O manejo das disfagias orofaríngeas consiste na prática especializada do fonoaudiólogo, que pode atuar ambulatorialmente, em domicílio ou em hospitais. Esta prática exige conhecimentos e técnicas específicas determinadas pelas manifestações dos pacientes. Considerando o processo de reabilitação das disfagias, marque V para as afirmativas verdadeiras e F para as falsas. ( ) O paciente neurológico pode apresentar diversas alterações de sensibilidade, em sua maioria, restritas à região intraoral. A sensibilidade é um aspecto importante a ser considerado durante a terapia do paciente com disfagia, pois se a mobilidade do sistema estomatognático é eficaz para preparar o bolo alimentar, a aferência dos estímulos não influencia no tempo de trânsito oral ou mesmo no desencadeamento da deglutição. ( ) No momento da deglutição, há movimentação das paredes laterais e posterior de faringe, pela contração de seus músculos constritores, promovendo o alongamento da faringe e a medialização de suas paredes. Este mecanismo, além de aumentar a pressão na câmara faríngea, empurra dinamicamente o bolo alimentar em direção ao esôfago. Por se tratar de movimentos presentes em uma fase involuntária da deglutição, não há exercícios que auxiliem nesta movimentação e favoreçam uma movimentação mais adequada e ágil do paciente ao engolir, cabendo ao profissional direcionar suas ações apenas para a fase oral da deglutição. ( ) A conjunção de movimentos de elevação e anteriorização do complexo hiolaríngeo é um dos mecanismos que garantem a proteção das vias aéreas. É possível, de certa forma, trabalhar a movimentação laríngea por meio de exercícios que utilizam a fonação, tais como: curvas melódicas e agudos com protrusão exagerada de língua. ( ) O fechamento glótico adequado, fisiologicamente determinado pela ação dos músculos adutores da laringe – tireoaritenoideos, cricoaritenoideos laterais e ariaritenoideos, é também um importante mecanismo de defesa de vias aéreas. Assim, exercícios vocais para adução glótica podem contribuir para o processo de reabilitação das disfagias, se realizados de forma criteriosa e com enfoque funcional e dinâmico. A sequência está correta em
- A)F, F, V, V.
Certa, porque as duas primeiras afirmativas são falsas e as duas últimas são verdadeiras.
- B)V, V, F, F.
Errada, porque inverte a avaliação das afirmativas: as duas primeiras não são verdadeiras e as duas últimas não são falsas.
- C)F, F, F, F.
Errada, porque há duas afirmativas verdadeiras no enunciado, então não é tudo falso.
- D)V, V, V, V.
Errada, porque as duas primeiras afirmativas contêm erros conceituais importantes e não podem ser marcadas como verdadeiras.
Gabarito: A
Na reabilitação da disfagia orofaríngea, o fonoaudiólogo não olha só para a boca: ele avalia sensibilidade, mobilidade, coordenação e proteção de via aérea. Isso porque a deglutição depende de uma cadeia de eventos bem amarrada, e qualquer falha pode atrasar o trânsito do bolo, dificultar o gatilho da deglutição ou aumentar o risco de penetração e aspiração. Em paciente neurológico, alterações sensitivas são comuns e podem ser bem relevantes, inclusive fora da região intraoral, então é erro dizer que a aferência sensorial não interfere na deglutição. Também é falso afirmar que a fase faríngea não pode ser trabalhada. Embora seja uma fase mais reflexa e involuntária, existem exercícios e manobras que ajudam indiretamente a melhorar sua eficiência, como estímulos térmico-táteis, exercícios de força e coordenação, e estratégias que favorecem elevação e fechamento adequados. Ou seja: não se trata de "deixar a fase faríngea para lá" e focar só na oral. A terapia da disfagia costuma integrar as fases, porque a deglutição é um sistema, não peças separadas. Já a elevação e anteriorização do complexo hiolaríngeo realmente são fundamentais para proteger a via aérea e abrir o esfíncter esofágico superior. Exercícios baseados em fonação, como tarefas com voz e ajustes de laringe, podem ser usados em protocolos de reabilitação para favorecer essa mobilidade, sempre com critério e função clínica. Outro ponto correto é que o fechamento glótico, feito pela ação dos músculos adutores da laringe, é mecanismo importante de defesa, e exercícios vocais de adução podem auxiliar na reabilitação quando bem indicados. Por isso, a sequência é F, F, V, V. A banca cobra exatamente essa visão integrada da disfagia: avaliar bem a fisiologia e não cair em duas armadilhas clássicas, que são minimizar o papel da sensibilidade e achar que a fase faríngea não pode ser reabilitada.