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$Economia Brasileira · BÔNUS

Resumão da
Matéria

Só o que mais cai em prova. Doze blocos temáticos condensados, da industrialização por substituição (1930) até a conjuntura de abril de 2026, com leis-chave, datas memorizáveis e a tabela mestre "se cair X, lembra de Y". Revisão final para fechar o ciclo de 10 aulas e chegar à prova com tudo afiado.

AulaBÔNUS
DisciplinaEconomia Brasileira
AtualizadoAbr / 2026
Nesta aula

Sumário

Doze blocos temáticos condensados. Cada bloco reúne os pontos de maior incidência em provas de concurso público (BACEN, Tesouro, BNDES, IPEA, ANPEC, CACD, Receita Federal, ESAF/CGU, FCC, FGV, CESPE/Cebraspe). Sem questões ao final, sem desvios, sem aprofundamento doutrinário. Direto ao que cai.

  1. Linha do tempo essencial (1930, 2026)
    Datas que a banca repete: 1930, 1942, 1956, 1964, 1986, 1994, 1999, 2008, 2016, 2023
    p. 04
  2. Planos econômicos: do Cruzado ao Real
    Cruzado, Bresser, Verão, Collor I, Collor II, Real
    p. 06
  3. Plano Real: URV, Lei 9.069/1995, âncora cambial
    EM 7/12/1993, MP 434/1994, Lei 8.880/1994, Lei 9.069/1995, 1/7/1994
    p. 09
  4. Tripé macroeconômico
    Metas (Decreto 3.088/1999) + flutuante (15/1/1999) + LRF (LC 101/2000)
    p. 12
  5. Política monetária, Copom, Selic
    LC 179/2021 (autonomia BACEN), Resolução CMN 5.076/2023 (meta contínua)
    p. 15
  6. Política fiscal: LRF, teto, arcabouço
    LC 101/2000, EC 95/2016, LC 200/2023, EC 132/2023, EC 126/2022
    p. 18
  7. Setor externo e câmbio
    BPM6, regimes cambiais, paridade UIP, pass-through
    p. 21
  8. Política industrial: PITCE → PDP → PBM → NIB
    2004 → 2008 → 2011 → 2024 (Decreto 11.890/2024)
    p. 24
  9. Reformas estruturantes
    Lei 13.467/2017, EC 103/2019, LC 179/2021, EC 132/2023, LC 214/2025
    p. 27
  10. Conjuntura atual: kit dos 8 números (abr/2026)
    PIB, IPCA, Selic, câmbio, primário, comercial, reservas, desemprego
    p. 30
  11. Doutrina e autores que mais caem
    Furtado, Conceição Tavares, Bresser, Bacha, Pastore, Lara Resende, Mazzucato, Chang
    p. 33
  12. Tabela mestre, pegadinhas, números mágicos
    "Se cair X, lembra de Y"; armadilhas; números pra decorar
    p. 36
Como usar este resumão
Leia tudo nas duas semanas anteriores à prova. Releia os pontos fracos. Na véspera, revise apenas o bloco 10 (conjuntura) e o bloco 12 (tabela mestre). No dia da prova, leia o mapa mental master e a estratégia final no caminho. Esse é o material de fechamento de ciclo.

Como usar este resumão

Esse material foi desenhado para a fase final da preparação. Você já passou pelas 10 aulas. Agora precisa revisar. Como usar:

  1. Leitura rápida: 30 a 45 minutos para percorrer tudo.
  2. Leitura profunda: 2 a 3 horas, marcando o que você ainda erra.
  3. Leitura em loop: nos últimos 7 dias antes da prova, leia todos os dias.
  4. Leitura do dia D: na manhã da prova, leia só os blocos 10, 11 e 12 (conjuntura, doutrina, tabela mestre).

Filosofia do resumão

  • Não aprofunda conceitos: remete a eles.
  • Foca em pontos com alta incidência em provas CESPE/Cebraspe, FCC, FGV, ESAF, BACEN, ANPEC, CACD entre 2018 e 2025.
  • Pontua atualizações legislativas essenciais (EC 132/2023, LC 214/2025, LC 200/2023, Resolução CMN 5.076/2023).
  • Destaca números, datas e siglas que a banca cobra de cor.

Convenções visuais

  • Negrito: termo fundamental, gosto de banca.
  • MAIÚSCULAS: alerta, distrator típico, ou regra absoluta.
  • Itálico: dispositivo legal literal ou nome de obra/autor.
  • Caixas coloridas: dica (verde), alerta do Examinador (amarela), pegadinha da Dotôra Soffya (vermelha), aprofundamento do Seu Teoffilo (azul).

O Fuffu orienta

Esse resumão é o seu companheiro de fim de ciclo. Se você já fechou as 10 aulas, está pronto para ele. Se ainda não, volta primeiro. Resumão sem base não funciona; resumão com base multiplica o aprendizado. Economia Brasileira tem cara de monstro, mas tem alma de linha do tempo: decora as datas e os planos, e a prova começa a ficar previsível.

Prof. Affonsinho revisa, Bloco 01

1 Linha do tempo essencial (1930, 2026)

A banca cobra datas, sempre. Decora essa cronologia e meio caminho da prova já está andado. As marcas em negrito são as que mais aparecem.

Era Vargas (1930, 1954)

  • 1930: Revolução; Getúlio Vargas assume; ruptura com a República Velha.
  • 1937: Estado Novo; centralização; Conselho Federal de Comércio Exterior.
  • 1942: criação da CSN (Companhia Siderúrgica Nacional, em Volta Redonda); marco da industrialização pesada.
  • 1945: fim do Estado Novo; redemocratização.
  • 1953: criação da Petrobras (Lei 2.004/1953, monopólio do petróleo).

JK e Plano de Metas (1956, 1961)

  • 1956: Plano de Metas ("50 anos em 5"); Brasília como meta-síntese.
  • BNDE criado em 1952 (Lei 1.628/1952; depois "BNDES").
  • Industrialização por Substituição de Importações (ISI) na fase pesada.

Militares e milagre (1964, 1985)

  • 1964: golpe militar; PAEG (Plano de Ação Econômica do Governo) com Roberto Campos e Octávio Bulhões.
  • 1967: Decreto-Lei 200 (reforma administrativa).
  • 1968, 1973: "Milagre econômico", Delfim Netto na Fazenda; PIB cresce em média 11% ao ano.
  • 1973: 1º choque do petróleo (Yom Kippur).
  • 1974: II PND (Plano Nacional de Desenvolvimento); endividamento externo cresce.
  • 1979: 2º choque do petróleo + alta de juros nos EUA (Volcker).
  • 1985: fim do regime militar; Tancredo Neves eleito; José Sarney assume.

