Durante a avaliação fonoaudiológica em um lactente com histórico de hipóxia perinatal, a identificação de qual sinal é indicativa de maior risco para atraso na aquisição de linguagem:
- A)Dificuldade em manter contato visual por mais de 3 segundos.
Errada: dificuldade de contato visual sugere alteração de interação/socialização, mas não é o sinal mais específico para risco de atraso de linguagem nesta questão.
- B)Presença de reflexos orais persistentes além dos três meses de idade.
Errada: reflexos orais persistentes podem indicar imaturidade neuromotora ou alteração oral-motora, porém não são o achado mais diretamente relacionado à aquisição de linguagem.
- C)Apresentação de preferência lateral na manipulação de objetos.
Errada: preferência lateral precoce na manipulação pode apontar assimetria motora ou neurológica, mas não é um marcador típico de atraso de linguagem.
- D)Redução na frequência de balbucio canônico ao interagir com o cuidador.
Certa: redução do balbucio canônico é sinal de atraso no desenvolvimento pré-linguístico e aumenta o risco de atraso na aquisição de linguagem.
- E)Reações exageradas a estímulos sonoros ambientais leves.
Errada: reações exageradas a sons leves sugerem alteração de processamento auditivo/sensorial, mas não são o sinal mais direto de atraso de linguagem aqui.
Gabarito: D
Na avaliação do lactente, voce precisa observar se os marcos do desenvolvimento estão andando no ritmo esperado para a idade, porque atraso de linguagem raramente aparece “sozinho”: ele costuma vir junto de sinais motores, sensoriais e interativos. Em um bebê com histórico de hipóxia perinatal, o olhar deve ser ainda mais atento, já que esse antecedente pode aumentar o risco de alterações neurológicas e, por consequência, prejudicar a linguagem. O balbucio canônico, aquele com sílabas repetidas como “bababa” e “dadada”, costuma surgir por volta dos 6 a 10 meses. Quando ele aparece pouco, fica reduzido ou não evolui bem durante a interação com o cuidador, isso acende um alerta importante para risco de atraso na aquisição de linguagem. Afinal, balbucio não é “barulho fofo de bebê”: ele é uma base essencial para a fala e para a comunicação intencional. Por isso, a alternativa D está correta. A redução na frequência de balbucio canônico ao interagir com o cuidador sugere dificuldade no desenvolvimento pré-linguístico, que é justamente a fase que antecede a linguagem oral. Em provas, a banca costuma cobrar esse tipo de marco com cara de detalhe, mas ele é um sinal bem relevante na prática clínica. Os demais sinais podem indicar outras coisas, como questões sensoriais, motoras ou de interação social, mas não são o achado mais diretamente ligado ao risco de atraso de linguagem nesta idade. Então, em resumo: se o bebê não está avançando no balbucio canônico, vale ligar o alerta para a futura linguagem.