← Questões de Fonoaudiologia

Fonoaudiologia · CONSULPLAN · 2023

Questão comentada de Fonoaudiologia

Paciente, 73 anos de idade, apresenta histórico de Acidente Vascular Cerebral isquêmico (AVC), em região fronto-temporal. Cursa com hemiplegia à direita; dificuldades na nomeação; repetição e compreensão preservadas; presença de perserverações, hesitações; e, prosódia preservada. A hipótese diagnóstica fonoaudiológica é que o paciente apresenta afasia

Gabarito: C

Neste caso, o quadro aponta para afasia transcortical motora: a pessoa fala pouco, com hesitações e perseverações, tem dificuldade para nomear, mas preserva a repetição e a compreensão. Isso costuma aparecer quando há lesão em áreas frontais anteriores ou fronto-subcorticais, que “travem” a iniciação da fala, sem destruir o circuito de repetição. É como se a ideia até chegasse, mas a saída da fala ficasse com o freio de mão puxado. O detalhe mais importante da questão é justamente a combinação: nomeação prejudicada + repetição preservada + compreensão preservada. Na afasia de Broca, a repetição costuma estar alterada; na de Wernicke, a compreensão fica comprometida e a fala tende a ser fluente, porém vazia. Já nas afasias transcorticais, a repetição fica preservada, o que ajuda muito a separar os diagnósticos. A lesão em região fronto-temporal, com hemiplegia direita, reforça acometimento do hemisfério esquerdo em áreas anteriores da linguagem e da motricidade. A prosódia preservada também combina com um quadro não típico de afasia de Broca clássica, que costuma ter fala mais expressivamente reduzida e menos fluida. Então, o gabarito C fecha redondinho. Na prática fonoaudiológica e na semiologia neurológica, esse padrão é um clássico de prova: se a repetição está preservada, pense primeiro em afasias transcorticais. O resto da vinheta serve para “temperar” a história, mas o núcleo do diagnóstico está nessa dissociação entre fala espontânea, nomeação e repetição.

Continue treinando

Questões relacionadas