f
furafila
$Economia Brasileira

Abertura Comercial
e Reformas dos
Anos 90

Da reforma tarifária de Sarney (1988) ao Mercosul (Tratado de Assunção, 1991). OMC (1995). CADE (Lei 8.884/1994). LPI (Lei 9.279/1996). Reformas constitucionais (ECs 5-9/95, 19/98, 20/98). Agências reguladoras. LRF (LC 101/2000). Como o Brasil saiu do protecionismo desenvolvimentista para a inserção global.

Aula04 / 10
DisciplinaEconomia Brasileira
AtualizadoAbr / 2026
Nesta aula

Sumário

Por meio século, o Brasil viveu sob alta proteção tarifária. Em sete anos (1988-1995), reverteu radicalmente: tarifa média caiu de 51% para 12%, fim das listas de proibição, Mercosul fundado, OMC instituída. Esta aula reconstrói essa virada, suas leis, suas instituições e seus efeitos sobre a estrutura produtiva brasileira.

  1. Antes da abertura: protecionismo (1930-1989)
    Lista do similar nacional, tarifas, controles, Lei 5.025/1966
    p. 04
  2. Cronologia da abertura (1988-1995)
    Sarney, Collor, Itamar/FHC. Tarifa média 51% → 12%
    p. 08
  3. Mercosul (1991)
    Tratado de Assunção (26/3/1991), Ouro Preto (17/12/1994)
    p. 12
  4. TEC e Lista de Exceções
    Estrutura tarifária do Mercosul, BIT, salvaguardas
    p. 16
  5. GATT/OMC e Rodada Uruguai
    Marrakesh (15/4/1994), TRIPS, GATS, ESC
    p. 20
  6. Reformas estruturais
    ECs 5-9/95, 19/98, 20/98, LRF, CADE, LPI
    p. 24
  7. Agências reguladoras
    ANEEL, ANATEL, ANP, ANS, ANVISA, ANA, ANTT
    p. 28
  8. Doutrina e legado da abertura
    Bacha, Baumann, Bresser, desindustrialização
    p. 32
  9. Mapa mental, revisão e questões comentadas
    10 questões fechando a aula
    p. 36
Meta desta aula
Compreender como o Brasil saiu do protecionismo. Dominar Mercosul, OMC, TEC, agências reguladoras. Conectar abertura comercial com plano de estabilização (Real). Entender o debate desindustrialização × eficiência.
Antes de começar

O que você vai aprender

01
Protecionismo prévio

Lista do similar nacional (Decreto-Lei 7.903/1945), Lei 5.025/1966 (regula importação), tarifa média 70% em 1985, controle administrativo via CACEX/SUNAB.

02
Cronologia abertura

Sarney (1988-1989): redução de listas e alíquotas. Collor (1990-1992): eliminação de licenças prévias. Itamar/FHC (1993-1995): consolidação.

03
Mercosul

Tratado de Assunção (26/3/1991), Protocolo de Ouro Preto (17/12/1994 - personalidade jurídica). Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai. Bolívia e Venezuela posteriormente.

04
TEC

Tarifa Externa Comum: alíquotas comuns para terceiros países. Lista de Exceções nacionais. BIT (Bens de Informática e Telecomunicações). Salvaguardas.

05
OMC

Acordo de Marrakesh (15/4/1994). Brasil membro fundador (1/1/1995). Acordos: GATT 1994, GATS, TRIPS, ESC (Solução de Controvérsias). Substituiu o GATT 1947.

06
CADE e concorrência

Lei 8.884/1994 reestruturou o CADE (autarquia, juízes administrativos). Lei 12.529/2011 (atual) reforçou autonomia.

07
LPI - Lei de Propriedade Industrial

Lei 9.279/1996 (14/5/1996). Cumprimento do TRIPS/OMC. Patentes (20 anos), marcas (10 anos renováveis), desenho industrial.

08
Agências reguladoras

ANEEL (1996), ANATEL (1997), ANP (1997), ANVISA (1999), ANS (2000), ANA (2000), ANTT/ANTAQ (2001), ANCINE (2001).

Dica do Fuffu

Decora a evolução tarifária: tarifa média de 51% (1988) → 32% (1990) → 14% (1994) → 13% (1995) → 12% (1998+). Decora os 4 marcos do Mercosul: Tratado de Assunção (26/3/1991), Brasília (17/12/1991), Las Leñas (jun/1992), Ouro Preto (17/12/1994). Em prova, banca cobra muito esses números.

Prof. Affonsinho explica, Módulo 01

1 Antes da abertura - protecionismo do desenvolvimentismo

Estrutura protecionista herdada

Em 1989, o Brasil tinha uma das estruturas comerciais mais fechadas do mundo. Características:

  • Tarifa média: cerca de 51%, com tarifas máximas de 105%.
  • Tarifas dispersas: amplitude entre 0% e 105%, com viés a favor de bens finais.
  • Listas de proibição: cerca de 1.300 produtos não podiam ser importados.
  • Lei do similar nacional (Decreto-Lei 7.903/1945, regulamentado pela Lei 5.025/1966): exigia comprovação de não existir similar nacional para importar.
  • Licenciamento prévio: importações eram analisadas caso a caso pela CACEX (Carteira de Comércio Exterior do Banco do Brasil).
  • SUNAB - Superintendência Nacional do Abastecimento: controlava preços internos.

