Na demonstração dos fluxos de caixa (DFC) do setor público, os valores relativos ao efeito das mudanças nas taxas cambiais sobre o caixa e equivalentes de caixa, mantidos ou devidos em moeda estrangeira,
- A)devem ser classificados no fluxo das atividades operacionais.
Errada, porque efeito cambial sobre caixa em moeda estrangeira não é fluxo operacional; ele não decorre da rotina de prestação de serviços ou arrecadação.
- B)não devem ser apresentados.
Errada, porque esse efeito deve sim ser apresentado na DFC, só que de forma separada das três atividades principais.
- C)devem ser classificados no fluxo das atividades de investimento.
Errada, porque não se trata de aquisição ou alienação de ativos, então não é fluxo de investimento.
- D)devem ser classificados no fluxo das atividades de financiamento.
Errada, porque variação cambial não representa captação ou pagamento de recursos de terceiros, logo não é financiamento.
- E)devem ser apresentados separadamente dos fluxos de caixa das atividades operacionais, de investimento e de financiamento.
Certa, porque a variação cambial sobre caixa e equivalentes em moeda estrangeira é evidenciada separadamente, como ajuste de conciliação do saldo de caixa.
Gabarito: E
Na DFC, o objetivo é mostrar de onde veio e para onde foi o caixa, separando os fluxos em atividades operacionais, de investimento e de financiamento. Mas nem tudo entra nessas três caixinhas bonitinhas. Há efeitos que alteram o saldo do caixa sem serem, de fato, fluxo de caixa do período. É exatamente o caso das variações cambiais sobre caixa e equivalentes de caixa mantidos em moeda estrangeira. Se o dólar sobe ou desce, o valor em reais do caixa muda, mas isso não significa entrada ou saída de caixa por operação, investimento ou financiamento. É uma variação de conversão, não um fluxo propriamente dito. Por isso, a NBC TSP 12, alinhada à IPSAS 2, determina que esse efeito seja apresentado separadamente dos fluxos das atividades operacionais, de investimento e de financiamento. A lógica é simples: a DFC precisa conciliar o saldo inicial e final do caixa, e essa diferença cambial entra como item de reconciliação, sem ser misturada aos fluxos normais. Então, o gabarito está certo porque a banca quer justamente essa leitura técnica: variação cambial em moeda estrangeira não pertence às três categorias tradicionais da DFC e deve aparecer destacada à parte.