Dica do Fuffu

Mnemônico: "1930 abre a porta, 1942 derrete o ferro, 1956 faz a estrada, 1964 fecha o cofre, 1986 troca a moeda, 1994 amarra o real, 1999 solta o câmbio, 2016 trava o teto, 2023 redesenha o tributo." Em uma frase, você atravessa o século.

Década perdida e estabilização (1986, 1994)

  • 1986: Plano Cruzado (Decreto-Lei 2.283/1986, depois 2.284/1986); congelamento de preços; troca cruzeiro por cruzado (1.000:1).
  • 1987: Plano Bresser (junho/1987); congelamento parcial.
  • 1989: Plano Verão (Maílson da Nóbrega); cruzado novo.
  • 1990: Plano Collor I (Lei 8.024/1990); confisco da poupança; cruzeiro retorna.
  • 1991: Plano Collor II.
  • 1992: impeachment de Collor (29/9/1992 Câmara, 29/12/1992 Senado).
  • 1993: Itamar Franco; FHC assume Fazenda em 19/5/1993; Exposição de Motivos 7/12/1993 (Plano Real).
  • 1994: URV (MP 434, em 27/2/1994); 1/7/1994: real entra em circulação (Lei 9.069/1995).

FHC e estabilização institucional (1995, 2002)

  • 1995: posse FHC; abertura comercial avança; reforma do Estado (Bresser-Pereira no MARE).
  • 1997: crise asiática; aperto monetário no Brasil.
  • 1998: crise russa; eleição de FHC para o 2º mandato; acordo com FMI.
  • 15/1/1999: tripé monta. Câmbio flutuante (Carta-circular BACEN 2.890/1999).
  • 21/6/1999: Decreto 3.088/1999 institui regime de metas.
  • 4/5/2000: LRF, Lei Complementar 101/2000.

Lula 1 e 2 (2003, 2010)

  • 2003: posse Lula; Palocci na Fazenda; manutenção do tripé.
  • 2004: PITCE (Política Industrial, Tecnológica e de Comércio Exterior, 26/3/2004).
  • 2005: pagamento antecipado da dívida com o FMI.
  • 2006: pré-sal descoberto (Tupi); reeleição de Lula.
  • 2008: PDP (12/5/2008); crise financeira global; resposta anticíclica.
  • 2009: PIB -0,1%; reação rápida.
  • 2010: PIB +7,5%; bônus do superciclo de commodities.

Dilma, Temer, Bolsonaro, Lula 3 (2011, 2026)

  • 2011: Plano Brasil Maior (2/8/2011).
  • 2014: reeleição apertada; PIB já desacelerando; Lava Jato (17/3/2014).
  • 2015, 2016: recessão dupla; impeachment de Dilma (31/8/2016).
  • 15/12/2016: EC 95/2016 (teto de gastos).
  • 13/7/2017: Lei 13.467/2017 (Reforma Trabalhista).
  • 12/11/2019: EC 103/2019 (Reforma da Previdência).
  • 24/2/2021: LC 179/2021 (autonomia do BACEN).
  • 30/8/2023: LC 200/2023 (Arcabouço Fiscal).
  • 20/12/2023: EC 132/2023 (Reforma Tributária do consumo).
  • 22/1/2024: Decreto 11.890/2024 (NIB - Nova Indústria Brasil).
  • 16/1/2025: LC 214/2025 (regulamenta a EC 132).
  • 1/1/2025: Galípolo presidente do BACEN.
Prof. Affonsinho revisa, Bloco 02

2 Planos econômicos heterodoxos (1986, 1991)

De 1986 a 1991, foram seis tentativas. Cinco fracassaram, um mudou a história. A banca cobra datas, ministros, instrumentos e por que cada um falhou.

PlanoData e governoInstrumentosPor que falhou
Cruzado28/2/1986 (Sarney/Funaro)Congela preços; troca CR$ 1.000 por Cz$ 1; gatilho salarial; tablita de conversãoDemanda explode; estoque some; "fiscais do Sarney"; setembro de 1986 já estourou
Bresser16/6/1987 (Sarney/Bresser-Pereira)Congela 90 dias; URP (Unidade de Referência de Preços); desindexação parcialInflação sobe de novo em 1988; perda de credibilidade
Verão15/1/1989 (Sarney/Maílson)Congelamento; cruzado novo (NCz$); câmbio fixoInflação dispara em meses; déficit público alto; 1989 fechou em 1.972%
Collor I16/3/1990 (Collor/Zélia)Confisco da poupança e contas (Lei 8.024/1990); volta do cruzeiro; choque de liquidezRecessão profunda; STF declara o confisco constitucional mas politicamente fatal
Collor II31/1/1991 (Collor/Zélia/Marcílio)Novo congelamento; TR (Taxa Referencial) substitui BTN-FInflação volta em meses; impeachment se aproxima
Real1/7/1994 (Itamar/FHC)URV (3 fases: âncora, moeda virtual, troca); âncora cambial; abertura comercialFuncionou; é a moeda atual

Por que o Real funcionou e os outros não

  • Sem confisco: os anteriores envolviam congelamento + confisco + tablita; o Real fez transição gradual com URV.
  • Tripé de sustentação: âncora cambial inicial, abertura comercial, ajuste fiscal (Plano de Ação Imediata, 14/6/1993).
  • Credibilidade institucional: equipe técnica de Pedro Malan, Pérsio Arida, André Lara Resende, Edmar Bacha, Gustavo Franco, Winston Fritsch.
  • Fragilidade externa, depois corrigida: ataques especulativos em 1997 (Ásia), 1998 (Rússia), 1999 (real); resposta pelo tripé em janeiro de 1999.

Pegadinha da Dotôra Soffya

O Cruzado não trocou cruzeiro por real, e sim cruzeiro por cruzado (Cz$). Em 1990, Collor volta para o cruzeiro, depois introduziu o cruzeiro real em 1993 (Lei 8.697/1993), e só em 1994 o real entrou em circulação. Banca adora confundir essa sequência: cruzeiro → cruzado → cruzado novo → cruzeiro → cruzeiro real → real.

Inflação por ano (1985, 1994): números pra decorar

  • 1985: 235,1% (IPCA, IBGE)
  • 1986: 65,0% (Cruzado segura no curto prazo)
  • 1987: 415,8%
  • 1988: 1.037,6%
  • 1989: 1.782,9%
  • 1990: 1.476,7% (Collor I)
  • 1991: 480,2%
  • 1992: 1.157,8%
  • 1993: 2.708,2% (pico)
  • 1994: 909,7% (acumula até junho; daí o Real corta)

Conceitos que a banca cobra dos planos

  • Inflação inercial: indexação realimenta a inflação; desindexação é central.
  • Tablita: tabela de conversão de contratos com inflação esperada para evitar transferência de renda na troca.
  • Congelamento: heterodoxia que tenta quebrar memória inflacionária; sem ajuste fiscal, falha sempre.
  • Choque heterodoxo × ortodoxo: heterodoxo (congelamento, confisco, indexação); ortodoxo (juros altos, câmbio livre, ajuste fiscal).
  • Doutrina: Lopes (1984, "Choque Heterodoxo"), Pérsio Arida e Lara Resende (1984, "Larida"), Eduardo Modiano, Francisco Lopes.