Filosofia do protecionismo

O modelo desenvolvimentista (1930-1980) entendia que a indústria nacional precisava de proteção contra concorrência externa para amadurecer. Lógica:

  • Indústrias nascentes (infant industries): teoria de Friedrich List (1841) e Alexander Hamilton (1791).
  • Saída do subdesenvolvimento: tese cepalina (Prebisch, Furtado).
  • Soberania econômica: redução de dependência externa.
  • Pleno emprego: indústria substituiria importação de mão de obra.

Essa filosofia justificou meio século de barreiras tarifárias e não tarifárias.

Custos do protecionismo

Os custos eram conhecidos:

  • Ineficiência alocativa: empresas protegidas com menos pressão para reduzir custos.
  • Renda extraordinária: lucro econômico (rent seeking) em setores protegidos.
  • Atraso tecnológico: pouca pressão para inovar.
  • Preços altos ao consumidor: especialmente em bens duráveis.
  • Distorção alocativa: setores não competitivos sobreviviam às custas dos competitivos.
  • Captura: empresários influenciam tarifas para proteger seus mercados.

Lei do Similar Nacional

O Decreto-Lei 7.903, de 27 de agosto de 1945 (Vargas), criou a Lei do Similar Nacional. Pela lei, qualquer importação era proibida se houvesse "similar nacional". A análise era feita pela CACEX. Em 1990, foi suspensa pelo Plano Collor I.

Lei 5.025/1966 (Castello Branco)

A Lei 5.025, de 10 de junho de 1966, no contexto do PAEG, reformou o sistema:

  • Criou o CONCEX - Conselho Nacional do Comércio Exterior.
  • Centralizou o licenciamento na CACEX.
  • Estabeleceu drawback e outros incentivos à exportação.
  • Manteve a estrutura protecionista global.

Tentativas tímidas de abertura - anos 80

Nos anos 80, houve algumas medidas de abertura limitada:

  • 1983: programa de exportação no contexto da crise da dívida.
  • 1985-1989 (Sarney): estudos para reforma tarifária. Em 1988, redução tarifária inicial.
  • 1989: Sarney elimina alguns regimes de exceção, reduz dispersão tarifária.

Eram movimentos preparatórios, sem ruptura.

Dados de 1989 - quadro geral

  • Importações: cerca de US$ 18,3 bilhões.
  • Exportações: cerca de US$ 34,4 bilhões.
  • Saldo comercial: superávit de US$ 16 bi (alto, fruto do II PND).
  • Coeficiente de abertura (X+M)/PIB: cerca de 12%, baixíssimo.
  • Tarifa média ponderada: 41% (efetivamente paga).

Pressões para abertura

No fim dos anos 80, várias pressões convergiam:

  • Externas: pressão dos EUA, OMC em formação, FMI, Banco Mundial.
  • Internas: insatisfação do consumidor com preços e qualidade dos produtos protegidos.
  • Empresariais: setores exportadores queriam reciprocidade; importadores de insumos queriam acesso.
  • Acadêmicas: economistas do Real (Bacha, Franco, Arida) defendiam abertura como parte da estabilização.
  • Geopolítica: fim da Guerra Fria, integração regional na América Latina.

Bate-papo com o Seu Teoffilo

O protecionismo pré-1990 não era mero atraso: era ferramenta deliberada de política industrial. Servia para construir indústrias nascentes (infant industries). O problema é que nem toda indústria amadurece. O Brasil ficou décadas protegendo setores que nunca atingiram competitividade internacional. Renato Baumann e Lia Valls Pereira documentaram em detalhes este custo. Em concurso, dominar a transição protecionismo → abertura é fundamental.

Prof. Affonsinho explica, Módulo 02

2 Cronologia da abertura comercial

Fase Sarney (1988-1989) - preparatória

Em junho de 1988, no governo Sarney (com Maílson da Nóbrega na Fazenda), foi anunciada a "reforma tarifária". Características:

  • Redução da tarifa média de 51% para cerca de 41% (até 1989).
  • Eliminação de regimes de exceção e benefícios fiscais setoriais.
  • Compressão da dispersão tarifária.
  • Início de redução das listas de proibição.
  • Não eliminou: licenciamento prévio, lei do similar nacional, controles administrativos.

Foi reforma tímida mas indicava direção.

Fase Collor (1990-1992) - radical

Em 16 de março de 1990, com o Plano Collor I, a abertura tornou-se central. Medidas:

  • Eliminação das listas de proibição: 1.300 produtos liberados.
  • Eliminação do licenciamento prévio em geral (mantido em casos específicos).
  • Suspensão da Lei do Similar Nacional.
  • Cronograma tarifário: tarifa média deveria cair para 14% até 1994.
  • Eliminação da CACEX: substituída por DECEX (Departamento de Comércio Exterior).
  • Política Industrial e de Comércio Exterior (PICE): anunciada em 26/06/1990.

Era ruptura radical com 60 anos de protecionismo.

Cronograma tarifário Collor (1990-1994)

O cronograma anunciado em 1990:

  • 1990: tarifa média 32%, máxima 65%.
  • 1991: 25%, máxima 55%.
  • 1992: 21%, máxima 45%.
  • 1993: 17%, máxima 40%.
  • 1994: 14%, máxima 35% (consolidada).

O cronograma foi antecipado em algumas tarifas e atrasado em outras, mas em linhas gerais cumprido.

Itamar e FHC (1993-1998) - consolidação

Os governos seguintes consolidaram e aperfeiçoaram a abertura:

  • Itamar (1992-1994): continuidade do cronograma.
  • FHC primeiro mandato (1995-1998): tarifa média estabilizada em 12-13%.
  • FHC segundo mandato (1999-2002): ajustes pontuais, defesa comercial.

