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Direito do Consumidor · FGV · 2024

Questão comentada de Direito do Consumidor

Uma determinada instituição financeira com atuação em todo o território nacional decidiu criar e implementar a cobrança de uma tarifa de todos os seus correntistas em violação direta às normas contidas no Código de Defesa do Consumidor (CDC). Após receber inúmeras reclamações de consumidores goianos sobre cobranças indevidas da referida tarifa pelo banco e apurar a abusividade da conduta em questão no bojo do respectivo Inquérito Civil, um Promotor de Justiça do MPGO ajuizou na capital do estado a primeira ação coletiva do país em face da instituição financeira, com o objetivo de proibir a referida cobrança e obrigá-la a indenizar seus clientes pelos danos causados, com a devolução em dobro do valor arrecadado ilegalmente. Com relação à atuação do Ministério Público na Tutela Coletiva do Consumidor, analise as afirmativas a seguir. I. Caso o pedido da referida ação civil pública seja julgado procedente, a eficácia da sentença estará limitada às filiais e consumidores localizados no estado de Goiás. II. Não pode o Ministério Público promover a fluid recovery por mera estimativa de consumidores lesados, devendo coletar as informações necessárias a quantificar adequadamente os correntistas prejudicados pela prática abusiva. III. Sendo julgada procedente a ação, eventual recurso de apelação da instituição financeira não terá efeito suspensivo automático, mas este poderá ser concedido pelo juiz ou pelo tribunal, dependendo das circunstâncias do caso. Está correto o que se afirma em

Gabarito: E

Em tutela coletiva do consumidor, a lógica é simples: a ação coletiva serve para dar resposta ampla a uma lesão que atinge muitos consumidores, sem obrigar cada um a entrar sozinho no jogo. Por isso, quando a sentença é procedente, ela pode produzir efeitos bem amplos, e a discussão não é para “enxugar” a decisão só para Goiás por conta de uma leitura apressada do processo coletivo. A segunda pegadinha é a chamada fluid recovery. Ela é justamente a técnica usada quando o dano é coletivo e nem sempre dá para individualizar, de imediato, todos os consumidores lesados. Em vez de exigir uma contagem milimétrica logo de cara, o sistema permite a destinação do resultado coletivo conforme a disciplina legal. Então não faz sentido dizer que o MP fica proibido de usar essa via por mera estimativa, porque a tutela coletiva existe exatamente para lidar com essa dificuldade prática. Já o recurso de apelação, em regra, não ganha efeito suspensivo automático nessa matéria. A ideia do sistema é evitar que a empresa continue praticando a cobrança abusiva ou protelando a reparação só porque recorreu. O juiz ou o tribunal até podem atribuir efeito suspensivo, mas isso depende de decisão fundamentada e das circunstâncias do caso, nos termos da lógica da tutela coletiva e da disciplina processual aplicável. Por isso, o gabarito é a alternativa E: somente a afirmativa III está correta. As afirmativas I e II erram justamente ao tentar restringir demais a eficácia da sentença coletiva e ao entender de forma errada a fluid recovery.

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