Nas suas atividades operacionais, com ênfase em prestação de serviços, uma entidade pública incorre em um volume relevante de custos que não podem ser identificados diretamente ao objeto do custo. Nesses casos, para fins de registros contábeis, tais custos:
- A)são reconhecidos diretamente no resultado do período;
Errada, porque custo indireto não é necessariamente reconhecido diretamente no resultado; antes, ele deve ser apropriado ao objeto de custo por critério técnico.
- B)não afetam a avaliação do desempenho operacional da entidade;
Errada, porque custos indiretos afetam sim a avaliação de desempenho operacional, já que compõem o custo dos serviços e dos centros responsáveis.
- C)não devem ser considerados no desempenho de centros de responsabilidade;
Errada, porque justamente centros de responsabilidade podem e devem ser avaliados com base em custos indiretos alocados por critérios adequados.
- D)podem ser apropriados por meio de direcionadores de custos;
Certa, porque custos não identificáveis diretamente ao objeto do custo podem ser distribuídos por direcionadores de custos, que servem para mensuração e apropriação.
- E)devem ser controlados a partir da estrutura de custeio padrão.
Errada, porque custo padrão é ferramenta de controle e comparação, mas não substitui o critério de apropriação dos custos indiretos ao objeto do custo.
Gabarito: D
Quando a entidade pública presta serviços, nem todo custo aparece “colado” no objeto do custo. Alguns gastos são indiretos, como energia, supervisão, depreciação ou apoio administrativo, e precisam de um critério para serem distribuídos. Em contabilidade de custos, isso é normal: se não dá para identificar o custo diretamente, você usa um direcionador de custos para fazer a apropriação de forma razoável e consistente. No setor público, essa lógica conversa bem com a necessidade de medir desempenho, apurar custos de programas e apoiar a tomada de decisão. A NBC T 16.11 (Sistema de Informação de Custos do Setor Público) trata justamente da acumulação, mensuração e evidenciação de custos, inclusive com rateio de custos indiretos por critérios técnicos. A ideia é simples: se o custo existe e ajuda a prestar o serviço, ele não some só porque é difícil de “grudar” em um único objeto. Por isso, a alternativa correta é a D: custos que não podem ser identificados diretamente ao objeto do custo podem ser apropriados por meio de direcionadores de custos. Esses direcionadores funcionam como uma ponte entre o custo indireto e o serviço, setor, atividade ou unidade responsável. As demais alternativas tentam confundir você com efeitos contábeis ou com controles gerenciais soltos. Aqui, o ponto central é a apropriação do custo indireto, e não sua exclusão do desempenho nem sua ida automática para o resultado do período.