A Vertigem Posicional Paroxística Benigna (VPPB) é uma doença do sistema vestibular, caracterizada por uma vertigem posicional que ocorre quando o indivíduo assume determinadas posições da cabeça. Sobre a VPPB, analise as afirmativas a seguir. I. Na VPPB, ocorre o descolamento dos cristais de carbonato de cálcio do utrículo para os canais semicirculares, sendo considerada uma doença do sistema vestibular periférico. São descritos dois tipos de VPPB: a canalitíase (ou ductolitíase), que é a forma mais frequente, em que há fragmentos de cristais de carbonato de cálcio flutuando livremente na endolinfa do canal; e, a cupulolitíase, forma mais rara, na qual os fragmentos estão aderidos à cúpula do canal. II. Na canalitíase, quando a cabeça é colocada na posição provocadora, os cristais de carbonato de cálcio deslocam-se com a endolinfa, empurrando a cúpula e aumentando o índice de disparo dos neurônios deste canal. A latência das respostas é associada ao tempo necessário para a deflação da cúpula pela atração da endolinfa. A redução dos sintomas ocorre à medida que a posição é mantida, pois há cessação do movimento da endolinfa. III. Na cupulolitíase, os cristais de carbonato de cálcio estão aderidos à cúpula; desta maneira, ela permanece defletida por todo o tempo em que o paciente fica na posição que a provoca. O nistagmo e a vertigem continuam, mesmo que a intensidade possa decair ligeiramente devido à adaptação central. Está correto o que se afirma em
- A)I, II e III.
A alternativa reúne as três proposições sobre a VPPB, descrevendo-a como um distúrbio vestibular periférico causado por otocônias que se deslocam do utrículo para os canais semicirculares. Também acerta ao diferenciar canalitíase, quando os cristais ficam livres na endolinfa, e cupulolitíase, quando ficam aderidos à cúpula, além de reconhecer a latência e a persistência dos sintomas em cada mecanismo. Por isso, a soma I, II e III está correta.
- B)I, apenas.
Esta alternativa afirma que apenas a proposição I estaria certa. A I realmente traz a definição clássica da VPPB, com deslocamento de cristais de carbonato de cálcio e divisão entre canalitíase e cupulolitíase. O erro é excluir as proposições II e III, porque ambas descrevem adequadamente os mecanismos clínicos desses dois tipos, com latência na canalitíase e sintomas mais persistentes na cupulolitíase.
- C)II, apenas.
Aqui se sustenta que somente a proposição II estaria correta. A II explica bem a canalitíase, na qual as partículas livres na endolinfa geram deflexão da cúpula, nistagmo com latência e redução dos sintomas quando o movimento do canal se esgota. O problema é que a I também está correta ao conceituar a VPPB e a III também descreve corretamente a cupulolitíase, então não há como limitar a resposta apenas à II.
- D)III, apenas.
A alternativa diz que apenas a proposição III estaria correta. A III descreve de forma adequada a cupulolitíase, em que as otocônias aderem à cúpula e mantêm a deflexão enquanto a cabeça permanece na posição desencadeante, com vertigem e nistagmo mais duradouros. Contudo, a I também está certa ao definir a VPPB e a II corresponde ao mecanismo da canalitíase, de modo que a exclusividade atribuída à III está incorreta.
Gabarito: A
A VPPB é um clássico da vestibular periférica: a pessoa sente a vertigem ao mexer a cabeça em certas posições, como ao deitar, virar na cama ou olhar para cima. O mecanismo mais cobrado é o deslocamento de otólitos, que são cristais de carbonato de cálcio, do utrículo para um canal semicircular, alterando a resposta normal daquele sistema. É uma condição benigna, mas bem chata, porque o mundo parece querer girar sem pedir licença. A questão traz corretamente os dois mecanismos principais. Na canalitíase, que é a forma mais comum, os cristais ficam livres na endolinfa e se movem com a mudança de posição, gerando uma resposta com latência e duração limitada, porque o estímulo vai diminuindo quando o movimento para. Já na cupulolitíase, os cristais ficam aderidos à cúpula, tornando-a mais pesada e defletida enquanto a cabeça permanece na posição desencadeante. Por isso, na cupulolitíase, o nistagmo e a vertigem tendem a persistir por mais tempo, com menor adaptação ao longo do episódio. Na canalitíase, a explicação da latência e da redução dos sintomas conforme a posição é mantida faz sentido exatamente porque o fluxo da endolinfa se esgota. Esse é o raciocínio fisiopatológico cobrado em provas e também o que sustenta as manobras de reposicionamento usadas no tratamento. Logo, as três afirmativas estão corretas, o que torna o gabarito A adequado. Em termos práticos, a banca quer que você saiba reconhecer o mecanismo, diferenciar canalitíase de cupulolitíase e associar cada uma ao comportamento do nistagmo e da vertigem.