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Direito do Consumidor · FGV · 2023

Questão comentada de Direito do Consumidor

Tibúrcio contratou plano de saúde na modalidade ambulatorial em 01/06/2021, com a operadora Viver X S/A. No mesmo dia, passou mal e teve que ser internado imediatamente em um hospital, sob o risco de falecer enquanto aguardava. No entanto, a operadora negou o custeio do tratamento por duas razões: i) ainda vigia prazo de carência para internação hospitalar; e ii) mesmo que assim não fosse, o plano ambulatorial contratado limita a doze horas de cobertura por internação. Nesse caso, é correto afirmar que:

Gabarito: C

A lógica aqui é separar duas coisas: carência e cobertura contratada. Pela Lei 9.656/1998, a urgência e a emergência têm cobertura obrigatória, mas a carência pode existir e, em regra, a proteção integral só passa a valer após 24 horas da contratação. Como Tibúrcio contratou e precisou ser internado no mesmo dia, a operadora ainda podia invocar a carência no caso concreto. Além disso, o plano era ambulatorial, e esse detalhe muda bastante o jogo. Esse tipo de plano não é um plano hospitalar completo, então é legítima a limitação da cobertura para internação, inclusive com previsão de cobertura apenas por 12 horas em situações de urgência/emergência, conforme o desenho legal e contratual do produto. Ou seja: a cláusula de carência não cai automaticamente só porque houve urgência, e a cláusula que limita a internação em plano ambulatorial também não é abusiva por si só. O STJ, aliás, costuma considerar abusiva a limitação de tempo de internação em plano hospitalar, mas isso não se confunde com o plano ambulatorial, que tem cobertura mais restrita. Por isso, o gabarito é a letra C: as duas cláusulas são válidas e eficazes no caso concreto.

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