Durante uma auditoria nos arquivos de uma biblioteca municipal, constatou-se que documentos importantes estavam armazenados em condições inadequadas. Foram identificados altos níveis de umidade, acúmulo de poeira e presença de pragas, como traças e roedores. Essas condições comprometem a integridade do acervo, colocando em risco documentos valiosos que são frequentemente consultados pela administração e pela população. Com base nas melhores práticas arquivísticas, qual medida deverá ser priorizada para garantir a preservação desses documentos?
- A)Restringir o acesso aos documentos ao público interno, reduzindo o manuseio.
Errada, porque restringir o acesso pode reduzir o manuseio, mas não resolve a umidade, a poeira nem a infestação biológica que estão degradando os documentos.
- B)Manter os documentos em recipientes hermeticamente fechados para isolar os agentes externos.
Errada, porque recipientes hermeticamente fechados não substituem o controle ambiental e ainda podem até favorecer problemas se o material já estiver com umidade ou contaminantes.
- C)Aplicar substâncias químicas diretamente aos documentos para eliminar agentes biológicos presentes.
Errada, porque aplicar substâncias químicas diretamente aos documentos é uma medida agressiva e inadequada, podendo causar mais danos ao acervo do que proteção.
- D)Eliminar os documentos mais deteriorados, substituindo-os por cópias digitais para evitar maiores danos.
Errada, porque eliminar os originais deteriorados e trocá-los por cópias digitais não é medida de preservação do documento, além de não enfrentar a causa do dano.
- E)Implementar o controle ambiental, ajustando temperatura e umidade, realizando higienização periódica e aplicando medidas preventivas contra agentes biológicos.
Certa, porque a preservação preventiva exige controle de temperatura e umidade, higienização periódica e ações contra agentes biológicos como pragas e roedores.
Gabarito: E
Em Arquivologia, preservar não é só guardar o documento na prateleira e cruzar os dedos. Quando há umidade alta, poeira e pragas, o problema é de conservação preventiva: o foco deve ser evitar a deterioração antes que ela avance. Isso inclui controlar temperatura e umidade, manter limpeza periódica, monitorar e combater insetos e roedores, além de garantir acondicionamento e ambiente adequados. A lógica aqui é simples: documento consultado com frequência sofre mais desgaste, então ele precisa de proteção contínua e não de soluções improvisadas. Isolar, esconder ou até copiar o acervo digitalmente não resolve o risco físico imediato do original, que continua sendo afetado pelo ambiente. A melhor prática é atuar na causa do dano, e não só no sintoma. Por isso, a alternativa E é a correta. Ela reúne exatamente as medidas de preservação preventiva recomendadas na doutrina arquivística: controle ambiental, higienização e prevenção contra agentes biológicos. Isso está alinhado ao entendimento técnico consolidado em conservação preventiva, amplamente cobrado em prova, segundo o qual a primeira resposta deve ser reduzir os fatores de deterioração do suporte documental. Em linguagem de prova: antes de pensar em restauração, descarte ou substituição, você cuida do ambiente. Documento gosta de estabilidade, não de sauna com poeira e visita de traças.