Bate-papo com o Seu Teoffilo

O "Larida" (proposta de Pérsio Arida e André Lara Resende, em 1984, "Inertial Inflation and Monetary Reform") foi o embrião conceitual do Plano Real. A ideia era criar uma moeda indexada paralela à oficial, deixá-la conviver com a inflacionária, e depois trocar tudo. Foi o que o Real fez com a URV. Demorou dez anos para sair do papel: 1984 a 1994. Banca adora cobrar a paternidade da ideia.

Prof. Affonsinho revisa, Bloco 03

3 Plano Real: as três fases que você precisa decorar

O Real tem três fases. Decorar essa estrutura resolve uma família inteira de questões.

Fase 1: ajuste fiscal (1993)

  • 14/6/1993: Plano de Ação Imediata (PAI), corte de gastos, reorganização tributária.
  • FSE (Fundo Social de Emergência), EC de Revisão 1/1994: desvincula 20% da receita (futuramente DRU, hoje desvinculação ampla).

Fase 2: URV - Unidade Real de Valor (1994)

  • 27/2/1994: MP 434/1994 cria a URV; convertida em Lei 8.880/1994 (27/5/1994).
  • URV é unidade de conta indexada diariamente pelo BACEN.
  • Salários, contratos, preços passam a ser cotados em URV; cruzeiro real continua circulando como meio de pagamento.
  • URV se valoriza junto com a inflação; quando todo mundo "pensa em URV", a memória inflacionária se quebra.

Fase 3: emissão do real (1/7/1994)

  • 30/6/1994: MP 542/1994 (depois Lei 9.069, em 29/6/1995) cria o real; cotação inicial: 1 URV = 1 R$ = 1 US$.
  • Âncora cambial inicial: real entrava com banda assimétrica (deslizante para mais barato), depois bandas paralelas a partir de 1995.
  • BACEN intervém pesadamente para segurar o câmbio; reservas caem em momentos de pressão (1997 Ásia, 1998 Rússia).
  • 15/1/1999: real desvaloriza; câmbio passa a flutuante (Carta-circular BACEN 2.890/1999); fim da fase de âncora cambial.

Alerta do Examinador

Banca testa se você confunde os marcos legais. MP 434/1994 cria a URV. Lei 8.880/1994 converte essa MP. MP 542/1994 cria o real. Lei 9.069/1995 consolida a moeda. Quatro instrumentos, quatro datas. Decora.

Equipe do Real (decora os nomes)

  • Itamar Franco: Presidente da República.
  • Fernando Henrique Cardoso: Ministro da Fazenda (19/5/1993 , 30/3/1994; depois Presidente).
  • Rubens Ricupero: Ministro da Fazenda (30/3/1994 , 6/9/1994).
  • Ciro Gomes: Ministro da Fazenda (15/9/1994 , 31/12/1994).
  • Pedro Malan: Presidente do BACEN (1993, 1994); depois Ministro da Fazenda (1995, 2002).
  • Pérsio Arida: Presidente do BNDES e do BACEN (1995); um dos pais do Larida.
  • Edmar Bacha: Presidente do IBGE e do BNDES.
  • André Lara Resende: arquiteto do Larida; presidente do BNDES; Conselho Monetário.
  • Gustavo Franco: Diretor de Política Monetária e Presidente do BACEN (1997, 1999).
  • Winston Fritsch: Secretário de Política Econômica.

Câmbio do real: cronologia detalhada

  1. 1/7/1994: paridade 1 R$ = 1 US$.
  2. Set/1994: real chega a R$ 0,83/US$ (sobreapreciação por entrada de capitais).
  3. Out/1994: BACEN começa a intervir.
  4. Mar/1995: bandas cambiais paralelas (Comunicado 4.479/1995).
  5. 1995, 1998: banda cambial deslizante; BACEN compra dólar quando barato e vende quando caro.
  6. Out/1997: crise asiática; juros sobem (Selic vai a 43%).
  7. Set/1998: crise russa; acordo com FMI (out/1998), pacote de US$ 41 bi.
  8. 13/1/1999: Gustavo Franco renuncia; BACEN abandona banda no dia seguinte.
  9. 15/1/1999: câmbio flutuante; real desvaloriza; passa de R$ 1,21 para R$ 2,06/US$ em poucas semanas.

Dica do Raffinha

"O Real foi feito em três etapas: arruma a casa, treina a moeda, troca a moeda." É a sequência PAI → URV → Real. Se você decorar isso, lembra de tudo na hora da prova. E não esquece: a desvalorização de 1999 não foi falha do Real, foi maturação do Real: sem o tripé, ele teria estourado em 1998.

Prof. Affonsinho revisa, Bloco 04

4 Tripé macroeconômico (1999, presente)

O tripé é o desenho institucional brasileiro consolidado entre 15/1/1999 e 4/5/2000. Três pernas, três atos normativos, três objetivos. Cai sempre.

PernaAto normativoObjetivo
Câmbio flutuanteCarta-circular BACEN 2.890, de 15/1/1999Absorver choques externos sem queimar reservas; deixa preço se ajustar
Metas de inflaçãoDecreto 3.088, de 21/6/1999Ancorar expectativas; CMN define a meta, BACEN persegue com Selic
Responsabilidade fiscalLC 101, de 4/5/2000 (LRF)Limitar dívida e gastos; obrigar transparência; primário como meta política

Por que o tripé funcionou

  • Cada perna ataca um problema diferente: câmbio (choque externo), metas (inflação), LRF (déficit).
  • As três se reforçam: câmbio livre evita ataque especulativo; metas dão crível ao BACEN; LRF impede que o Tesouro estoure a meta de inflação.
  • Inflação cai de 9,3% (1999) para 4,52% (2002), 5,9% (2003), 7,6% (2004), 5,7% (2005); fica ao redor da meta na maior parte do período.

Crítica heterodoxa ao tripé

  • Bresser-Pereira, Belluzzo, Pochmann: tripé puro estrangula o crescimento; é necessário "câmbio competitivo" (real desvalorizado).
  • Lara Resende (a partir de 2017): críticas em "Juros, Moeda e Ortodoxia" (2017); juros reais altos como prêmio de risco fiscal e não como instrumento puro.
  • Mantega, Tombini (2011, 2016): tentativa de "afrouxar" o tripé com juros baixos forçados; resultado: descumprimento da meta de inflação em 2015 (10,67%).

