← Questões de Direito Ambiental

Direito Ambiental · FGV · 2022

Questão comentada de Direito Ambiental

A sociedade empresária Beta implantou um loteamento irregular no Município Alfa, em desconformidade com a legislação de regência federal e municipal, e vendeu os lotes urbanos para terceiros particulares. O ato ilícito causou comprovados e inequívocos danos ambientais (como poluição hídrica em razão da ausência de rede de esgotamento sanitário) e urbanísticos (relacionados ao parcelamento irregular do solo). Não obstante tenha sido provocado para atuar na época da instalação do loteamento ilegal, o Município Alfa quedou-se inerte. O Ministério Público ajuizou ação civil pública em face da sociedade empresária Beta e do Município Alfa, pleiteando indenização pelos danos coletivos e regularização do loteamento. Finda a fase de instrução probatória, o feito foi concluso para sentença. Em tese, de acordo com a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, o magistrado deve reconhecer a responsabilidade:

Gabarito: D

Aqui a chave é lembrar que, em matéria de dano ambiental e urbanístico, o STJ trata a responsabilidade de forma bem rigorosa: quem cria o loteamento irregular responde, mas o poder público que se omite quando podia e devia agir também pode ser responsabilizado. No caso, o Município Alfa foi provocado na época da instalação e ficou inerte, então não dá para fingir que ele não participou do estrago por omissão. A jurisprudência do STJ admite a responsabilização civil objetiva do Município por omissão específica em casos de dano ambiental e urbanístico, com fundamento na ideia de que o ente público tem dever legal de fiscalização e repressão da irregularidade. Isso aparece em precedentes sobre parcelamento irregular do solo e tutela do meio ambiente, em que a omissão estatal integra o nexo de causalidade. Por isso, o gabarito D está correto ao afirmar a responsabilidade de ambos, em caráter solidário. A banca ainda acerta ao trazer a lógica de execução subsidiária ou devedor-reserva para o Município: a ideia é não premiar o loteador, que foi o beneficiário direto da ilegalidade, nem transferir ao erário, de imediato, o peso principal da recomposição enquanto houver patrimônio do causador direto do dano. Em resumo: o loteador responde porque praticou o ilícito; o Município responde porque tinha dever de agir e não agiu. Em Direito Ambiental, omissão relevante não é um detalhe administrativo, é parte do problema.

Continue treinando

Questões relacionadas