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Direito Ambiental · FGV · 2023

Questão comentada de Direito Ambiental

Para desenvolver determinado empreendimento localizado em unidade de conservação regularmente instituída pelo Município Ômega, a sociedade Perspicaz pleiteou e obteve o licenciamento ambiental pertinente junto ao mencionado ente federativo, que é o competente para tanto, nos termos da Lei. Ocorre que, no exercício de tal atividade, a mencionada sociedade praticou infração ambiental que foi objeto de duas autuações distintas e posterior sancionamento, após o devido processo legal, sendo certo que uma penalidade foi aplicada pelo Município Ômega, que foi atuante, diligente e proporcional na tutela fiscalizatória; já a outra sanção decorreu da atuação das autoridades federais do IBAMA. Diante dessa situação hipotética, considerando o disposto na Lei Complementar nº 140/11 e o entendimento do Supremo Tribunal Federal, é correto afirmar que

Gabarito: C

A Lei Complementar nº 140/11 organizou a cooperação ambiental entre os entes federativos para evitar a velha confusão do tipo "todo mundo fiscaliza e, ao mesmo tempo, ninguém sabe quem faz o quê". No tema do poder de polícia ambiental, o ponto central é que o ente responsável pelo licenciamento não fica sozinho na cena: a fiscalização e a lavratura de autos podem ser exercidas pelos demais entes, quando necessário, em atuação comum, supletiva ou subsidiária, conforme a repartição constitucional e legal de competências. O STF e a própria LC 140/11 afastam a ideia de que apenas o ente licenciador pode sancionar. O licenciamento municipal não elimina a competência fiscalizatória da União, nem torna inválida a autuação federal. Se houver atuação regular de mais de um ente, pode haver sanções distintas, desde que não haja bis in idem, isto é, dupla punição pelo mesmo fato e pelo mesmo fundamento. Na questão, o Município Ômega licenciou e também autuou, agindo de forma diligente. Mesmo assim, o IBAMA também pode atuar, porque a competência para exercer poder de polícia ambiental não é exclusiva de quem licenciou. Isso é compatível com a lógica cooperativa da LC 140/11 e com o entendimento do STF de que a proteção ambiental é comum e pode ser exercida por diferentes entes, cada qual dentro de suas atribuições. Por isso, a alternativa C está correta: União e Município podem exercer poder de polícia, mas, no caso narrado, prevalece a penalidade municipal porque o ente local foi o responsável pelo licenciamento e agiu efetivamente na tutela fiscalizatória, sem afastar a possibilidade de atuação federal em tese. O erro seria transformar licenciamento em monopólio sancionatório, o que a lei não faz.

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