Defesa comercial - antidumping

Com a abertura, criou-se sistema de defesa comercial:

  • Decreto 1.602/1995: regulamentou antidumping no Brasil (em conformidade com OMC).
  • Decreto 1.751/1995: medidas compensatórias (subsídios externos).
  • SECEX - Secretaria de Comércio Exterior: criada em 1995 (depois sob MDIC).
  • CAMEX - Câmara de Comércio Exterior: criada em 1995 (Decreto 1.386/1995, depois Decreto 4.732/2003).

Resultado em 1998-2002

  • Tarifa média: 13,8%.
  • Tarifa máxima: 35%.
  • Importações: US$ 50 bi em 1995 (vs. US$ 18 bi em 1989).
  • Coeficiente de abertura: 18% em 1995 (vs. 12% em 1989).
  • Saldo comercial: virou déficit (US$ 6 bi em 1996), retornando a superávit a partir de 2001.

Críticas à abertura

Críticas frequentes:

  • Velocidade excessiva: indústria não teve tempo para se ajustar.
  • Câmbio sobrevalorizado (1994-1998): agravou efeito das importações.
  • Setor têxtil, brinquedos, calçados: sofreram intensamente.
  • Desindustrialização: queda da participação industrial no PIB.
  • Reciprocidade: parceiros comerciais não abriram na mesma proporção.

Defesas da abertura

  • Modernização produtiva: indústria sobrevivente ganhou produtividade.
  • Acesso a tecnologia: insumos modernos importados.
  • Concorrência interna: empresas tiveram que melhorar.
  • Consumidor: preços e qualidade melhoraram.
  • Ancoragem do Real: importações pressionaram preços para baixo.

Pegadinha da Dotôra Soffya

Pegadinha clássica: quando começou a abertura comercial brasileira? Resposta correta: iniciou em 1988 com Sarney (reforma tarifária), foi radicalmente acelerada em 1990 por Collor. Pegadinha frequente: candidatos colocam o início em 1990 (Collor). O início foi anterior, mas Collor radicalizou. Decora os 3 estágios: Sarney (preparatório), Collor (radical), Itamar/FHC (consolidação).

Prof. Affonsinho explica, Módulo 03

3 Mercosul - Mercado Comum do Sul

Antecedentes - PICE e Brasil-Argentina

A integração regional brasileira começou antes do Mercosul. Em 29 de novembro de 1988, Sarney e Raúl Alfonsín (Argentina) assinaram o Tratado de Integração, Cooperação e Desenvolvimento, criando programa bilateral. Em 6 de julho de 1990, Collor e Carlos Menem aprofundaram com a Ata de Buenos Aires.

Em 20 de dezembro de 1990, foi assinado o ACE-14 (Acordo de Complementação Econômica nº 14) entre Brasil e Argentina, no marco da ALADI.

Tratado de Assunção - 26 de março de 1991

Em 26 de março de 1991, foi assinado em Assunção (Paraguai) o Tratado para a Constituição de um Mercado Comum, ou Tratado de Assunção. Signatários:

  • Brasil: Fernando Collor.
  • Argentina: Carlos Menem.
  • Paraguai: Andrés Rodríguez.
  • Uruguai: Luis Alberto Lacalle.

O tratado foi promulgado no Brasil pelo Decreto 350, de 21 de novembro de 1991.

Objetivos do Mercosul (Tratado de Assunção)

O Art. 1º do tratado estabelece:

  1. Livre circulação de bens, serviços e fatores produtivos.
  2. Tarifa Externa Comum (TEC) e política comercial comum.
  3. Coordenação de políticas macroeconômicas e setoriais.
  4. Harmonização de legislações.

Era ambicioso: união aduaneira (TEC) + mercado comum (livre circulação) + coordenação macro.

Período de transição (1991-1994)

O tratado previa transição até 31/12/1994:

  • Programa de Liberalização Comercial (PLC): redução automática progressiva de tarifas intrazona.
  • Lista de Exceções: produtos com cronograma diferenciado.
  • Convergência tarifária: rumo à TEC.
  • Reuniões periódicas dos órgãos do bloco.

Estrutura institucional - Tratado de Assunção

  • Conselho do Mercado Comum (CMC): órgão superior, presidentes e MREs.
  • Grupo Mercado Comum (GMC): órgão executivo.
  • Subgrupos de Trabalho (SGT): técnicos.
  • Reuniões de Ministros: setoriais.
  • Comissão Parlamentar Conjunta (CPC): depois Parlasul.

Protocolo de Ouro Preto - 17 de dezembro de 1994

Em 17 de dezembro de 1994, em Ouro Preto (MG), foi assinado o Protocolo de Ouro Preto, que deu ao Mercosul:

  • Personalidade jurídica internacional.
  • Estrutura institucional definitiva.
  • Conselho do Mercado Comum (chefes de Estado).
  • Grupo Mercado Comum (executivo).
  • Comissão de Comércio do Mercosul (CCM): nova, para questões comerciais.
  • Comissão Parlamentar Conjunta.
  • Foro Consultivo Econômico-Social.
  • Secretaria Administrativa: em Montevidéu.

O Protocolo foi promulgado no Brasil pelo Decreto 1.901, de 9 de maio de 1996.

Início da União Aduaneira - 1º de janeiro de 1995

Em 1º de janeiro de 1995, entrou em vigor a União Aduaneira do Mercosul:

  • Livre comércio interno: a maior parte dos produtos com tarifa zero.
  • Tarifa Externa Comum (TEC): alíquotas comuns para terceiros países.
  • Política comercial comum: parcial, com exceções nacionais.

