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Direito Marítimo · SELECON · 2021

Questão comentada de Direito Marítimo

Murilo promoveu ação pelo procedimento comum em face da União Federal por danos decorrentes de colisão de navios ocorrida em águas territoriais brasileiras. Requereu a produção de provas, postulando a requisição dos elementos colhidos pelo Tribunal Marítimo sobre o infausto evento. Nos termos da Lei Orgânica do Tribunal Marítimo, as decisões do Tribunal Marítimo quanto à matéria técnica referente aos acidentes e fatos da navegação têm valor probatório e se presumem certas sendo:

Gabarito: B

O Tribunal Marítimo é um órgão administrativo especializado, ligado à matéria da segurança da navegação e aos acidentes e fatos da navegação. Ele não substitui o Judiciário, mas produz uma apuração técnica muito relevante, especialmente quando o processo envolve colisão, abalroamento, encalhe, naufrágio e outros eventos do mar. A Lei Orgânica do Tribunal Marítimo (Lei 2.180/1954) confere às suas decisões sobre a matéria técnica referente aos acidentes e fatos da navegação valor probatório, com presunção de certeza. Na prática, isso significa que o juiz pode aproveitar essa conclusão técnica como prova forte, mas não fica engessado por ela. O processo judicial continua existindo, com contraditório e ampla defesa. Por isso, a ideia correta é que essas decisões são suscetíveis de reexame pelo Poder Judiciário. Em bom português de prova: o Tribunal Marítimo ajuda muito, pesa bastante, mas não dá a palavra final absoluta para o juiz. O Judiciário pode analisar e até afastar a conclusão administrativa, se houver motivo jurídico ou probatório. Então, o gabarito é a letra B. A banca quer que você perceba a diferença entre presunção de certeza e intocabilidade. Uma coisa não gera a outra.

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