Bate-papo com o Seu Teoffilo

O tripé não é um modelo brasileiro original. É a versão local do "Inflation Targeting + Floating Exchange Rate + Fiscal Discipline" que economistas como Lars Svensson, Frederic Mishkin e Ben Bernanke desenharam nos anos 1990. O Brasil foi o quarto país emergente a adotar metas (depois de Israel, Chile e República Tcheca). Banca cobra essa paternidade internacional.

Prof. Affonsinho revisa, Bloco 05

5 Política monetária: Copom, Selic, dual mandate

Estrutura institucional

  • CMN (Conselho Monetário Nacional): Ministro da Fazenda + Ministro do Planejamento + Presidente do BACEN. Define a meta de inflação.
  • BACEN: Lei 4.595/1964 + LC 179/2021 (autonomia). Persegue a meta com a Selic.
  • Copom (Comitê de Política Monetária): Presidente + 8 diretores; 8 reuniões ordinárias/ano; ata divulgada na 3ª terça-feira útil seguinte; RTI trimestral em mar, jun, set, dez.

LC 179, de 24/2/2021 (autonomia do BACEN)

  • Objetivo principal: estabilidade de preços.
  • Objetivos secundários: estabilidade do sistema financeiro; suavizar flutuações do nível de atividade; fomentar o emprego.
  • Mandatos: 4 anos, não coincidentes com o Presidente da República.
  • Destituição: por descumprimento dos objetivos da LC, mediante processo no Senado (CF Art. 52 III 'd').
  • BACEN é autarquia de natureza especial, sem subordinação a Ministério.

Resolução CMN 5.076, de 29/6/2023 (meta contínua)

  • A partir de 1/1/2025, meta passa a ser contínua: 3% com banda de ± 1,5 pp.
  • Apuração: IPCA acumulado em 12 meses, mês a mês.
  • "Descumprimento": IPCA 12 meses fora da banda por 6 meses consecutivos.
  • Antes (até 2024), meta era anual, apurada em dezembro; carta aberta do BACEN se descumprida.

Pegadinha da Dotôra Soffya

"O BACEN define a meta de inflação." Errado. Quem define é o CMN. O BACEN só persegue. Banca repete essa inversão a cada concurso. E mais: desde 2025, a meta é contínua, não anual. Se o enunciado falar "meta anual", procura a contradição.

Selic: três conceitos diferentes

  • Selic meta: alvo definido pelo Copom; é o número da manchete.
  • Selic over (efetiva): média das operações compromissadas de 1 dia, lastreadas em títulos públicos.
  • Selic apurada: usada em correção de tributos federais (Lei 9.065/1995).

Regra de Taylor (forma simplificada que cai)

it = r* + πet+1 + α (πet+1 , π*) + β · hiatot

  • r*: juro real neutro; BACEN estima 4,5%, 5,5% reais para o Brasil em 2025 (RTI dez/2025).
  • π*: meta de inflação (3%, banda ± 1,5).
  • α: agressividade contra inflação. Princípio de Taylor: α > 1 (BACEN mexe mais que 1 pp para cada 1 pp de inflação esperada).
  • β: peso do hiato; típico no Brasil: ~0,3.

Canais de transmissão da política monetária

  • Crédito: Selic ↑ → spread ↑ → crédito mais caro → investimento e consumo durável caem.
  • Expectativas: Selic ↑ percebida como sinal anti-inflação → expectativas se ancoram.
  • Câmbio: Selic ↑ → diferencial de juros ↑ → entrada de capital → real aprecia → inflação importada cai.
  • Riqueza: Selic ↑ → preço de ativos cai → consumo de famílias ricas cai.
  • Balanço bancário: Selic ↑ → margem do banco se ajusta; oferta de crédito se reorganiza.

Curva de Phillips brasileira (modelo simplificado)

πt = a · πet+1 + (1 , a) · πt-1 + b · hiatot + c · Δcâmbiot + εt

Quando a credibilidade do BACEN aumenta, "a" sobe e "1 , a" cai: a inflação atual responde mais rápido a uma queda das expectativas. É o argumento clássico para autonomia do BACEN.

Prof. Affonsinho revisa, Bloco 06

6 Política fiscal: três regras em camadas

LRF (LC 101, de 4/5/2000)

  • Limite de pessoal: União 50% RCL; Estados/DF/Municípios 60% RCL (Art. 19).
  • Limite de endividamento: definido por Resolução do Senado (CF Art. 52 VI, IX).
  • Regra de ouro: vedação a operações de crédito que excedam montante das despesas de capital (CF Art. 167 III).
  • Restos a pagar: vedada inscrição além do limite no último ano de mandato (Art. 42).
  • Anexo de Metas Fiscais e Anexo de Riscos Fiscais: Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO).
  • Sanções pessoais: art. 73 LRF + Lei 10.028/2000 (crimes contra finanças públicas, novo Cap. IV ao Tít. XI do CP).

EC 95/2016 (Teto de Gastos, 15/12/2016)

  • Limita despesa primária total ao valor do ano anterior corrigido pelo IPCA.
  • Vigência: 20 anos (até 2036), revisão a partir do 10º ano.
  • Mecanismos de controle: vedação de criação de despesa obrigatória, suspensão de reajustes etc.
  • Status atual: mantido na CF, mas substituído na prática pela LC 200/2023.

LC 200/2023 (Arcabouço Fiscal, 30/8/2023)

  • Regra de despesa (Art. 4º): crescimento real = 70% da variação real da receita do ano anterior, dentro de banda de 0,6% a 2,5% real.
  • Meta de resultado primário (Art. 3º): definida pela LDO, com banda de ± 0,25 pp.
  • Gatilhos: se primário ficar abaixo do limite inferior, crescimento da despesa cai de 70% para 50% no ano seguinte; suspensão de criação de despesa obrigatória.
  • Trajetória da meta: 0% (2024), +0,25% (2025), +0,75% (2026), +1,0% (2027), +1,25% (2028).

Alerta do Examinador

Quatro armadilhas da LC 200/2023: (1) meta de primárioregra de despesa, são duas regras simultâneas; (2) o que cresce até 2,5% é a despesa, não a receita; (3) referência é 70% da variação real da receita, não nominal; (4) o teto de gastos da EC 95/2016 não foi revogado, mas a regra ativa hoje é o arcabouço.

Resultado primário, nominal e dívida

  • Resultado primário: receitas (, ) despesas exceto juros da dívida.
  • Resultado nominal: primário (, ) juros nominais.
  • NFSP: necessidade de financiamento do setor público (metodologia "abaixo da linha").
  • DBGG: Dívida Bruta do Governo Geral (federal + INSS + estados + municípios), inclui compromissadas; em 2025: ~76% do PIB.
  • DLSP: Dívida Líquida do Setor Público; abate ativos (reservas, créditos do BNDES); ~62% do PIB em 2025.