Adesões posteriores

  • Bolívia: associada (1996); início processo de adesão (2012); suspensão (2022).
  • Chile: associado (1996), nunca pleiteou adesão plena.
  • Peru: associado (2003).
  • Colômbia, Equador: associados (2004).
  • Venezuela: adesão plena em 2012; suspensa em agosto de 2017 por descumprimento da cláusula democrática.
  • Bolívia: adesão plena formalizada em 7 de julho de 2024.

Negociações externas do Mercosul

O Mercosul tem agenda de negociações externas:

  • Mercosul-União Europeia: acordo de Associação assinado em 6 de dezembro de 2024 (após mais de 25 anos de negociação).
  • Mercosul-EFTA (Suíça, Noruega, Islândia, Liechtenstein): assinado em 2024.
  • Mercosul-Israel: em vigor desde 2010.
  • Mercosul-Egito: em vigor desde 2017.
  • Mercosul-Mercosul-Singapura: assinado em 2023.
  • Mercosul-Cingapura: ratificações em curso.

Estrutura comercial intrazona

Comércio intra-Mercosul cresceu:

  • 1990: cerca de US$ 4 bi.
  • 1998: cerca de US$ 20 bi.
  • 2008: cerca de US$ 45 bi.
  • 2024: cerca de US$ 50 bi.

Brasil é o sócio dominante (cerca de 70% do PIB do bloco).

Alerta do Examinador

Decora os marcos: Tratado de Assunção (26/3/1991): fundação. Protocolo de Ouro Preto (17/12/1994): personalidade jurídica e estrutura definitiva. União aduaneira em vigor: 1/1/1995. Decretos: Decreto 350/1991 (promulga Assunção); Decreto 1.901/1996 (promulga Ouro Preto). Membros plenos: Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai. Bolívia adesão plena em 2024. Venezuela suspensa em 2017.

Prof. Affonsinho explica, Módulo 04

4 TEC e Lista de Exceções

Conceito de TEC - Tarifa Externa Comum

A Tarifa Externa Comum (TEC) é o instrumento que faz do Mercosul uma união aduaneira (não apenas zona de livre comércio). Características:

  • Alíquotas comuns aplicáveis a importações de terceiros países (fora do Mercosul).
  • Estrutura comum de classificação (NCM - Nomenclatura Comum do Mercosul, baseada no SH - Sistema Harmonizado).
  • Definida por consenso entre os 4 membros plenos.
  • Alterações por Decisão CMC.

Alíquotas da TEC

A TEC tem estrutura escalonada:

  • Bens de capital: 14% (com Lista BK - Bens de Capital - reduzida temporariamente em alguns países).
  • Bens de consumo finais: até 35% (raros).
  • Insumos primários e intermediários: 0% a 16%.
  • Tarifa média ponderada do Brasil: cerca de 12%.
  • Tarifa máxima TEC: 35% (consolidada na OMC).

Exceções nacionais à TEC

Cada país tem direito a Lista de Exceções Nacionais (LETEC), com alíquotas diferentes da TEC. Brasil:

  • Lista BIT - Bens de Informática e Telecomunicações: alíquotas diferenciadas (mais altas) por motivos de política industrial.
  • Lista BK - Bens de Capital: redução temporária para tarifa zero (incentivo a investimento).
  • Setor automotivo: regime especial (PRORARO, depois Rota 2030).
  • Açúcar: lista de exceções permanente.

Salvaguardas e antidumping

O Mercosul tem instrumentos de defesa:

  • Salvaguardas extra-bloco: Decreto 1.488/1995 (regulamenta), em conformidade com OMC.
  • Antidumping: aplicado contra produtos extra-bloco com preço artificialmente baixo (Decreto 1.602/1995).
  • Medidas compensatórias: contra subsídios externos (Decreto 1.751/1995).
  • Anti-dumping intra-bloco: questão polêmica, em geral evitada.

Casos práticos - controvérsias

Disputas comuns no Mercosul:

  • Açúcar: Argentina e Uruguai protegem o setor; Brasil é grande exportador.
  • Trigo: Argentina exporta; Brasil compra.
  • Calçados: Argentina protege; Brasil é exportador.
  • Eletrodomésticos da linha branca: comércio intenso intra-bloco.
  • Setor automotivo: regime especial complexo.

Sistema de solução de controvérsias

O Mercosul tem sistema próprio:

  • Protocolo de Brasília (1991): primeiro sistema.
  • Protocolo de Olivos (18/2/2002): sistema atual, mais sofisticado.
  • Tribunal Permanente de Revisão: criado em Olivos, sede em Assunção.
  • Tribunais arbitrais ad hoc: para casos específicos.

Foi promulgado no Brasil pelo Decreto 4.982/2004.

Cláusula democrática

O Mercosul tem cláusula democrática que pode levar à suspensão de membros que rompam a ordem democrática. Regulada pelo:

  • Protocolo de Ushuaia (1998): compromisso democrático original.
  • Protocolo de Ushuaia II (20/12/2011): reforço.

Aplicada à Venezuela em agosto de 2017 (suspensa por descumprimento) e tem sido invocada em outras crises.

Limitações estruturais do Mercosul

  • Não é mercado comum pleno: livre circulação de bens, mas com exceções; serviços e fatores produtivos avançam pouco.
  • Coordenação macroeconômica frágil: cada país tem sua política monetária e cambial.
  • Tribunal supranacional fraco: não tem jurisdição compulsória plena (vs. UE).
  • Assimetrias: Brasil é dominante (70% do PIB), o que cria tensões.
  • Crises recorrentes: argentinas (2001, 2018, 2023), brasileiras.

