A disfagia orofaríngea é caracterizada por alterações no processo de deglutição que ocorrem entre a cavidade oral e o início do esôfago. Nos casos de origem neurológica, como nos acidentes vasculares encefálicos ou doenças degenerativas, há prejuízo na coordenação neuromuscular responsável pelo transporte seguro e eficiente do bolo alimentar. Uma das manifestações clínicas mais comuns da disfagia neurogênica é a dificuldade na deflagração do reflexo de deglutição, o que pode levar à penetração laríngea e aspiração silente. Esse tipo de alteração, em que o alimento ou líquido atinge a via aérea sem provocar resposta protetora reflexa, como tosse ou engasgo, é denominado ________. Assinale a alternativa que corretamente completa a lacuna no excerto:
- A)Penetração laríngea transitória.
Errada: penetração laríngea transitória é a entrada do material até a laringe, mas sem necessariamente ultrapassar a prega vocal e sem definir ausência de resposta protetora.
- B)Deglutição atípica.
Errada: deglutição atípica é um padrão alterado, mais ligado a aspectos funcionais e oclusais, não ao evento de aspiração sem tosse.
- C)Refluxo laringofaríngeo.
Errada: refluxo laringofaríngeo é o retorno de conteúdo do estômago para a faringe/laringe, não a passagem do bolo durante a deglutição com ausência de reflexo.
- D)Disfagia funcional.
Errada: disfagia funcional é uma classificação ampla de alteração da deglutição sem causa estrutural evidente, mas não nomeia esse achado específico.
- E)Aspiração silenciosa.
Certa: aspiração silenciosa ocorre quando alimento ou líquido entra na via aérea sem tosse, engasgo ou outra resposta protetora perceptível.
Gabarito: E
A disfagia orofaríngea é a dificuldade de conduzir o alimento da boca até o esôfago com segurança e eficiência. Quando a causa é neurológica, como no AVC ou em doenças degenerativas, pode haver atraso na resposta de deglutição, falta de coordenação dos músculos e redução dos reflexos protetores da laringe. Aí o bolo alimentar pode entrar na via aérea, e nem sempre o paciente percebe isso de imediato. Quando esse material atinge a laringe ou a traqueia sem desencadear tosse, engasgo ou qualquer resposta protetora evidente, o quadro recebe o nome de aspiração silenciosa. O termo “silenciosa” é justamente essa pegadinha clínica: o paciente aspira, mas o corpo não faz o alarme esperado. Isso é muito cobrado em Fonoaudiologia porque a ausência de tosse não significa ausência de risco. Pelo contrário: em muitos casos neurológicos, a aspiração silenciosa é mais preocupante porque passa despercebida e pode evoluir para pneumonia aspirativa e piora do estado respiratório. Por isso, a alternativa correta é a letra E. As demais opções até conversam com o tema da deglutição, mas não descrevem o fenômeno de entrada de alimento na via aérea sem resposta reflexa protetora.