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Direito Previdenciário · FGV · 2023

Questão comentada de Direito Previdenciário

José, segurado empregado no setor metalúrgico, desempenha atividade profissional com exposição ao ruído de forma habitual e acima dos limites de tolerância previstos na legislação. De acordo com a situação hipotética narrada, é correto afirmar que:

Gabarito: A

A aposentadoria especial existe para proteger quem trabalha exposto, de forma habitual e permanente, a agentes nocivos à saúde ou à integridade física. Aqui, o ponto central não é incapacidade para o trabalho, e sim a exposição prolongada ao risco. Em linguagem simples: a Previdência não espera a pessoa adoecer para só então agir. No caso do ruído acima dos limites legais, a atividade pode ser enquadrada como especial, desde que a exposição esteja bem comprovada. Para isso, entram em cena documentos como o PPP (Perfil Profissiográfico Previdenciário), elaborado com base em laudo técnico das condições ambientais do trabalho. A jurisprudência também consolidou que, no caso de ruído, o uso de EPI não afasta automaticamente a nocividade, porque nem sempre elimina o agente agressivo de forma eficaz. Por isso, a alternativa A está correta ao afirmar que, conforme o tempo de exposição e a idade mínima exigida na regra aplicável, o segurado pode obter aposentadoria especial, sem necessidade de provar incapacidade laboral. O fundamento está na lógica do benefício previdenciário especial e nos arts. 57 e 58 da Lei 8.213/1991, além da orientação do STF no Tema 555 sobre EPI e ruído. Em resumo: aposentadoria especial não é prêmio por sofrimento, nem aposentadoria por doença. É proteção previdenciária para quem trabalhou exposto a agente nocivo por tempo suficiente, com a documentação adequada.

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