Reformas em curso

Em 2024-2026, o Mercosul vive momento de reformulação:

  • Acordo Mercosul-UE assinado (6/12/2024) após 25+ anos de negociação.
  • Bolívia integrada plenamente (jul/2024).
  • Discussões sobre flexibilização de regras.
  • Modernização da TEC.

Bate-papo com o Seu Teoffilo

O Mercosul é tema clássico em economia brasileira. Em prova, conheça: Tratado de Assunção (26/3/1991), Ouro Preto (17/12/1994), União Aduaneira (1/1/1995). Estrutura: TEC + LETEC. Protocolo de Olivos (2002) para controvérsias. Cláusula democrática (Ushuaia I/1998 e II/2011). Acordo Mercosul-UE (6/12/2024). Domine essa cronologia que dificilmente uma prova passa sem cobrar.

Prof. Affonsinho explica, Módulo 05

5 GATT/OMC e Rodada Uruguai

Histórico - GATT 1947

O GATT - General Agreement on Tariffs and Trade (Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio) foi assinado em 30 de outubro de 1947 em Genebra, com 23 países (incluindo o Brasil). Era acordo provisório (a OIC - Organização Internacional do Comércio - prevista nunca foi criada). Princípios:

  • Não discriminação: cláusula da nação mais favorecida (NMF).
  • Tratamento nacional: produto importado deve ter mesmo tratamento que nacional.
  • Reciprocidade: concessões mútuas.
  • Reduções tarifárias: via rodadas multilaterais.
  • Eliminação de restrições quantitativas: gradual.

Rodadas do GATT (1947-1994)

O GATT promoveu 8 rodadas:

  1. Genebra (1947): 23 países, redução tarifária inicial.
  2. Annecy (1949).
  3. Torquay (1950-1951).
  4. Genebra (1955-1956).
  5. Dillon (1960-1961).
  6. Kennedy (1964-1967): redução média de 35%.
  7. Tóquio (1973-1979): barreiras não tarifárias.
  8. Uruguai (1986-1994): criou OMC.

Rodada Uruguai (1986-1994)

Iniciada em setembro de 1986 em Punta del Este (Uruguai), foi a mais ambiciosa. Concluída em 15 de abril de 1994 em Marrakesh (Marrocos) com a assinatura do Acordo de Marrakesh. Realizações:

  • Criação da OMC: organização permanente.
  • Inclusão de serviços: GATS - Acordo Geral sobre Comércio de Serviços.
  • Inclusão de propriedade intelectual: TRIPS - Acordo sobre Aspectos dos Direitos de Propriedade Intelectual Relacionados ao Comércio.
  • Sistema de Solução de Controvérsias: ESC - mais robusto que o GATT.
  • Inclusão de têxteis: integração ao regime geral.
  • Agricultura: primeiro acordo específico.

OMC - Organização Mundial do Comércio

A OMC entrou em vigor em 1º de janeiro de 1995. Brasil foi membro fundador. Estrutura:

  • Conferência Ministerial: órgão máximo, reuniões a cada 2 anos.
  • Conselho Geral: gestão cotidiana.
  • Conselhos especializados: GATT, GATS, TRIPS.
  • Órgão de Solução de Controvérsias (OSC): arbitragem comercial.
  • Órgão de Apelação: revisão de decisões.
  • Secretariado: em Genebra.

O Brasil ratificou via Decreto Legislativo 30/1994 e Decreto 1.355, de 30/12/1994.

Acordos da OMC

Os principais acordos:

  • GATT 1994: comércio de bens (atualização do GATT 1947).
  • GATS: comércio de serviços.
  • TRIPS: propriedade intelectual.
  • ESC: Entendimento sobre Solução de Controvérsias.
  • Acordo sobre Agricultura.
  • Acordo sobre Têxteis e Vestuário (extinto em 2005).
  • Acordo sobre Subsídios e Medidas Compensatórias.
  • Acordo sobre Antidumping.
  • Acordo sobre Salvaguardas.
  • Mecanismo de Exame de Política Comercial.

TRIPS - propriedade intelectual

O TRIPS obrigou países membros da OMC a adotarem padrões mínimos de propriedade intelectual:

  • Patentes: prazo mínimo de 20 anos.
  • Marcas: registráveis e protegidas.
  • Direito autoral: incluindo software.
  • Indicações geográficas.
  • Desenho industrial.
  • Topografia de circuitos integrados.

O Brasil cumpriu o TRIPS via LPI - Lei 9.279, de 14 de maio de 1996 (substituiu o antigo Código de Propriedade Industrial). A Lei do Direito Autoral (Lei 9.610/1998) complementou.

Solução de controvérsias - OMC

O sistema de solução de controvérsias da OMC tem sido importante para o Brasil:

  • Brasil x EUA - algodão (DS267, 2002-2014): vitória brasileira sobre subsídios.
  • Brasil x União Europeia - açúcar (DS266, 2002-2005): vitória brasileira.
  • Brasil x Canadá - aeronaves (DS46, DS70, DS222): disputa Embraer x Bombardier.

Rodada Doha (2001-...)

Em novembro de 2001, em Doha (Qatar), foi lançada a Rodada Doha ou "Rodada do Desenvolvimento". Foco em:

  • Agricultura.
  • Acesso a mercados não agrícolas.
  • Serviços.
  • Direitos de propriedade intelectual e saúde pública.

A rodada está paralisada desde 2008 (impasse EUA-Brasil-Índia em agricultura). Não há previsão de conclusão.

Crise do Órgão de Apelação (2019-...)

