Paciente, 56 anos, hipertenso, relata ter sido acometido por Acidente Vascular Encefálico (AVC) em tronco encefálico, sendo a lesão no neurônio motor inferior; apresenta hipernasalidade, voz soprosa e articulação imprecisa das consoantes. O quadro clínico hipotético se refere à disartria:
- A)Flácida.
Correta: a lesão de neurônio motor inferior em tronco encefálico, com hipernasalidade e voz soprosa, é típica de disartria flácida.
- B)Espástica.
Errada: a disartria espástica está ligada a lesão de neurônio motor superior e costuma gerar voz tensa e esforço articulatório, não flacidez.
- C)Hipocinética.
Errada: a disartria hipocinética é clássica do parkinsonismo, com fala reduzida e monótona, e não com hipernasalidade e soprosidade.
- D)Hipercinética.
Errada: a disartria hipercinética envolve movimentos involuntários excessivos, o que não corresponde ao quadro de fraqueza muscular descrito.
Gabarito: A
A disartria é um distúrbio motor da fala, isto é, o problema está na execução da fala e não na formulação da linguagem. Quando a lesão atinge o neurônio motor inferior, especialmente em tronco encefálico, o quadro clássico é de disartria flácida: há fraqueza, redução do tônus muscular e falhas na condução do comando motor para os músculos da fala. Daí surgem sinais como hipernasalidade, voz soprosa e articulação imprecisa, exatamente como descrito no enunciado. O ponto-chave aqui é a localização da lesão. Lesões de neurônio motor inferior costumam deixar a musculatura mais “mole” e menos eficiente, o que compromete respiração, fonação, ressonância e articulação. Por isso a fala fica fraca, soprosa e com escape de ar, muitas vezes com hipernasalidade por incompetência velofaríngea. Já as disartrias espástica, hipocinética e hipercinética têm perfis diferentes: espástica costuma vir de lesão de neurônio motor superior, hipocinética aparece classicamente no Parkinson, e hipercinética envolve movimentos involuntários excessivos. Aqui, nada disso combina com o caso, que é bem mais “queda de tônus e fraqueza” do que rigidez, lentidão ou excesso de movimento. Então, o gabarito é A porque o conjunto AVC em tronco encefálico + lesão de neurônio motor inferior + hipernasalidade + voz soprosa + articulação imprecisa aponta para disartria flácida, um quadro bem característico na fonoaudiologia clínica.