Uma arquivista de determinado museu histórico é responsável pelos documentos antigos e valiosos. Sabe-se que a preservação, a conservação e a restauração são processos diferentes e ela deverá garantir a qualidade de toda a documentação. Considerando o cenário apresentado, são procedimentos adequados a serem executados pela arquivista:
- A)Preservar os documentos em sacos plásticos para evitar a deterioração; conservar os documentos expondo-os à luz solar para eliminar germes e fungos; e, restaurar os danificados com partes rasgadas utilizando fita adesiva.
Errada, porque saco plástico, luz solar e fita adesiva podem agravar a deterioração e não são práticas adequadas de preservação, conservação ou restauração.
- B)Preservar os documentos sempre em um local com calor e alta umidade relativa; conservá-los limpando o ambiente regularmente com produtos químicos fortes; e, em caso de documentos danificados, restaurá-los sempre digitalmente.
Errada, porque calor e alta umidade favorecem fungos e deterioração, produtos químicos fortes podem danificar o acervo e restauração não é, em regra, apenas digital.
- C)Preservar os documentos expostos somente à ventilação artificial para evitar mofo; conservá-los aplicando produtos químicos concentrados para remover manchas e evitar a sua deterioração; restaurar as partes danificadas utilizando cola.
Errada, porque ventilação artificial isolada não resolve a preservação, produtos químicos concentrados são agressivos e cola comum não é técnica adequada de restauração.
- D)Preservar os documentos em caixas de arquivo, sem contato direto com as mãos e onde o sistema de climatização funciona sem interrupção; conservar os documentos mantendo-os limpos com pano macio e livre de substâncias químicas abrasivas; e, restaurar as partes danificadas por meio de processos de restauro profissionais.
Certa, porque reúne acondicionamento adequado, manuseio cuidadoso, controle ambiental, limpeza não abrasiva e restauração profissional.
Gabarito: D
Em Arquivologia, preservação, conservação e restauração não são sinônimos, e a banca adora misturar os três para ver se você escorrega. Preservar é agir de forma preventiva, criando condições para que o documento não se deteriore: controle de ambiente, acondicionamento adequado, manuseio correto e proteção contra luz, poeira e variações bruscas de temperatura e umidade. Conservação é o cuidado direto e cotidiano com o acervo, mantendo-o limpo e estável, sem procedimentos agressivos. Já a restauração entra quando o documento já sofreu dano e precisa de intervenção técnica especializada para recuperar, ao máximo, sua integridade física e informacional. No caso da questão, a alternativa D descreve exatamente essa lógica. Preservar em caixas de arquivo, sem contato direto com as mãos e com climatização contínua, é medida preventiva clássica. Conservar com pano macio e sem substâncias abrasivas também está correto, porque o objetivo é limpar sem agredir o suporte. E restaurar partes danificadas por processos profissionais é o caminho certo, porque restauração não é improviso com fita, cola ou qualquer produto caseiro que pareça milagre de papelaria. A doutrina arquivística trata a preservação como um conjunto amplo de ações voltadas à proteção do acervo, incluindo a conservação preventiva. Em museus e arquivos históricos, isso é ainda mais importante porque documentos antigos são muito sensíveis a luz, umidade, calor, manuseio inadequado e materiais impróprios. Por isso, a banca costuma premiar a resposta que separa prevenção, manutenção e restauro técnico, sem soluções improvisadas.