Desde 2019, o Órgão de Apelação da OMC está paralisado por bloqueio dos EUA à nomeação de novos juízes. Brasil tem sido afetado em disputas comerciais. Em 2023-2024, esforços diplomáticos para reativação.

Pegadinha da Dotôra Soffya

Pegadinha clássica: quando entrou em vigor a OMC? Resposta: 1º de janeiro de 1995 (após Acordo de Marrakesh, 15/4/1994). Pegadinha frequente: confundir as datas. Decora os 3 marcos: setembro 1986 (lançamento Punta del Este) → 15/4/1994 (assinatura Marrakesh) → 1/1/1995 (vigência OMC). Brasil membro fundador.

Prof. Affonsinho explica, Módulo 06

6 Reformas estruturais dos anos 90

Visão de conjunto

Os anos 90 foram a década de reformas mais intensa da história econômica brasileira recente. Conjunto de mudanças:

  • Plano Real (estabilização) - aula 03.
  • Abertura comercial - blocos 1-2 desta aula.
  • Mercosul - blocos 3-4.
  • OMC - bloco 5.
  • Privatizações - aula 03.
  • Reformas constitucionais.
  • LRF.
  • CADE.
  • LPI.
  • Agências reguladoras.

Cada peça se conectava com as outras. Não houve plano único; foi reforma sistêmica.

Reformas constitucionais - resumo

  • EC 5/1995: gás canalizado a privados (Art. 25 §2º).
  • EC 6/1995: participação estrangeira em mineração (Art. 176).
  • EC 7/1995: cabotagem (Art. 178).
  • EC 8/1995: telecomunicações (Art. 21 XI). Lei 9.472/1997 (LGT).
  • EC 9/1995: petróleo (Art. 177). Lei 9.478/1997.
  • EC 16/1997: reeleição.
  • EC 19/1998: reforma administrativa. Princípio da eficiência.
  • EC 20/1998: reforma da previdência.

Lei 8.884/1994 - novo CADE

A Lei 8.884, de 11 de junho de 1994, reformou o CADE:

  • CADE virou autarquia federal (antes era órgão administrativo).
  • Criou estrutura tripartite: SEAE (Ministério da Fazenda, agora ME), SDE (Ministério da Justiça, depois extinto), CADE (julgador).
  • Conselheiros com mandato fixo de 2 anos (depois 4 anos).
  • Casos de concentração econômica passaram a exigir aprovação prévia em casos relevantes.
  • Casos de conduta anticompetitiva: cartel, abuso de posição dominante, etc.

A Lei 8.884/1994 foi substituída pela Lei 12.529, de 30 de novembro de 2011, que criou o "Super-CADE". Mudanças:

  • SEAE/SDE foram unificadas no CADE.
  • Análise prévia de fusões e aquisições passou a ser obrigatória (e não posterior como antes).
  • Critérios mais amplos de notificação obrigatória.
  • Poderes investigativos ampliados.

LPI - Lei 9.279/1996

A Lei 9.279, de 14 de maio de 1996, é a Lei de Propriedade Industrial (LPI). Cumpriu o TRIPS e modernizou o sistema brasileiro:

  • Patentes: 20 anos para invenção, 15 anos para modelo de utilidade.
  • Marcas: 10 anos renováveis.
  • Desenho industrial: 10 anos prorrogáveis até 25.
  • Indicações geográficas: indicação de procedência e denominação de origem.
  • Concorrência desleal: tipificação penal e civil.
  • INPI - Instituto Nacional da Propriedade Industrial: autarquia gestora (Lei 5.648/1970).

Lei 9.610/1998 - direito autoral

A Lei 9.610, de 19 de fevereiro de 1998, é a Lei do Direito Autoral. Cumpriu também o TRIPS no que se refere a direitos autorais e conexos.

Reforma do SFN

  • Lei 9.069/1995: Plano Real (consolidou MP 542/1994).
  • PROER (1995): Resolução CMN 2.208/1995, MP 1.179/1995, Lei 9.710/1998.
  • PROES (1996): MP 1.514/1996.
  • FGC (1995): Resolução CMN 2.197/1995.
  • Lei 9.447/1997: aplicação de medidas administrativas.
  • LC 105/2001: regulamentou o Art. 192 CF (sigilo bancário e SFN).

Reformas microeconômicas

  • CDC - Lei 8.078/1990: Código de Defesa do Consumidor (governo Collor).
  • Lei 8.245/1991: Lei do Inquilinato.
  • Lei 8.078/1990: defesa do consumidor.
  • Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei 8.069/1990): ECA.

Crítica à abertura e reformas

Bresser-Pereira, em "A Reforma do Estado dos Anos 90" (2000) e obras posteriores, criticou:

  • Adesão excessiva ao consenso de Washington.
  • Câmbio sobrevalorizado de 1995-1998.
  • Velocidade excessiva da abertura.
  • Privatizações com preços considerados baixos.
  • Insuficiente atenção à política industrial.

Para Bresser, as reformas foram necessárias mas mal calibradas. O resultado: estabilização sim, crescimento medíocre.

Estratégia ninja do Raffinha

Para a prova, conheça as 5 grandes reformas dos 90: (1) abertura comercial, (2) Mercosul, (3) privatizações, (4) reformas constitucionais, (5) marco regulatório (CADE, LPI, agências). Cada uma com sua lei principal e datas. Os 5 pilares formam o "modelo dos anos 90" criticado por uns e defendido por outros.

