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Direito Ambiental · FGV · 2023

Questão comentada de Direito Ambiental

Tertuliano adquiriu determinada casa de veraneio, mas, anos depois da aquisição, foi citado em ação civil pública proposta pelo Ministério Público, também ajuizada em face do Município em que situada a propriedade, objetivando a responsabilização civil por danos ao meio ambiente, em decorrência da construção ter sido realizada em área de preservação permanente, conduta realizada pelo anterior proprietário Marcolino, em relação ao que houve a omissão do mencionado ente federativo no dever de fiscalização. O parquet busca a condenação dos demandados em obrigação de fazer, de não fazer e de indenizar, com vistas a alcançar a reparação integral do meio ambiente. Diante dessa situação hipotética, considerando o entendimento sumulado pelo Superior Tribunal de Justiça acerca da responsabilização civil pelos danos em questão e sua tutela processual em tais circunstâncias, é correto afirmar que

Gabarito: D

Em dano ambiental, a lógica é bem mais rigorosa do que em muitas brigas civis comuns. O Superior Tribunal de Justiça entende que a responsabilidade civil é objetiva e pode alcançar não só quem praticou a degradação, mas também quem concorreu para ela ou deixou de agir quando tinha dever de fiscalização. Por isso, em matéria ambiental, a reparação busca a recomposição integral do bem lesado, com cumulação de obrigações de fazer, de não fazer e de indenizar, se isso for necessário para restaurar o equilíbrio ecológico. Outro ponto importante: a venda do imóvel não apaga o problema ambiental. Quem adquire a área pode responder pelos danos e pelos deveres de recuperação, especialmente quando a situação persiste no tempo. A jurisprudência do STJ também rejeita a ideia de que basta apontar o autor material da obra para excluir os demais responsáveis, porque a tutela ambiental admite responsabilização solidária de todos os que contribuíram para a lesão ou para sua manutenção. No caso da questão, o Município foi incluído corretamente porque houve omissão no dever de fiscalização. O STJ admite a responsabilização civil do ente público quando ele se omite diante de situação irregular em área ambiental, já que o dever de proteção do meio ambiente é comum e solidário. Isso torna a alternativa D correta: o Município tem legitimidade passiva e pode responder solidariamente pela omissão fiscalizatória. A ideia central aqui é simples: em matéria ambiental, o processo não serve para escolher apenas um culpado, mas para garantir a reparação mais completa possível. Na prática, a banca costuma explorar exatamente isso: responsabilidade objetiva, legitimidade ampla e cumulação de pedidos para dar efetividade à proteção ambiental.

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