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Contabilidade Pública · FGV · 2022

Questão comentada de Contabilidade Pública

O governador do Estado Alfa foi cientificado de que o Município Beta, situado em seu território, não pagava, há três anos, a dívida decorrente de contratos de financiamento com instituições financeiras governamentais, que tinham por objetivo viabilizar a realização de obras públicas. A ausência de pagamento não decorria de força maior, mas, sim, de opção política do prefeito municipal. Considerando a narrativa, essa espécie de dívida é considerada:

Gabarito: B

A questão mistura dois assuntos que a FGV adora colocar no mesmo pacote: classificação da dívida e hipótese de intervenção. Primeiro, a dívida decorrente de contratos de financiamento com instituições financeiras, para viabilizar obras públicas, é dívida fundada (ou consolidada), porque nasce de operação de crédito e tem caráter de médio e longo prazo, não de obrigação de curtíssimo prazo como na dívida flutuante. Na linguagem da Lei 4.320/1964, a dívida flutuante reúne compromissos de curto prazo, como restos a pagar, serviços da dívida a pagar e depósitos. Já a dívida fundada corresponde a compromissos assumidos com prazo superior ao exercício financeiro, inclusive empréstimos e financiamentos. Então, aqui não tem mistério: financiamento para obra pública entra no bloco da dívida fundada. Quanto à intervenção, a Constituição permite que o Estado intervenha no Município, de forma espontânea, se ele deixar de pagar, sem motivo de força maior, a dívida fundada por dois anos consecutivos. Isso está no art. 35, I, da CF/1988. Como o enunciado diz que a inadimplência durou três anos e foi por opção política do prefeito, a hipótese constitucional está preenchida. Resultado: é dívida fundada e pode ensejar intervenção espontânea. A banca costuma trocar o nome da dívida e ainda brincar com a palavra 'intervenção', mas aqui o roteiro constitucional veio certinho.

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