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Direito do Consumidor · CESPE/CEBRASPE · 2023

Questão comentada de Direito do Consumidor

Joana é uma doceira de renome que, há mais de quinze anos, produz doces e bolos para festas de toda natureza, contudo ela não possui registro da atividade empresarial desenvolvida, atendendo seus clientes em sua própria residência, na cidade de Limeira – SP. A venda dos doces é a única fonte de renda de Joana. No mês de novembro, Felipe completou um ano de idade e seus pais comemoraram a data com uma festa na cidade de Campinas – SP, local de sua residência, onde foram servidos doces e bolos encomendados a Joana. Contudo, os avós de Felipe sofreram uma infecção gastrointestinal causada pela ingestão dos produtos que, conforme verificado por uma análise técnica posterior, estavam impróprios para o consumo. Acerca da situação hipotética anterior, assinale a opção correta, à luz do estabelecido no Código de Defesa do Consumidor (CDC).

Gabarito: B

O CDC adota um conceito bem amplo de fornecedor: é quem desenvolve atividade de produção, montagem, criação, construção, transformação, importação, exportação, distribuição ou comercialização de produtos ou serviços, ainda que sem registro formal. Ou seja, o fato de Joana atender em casa e não ter inscrição na junta comercial não a “tira” do CDC. Se ela exerce a atividade de forma habitual e como fonte de renda, ela se enquadra como fornecedora, sem drama empresarial de cartório. No caso, os doces e bolos foram colocados no mercado de consumo, e a intoxicação causada por produto impróprio gera responsabilidade sob a lógica do CDC. Além do consumidor direto, a lei também protege os chamados consumidores por equiparação, como as vítimas do evento, nos termos dos arts. 17 e 29 do CDC. Por isso, os convidados intoxicados podem buscar indenização mesmo que não tenham sido os contratantes diretos. O item B acerta exatamente esse ponto: Joana pode ser considerada fornecedora, apesar da falta de registro, e os convidados intoxicados entram na proteção do CDC como consumidores por equiparação. A banca gosta muito de cobrar que o CDC olha para a realidade da atividade, e não só para a papelada formal. Resumo de prova: se há atividade profissional habitual no mercado, há forte chance de incidência do CDC. E, se um terceiro sofre dano pelo produto ou serviço defeituoso, pode haver proteção ampliada pela equiparação legal.

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