Tendo em vista aspectos diversos relacionados à terapia fonoaudiológica, assinale a opção correta.
- A)A aquisição fonológica é um processo gradual e independe da associação de sensações sinestésicas e auditivas.
Errada, porque a aquisição fonológica é gradual e depende, sim, da integração entre percepção auditiva, sensações articulatórias e outras pistas sensório-motoras.
- B)Durante o tratamento de uma criança com desvios fonológicos, à medida que um processo fonológico vai sendo gradativamente suprimido, sua frequência de aplicação vai decrescendo e o sistema fonológico vai se tornando cada vez mais semelhante ao sistema-alvo adulto.
Certa, porque a supressão de um processo fonológico é progressiva e, com a terapia, a produção da criança vai se aproximando do sistema-alvo adulto.
- C)Na abordagem de tratamento fonológico que utiliza os traços distintivos, esse enfoque baseia-se na premissa de que as crianças com desvios fonológicos não possuem representações limitadas de traços distintivos.
Errada, porque a abordagem por traços distintivos parte justamente da ideia de que há representações fonológicas incompletas ou limitadas a serem trabalhadas.
- D)A terapia com base nos traços distintivos dispensa a análise fonológica detalhada do sistema fonológico da criança.
Errada, porque esse tipo de terapia exige análise fonológica detalhada para identificar padrões de erro e definir os traços a serem estimulados.
- E)A habilidade de consciência fonológica não é trabalhada na criança com desvio fonológico, pois as crianças com esse tipo de desvio apresentam desempenho dentro da normalidade em tarefas de consciência fonológica.
Errada, porque a consciência fonológica pode e deve ser estimulada em crianças com desvio fonológico, já que elas podem apresentar dificuldades nessa habilidade.
Gabarito: B
A questão trata de terapia fonoaudiológica em desvios fonológicos, especialmente da lógica do tratamento fonológico. A ideia central é simples: a criança não “apaga” um processo fonológico de uma vez, mas vai reduzindo seu uso ao longo da intervenção, até aproximar sua fala do padrão adulto. Isso é exatamente o que torna a alternativa B correta: quando o processo é trabalhado de forma eficaz, sua frequência cai progressivamente e o sistema fonológico da criança fica mais parecido com o alvo esperado. Na prática clínica, a terapia fonológica não mira só “falar bonito”, mas reorganizar o sistema de sons. Por isso, é comum o fonoaudiólogo fazer uma análise fonológica detalhada para entender quais trocas ou simplificações estão presentes e escolher a melhor estratégia de intervenção. Em abordagens com traços distintivos, a criança é estimulada a perceber e produzir contrastes que ainda não domina, justamente porque há representações fonológicas incompletas ou limitadas a serem reorganizadas. A banca costuma cobrar a ideia de evolução gradual: o processo fonológico não some por milagre, ele perde força com treino, generalização e aumento da complexidade. Então, se a criança antes simplificava muito, ao longo da terapia ela vai restringindo esse padrão, até se aproximar da pronúncia esperada. É a lógica do “menos erro, mais alvo”. Em resumo: o enunciado quer que você reconheça a dinâmica do tratamento fonológico. A alternativa B descreve corretamente essa progressão clínica, enquanto as demais trocam conceitos importantes, como negar a necessidade de análise fonológica ou afirmar que a consciência fonológica não deve ser trabalhada.