← Questões de Direito do Consumidor

Direito do Consumidor · FGV · 2023

Questão comentada de Direito do Consumidor

Mirela é funcionária pública do Estado da Bahia. Em seu contracheque, tem consignações de empréstimos que comprometem 30% de sua renda. Além disso, tem uma consignação de 5% de sua renda a título de cartão de crédito consignado. Por fim, mais 10% de sua renda ficam comprometidos com empréstimos que são compensados diretamente em conta-corrente. Sobre o tema, é correto afirmar que:

Gabarito: B

Essa questão mistura dois assuntos que a banca adora embaralhar: consignação em folha e débito em conta-corrente. A lógica básica é simples: o limite legal de margem consignável vale para descontos feitos diretamente no contracheque, e, no caso dos servidores, costuma-se separar a margem de empréstimos da parcela destinada ao cartão consignado. Aqui, Mirela tem 30% comprometidos com empréstimos consignados e mais 5% com cartão de crédito consignado. Somando tudo que cai no contracheque, chega-se a 35%, mas isso não significa excesso, porque a legislação aplicada ao caso admite essa composição de margem. O ponto importante é que a parcela do cartão não “invade” a margem dos empréstimos, ela tem espaço próprio. Já os 10% descontados diretamente em conta-corrente entram em outra história. O STJ tem entendimento de que retenções em conta-corrente não se submetem, em regra, ao mesmo limite legal da consignação em folha, salvo hipóteses excepcionais ligadas a abuso concreto ou comprometimento da subsistência. Então a banca quer que você não misture alhos com bugalhos: folha é uma coisa, conta-corrente é outra. Por isso, o item correto é o que afirma que as consignações em contracheque estão dentro da margem legal e que as retenções em conta-corrente não se submetem a esse mesmo teto. É a clássica pegadinha de somar tudo como se fosse a mesma gaveta.

Continue treinando

Questões relacionadas