Uma entidade do setor público apresentava os seguintes saldos em sua Demonstração dos Fluxos de Caixa, em 31/12/X2: • Amortização de empréstimos e financiamentos que foram contraídos em X0: R$ 200.000; • Recebimentos de caixa pela prestação de serviços: R$ 100.000; • Pagamentos em caixa a fornecedores de mercadorias e serviços: R$ 50.000; • Recebimentos de caixa provenientes do resgate de investimento de longo prazo realizado no mercado financeiro: R$ 140.000; • Recebimentos de caixa decorrentes de impostos, taxas, contribuições e multas: R$ 60.000; • Pagamentos em caixa de anuidade em transações com seguradora: R$ 24.000. De acordo com o Manual de Contabilidade Aplicada ao Setor Público, o fluxo de caixa líquido gerado ou consumido pela atividade operacional em X2 era de:
- A)-R$ 114.000;
Errada, porque o fluxo operacional não é negativo; ao excluir indevidamente as entradas operacionais, você distorce o resultado.
- B)R$ 26.000;
Errada, porque o cálculo correto dos itens operacionais não gera R$ 26.000, e sim um valor maior.
- C)R$ 50.000;
Errada, porque R$ 50.000 ignora recebimentos relevantes e não reflete o saldo líquido operacional.
- D)R$ 86.000;
Certa, pois soma os recebimentos operacionais e subtrai os pagamentos operacionais, chegando a R$ 86.000.
- E)R$ 110.000.
Errada, porque esse valor não corresponde à diferença entre os fluxos operacionais informados.
Gabarito: D
Na Demonstração dos Fluxos de Caixa, o segredo é separar as entradas e saídas conforme a natureza da atividade: operacional, de investimento e de financiamento. No MCASP, a atividade operacional reúne, em linhas gerais, os fluxos ligados à prestação de serviços, arrecadação de tributos e pagamentos do dia a dia da entidade. Ou seja: o caixa que entra e sai para manter a máquina pública funcionando. Nesta questão, entram como fluxo operacional os recebimentos pela prestação de serviços (R$ 100.000), os recebimentos de impostos, taxas, contribuições e multas (R$ 60.000), os pagamentos a fornecedores (R$ 50.000) e os pagamentos de anuidade em transações com seguradora (R$ 24.000). Já a amortização de empréstimos e financiamentos é fluxo de financiamento, e o resgate de investimento de longo prazo é fluxo de investimento. Fazendo a conta só do que é operacional: 100.000 + 60.000 - 50.000 - 24.000 = 86.000. Resultado positivo, então a atividade operacional gerou caixa líquido de R$ 86.000. É a clássica pegadinha da FGV: misturar itens de outras atividades para ver se você cai no bolo todo. Portanto, o gabarito é a alternativa D, porque apenas os itens operacionais entram nesse bloco da DFC segundo o Manual de Contabilidade Aplicada ao Setor Público (MCASP), alinhado à classificação por natureza dos fluxos.