A incidência da disfagia na população pediátrica tem aumentado possivelmente como resultado da melhora nas taxas de sobrevivência de crianças com histórico de prematuridade, baixo peso ao nascer e com condições médicas complexas. Considerando a intervenção fonoaudiológica nas disfagias infantis, assinale a afirmativa correta.
- A)O processo de avaliação e intervenção fonoaudiológica deve sempre respeitar o quadro clínico do paciente. A variação de idade pouco influencia na definição de estratégias e seleção de recursos, pois há pouco impacto no desempenho funcional do indivíduo.
Errada, porque a idade influencia muito na seleção de estratégias e recursos, e o desempenho funcional na pediatria muda conforme o desenvolvimento.
- B)Quando a alimentação por via oral não é mais segura e possível, o fonoaudiólogo tem a função de definir e orientar medidas de conforto, tão importantes nessa população, além de discutir com a equipe assistencial possíveis vias alternativas de alimentação, respeitando as especificidades de cada caso.
Certa, porque quando a via oral não é segura o fonoaudiólogo deve orientar medidas de conforto e discutir, com a equipe, alternativas de alimentação adequadas ao caso.
- C)Quando se trata de uma criança hospitalizada, a segurança alimentar é a variável mais importante no processo de intervenção fonoaudiológica, sendo desconsiderado o quanto a alimentação deve ser atrativa e prazerosa, pois o local e a condição clínica do paciente pouco influenciam nos resultados esperados.
Errada, porque a alimentação na criança hospitalizada também precisa ser prazerosa e adaptada ao contexto, e a segurança não exclui a importância do ambiente e da experiência alimentar.
- D)Os sinais e sintomas clínicos dos distúrbios de alimentação e de deglutição na pediatria variam conforme a idade da criança, tais como tosse, engasgo, alterações do padrão respiratório, pneumonias ou infecções respiratórias recorrentes, queda dos níveis de saturação de oxigênio, ruído respiratório, mudanças da qualidade vocal, perda de peso ou dificuldade de ganho ponderal, desidratação, desnutrição e tempo de alimentação prolongado. A recusa alimentar não é considerada como sinal e sintoma de disfagia, mas sim de dificuldade alimentar, situação que possui diretrizes de avaliação e intervenção próprias.
Errada, porque a recusa alimentar também pode ser um sinal importante e integra a avaliação de dificuldades alimentares e/ou disfagia, exigindo abordagem específica.
Gabarito: B
Na disfagia pediátrica, a intervenção fonoaudiológica não olha só para a segurança da deglutição, mas para o binômio segurança e prazer alimentar. Em crianças, comer envolve desenvolvimento, vínculo, experiência sensorial e participação da família, então a conduta precisa respeitar idade, quadro clínico, ambiente e necessidades individuais. Quando a via oral deixa de ser segura ou suficiente, o fonoaudiólogo não “abandona” o caso. Ele ajuda a equipe a definir medidas de conforto, orienta adaptações e discute alternativas de alimentação, sempre considerando o melhor interesse da criança e as particularidades clínicas. Isso é coerente com a prática interdisciplinar em pediatria e com o cuidado centrado no paciente. Por isso, a alternativa B está correta: ela reconhece o papel do fonoaudiólogo na orientação de conforto e na discussão de vias alternativas quando a alimentação oral não é segura. Em pediatria, esse raciocínio é essencial, porque insistir na via oral a qualquer custo pode aumentar risco respiratório, sofrimento e piora nutricional. As outras alternativas erram ao minimizar o impacto da idade, do contexto clínico e da recusa alimentar. Na disfagia infantil, os sinais podem variar bastante conforme a fase do desenvolvimento, e recusa alimentar não deve ser tratada como detalhe: ela pode indicar um transtorno alimentar pediátrico, que exige avaliação própria.