Prof. Affonsinho explica, Módulo 07

7 Agências reguladoras - arquitetura

Conceito de agência reguladora

As agências reguladoras independentes são autarquias especiais com:

  • Autonomia administrativa e financeira.
  • Mandatos fixos dos diretores (não coincidentes com o governo).
  • Quarentena após mandato (impedimento de migrar para empresa regulada).
  • Poder regulamentar: ditam normas específicas do setor.
  • Poder fiscalizador: inspecionam o setor.
  • Poder sancionador: aplicam multas e sanções.
  • Poder concedente: fazem licitações de concessão.

Histórico

O modelo brasileiro de agências segue inspiração americana (regulatory agencies). No Brasil:

  • 1996-2001: criação das principais agências.
  • Modelo: regulação independente para setores privatizados ou abertos à concorrência.
  • Princípio: separar regulação (técnica) de política (política).

ANEEL - Agência Nacional de Energia Elétrica

Lei 9.427, de 26 de dezembro de 1996. Vinculada ao MME. Atribuições:

  • Concessão de serviços de geração, transmissão e distribuição.
  • Regulamentação tarifária.
  • Fiscalização da prestação de serviços.
  • Mediação de conflitos.

ANATEL - Agência Nacional de Telecomunicações

Lei 9.472, de 16 de julho de 1997 (Lei Geral de Telecomunicações - LGT). Vinculada ao Ministério das Comunicações. Atribuições:

  • Concessão e autorização para serviços de telecomunicações.
  • Regulamentação técnica.
  • Fiscalização.
  • Modicidade tarifária e universalização.

ANP - Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis

Lei 9.478, de 6 de agosto de 1997 (Lei do Petróleo). Vinculada ao MME. Atribuições:

  • Concessão de exploração e produção de petróleo e gás.
  • Regulamentação do setor (refino, distribuição, biocombustíveis).
  • Fiscalização.

ANVISA - Agência Nacional de Vigilância Sanitária

Lei 9.782, de 26 de janeiro de 1999. Vinculada ao Ministério da Saúde. Atribuições:

  • Registro de medicamentos e alimentos.
  • Regulamentação sanitária.
  • Fiscalização da produção e distribuição.

ANS - Agência Nacional de Saúde Suplementar

Lei 9.961, de 28 de janeiro de 2000. Vinculada ao Ministério da Saúde. Atribuições:

  • Regulamentação de planos de saúde.
  • Fiscalização das operadoras.
  • Atendimento aos beneficiários.

ANA - Agência Nacional de Águas

Lei 9.984, de 17 de julho de 2000. Vinculada ao Ministério do Meio Ambiente (depois MMA Cidades). Em 2020, a Lei 14.026/2020 reformou o saneamento e ampliou o papel da ANA, agora Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico.

ANTT/ANTAQ - Transportes Terrestres e Aquaviários

Lei 10.233, de 5 de junho de 2001. Criadas em conjunto:

  • ANTT: regulação de rodovias, ferrovias, transporte rodoviário e ferroviário.
  • ANTAQ: regulação de portos, hidrovias, transporte aquaviário.

ANCINE - Agência Nacional do Cinema

Medida Provisória 2.228-1, de 6 de setembro de 2001. Vinculada à Cultura. Atribuições:

  • Fomento à indústria cinematográfica.
  • Fiscalização e regulação do mercado audiovisual.
  • Gestão de fundos setoriais.

ANAC - Agência Nacional de Aviação Civil

Lei 11.182, de 27 de setembro de 2005. Vinculada à Defesa (depois Infraestrutura). Substituiu o DAC. Atribuições: regulação técnica e econômica da aviação civil.

ANM - Agência Nacional de Mineração

Lei 13.575, de 26 de dezembro de 2017. Vinculada ao MME. Substituiu o DNPM (Departamento Nacional de Produção Mineral, criado em 1934). Atribuições: gestão da exploração mineral, registros, fiscalização.

Lei das Agências - Lei 13.848/2019

A Lei 13.848, de 25 de junho de 2019, foi a "Lei Geral das Agências Reguladoras". Padronizou:

  • Mandatos: diretores com 5 anos, não coincidentes.
  • Quarentena: 6 meses após mandato.
  • Prestação de contas: relatórios anuais ao Congresso.
  • Análise de Impacto Regulatório (AIR): obrigatória para novos atos.
  • Consulta pública: obrigatória para atos relevantes.
  • Conselho consultivo: previsto.

Críticas ao modelo de agências

  • Captura regulatória: regulado influencia regulador.
  • Politização: nomeações políticas em vez de técnicas.
  • Insuficiência orçamentária: agências dependem de recursos do Tesouro.
  • Sobreposição de competências: com órgãos federais e estaduais.
  • Falta de mandatos cumpridos: alguns vacâncias prolongadas.

Defesas do modelo

  • Setores regulados (energia, telecom, petróleo) tiveram crescimento e modernização.
  • Universalização parcial atingida (telefonia móvel, energia rural).
  • Regulação técnica especializada melhor que política direta.
  • Estabilidade para investidores (mandatos fixos).
  • Modelo replicado em outros países da América Latina.

Bate-papo com o Seu Teoffilo

Em prova, conheça as agências federais por ordem cronológica: ANEEL (1996), ANATEL (1997), ANP (1997), ANVISA (1999), ANS (2000), ANA (2000), ANTT/ANTAQ (2001), ANCINE (2001), ANAC (2005), ANM (2017). Cada uma com lei específica. Lei 13.848/2019: lei geral. Ela padronizou mandatos (5 anos), quarentena (6 meses), AIR e consulta pública.

