← Questões de Direito Ambiental

Direito Ambiental · CONSULPLAN · 2023

Questão comentada de Direito Ambiental

Considere que no caso que está sendo julgado, há prova de que os réus extraíram 5 m3 de areia do leito de um arroio, sem autorização. Consta dos autos que o arroio em comento vinha sendo alvo constante de inúmeras ações de pequenos exploradores dos seus recursos minerais. O juiz da causa entendeu que: “seja pelo reduzido valor patrimonial a ser usurpado da União, seja pelo mínimo dano ambiental que a retirada de 5 m³ de areia poderia causar, reconheço que inexiste razão para efetivação da reprimenda penal”. A decisão mencionada está

Gabarito: C

A questão trata da aplicação do princípio da insignificância, também chamado de bagatela, em crimes ambientais. A ideia é simples: nem toda conduta de pequena monta fica automaticamente fora do Direito Penal. No meio ambiente, o olhar é bem mais cauteloso porque o bem jurídico protegido é difuso, coletivo e de uso comum do povo, conforme o art. 225 da Constituição. Por isso, a jurisprudência admite a insignificância em matéria ambiental apenas de forma excepcional, quando a lesão for realmente mínima e não houver reprovabilidade relevante da conduta. Em outras palavras, não basta a quantidade pequena: o juiz precisa analisar o contexto todo, inclusive a habitualidade da extração, o risco de estímulo a novas práticas e o impacto cumulativo da conduta no ecossistema. No caso narrado, o ponto decisivo é que o arroio já vinha sendo alvo constante de pequenos exploradores. Isso mostra repetição e tolerância social indevida com a atividade ilícita. Se o Judiciário simplesmente deixar passar, passa-se a mensagem de que vale a pena continuar explorando o recurso natural em pequenas doses, como se o dano virasse aceitável por ser picado. No Direito Ambiental, essa conta costuma sair caro. Assim, a decisão está incorreta porque a atipicidade material não se sustenta quando a conduta, embora pequena em quantidade, integra um quadro de degradação reiterada e de incentivo à continuidade do ilícito. A proteção ambiental exige prevenção e repressão compatíveis com o risco coletivo, e não um salvo-conduto para a soma de pequenas agressões.

Continue treinando

Questões relacionadas