Leia o trecho a seguir. O documento audiovisual, inserido em um contexto arquivístico, deve ser compreendido quando relacionado com os demais documentos produzidos e acumulados pelo organismo produtor, sendo a contextualização arquivística indispensável, uma vez que o documento de arquivo não possui caráter autoexplicativo. A prática constante nos arquivos de separar documentos audiovisuais dos demais documentos convencionais é um ato fora dos padrões arquivísticos; muitas vezes, essa prática é vista como se constituísse a própria organização arquivística. Luiz Antônio S. da Silva e Telma C. Carvalho. (Adaptado) A prática relatada pelos autores leva à
- A)formação de arquivos audiovisuais.
Errada, porque separar documentos audiovisuais não cria, por si só, arquivos audiovisuais no sentido arquivístico correto.
- B)classificação funcional dos documentos.
Errada, porque a prática descrita não corresponde à classificação funcional, que organiza documentos pelas funções e atividades do órgão.
- C)contextualização de fundos diferentes.
Errada, porque o problema não é contextualizar fundos diferentes, e sim romper a relação interna dos documentos de um mesmo fundo.
- D)quebra da organicidade do acervo.
Certa, porque a separação indevida rompe a organicidade do acervo e tira os documentos do seu contexto arquivístico.
- E)criação de novo contexto arquivístico.
Errada, porque não se cria um novo contexto arquivístico ao separar documentos; ao contrário, perde-se o contexto original.
Gabarito: D
Em Arquivologia, o documento não deve ser tratado como uma peça solta, porque o sentido dele nasce do vínculo com o organismo que o produziu e com o conjunto documental ao qual pertence. Isso vale também para documentos audiovisuais: eles não viram um “mundo à parte” só porque têm suporte diferente. A lógica arquivística continua sendo a mesma: respeitar a proveniência, o contexto de produção e a organicidade do acervo. Quando alguém separa documentos audiovisuais dos demais apenas por causa do formato, sem preservar sua relação com as séries e funções que os geraram, acontece uma ruptura do conjunto documental. Em outras palavras, você até organiza visualmente, mas desorganiza arquivisticamente. O arquivo perde a ligação natural entre os documentos e a atividade que lhes deu origem. É por isso que o gabarito é a letra D. A prática descrita leva à quebra da organicidade do acervo, isto é, rompe a relação orgânica entre os documentos e impede que eles sejam compreendidos em seu contexto de produção. Essa ideia é central na doutrina arquivística, especialmente nos princípios da proveniência e do respeito à ordem original. Em concurso, desconfie de propostas que confundem separar por tipo documental com organizar corretamente. Nem todo agrupamento é classificação arquivística, e nem toda arrumação bonita preserva o sentido do arquivo. Arquivo bom é arquivo que conta a história da atividade que o gerou, sem “cortar os fios” do contexto.