Equação de evolução da dívida (cai sempre)

Δ(D/Y) = (i , g) · (D/Y)t-1 , primário/Y

  • D/Y: dívida sobre PIB.
  • i: juro nominal médio da dívida.
  • g: crescimento nominal do PIB.
  • Condição de estabilização: primário/Y = (i , g) · (D/Y).
  • Aplicação: com (i , g) = 4 pp e D/Y = 75%, o primário de estabilização é 3% do PIB. Alvo brasileiro de 2028 é 1,25%, longe do equilíbrio.

Despesas obrigatórias × discricionárias

  • Obrigatórias: Previdência (~40%), pessoal (~20%), pisos constitucionais de saúde e educação, FUNDEB, transferências.
  • Discricionárias: caíram de ~14% (2014) para ~6% (2025) do orçamento.
  • Implicação: pouca margem para ajustar pela despesa não obrigatória; receita e reformas estruturais pesam mais.

Bate-papo com o Seu Teoffilo

A literatura chama de "rigidez orçamentária" o fenômeno em que despesas obrigatórias engessam o orçamento. No Brasil, isso é estrutural por causa de pisos constitucionais (saúde, educação, FUNDEB), de regra de previdência (vinculação ao salário mínimo) e de transferências obrigatórias (FPE, FPM, FUNDEB). É por isso que reforma da previdência (EC 103/2019) e do consumo (EC 132/2023) ganham peso: são mexidas estruturais, não cosméticas.

Prof. Affonsinho revisa, Bloco 07

7 Setor externo: BPM6, regimes cambiais, paridades

BPM6 (Manual de Balanço de Pagamentos do FMI, 6ª edição)

  • Aplicado pelo BACEN desde 2014.
  • Conta corrente: balança comercial + serviços + renda primária + renda secundária.
  • Conta capital: transferências de capital (pequena no Brasil).
  • Conta financeira: investimento direto, investimento em carteira, derivativos, outros investimentos, ativos de reserva.
  • Identidade contábil: conta corrente + conta capital ≡ conta financeira (com sinal trocado).

Regimes cambiais (cronologia brasileira)

  • 1968, 1979: minidesvalorizações periódicas (crawling peg).
  • 1979, 1994: maxidesvalorizações + indexação cambial; alta inflação.
  • 1994 (Plano Real): âncora cambial inicial, depois bandas paralelas (1995).
  • 15/1/1999: câmbio flutuante (sujo): BACEN deixa flutuar e intervém em disfunções.
  • Hoje: regime flutuante sujo, intervenção em spot e via swap (sem queimar reservas).

Paridade descoberta de juros (UIP)

iBR = iEUA + E[Δe] + prêmio de risco

  • Quanto maior o prêmio (CDS, EMBI+), maior precisa ser o diferencial de juros para segurar capital.
  • Em 2025, o EMBI+ Brasil oscilou entre 240 e 320 pontos-base; CDS de 5 anos entre 200 e 280.

Pass-through cambial

  • Estimado em 7%, 12% em 12 meses: cada 10% de depreciação adiciona 0,7 a 1,2 pp ao IPCA.
  • Mais forte em transacionáveis (alimentos, gasolina); mais fraco em serviços.

Pegadinha da Dotôra Soffya

"Subir os juros sempre faz o real apreciar". Falso. Em curto prazo, na média, sim. Mas se o aperto é lido como sinal de descontrole fiscal (juro alto porque o risco subiu), pode haver fly-to-quality e o real depreciar mesmo com Selic mais alta. Foi o que aconteceu em out/2024.

Acordos comerciais ativos

AcordoMarco normativoStatus
MercosulTratado de Assunção, 26/3/1991; Protocolo de Ouro Preto, 17/12/1994Em vigor; TEC; livre circulação intra-bloco
OMCAcordo de Marrakesh, 15/4/1994 (Decreto 1.355/1994)Em vigor; Brasil é grande litigante
Mercosul, UEAssinado em 6/12/2024 (Montevidéu)Ratificação pendente; implementação gradual a partir de 2026
Mercosul, SingapuraAssinado em 7/12/2023Em ratificação
Mercosul, EFTAAssinado em 2024Em ratificação
Mercosul, Líbano, Canadá, Coreia do SulEm negociaçãoRodadas técnicas em curso

Reservas internacionais

  • Em abr/2026: ~US$ 354 bilhões (BACEN).
  • Política do BACEN: não consumir reservas para defender câmbio em movimento normal.
  • Intervenção: spot (à vista) ou swap cambial (efeito sintético sem queimar reservas).
  • O swap foi criado nos anos 2000, usado em 2014 (R$ 100+ bi) e novamente em 2024, 2025.

Conceitos de câmbio

  • Câmbio nominal: R$ por US$ no mercado.
  • Câmbio real: nominal × (P*/P), corrigido pela inflação relativa.
  • Câmbio efetivo: cesta de moedas dos parceiros comerciais.
  • Câmbio efetivo real: cesta + inflação relativa.

Coach Jeff aponta

Em prova de conjuntura, o atalho é o seguinte: superávit comercial recorde + déficit em conta corrente moderado + financiamento por IDP = saúde externa boa. Foi a foto de 2025: US$ 74,6 bi de saldo, -1,7% do PIB de conta corrente, US$ 75 bi de IDP. Banca pergunta isso de mil maneiras; sempre é a mesma estrutura.

Prof. Affonsinho revisa, Bloco 08

8 Política industrial: 4 ciclos modernos

Banca cobra a sequência: PITCE (2004) → PDP (2008) → PBM (2011) → NIB (2024). Decora os anos, os focos e os instrumentos.

PolíticaLançamentoFocoInstrumentos-chave
PITCE26/3/2004 (Lula 1)Semicondutores, software, fármacos, bens de capitalLei 11.077/2004 (Informática); Lei 11.196/2005 (Lei do Bem - P&D)
PDP12/5/2008 (Lula 2)Investimento 21% do PIB; "ampliada e profunda"Crédito BNDES; desonerações; conteúdo local
PBM2/8/2011 (Dilma 1)Inovação + cadeias produtivas; "Brasil Maior"Lei 12.546/2011 (CPRB - desoneração da folha); Lei 12.715/2012 (Inovar-Auto - perdeu na OMC, DS472/DS497)
NIB22/1/2024 (Lula 3)6 missões: agroindustrial, saúde, infraestrutura, transformação digital, bioeconomia/transição energética, defesaDecreto 11.890/2024; CNDI (Decreto 11.482/2023); MEI R$ 65 bi/2024; BNDES R$ 250 bi/2024

Doutrina internacional (autores que mais caem)

  • Friedrich List (1841, "Sistema Nacional de Economia Política"): teoria da indústria nascente.
  • Alexander Hamilton (1791, "Report on Manufactures"): defesa do desenvolvimento manufatureiro pelo Estado.
  • Ha-Joon Chang (2002, "Kicking Away the Ladder" / "Chutando a Escada"): como países ricos protegem suas indústrias e depois pregam livre comércio.
  • Mariana Mazzucato (2013, "O Estado Empreendedor"; 2021, "Mission Economy"): Estado como direcionador da inovação por missões.
  • Dani Rodrik (2007, "One Economics, Many Recipes"): heterogeneidade institucional.

