A apraxia de fala adquirida é definida como um distúrbio da programação motora da fala manifestada primariamente por erros de articulação. Sua etiologia é neurológica e pode ser decorrente de diversos insultos neurológicos como acidente vascular encefálico, traumatismo cranioencefálico, tumores, doenças neurodegenerativas, dentre outros. Sobre a apraxia de fala, analise as afirmativas a seguir. I. A apraxia de fala costuma acompanhar quadros de afasia, o que dificulta a diferenciação das manifestações fonológicas e das fonéticas. II. Dentre as características da apraxia de fala, há a repetição de fonemas e de sílabas, a autocorreção e o ensaio articulatório. III. Manifestações como prolongamento de vogais, aumento da distância interssilábica e distorção fonêmica estão mais diretamente relacionadas à apraxia de fala. Está correto o que se afirma em
- A)I, II e III.
Correta, porque os três itens descrevem sinais e contexto clínico compatíveis com a apraxia de fala adquirida.
- B)I e II, apenas.
Errada, porque o item III também está correto e traz manifestações típicas da apraxia de fala.
- C)I e III, apenas.
Errada, porque o item II está correto e descreve comportamentos clássicos como repetição, autocorreção e ensaio articulatório.
- D)II e III, apenas.
Errada, porque o item I também está correto, já que a apraxia de fala costuma coexistir com afasia.
Gabarito: A
A apraxia de fala adquirida é um distúrbio neurológico da programação motora da fala: a pessoa sabe o que quer dizer, mas o cérebro “embaralha” a montagem dos movimentos articulatórios. Por isso aparecem erros inconsistentes, tentativas de ajustar a emissão e muita dificuldade para organizar sons, sílabas e palavras em sequência. Como ela costuma surgir após lesão cerebral, é bem comum andar junto com afasia, o que realmente pode confundir a análise entre alterações fonológicas e fonéticas. Na prática, alguns sinais são bem típicos: repetição de fonemas e sílabas, autocorreção, ensaio articulatório, alongamento de vogais, segmentação silábica maior do que o normal e distorções de sons. Ou seja, a fala pode parecer “travada”, com esforço visível e várias tentativas até sair. Isso explica por que os itens II e III descrevem manifestações clássicas da apraxia de fala. O item I também está correto porque a apraxia de fala frequentemente aparece associada a afasia, especialmente em quadros de lesão cerebral esquerda, e essa associação dificulta separar o que é problema linguístico do que é problema motor. Na literatura fonoaudiológica, essa coocorrência é bem reconhecida, então a banca cobrou uma leitura fina das características clínicas. Resumo da ópera: os três itens estão corretos. O gabarito A faz sentido porque reúne a associação com afasia, os comportamentos de tentativa e autocorreção e os sinais motores característicos como prolongamento vocálico e distorção articulatória.