Um indicador relevante para mensurar a relação entre previdência social e demografia é a razão de dependência. Esse indicador apresenta as seguintes características, à exceção de uma, que está errada. Assinale-a.
- A)ser igual à razão entre pessoas economicamente dependentes (com até 14 anos ou com 65 anos ou mais) em relação à população em idade de trabalhar (15 a 64 anos).
Certa: a definição de razão de dependência é justamente a relação entre dependentes (jovens e idosos) e a população em idade ativa.
- B)considerando a projeção populacional do IBGE, a tendência é que a razão de dependência de jovens se reduza ao longo dos anos.
Certa: com a queda da fecundidade, a tendência projetada é de redução da razão de dependência de jovens.
- C)a tendência é que a razão de dependência de idosos se eleve ao longo dos anos, mesmo considerando a taxa de fecundidade constante.
Certa: o envelhecimento populacional faz a razão de dependência de idosos crescer ao longo do tempo.
- D)o envelhecimento populacional se acentuará no país, independentemente do cenário de projeção adotado.
Certa: independentemente do cenário projetado, o envelhecimento da população brasileira tende a se intensificar.
- E)a tendência é elevar a representatividade dos homens entre os idosos, vis a vis das mulheres, acarretando impacto negativo no déficit previdenciário.
Errada: não há tendência de aumento da participação masculina entre os idosos; em geral, as mulheres são maioria nessa faixa etária, devido à maior longevidade.
Gabarito: E
A razão de dependência é um indicador demográfico usado para mostrar quantas pessoas potencialmente dependentes existem em relação à população em idade de trabalhar. Em regra, compara-se o grupo de 0 a 14 anos e o de 65 anos ou mais com o grupo de 15 a 64 anos. É um dado muito útil para pensar previdência, porque ajuda a enxergar a pressão futura sobre quem contribui e sobre quem recebe benefícios. Pelas projeções populacionais do IBGE, a razão de dependência de jovens tende a cair, porque a fecundidade diminui e nascem menos crianças ao longo do tempo. Já a razão de dependência de idosos tende a subir, pois a população envelhece, vive mais e entra cada vez mais gente na faixa idosa. Em outras palavras: menos crianças na base e mais idosos no topo da pirâmide, uma combinação que deixa a previdência mais apertada. A alternativa errada é a E porque ela afirma que haveria aumento da representatividade dos homens entre os idosos, com impacto negativo no déficit previdenciário. Na realidade, entre os idosos, as mulheres costumam ser maioria, em razão da maior expectativa de vida feminina. Então a tendência não é de “masculinização” da velhice, e sim do aumento relativo da presença feminina entre os mais velhos. Esse tipo de leitura demográfica é cobrado em sintonia com os dados do IBGE e com a lógica atuarial da previdência: mudanças na estrutura etária alteram a relação entre contribuintes e beneficiários. É o velho recado da matemática demográfica batendo à porta do Direito Previdenciário.