Paciente, 73 anos de idade, apresenta histórico de Acidente Vascular Cerebral isquêmico (AVC), em região fronto-temporal. Cursa com hemiplegia à direita; dificuldades na nomeação; repetição e compreensão preservadas; presença de perserverações, hesitações; e, prosódia preservada. A hipótese diagnóstica fonoaudiológica é que o paciente apresenta afasia
- A)de Broca.
Errada, porque na afasia de Broca a repetição costuma estar prejudicada, além de haver fala não fluente mais marcada.
- B)de Wernicke.
Errada, pois a afasia de Wernicke cursa com compreensão alterada e fala fluente, geralmente com conteúdo pouco informativo.
- C)transcortical motora.
Certa, porque há dificuldade de nomeação com compreensão e repetição preservadas, padrão típico de afasia transcortical motora.
- D)transcortical sensorial.
Errada, já que a afasia transcortical sensorial costuma ter compreensão alterada, apesar de repetir bem.
Gabarito: C
Neste caso, o quadro aponta para afasia transcortical motora: a pessoa fala pouco, com hesitações e perseverações, tem dificuldade para nomear, mas preserva a repetição e a compreensão. Isso costuma aparecer quando há lesão em áreas frontais anteriores ou fronto-subcorticais, que “travem” a iniciação da fala, sem destruir o circuito de repetição. É como se a ideia até chegasse, mas a saída da fala ficasse com o freio de mão puxado. O detalhe mais importante da questão é justamente a combinação: nomeação prejudicada + repetição preservada + compreensão preservada. Na afasia de Broca, a repetição costuma estar alterada; na de Wernicke, a compreensão fica comprometida e a fala tende a ser fluente, porém vazia. Já nas afasias transcorticais, a repetição fica preservada, o que ajuda muito a separar os diagnósticos. A lesão em região fronto-temporal, com hemiplegia direita, reforça acometimento do hemisfério esquerdo em áreas anteriores da linguagem e da motricidade. A prosódia preservada também combina com um quadro não típico de afasia de Broca clássica, que costuma ter fala mais expressivamente reduzida e menos fluida. Então, o gabarito C fecha redondinho. Na prática fonoaudiológica e na semiologia neurológica, esse padrão é um clássico de prova: se a repetição está preservada, pense primeiro em afasias transcorticais. O resto da vinheta serve para “temperar” a história, mas o núcleo do diagnóstico está nessa dissociação entre fala espontânea, nomeação e repetição.