Assinale a opção correta acerca de condutas e métodos de avaliação aplicáveis ao paciente disfágico.
- A)Na reabilitação do paciente disfágico com rebaixamento cognitivo ou não colaborativo, é recomendado o uso de técnicas de reabilitação ativa direta.
Errada, porque rebaixamento cognitivo ou baixa colaboração contraindicam, em regra, técnicas ativas diretas, que exigem participação do paciente.
- B)A videofluoroscopia ou videodeglutograma, apesar de ser um método invasivo, permite avaliar os estágios oral e faríngeo da deglutição.
Errada, porque a videofluoroscopia avalia sim as fases oral e faríngea, mas não é classificada como método invasivo da forma como o item afirma.
- C)A ausculta cervical costuma ser realizada no leito ou durante as sessões de terapia, permitindo detectar a presença de deglutição e possível aspiração.
Certa, porque a ausculta cervical pode ser feita no leito ou na terapia e auxilia na identificação da deglutição e de sinais sugestivos de aspiração.
- D)Na avaliação da deglutição, deve-se buscar alimentos com consistência sólida utilizando o videodeglutograma para assegurar possíveis aspirações e penetrações.
Errada, porque na avaliação não se deve priorizar só consistência sólida; a escolha do bolo alimentar deve ser criteriosa e progressiva, conforme risco e objetivo do exame.
- E)Dependendo do grau da disfagia do paciente, deve-se utilizar técnicas passivas, como, por exemplo, o treino da deglutição apenas com saliva.
Errada, porque técnicas passivas podem ser usadas em alguns casos, mas o treino da deglutição apenas com saliva não é uma regra geral nem substitui a abordagem adequada à disfagia.
Gabarito: C
Na disfagia, a escolha da conduta e do método de avaliação depende muito do nível de consciência, colaboração e segurança do paciente. Em geral, quando o paciente está rebaixado cognitivamente ou não consegue seguir comandos, você evita técnicas ativas diretas como treino de manobras complexas, porque elas exigem participação e compreensão. Nesses casos, a abordagem tende a ser mais passiva, com adaptação de oferta, estímulos e segurança alimentar, sempre respeitando o que o paciente consegue fazer naquele momento. Na avaliação instrumental, a videofluoroscopia, também chamada de videodeglutograma, é um exame dinâmico que permite visualizar a deglutição em tempo real, principalmente os estágios oral e faríngeo, além de ajudar a identificar penetração e aspiração. O ponto de atenção é que ela não é considerada um método invasivo no sentido clássico, porque não exige introdução de instrumento na via aérea ou digestiva como uma endoscopia. Então, a ideia da alternativa B tropeça justamente aí. Já a ausculta cervical é um recurso clínico que pode ser usado à beira-leito ou durante a terapia para auxiliar na triagem e no acompanhamento da deglutição. Ela busca captar sons relacionados ao ato de engolir e sinais sugestivos de alterações, inclusive possíveis episódios de aspiração, embora não substitua exames instrumentais. Por isso, a alternativa C está correta. Em resumo: em disfagia, pense sempre em três perguntas: o paciente colabora, o método é adequado e o objetivo é segurança. A lógica da banca costuma cobrar essa distinção entre avaliação clínica, avaliação instrumental e tipo de intervenção. Aqui, a proposta da ausculta cervical como método clínico de monitoramento da deglutição é exatamente o que o item C descreve.