A apraxia de fala na infância manifesta-se pela inabilidade de produzir fonemas e sílabas com precisão e consistência, considerando-se aspectos articulatórios e suprassegmentais. Acredita-se que o planejamento motor deficitário seja o responsável e a base desse transtorno, comprometendo, assim, a formação de palavras e sentenças. Analise as afirmativas a seguir. I. A apraxia de fala na infância caracteriza-se pela ininteligibilidade de fala, devido à presença de erros durante produções repetitivas de sílabas e palavras, que podem ocorrer tanto em consoantes, como em vogais, com destaque para coarticulação inadequada na transição entre fonemas e sílabas, assim como prosódia inapropriada e assistematicidade de erros. II. A apraxia de fala pode ocorrer devido a comprometimentos no sistema nervoso central, genéticos e/ou somando-se aos distúrbios neurocomportamentais complexos. Algumas de suas características podem estar presentes em quadros cujos sons da fala estão prejudicados, como em distúrbios de ordem fonológica severos. III. Estudos demonstram que a apraxia repercute em todos os níveis linguísticos da criança, enfatizando a importância de uma avaliação ampla da linguagem para um diagnóstico preciso e adequado e não apenas de aspectos motores e/ou articulatórios, mesmo que esses se mostrem significativamente comprometidos na apraxia de fala infantil. Está correto o que se afirma em
- A)I, II e III.
A alternativa reúne I, II e III, e isso corresponde ao quadro descrito na literatura sobre apraxia de fala na infância. A afirmativa I traz sinais clássicos do transtorno, como erros inconsistentes em repetições, dificuldade de transição entre sons e sílabas, alterações em consoantes e vogais e prosódia inadequada. As afirmativas II e III também se sustentam porque a apraxia pode estar associada a bases neurológicas e genéticas, pode coexistir com outros distúrbios do desenvolvimento e exige avaliação ampla da linguagem, não restrita à articulação.
- B)I e II, apenas.
Esta opção afirma que somente I e II estariam corretas. O problema é que a afirmativa III também procede ao destacar que a apraxia infantil pode repercutir para além da execução motora da fala, afetando o desenvolvimento linguístico e exigindo avaliação global. Ao excluir III, a alternativa deixa de considerar um aspecto importante do transtorno, que é justamente seu impacto amplo na linguagem.
- C)I e III, apenas.
Aqui se sustenta que apenas I e III estariam corretas. O equívoco está em desconsiderar a afirmativa II, que é compatível com a literatura ao relacionar a apraxia de fala infantil a comprometimentos do sistema nervoso central, fatores genéticos e quadros neurocomportamentais complexos. Além disso, é reconhecida a sobreposição de sinais com distúrbios fonológicos severos, o que torna a assertiva II verdadeira.
- D)II e III, apenas.
Esta alternativa diz que somente II e III estão corretas. O erro é desconsiderar a afirmativa I, que descreve exatamente traços centrais da apraxia de fala infantil, como inconsistência dos erros, prejuízo na coarticulação entre fonemas e sílabas e prosódia alterada. Esses elementos são fundamentais para identificar o transtorno e diferenciam a apraxia de outras alterações de fala.
Gabarito: A
A apraxia de fala na infância é um transtorno de planejamento/programação motora da fala. Em vez de o problema ser apenas “saber o som”, a criança tem dificuldade para organizar os movimentos necessários para produzir fonemas e sílabas com precisão e de modo consistente. Por isso aparecem erros variáveis, dificuldade em sequenciar sons, transições articulatórias ruins e alteração de prosódia, como ritmo e entonação estranhos. A afirmativa I está correta porque descreve justamente esse quadro: fala pouco inteligível, erros em repetições, inconsistência, alteração na coarticulação e prosódia inadequada. Na prática, a criança pode acertar uma vez e errar logo depois, o que é bem típico quando o problema é de planejamento motor. A afirmativa II também está correta. A apraxia pode estar associada a alterações do sistema nervoso central, fatores genéticos e a quadros neurocomportamentais mais complexos. Além disso, alguns sinais podem se confundir com outros transtornos dos sons da fala, como distúrbios fonológicos severos, o que exige cuidado na avaliação diferencial. A afirmativa III também está certa porque a apraxia não repercute só na articulação. Ela pode afetar linguagem oral de forma mais ampla, inclusive organização linguística, produção de palavras e sentenças. Por isso, a avaliação precisa ser global, e não limitada a “ver se a língua e os lábios mexem bem”. Assim, o gabarito A está correto: I, II e III estão de acordo com a literatura fonoaudiológica sobre apraxia de fala na infância.