Os programas de identificação precoce da deficiência auditiva têm sido desenvolvidos no Brasil, desde a década de 80, com populações de alto e baixo risco, utilizando-se procedimentos comportamentais e eletrofisiológicos. Sabe-se que a perda auditiva não detectada tem impacto negativo no desenvolvimento da linguagem e na socialização da criança, uma vez que a integridade anatômica e funcional do sistema auditivo é fator crítico para a aquisição de linguagem. Sobre a avaliação audiológica, assinale a afirmativa correta.
- A)O estudo da imitância da orelha média – imitanciometria – oferece grande número de aplicações práticas. Informa com precisão a integridade funcional do conjunto tímpano-ossicular e a condução do impulso nervoso até a orelha média, possibilitando o diagnóstico diferencial entre as deficiências auditivas sensorioneurais, mistas e condutivas.
Errada, porque a imitanciometria avalia principalmente a orelha média e não a condução do impulso nervoso até a orelha média, nem diferencia sozinha todas as perdas auditivas como a frase sugere.
- B)Os testes comportamentais visam avaliar o sistema auditivo e demonstram a resposta efetiva do sujeito a partir do que ele ouve. A audiometria convencional tem por finalidade estimar o limiar auditivo em cada frequência. O exame testa as frequências entre 250 Hz e 8.000 Hz e o padrão de normalidade é estabelecido quando os limiares auditivos estão abaixo de 25 dB.
Certa, porque a audiometria convencional estima limiares auditivos por frequência, geralmente entre 250 Hz e 8.000 Hz, e considera normalidade limiares abaixo de 25 dB.
- C)A triagem com emissões otoacústicas apresenta menor número de falsos positivos e falsos negativos. Por sua rapidez, por seu caráter não-invasivo e por sua fidedignidade é um teste com o perfil ideal para programas de triagem. As emissões otoacústicas evocadas são registradas na grande maioria dos indivíduos que apresentam audição normal, independente de idade e sexo. Sua presença indica a integridade da orelha interna, podendo estabelecer os limiares de cada orelha.
Errada, porque as emissões otoacústicas são excelentes para triagem, mas não estabelecem limiares auditivos e sua presença não garante, sozinha, audição normal em todos os casos.
- D)As Emissões Otoacústicas Evocadas (EOAE) classificam-se em: transitórias ou transientes (EOAT) – evocadas por um estímulo acústico longo, normalmente tone burst, de espectro curto que abrange um gama de frequências; produto de distorção (EOAPD) – evocadas por dois tons puros simultâneos (f1 e f2) que por intermodulação produzem como resposta um produto de distorção (f1-2f2); ou estímulo-frequência (EOAEF) – evocadas por sinal contínuo de forte intensidade na frequência do estímulo apresentado, sendo mais usadas clinicamente em decorrência de seu registro oferecer facilidades técnicas e o tempo de exame ser menor.
Errada, porque os transientes são evocadas por estímulo breve de clique, e a descrição dos tipos e dos mecanismos de evocação está incorreta em mais de um ponto.
Gabarito: B
Na avaliação audiológica infantil, o objetivo é descobrir o mais cedo possível se existe alteração auditiva e, se houver, qual o tipo e o grau. Isso importa muito porque a audição é um dos pilares da aquisição da linguagem, da fala e da socialização da criança. Quando a perda não é detectada cedo, a criança pode ter atraso de linguagem e dificuldade de interação, mesmo que tenha boa inteligência e boa estrutura anatômica aparente. A audiometria convencional é um exame comportamental usado para estimar os limiares auditivos em diferentes frequências. Em geral, ela avalia de 250 Hz a 8.000 Hz, e considera-se normalidade quando os limiares ficam abaixo de 25 dB. É exatamente essa a lógica da alternativa B: ela descreve corretamente a finalidade da audiometria e o padrão de normalidade adotado na prática clínica. Já a imitanciometria não mede a condução do impulso nervoso nem identifica diretamente perda sensorioneural. Ela avalia a função da orelha média, especialmente a mobilidade do sistema tímpano-ossicular e o reflexo acústico, ajudando no diagnóstico diferencial das perdas auditivas. Ou seja, ela é ótima, mas não faz o que a alternativa A afirma. As emissões otoacústicas são muito úteis na triagem neonatal porque são rápidas, objetivas e não invasivas, mas não estimam limiares auditivos e sua presença não garante audição normal em todos os casos. A banca CONSULPLAN costuma cobrar esse detalhe: exame de triagem não é sinônimo de audiometria completa. Em resumo, a alternativa B está correta porque descreve adequadamente a audiometria convencional e seus parâmetros básicos.