Em relação a gestão e preservação de documentos digitais, analise as afirmativas a seguir. I. O documento arquivístico digital pode ser produzido de forma nativa pelo sistema, chamado documento nato digital, ou gerado a partir do processo de digitalização, chamado documento digitalizado. Ambos são documentos digitais. II. A diferença entre os documentos digitais no que diz respeito à forma de produção impacta diretamente no modo como eles serão geridos e preservados. III. Na instrução processual a partir de processos de digitalização, os documentos em suporte físico são considerados os originais, enquanto os arquivos digitalizados e inseridos nos sistemas eletrônicos configuram-se como originais digitais. Está correto o que se afirma em:
- A)somente II;
A alternativa afirma que somente a II estaria correta, o que pressupõe que a I seria falsa. Isso não se sustenta, porque a I descreve corretamente as duas formas de produção do documento digital: o nato digital, criado já em ambiente eletrônico, e o digitalizado, obtido pela conversão de um suporte físico; ambos são espécies de documento digital. Como I e II estão corretas, essa opção erra ao excluir a I.
- B)somente I e II;
A alternativa reúne I e II, que são as duas proposições verdadeiras. A I diferencia corretamente o documento nato digital do documento digitalizado e reconhece que ambos são documentos digitais; a II também acerta ao apontar que a forma de produção interfere na gestão e na preservação, porque os requisitos de autenticidade, fixidez, metadados e estratégia de preservação mudam conforme o documento nasceu digital ou foi convertido. Por isso, essa é a resposta correta.
- C)somente I e III;
A alternativa sustenta que I e III estariam corretas. Embora a I esteja certa, a III erra ao tratar o arquivo digitalizado como "original digital": na digitalização, o suporte físico continua sendo o original e o arquivo gerado é uma representação ou cópia digital, não um original nato, distinção compatível com a técnica arquivística e com a disciplina da digitalização, como na Lei 12.682/2012 e no Decreto 10.278/2020. Assim, a presença da III derruba a alternativa.
- D)somente II e III;
Aqui se afirma que apenas II e III seriam verdadeiras. O problema é que a III confunde digitalização com criação de original digital, quando o correto é tratar o scan como cópia ou reprodução do documento físico, preservando-se o original em papel enquanto houver exigência legal ou administrativa. Como a I também é verdadeira, essa combinação não fecha.
- E)I, II e III.
A alternativa toma as três afirmativas como corretas. Isso falha por causa da III, que atribui ao documento digitalizado a condição de original digital, embora a digitalização apenas converta o documento físico em um arquivo eletrônico derivado, sem alterar sua natureza de cópia do original analógico. Logo, não se pode marcar todas as afirmativas.
Gabarito: B
Quando a banca fala em documento arquivístico digital, ela está olhando para a forma como o documento nasce e para os cuidados de gestão e preservação que isso exige. Um documento pode ser nato digital, isto é, já criado em meio eletrônico, ou pode ser resultado de digitalização de um documento em papel. Nos dois casos, continua sendo documento digital, mas a história de origem muda bastante o jogo. E aqui mora o ponto importante: a forma de produção influencia diretamente a gestão e a preservação. Um nato digital costuma exigir atenção a metadados, autenticidade, assinatura digital e preservação de longo prazo em ambiente eletrônico. Já o digitalizado depende também da fidelidade da imagem, da qualidade da digitalização e, em muitos contextos, da manutenção do suporte físico original por questões legais e probatórias. A afirmativa III escorrega quando trata o arquivo digitalizado como se fosse original digital. Digitalizar não transforma a cópia em original; ela é uma representação digital do documento físico. Em termos de gestão documental, o cuidado é justamente separar o que é original, o que é cópia digital e o que é documento nato digital. Por isso o gabarito é B: a I está correta porque ambos são documentos digitais; a II também está correta porque a origem impacta a preservação; e a III está errada ao confundir original físico com original digitalizado. A lógica arquivística aqui é simples: a tecnologia muda a forma, mas não faz mágica no status documental.