Paciente, 68 anos, foi acometido por Acidente Vascular Encefálico (AVC) isquêmico que provocou lesão anterior à fissura sylviana. Considere os aspectos fonoaudiológicos: não fluente, leve comprometimento da compreensão, repetição e nomeação comprometidas, apresentação de estereotipia, parafasia fonêmica, redução e agramatismo. O quadro clínico hipotético se refere à afasia:
- A)Anômica.
Errada, porque a afasia anômica é fluente e tem como principal problema a nomeação, sem o padrão de fala não fluente e agramatismo descrito.
- B)De broca.
Certa, pois o quadro é compatível com afasia de Broca: não fluente, agramatismo, repetição e nomeação prejudicadas, com lesao frontal anterior à fissura sylviana.
- C)Transcortical mista.
Errada, porque na afasia transcortical mista há repetição preservada por ecolalia, além de prejuízo grave de linguagem, o que não é o caso.
- D)Transcortical motora.
Errada, porque a afasia transcortical motora costuma ter fala pouco fluente, mas com repetição preservada, diferindo do enunciado.
Gabarito: B
A afasia descrita no enunciado é típica de lesao frontal anterior à fissura sylviana, especialmente na área de Broca. Nesses casos, o paciente costuma falar com pouca fluência, em frases curtas, com esforço articulatório e redução importante da produção verbal. Por isso aparecem sinais como agramatismo, estereotipias, parafasias fonêmicas e dificuldade de nomeação e repetição. A compreensão pode ficar levemente comprometida, mas geralmente é bem melhor do que a expressão. Pense assim: o cérebro quer falar, mas a fala sai travada, econômica e com “economia de palavras”. Esse perfil combina muito com afasia de Broca, que é uma afasia não fluente. Já as afasias transcorticais tendem a preservar a repetição, o que não bate com o caso. A anômica, por sua vez, tem como marca principal a dificuldade de nomear, com linguagem fluente, e também não encaixa. Então o gabarito B está correto porque o quadro é de afasia de Broca: fala não fluente, agramatismo, repetição comprometida e lesao frontal anterior à fissura sylviana. É o clássico que cai em prova e que a banca gosta de disfarçar com vários sintomas misturados.