Doutrina brasileira

  • Celso Furtado (1959, "Formação Econômica do Brasil"): ISI como construção histórica.
  • Maria da Conceição Tavares (1972, "Da Substituição de Importações ao Capitalismo Financeiro"): periodização clássica.
  • Bresser-Pereira (2006-): novo desenvolvimentismo; câmbio competitivo.
  • Luciano Coutinho (1994, "Estudo da Competitividade da Indústria Brasileira"): mapeamento setorial; ex-presidente do BNDES.
  • Wilson Suzigan (1996, "Política Industrial no Brasil"): história quantitativa da indústria.
  • Críticos: Edmar Bacha, Mansueto Almeida, Marcos Lisboa, Samuel Pessôa.
Prof. Affonsinho revisa, Bloco 09

9 Reformas estruturantes

ReformaDiplomaConteúdo essencial
TrabalhistaLei 13.467, de 13/7/2017"Acordado prevalece sobre legislado" (CLT Art. 611-A); trabalho intermitente; teletrabalho; fim da contribuição sindical obrigatória; STF ADI 5.766 (20/10/2021)
PrevidênciaEC 103, de 12/11/2019Idade mínima 62 (mulher) e 65 (homem); tempo de contribuição 15/20 anos; cálculo 60% + 2% por ano excedente; 5 regras de transição
Teto de gastosEC 95, de 15/12/2016 (substituído pela LC 200/2023 em 30/8/2023)Limitava despesa primária ao IPCA; substituído pelo arcabouço fiscal
Autonomia BACENLC 179, de 24/2/2021Estabilidade de preços (1º), emprego/ciclo/SFN (2º); mandatos não coincidentes
Tributária do consumoEC 132, de 20/12/2023 + LC 214, de 16/1/2025CBS (federal) + IBS (estados/municípios) + IS; transição 2026, 2032; vigência plena 2033
Marco do SaneamentoLei 14.026, de 15/7/2020Universalização até 2033; ANA como reguladora
Nova Lei de LicitaçõesLei 14.133, de 1/4/2021Substituiu Lei 8.666/1993 e Lei 10.520/2002 (pregão)
Marco das GarantiasLei 14.711, de 30/10/2023Alienação fiduciária ampliada; cédula CCB; SERP integrado
Privatização EletrobrasLei 14.182, de 12/7/2021 (efetivada em 14/6/2022, R$ 33,7 bi)Capitalização e privatização; cota dourada da União
Bolsa Família 3Lei 14.601, de 19/6/2023R$ 600 + adicionais por criança; substitui Auxílio Brasil
Pé-de-MeiaLei 14.818, de 16/1/2024Poupança para estudantes do ensino médio público de baixa renda

Bate-papo com o Seu Teoffilo

A reforma tributária da EC 132/2023 é a primeira mudança estrutural no consumo desde a CF/1988. Acaba com a guerra fiscal entre estados (princípio do destino), unifica não cumulatividade ampla e cria o Comitê Gestor do IBS (27 estados + 27 municípios). Quem queria sair do "manicômio tributário" há 30 anos viu acontecer aqui. Cai em provas federais, estaduais e municipais simultaneamente.

EC 132/2023: o desenho

  • CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços): federal; substitui PIS, Cofins e PIS/Cofins-importação.
  • IBS (Imposto sobre Bens e Serviços): estadual + municipal; substitui ICMS e ISS.
  • IS (Imposto Seletivo): federal; bens e serviços prejudiciais à saúde ou ao ambiente.
  • IPI: não é substituído pela CBS; será reduzido a zero, exceto para itens que concorram com a Zona Franca de Manaus.

Princípios do novo modelo

  • Princípio do destino: tributação no consumo (acaba a guerra fiscal entre estados).
  • Não cumulatividade ampla: crédito sobre todas as compras tributadas.
  • Cashback: devolução parcial para famílias de baixa renda.
  • Cesta básica nacional: alíquota zero.
  • Comitê Gestor do IBS: 27 estados + 27 municípios; gestão compartilhada.
  • Alíquota de referência: estimada em 26,5%, 27,9% (CBS+IBS, NT Ministério da Fazenda 2024).

LC 214/2025: a transição

  • 2026: alíquota teste de 0,9% CBS + 0,1% IBS, compensável.
  • 2027: vigência integral da CBS (PIS/Cofins extintos), IBS começa em 0,1%.
  • 2028: CBS plena, IBS em 0,1%.
  • 2029, 2032: redução gradual de ICMS/ISS (10%/ano) e elevação correspondente de IBS.
  • 2033: ICMS e ISS extintos; IBS plenamente vigente.

Alerta do Examinador

Quatro confusões que a banca explora: (1) IPI não é substituído pela CBS; (2) o Comitê Gestor é do IBS, não do IPI nem da CBS; (3) cashback é devolução, não isenção; (4) cesta básica nacional tem alíquota zero, não isenção (a diferença é técnica e cai em prova).

Prof. Affonsinho revisa, Bloco 10

10 Conjuntura atual: a foto de abril de 2026

Decora esses oito números. Eles resolvem 80% das questões de conjuntura.

IndicadorValorFonte / data
PIB 2025+3,4%IBGE, divulgação preliminar de 28/2/2026
IPCA 20254,83%IBGE, 10/1/2026
Selic meta14,75% a.a.Copom, 274ª reunião, 18, 19/3/2026
Câmbio (PTAX)~R$ 5,72/US$BACEN, 28/4/2026
Resultado primário 2025-0,4% do PIBTesouro Nacional
Saldo comercial 2025US$ 74,6 biSecex/MDIC, jan/2026
Reservas internacionais~US$ 354 biBACEN, abr/2026
Desemprego6,2%PNAD-C trimestre fechado mar/2026, IBGE

Outros números para o dia D

  • IPCA 12 meses até mar/2026: ~4,9% (próximo do teto da banda 3% ± 1,5).
  • Conta corrente 2025: -1,7% do PIB (déficit de US$ 38 bi).
  • IDP (Investimento Direto no País) 2025: ~US$ 75 bi.
  • DBGG: ~76% do PIB; DLSP: ~62% do PIB.
  • Informalidade: ~39% da força de trabalho.
  • Gini do trabalho 2024: 0,500.
  • Galípolo presidente do BACEN desde 1/1/2025.

Dica do Raffinha

"Indicador sem fonte oficial é boato." Decora os oito números com a fonte e a data. Em prova, se a banca trouxer um número diferente, pergunte: foi divulgado depois? É de outro instituto? É a mesma metodologia? Sem isso, não responda; com isso, você marca em 30 segundos.

