Um dos critérios de mensuração de estoques abordados no Manual de Contabilidade Aplicada ao Setor Público (MCASP) é o valor realizável líquido. Esse critério de mensuração:
- A)apura o custo em que a entidade incorreria para adquirir o mesmo ativo na data da demonstração contábil;
Errada: isso descreve custo corrente ou custo de reposição, não valor realizável líquido.
- B)deve ser aplicado a estoques adquiridos por meio de transação sem contraprestação;
Errada: a origem do estoque por transação sem contraprestação não define esse critério de mensuração.
- C)equivale ao valor justo deduzido dos gastos necessários para vender;
Errada: valor justo menos custos de venda se aproxima de uma lógica de mercado, mas não é a definição cobrada aqui para valor realizável líquido.
- D)implica a dedução dos custos estimados de venda, troca ou distribuição;
Certa: o valor realizável líquido considera a dedução dos custos estimados necessários para vender, distribuir ou realizar o estoque.
- E)reflete a quantia pela qual o estoque pode ser trocado entre compradores e vendedores bem informados e dispostos.
Errada: isso define valor justo, que é preço de troca entre participantes do mercado, e não o valor realizável líquido.
Gabarito: D
No MCASP, estoques, em regra, são avaliados pelo custo ou pelo valor realizável líquido, o que for menor. O valor realizável líquido é uma medida prudente: ele olha para o que o estoque vai render de fato na venda, e não para um sonho contábil mais otimista. Em outras palavras, você parte do preço estimado de venda e tira o que ainda vai gastar para colocar esse bem no mercado. Isso está alinhado ao conceito aplicado também nas normas brasileiras de contabilidade do setor público, que seguem a lógica de evitar superavaliação do ativo. O estoque não pode ficar no balanço valendo mais do que a entidade realmente espera obter com sua realização. Contabilidade gosta de realidade, não de torcida. Por isso, o gabarito é a letra D. Ela traduz a ideia central do valor realizável líquido: dedução dos custos estimados para venda, distribuição ou outros gastos necessários para realizar o estoque. O foco é chegar ao valor líquido que entrará no caixa ou que representará benefício econômico futuro, já descontadas as despesas para transformar o estoque em receita. Cuidado para não confundir esse critério com valor justo, custo de reposição ou custo de aquisição. Cada um mede uma coisa diferente, e a FGV adora trocar esses nomes para ver quem está lendo com atenção.