A necessidade de assegurar o monitoramento auditivo de lactentes com indicadores de risco advém do aumento na possibilidade de perda auditiva de início tardio ou progressiva nesses indivíduos. Alguns fatores podem favorecer este monitoramento, proporcionando melhorias na efetividade do programa de saúde auditiva infantil, tais como o investimento em orientação às famílias quanto à importância da audição para o desenvolvimento da linguagem, visando melhorar sua adesão ao acompanhamento audiológico e, consequentemente, proporcionar o diagnóstico de uma eventual perda auditiva. A implantação de programas de Triagem Auditiva Neonatal Universal (TANU) é uma forma de viabilizar o diagnóstico precoce da deficiência auditiva, a fim de minimizar os efeitos negativos no desenvolvimento infantil. Sobre o diagnóstico precoce da perda auditiva, assinale a afirmativa INCORRETA.
- A)Recém-nascidos com fatores de risco para deficiência auditiva, independente de serem a termo ou pré-termo, apresentam maiores possibilidades de terem deficiência auditiva sensorioneural. Há evidências da relação entre a presença de emissões otoacústicas e a idade gestacional para ambas as orelhas, ou seja, quanto menor a idade gestacional, maior a chance de ter Emissões Otoacústicas Transientes presentes.
Errada, porque a menor idade gestacional não aumenta a chance de emissões otoacústicas presentes; ao contrário, ela se associa a maior risco de alteração auditiva.
- B)A perda auditiva pode ser de origem genética ou adquirida. No caso das adquiridas, as causas poderiam ser evitadas como, por exemplo, infecções ocorridas durante a gestação, meningite e o uso de medicamentos ototóxicos. A prematuridade é um indicador de risco que geralmente aparece associado ao baixo peso ao nascimento. Em geral, os prematuros apresentam baixo peso somado a várias outras intercorrências que podem resultar em perda auditiva.
Certa, pois perdas auditivas podem ter causas genéticas ou adquiridas, e prematuridade/baixo peso costumam aparecer como indicadores de risco associados.
- C)O processo de maturação do sistema auditivo central ocorre durante os primeiros anos de vida. A identificação precoce das alterações auditivas possibilita a intervenção ainda no período crítico e ideal de estimulação da linguagem e da audição. A experiência auditiva neste período de maior plasticidade cerebral, em que novas conexões neurais se estabelecem, é imprescindível para favorecer o desenvolvimento da audição e da linguagem.
Certa, porque o sistema auditivo central amadurece nos primeiros anos e a intervenção precoce é decisiva no período crítico de desenvolvimento da linguagem.
- D)Em recém-nascidos e lactentes, a perda auditiva pode ocorrer por causas pré-natais – herança genética, síndromes genéticas, malformações da orelha interna, infecções congênitas pelo vírus da rubéola, citomegalovírus, herpes, toxoplasmose e sífilis, e também pelo uso de substâncias teratogênicas durante a gestação; perinatais – anóxia, prematuridade, peso abaixo de 1.500 gramas, hiper-bilirrubinemia, traumatismo craniano,trauma sonoro; ou, pós-natais – causas metabólicas, como hipotireoidismo e diabetes, infecções virais como rubéola, varicela-zoster, influenza, caxumba, citomegalovírus, entre outros, labirintite e meningite bacteriana, encefalite e otite média crônica. Há outras causas menos frequentes, como doenças autoimunes, acidose tubular renal, neoplasias, trauma craniano,trauma acústico, e utilização de drogas ototóxicas – aminoglicosídeos, diuréticos de alça, cisplatina, dentre outras.
Certa, pois organiza corretamente as causas pré-natais, perinatais e pós-natais de perda auditiva em recém-nascidos e lactentes.
Gabarito: A
O diagnóstico precoce da perda auditiva é um daqueles temas que parecem simples, mas o detalhe muda tudo. Em neonatos e lactentes, a ideia central é identificar cedo fatores de risco, porque a audição é base para o desenvolvimento da linguagem, da fala e da interação social. Quanto mais cedo a triagem e o seguimento, maior a chance de intervir no período de maior plasticidade cerebral. A Triagem Auditiva Neonatal Universal (TANU) e o monitoramento dos bebês com indicadores de risco existem exatamente para isso: não deixar passar perdas auditivas de início tardio, progressivas ou até aquelas que não aparecem logo ao nascimento. Isso é especialmente importante em prematuros, baixo peso, crianças expostas a infecções congênitas e uso de drogas ototóxicas. O item A está incorreto porque inverte a lógica do achado auditivo. A literatura aponta que quanto menor a idade gestacional, maior o risco de alterações auditivas e maior a chance de alterações nas emissões otoacústicas, não de maior presença delas. Em outras palavras, prematuridade não é sinônimo de "melhor resposta auditiva"; é um fator de risco e exige vigilância. As demais alternativas estão compatíveis com os principais fatores etiológicos e com a importância do diagnóstico precoce para reduzir prejuízos no desenvolvimento da linguagem. Em resumo: quando a banca fala de monitoramento auditivo infantil, ela costuma cobrar fatores de risco, etiologia e a janela crítica para intervenção.