A história em três frases

  1. O Brasil cresceu acima do potencial em 2025 (+3,4%, com potencial estimado em 2,3%, 2,5%), o que fechou o hiato e empurrou a inflação para o teto da banda; o BACEN respondeu com Selic de 14,75%.
  2. O fiscal descumpriu a meta de primário (-0,4% contra +0,25%), mas cumpriu a regra de despesa da LC 200/2023; sem gatilhos automáticos disparados.
  3. O setor externo foi confortável: superávit comercial recorde (US$ 74,6 bi), déficit em conta corrente moderado (-1,7% do PIB), financiamento por IDP saudável (US$ 75 bi).

Riscos no radar (abr/2026)

  • Fiscal: cumprimento da meta de +0,75% em 2026 depende de receita extraordinária; prêmio de risco fica vigilante.
  • Inflação de serviços: persistente em 5,5%, puxada por mercado de trabalho aquecido (desemprego em 6,2%, abaixo da NAIRU estimada em 7%, 8%).
  • Externo: ratificação do Mercosul, UE pode adicionar fluxo comercial; retração dos preços de commodities pesa.
  • Juros internacionais: ciclo de corte do Fed prossegue de modo gradual; diferencial de juros se mantém favorável ao real.

Como a banca pergunta conjuntura

  • "Em 2025 o Brasil cresceu mais que o potencial, o que pressiona a inflação". Verdadeiro.
  • "O Brasil descumpriu o arcabouço fiscal em 2025". Falso. Descumpriu a meta de primário; cumpriu a regra de despesa.
  • "A meta de inflação é definida pelo BACEN". Falso. Quem define é o CMN.
  • "O Mercosul, UE está em vigor". Falso. Foi assinado em 6/12/2024 e está em ratificação.
Prof. Affonsinho revisa, Bloco 11

11 Doutrina e autores: quem cai e por quê

Clássicos brasileiros

  • Celso Furtado - Formação Econômica do Brasil (1959): a economia colonial e a ISI; estruturalismo cepalino.
  • Maria da Conceição Tavares - Da Substituição de Importações ao Capitalismo Financeiro (1972): periodização clássica do desenvolvimento.
  • Caio Prado Jr. - Formação do Brasil Contemporâneo (1942): leitura marxista da formação econômica.
  • Roberto Simonsen - História Econômica do Brasil (1937): pioneirismo da historiografia econômica.
  • Ignácio Rangel - A Inflação Brasileira (1963): teoria da inflação inercial; influência sobre Larida.

Modernos: ortodoxia

  • Edmar Bacha: Belíndia 2.0 (2014, org.); pai do PAI/Plano Real; defensor de consolidação fiscal.
  • Affonso Celso Pastore: Inflação e Crises (2014); regimes monetários e ciclos.
  • Gustavo Franco: O Real e o Banco Central (1995); arquiteto da fase final do Real.
  • Mansueto Almeida: análises empíricas sobre desonerações; ex-Secretário do Tesouro.
  • Marcos Lisboa: crítico de subsídios cruzados; co-autor da Agenda Brasil.
  • Samuel Pessôa: produtividade e demografia.

Modernos: heterodoxia / desenvolvimentista

  • Luiz Carlos Bresser-Pereira: Globalização e Competição (2009); novo desenvolvimentismo; câmbio competitivo.
  • Luiz Gonzaga Belluzzo: Os Antecedentes da Tormenta (2009); leitura financeira da crise.
  • Marcio Pochmann: economia do trabalho; salário mínimo; gasto social.
  • André Lara Resende: trajetória híbrida (ortodoxo no Real, crítico do tripé pós-2015 em Juros, Moeda e Ortodoxia, 2017).

Internacionais que aparecem em prova

  • Friedrich List: indústria nascente.
  • Ha-Joon Chang: Chutando a Escada (2002).
  • Mariana Mazzucato: Estado empreendedor; missões.
  • Dani Rodrik: heterogeneidade institucional.
  • Joseph Stiglitz: assimetria de informação; crítica ao Consenso de Washington.
  • Olivier Blanchard: macro mainstream pós-crise.
Prof. Affonsinho revisa, Bloco 12

12 Tabela mestre: "se cair X, lembra de Y"

Se a banca cobrar...Lembra automaticamente de...
Plano Real, autoria do LaridaPérsio Arida + André Lara Resende, 1984; URV é a operacionalização
Real, marco legal finalLei 9.069, de 29/6/1995 (consolida a moeda)
Câmbio flutuante no Brasil15/1/1999 (Carta-circular BACEN 2.890/1999)
Regime de metasDecreto 3.088, de 21/6/1999; CMN define, BACEN persegue
Meta contínua de inflaçãoResolução CMN 5.076, de 29/6/2023; vigência desde 1/1/2025
Autonomia do BACENLC 179, de 24/2/2021; dual mandate
LRFLC 101, de 4/5/2000; pessoal 50%/60% RCL; regra de ouro
Teto de gastosEC 95, de 15/12/2016 (substituído na prática pela LC 200/2023)
Arcabouço fiscalLC 200, de 30/8/2023; despesa 70% receita real, banda 0,6%, 2,5%
Reforma tributáriaEC 132, de 20/12/2023 + LC 214, de 16/1/2025 (CBS+IBS+IS)
Reforma trabalhistaLei 13.467, de 13/7/2017; CLT Art. 611-A; ADI 5.766
Reforma da previdênciaEC 103, de 12/11/2019; idade mínima 62/65
BPM6conta corrente + capital ≡ conta financeira (sinal trocado)
Paridade UIPi_BR = i_EUA + E[Δe] + prêmio de risco
Equação da dívidaΔ(D/Y) = (i , g)·(D/Y) , primário/Y
Curva de Phillipsπ = a·π^e + (1-a)·π_(t-1) + b·hiato + c·Δcâmbio
Política industrial modernaPITCE 2004 → PDP 2008 → PBM 2011 → NIB 2024
NIB (atual)Decreto 11.890, de 22/1/2024; 6 missões; CNDI Decreto 11.482/2023
MercosulTA 26/3/1991 + POP 17/12/1994; TEC; livre circulação
OMCMarrakesh 15/4/1994; Decreto 1.355/1994
Mercosul, UEAssinado em 6/12/2024 (Montevidéu); ratificação pendente
Regra de Taylori = r* + π^e + α(π^e , π*) + β·hiato; α > 1 (princípio)

