← Questões de Controle Externo

Controle Externo · FGV · 2025

Questão comentada de Controle Externo

A fiscalização contábil, financeira e orçamentária da Administração Pública compreende o exame da prestação de contas de duas naturezas: contas de governo e contas de gestão. Para fins de inelegibilidade, em relação aos prefeitos que tiverem suas contas relativas ao exercício do mandato rejeitadas por irregularidade insanável, que configure ato doloso de improbidade administrativa, e por decisão irrecorrível do órgão competente, de acordo com a jurisprudência predominante do Supremo Tribunal Federal, é correto afirmar que:

Gabarito: D

A Constituição divide a fiscalização contábil, financeira e orçamentária em duas trilhas principais: contas de governo e contas de gestão. Nas contas de governo, o foco é mais político-institucional, olhando o conjunto da gestão do chefe do Executivo. Por isso, no caso do prefeito, quem julga é a Câmara Municipal, com auxílio do Tribunal de Contas, que emite parecer prévio. Isso está no art. 31, 1 e 2, da CF. Já as contas de gestão têm natureza mais técnica e individualizada, voltada aos atos de administração de recursos públicos. Aqui, a lógica muda: o Tribunal de Contas pode apreciar e julgar essas contas, inclusive de prefeito, quando ele atua como ordenador de despesas. Essa distinção foi consolidada na jurisprudência do STF e é muito cobrada pela FGV. No caso da questão, a alternativa D acerta porque reproduz a regra constitucional: a Câmara Municipal julga as contas do chefe do Executivo municipal, com parecer prévio do Tribunal de Contas, e esse parecer só deixa de prevalecer por decisão de 2/3 dos vereadores. Para fins de inelegibilidade, isso conversa diretamente com a LC 64/1990, art. 1, I, g, especialmente após a orientação do STF sobre a necessidade de respeitar a competência do órgão que realmente julga as contas. Em resumo: contas de governo do prefeito vão para a Câmara; contas de gestão, para o Tribunal de Contas. A banca adora trocar esses papéis para ver se voce escorrega no clássico "quem julga o quê". Aqui, a D é a que ficou fiel ao desenho constitucional e à jurisprudência predominante do STF.

Continue treinando

Questões relacionadas