que ajuda a estimar limiares em 500, 1000, 2000 e 4000 Hz. Quando necessário, complementa-se com via óssea para diferenciar perda condutiva de neurossensorial. O detalhe que derruba muita gente é achar que a triagem já fecha diagnóstico ou que qualquer exame isolado resolve tudo. Não resolve. A TANU é rastreio, não sentença final. Já o diagnóstico exige bateria de exames, análise integrada e, se houver perda permanente, a intervenção deve começar cedo, preferencialmente ainda nos primeiros meses de vida, e não só perto do segundo ano. Em saúde auditiva infantil, tempo é linguagem.