12 As 12 pegadinhas que mais reprovam

  1. "O BACEN define a meta de inflação." Errado. CMN define; BACEN persegue.
  2. "Meta de inflação é anual." Errado desde 1/1/2025. É contínua (Resolução CMN 5.076/2023).
  3. "O teto de gastos da EC 95/2016 foi revogado." Errado. Foi substituído na prática, mas continua na CF.
  4. "O Brasil descumpriu o arcabouço fiscal em 2025." Errado se referir à regra de despesa; certo se referir à meta de primário.
  5. "PIB nominal alto significa crescimento real alto." Errado. Pode ser inflação dentro do PIB.
  6. "PIB e PNB são sinônimos." Errado. PNB = PIB , RLEE.
  7. "A CBS substitui PIS, Cofins e IPI." Errado. CBS substitui PIS e Cofins; IPI tem destino próprio (zerado, exceto ZFM).
  8. "Subir juros sempre faz o real apreciar." Errado. Depende do prêmio de risco.
  9. "Selic over é igual a Selic meta." Errado. Meta é alvo; over é a média realizada das compromissadas.
  10. "A taxa de desocupação se calcula sobre a PIA." Errado. Calcula-se sobre a força de trabalho.
  11. "O Plano Cruzado trocou cruzeiro por real." Errado. Trocou cruzeiro por cruzado (Cz$). Real é 1994.
  12. "O Mercosul, UE entra em vigor automaticamente após assinatura." Errado. Precisa ratificação dos dois lados.

Numeros magicos pra decorar

  • Meta de inflação: 3% ± 1,5 pp (banda contínua desde 1/1/2025).
  • Selic atual: 14,75% a.a. (mar/2026).
  • Juro real neutro: 4,5%, 5,5% (BACEN, RTI dez/2025).
  • Crescimento do PIB potencial: 2,3%, 2,5%.
  • NAIRU: 7%, 8% (BACEN).
  • Pass-through cambial: 7%, 12% em 12 meses.
  • Banda da regra de despesa: 0,6%, 2,5% real (LC 200/2023).
  • Banda da meta de primário: ± 0,25 pp.
  • Regra de pessoal: União 50%, Estados/DF/Municípios 60% da RCL (LRF).
  • Alíquota de referência CBS+IBS: 26,5%, 27,9% (NT MFazenda 2024).
  • Vigência plena da EC 132/2023: 1/1/2033.
  • DBGG / DLSP: 76% / 62% do PIB (2025).

Coach Jeff aponta

Decora primeiro os oito números do kit. Depois os doze magnéticos acima. Depois as doze pegadinhas. Em três sessões de 30 minutos, você sai do "sei o conceito" e vai para o "marco em 20 segundos". Concurso é tempo, e tempo é número decorado.

Mapa mental master

Toda a disciplina em um diagrama. Use no caminho da prova.

Economia Brasileira

Estabilização (Plano Real)

  • PAI 14/6/1993; URV MP 434/1994
  • Real 1/7/1994; Lei 9.069/1995
  • Pais: Bacha, Arida, Lara Resende, Franco

Tripé macroeconômico

  • Câmbio flutuante 15/1/1999
  • Metas Decreto 3.088/1999
  • LRF LC 101/2000

Política monetária

  • LC 179/2021 autonomia BACEN
  • CMN 5.076/2023 meta contínua
  • Selic 14,75% (mar/2026); Galípolo

Política fiscal

  • LC 101/2000 (LRF)
  • EC 95/2016 (teto, substituído)
  • LC 200/2023 (arcabouço)

Setor externo

  • BPM6; flutuante sujo
  • UIP, pass-through 7, 12%
  • Saldo 2025 US$ 74,6 bi

Política industrial

  • PITCE 2004 → PDP 2008
  • PBM 2011 → NIB 2024
  • Decreto 11.890/2024

Reformas

  • Trabalhista Lei 13.467/2017
  • Previdência EC 103/2019
  • Tributária EC 132/2023 + LC 214/2025

Conjuntura abr/2026

  • PIB +3,4%; IPCA 4,83%
  • Selic 14,75%; câmbio R$ 5,72
  • Primário -0,4%; saldo US$ 74,6 bi

Doutrina

  • Furtado, Conceição Tavares
  • Bresser, Bacha, Lara Resende
  • Mazzucato, Chang, Rodrik

Cinco minutos antes da prova

A leitura final. Faz no caminho. É a curadoria do que mais cai.

Os 8 números do kit (decora antes de entrar)

  • PIB 2025: +3,4% (IBGE).
  • IPCA 2025: 4,83% (IBGE); 12 meses até mar/2026: ~4,9%.
  • Selic meta: 14,75% a.a. (Copom 274ª, 19/3/2026).
  • Câmbio: ~R$ 5,72/US$ (PTAX 28/4/2026).
  • Primário 2025: -0,4% do PIB.
  • Saldo comercial 2025: US$ 74,6 bi.
  • Reservas: ~US$ 354 bi.
  • Desemprego: 6,2% (PNAD-C, mar/2026).

Datas de leis-chave (lembra de cor)

  • 1/7/1994: Real entra em circulação (Lei 9.069/1995).
  • 15/1/1999: câmbio flutuante (BACEN 2.890/1999).
  • 21/6/1999: Decreto 3.088/1999 (regime de metas).
  • 4/5/2000: LRF (LC 101/2000).
  • 15/12/2016: EC 95/2016 (teto).
  • 13/7/2017: Lei 13.467/2017 (trabalhista).
  • 12/11/2019: EC 103/2019 (previdência).
  • 24/2/2021: LC 179/2021 (BACEN autônomo).
  • 30/8/2023: LC 200/2023 (arcabouço).
  • 20/12/2023: EC 132/2023 (reforma tributária).
  • 22/1/2024: Decreto 11.890/2024 (NIB).
  • 16/1/2025: LC 214/2025 (regulamenta EC 132).

Princípios para responder qualquer questão

  1. CMN define meta; BACEN persegue. Inverteu? Erradou.
  2. Meta é contínua desde 1/1/2025. Falou "anual"? Suspeita.
  3. Plano Real tem 3 fases: PAI → URV → Real.
  4. Tripé tem 3 pernas: câmbio, metas, LRF.
  5. Arcabouço tem 2 regras: despesa (70% receita real, banda 0,6, 2,5) + primário (banda ± 0,25).
  6. BPM6: corrente + capital ≡ financeira (sinal trocado).
  7. EC 132: CBS (federal) + IBS (estadual+municipal) + IS; vigência plena 2033.
  8. NIB: Decreto 11.890/2024; 6 missões.

O Fuffu se despede

Você fez o ciclo completo. Dez aulas, mais esse resumão. Sai daqui sabendo ler o Brasil em três frases e resolver qualquer questão de conjuntura com data, fonte e ato normativo no lugar certo. Agora é fechar o caderno, respirar fundo e ir pra prova.

$Você fechou a disciplina

Economia Brasileira
do começo ao fim

Você passou pela industrialização por substituição, pelos planos heterodoxos, pela URV, pelo tripé, pela ressurreição desenvolvimentista, pela crise de 2015, pelas reformas, pela reforma tributária e pela conjuntura de hoje. Agora você lê o Brasil em três frases. Disciplina concluída.

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