O nervo facial origina-se no núcleo situado na ponte, emergindo da parte lateral do sulco bulbopontino. Em seguida, penetra no osso temporal pelo meato acústico interno, emerge do crânio pelo forame estilomastoideo, passa pela glândula parótida e se distribui aos músculos da mímica por meio de ramos. Considere que certo paciente sofreu um acidente vascular encefálico, cuja lesão envolveu neurônios motores piramidais do córtex frontal, responsáveis pelos movimentos voluntários, comprometendo apenas os movimentos do terço inferior da face. O caso descrito trata-se de paralisia:
- A)Facial central.
Correta, porque lesão do neurônio motor superior/cortical causa paralisia facial central, poupando a musculatura da testa e atingindo principalmente o terço inferior da face.
- B)Facial periférica.
Errada, porque a paralisia periférica ocorre por lesão do próprio nervo facial e costuma comprometer toda a hemiface, incluindo a testa.
- C)Cerebral espástica.
Errada, porque 'cerebral espástica' não é a denominação clínica usada para esse padrão de paralisia facial.
- D)Do neurônio motor superior.
Errada, porque a lesão do neurônio motor superior explica o quadro, mas a classificação específica aqui é paralisia facial central, não apenas a descrição neuroanatômica.
Gabarito: A
O nervo facial (VII par) comanda, entre outras coisas, a mímica facial. Quando ele sofre lesão na sua via central, isto é, na via cortico-nuclear que vem do córtex motor, o quadro costuma poupar a testa e afetar principalmente o terço inferior da face do lado oposto. Isso acontece porque a porção superior da face recebe inervação bilateral, enquanto a metade inferior depende mais da via contralateral. No AVC descrito, a lesão atingiu neurônios motores piramidais do córtex frontal, então o problema não está no nervo facial em si, mas na ordem que sai do cérebro para os núcleos do tronco encefálico. Resultado prático: a pessoa até consegue franzir a testa, mas apresenta assimetria ao sorrir, falar e mostrar os dentes. É o clássico padrão de paralisia facial central. Já na paralisia periférica, o dano ocorre no próprio nervo facial, depois de ele sair do tronco encefálico. Nesse caso, a hemiface toda fica comprometida, incluindo testa e boca, porque a lesão pega o trajeto final do nervo. Então, quando o enunciado fala em lesão cortical com acometimento só do terço inferior da face, não tem mistério: é lesão central. Em provas de Fonoaudiologia, esse é um detalhe muito cobrado: central = lesão acima do núcleo, com preservação da testa; periférica = lesão no nervo, com fraqueza da face toda. A banca costuma explorar exatamente essa diferença anatômico-funcional, porque ela muda completamente a interpretação clínica.