Prof. Affonsinho explica, Módulo 08

8 Doutrina e legado da abertura

Principais autores brasileiros sobre abertura

Edmar Bacha: integrou as equipes do Cruzado e do Real, depois ficou na academia. Em "Belíndia 2.0" (2010), atualizou a tese da Belíndia para o Brasil pós-Real. Defendeu a abertura como necessária mas criticou o câmbio sobrevalorizado.

Renato Baumann: economista do IPEA, autor de obras sobre abertura comercial. Documentou os efeitos da abertura na produtividade e na composição setorial. Em "Brasil em Desenvolvimento" (organizado em vários anos pelo IPEA), tem capítulos sobre o tema.

Lia Valls Pereira: FGV-IBRE, especialista em comércio exterior. Pesquisou efeitos da abertura sobre setor industrial, MERCOSUL, e relações comerciais.

Marcelo Carvalho: economista, com obras sobre o setor industrial brasileiro pós-abertura.

Pedro Malan e Gustavo Franco: defensores diretos da abertura como parte da estabilização. Franco, em "O Plano Real e Outros Ensaios" (1995), descreveu a estratégia.

Bresser-Pereira: posição crítica. Em obras como "Globalização e Competição" (2009) e "Crise da Política Macroeconômica Brasileira" (2002), criticou:

  • Adesão excessiva ao consenso de Washington.
  • Câmbio sobrevalorizado entre 1995-1998 e 2010-2014.
  • Desindustrialização precoce.
  • Insuficiente atenção à política industrial.

A tese da desindustrialização precoce

A desindustrialização brasileira é tema central no debate. Dados:

  • Participação industrial no PIB: 36% em 1980 → 27% em 1990 → 21% em 2000 → 16-17% em 2024.
  • Indústria de transformação: caiu de 27% (1980) para 11% (2024).
  • Conteúdo importado da indústria: aumentou de 5% (1990) para 20%+ (2010s).
  • Emprego industrial: estagnou em termos absolutos por décadas.

Tese de Bresser: doença holandesa + câmbio

Bresser-Pereira articulou a tese da desindustrialização precoce:

  • Doença holandesa: exportação de commodities valoriza câmbio, prejudicando indústria.
  • Câmbio cronicamente sobrevalorizado: política de juros altos atrai capital, valoriza Real.
  • Efeito sobre indústria: setor exportador de commodities cresce, indústria de transformação encolhe.
  • Solução proposta: câmbio competitivo, reservas em moeda estrangeira, política industrial seletiva.

Tese alternativa: a "taxa de câmbio de equilíbrio industrial" defendida por Bresser-Pereira difere da taxa de câmbio de equilíbrio macroeconômico (de plena utilização).

Defesa da abertura - tese ortodoxa

Posição de Pedro Malan, Gustavo Franco, José Alexandre Scheinkman, e outros:

  • Abertura modernizou indústria brasileira.
  • Aumentou produtividade total dos fatores.
  • Reduziu preços ao consumidor.
  • Tornou indústria competitiva globalmente em vários setores.
  • Desindustrialização parcial é normal em países que se desenvolvem (transição para serviços).

Síntese - efeitos da abertura

Os efeitos consensuais:

  • Modernização tecnológica da indústria sobrevivente.
  • Aumento de produtividade em setores expostos à concorrência.
  • Redução de preços e melhora de qualidade ao consumidor.
  • Concentração da indústria em setores competitivos.
  • Aumento da pauta de commodities nas exportações: minério, soja, carne.
  • Especialização produtiva: alguns setores ganharam destaque (aeronaves Embraer, calçados, calçados, têxteis em algumas linhas).

Brasil no comércio internacional - hoje

Em 2024-2025:

  • Coeficiente de abertura: cerca de 25%.
  • Tarifa média: cerca de 12% (TEC).
  • Acordo Mercosul-UE: assinado em 6/12/2024 (após mais de 25 anos de negociação).
  • Mercosul-EFTA: assinado em 2024.
  • Mercosul-Cingapura: assinado em 2023.
  • Brasil candidato à OECD: processo em curso.
  • Pauta de exportação: dominada por commodities (60%+).
  • Pauta de importação: bens intermediários e de capital.

Síntese final - o legado das reformas dos 90

As reformas dos 90 produziram:

  • Estabilização permanente da inflação (vitória inquestionável).
  • Modernização institucional: agências reguladoras, CADE, LPI, etc.
  • Inserção internacional: Mercosul, OMC.
  • Reforma do Estado: privatizações, EC 19/1998.
  • Disciplina fiscal: LRF (LC 101/2000).
  • Reorganização bancária: PROER, PROES, FGC.

E como custos:

  • Desindustrialização parcial.
  • Crescimento medíocre (2,5% a.a. médio em 1995-2002).
  • Endividamento público: cresceu em razão dos juros altos.
  • Concentração de renda: persistente.
  • Vulnerabilidade externa: agravada pelas crises de 1995-1999.

O balanço continua sendo objeto de debate. As próximas aulas tratam de como o Brasil dos anos 2000 incorporou (ou não) esses legados.

Bate-papo com o Seu Teoffilo

Em prova, conheça os 4 grandes do debate sobre abertura: Pedro Malan + Gustavo Franco (defensores ortodoxos), Edmar Bacha (apoio crítico), Bresser-Pereira (crítico, novo desenvolvimentismo), Renato Baumann + Lia Valls Pereira (analistas técnicos). Domine a tese da desindustrialização precoce de Bresser e a doença holandesa. São conceitos cobradíssimos.

Mapa mental

Visão de avião sobre a aula. Use para revisão rápida.

Abertura
Comercial e
Reformas dos 90

Antes (1930-89)

  • Tarifa média 51%
  • Lista do similar (DL 7.903/45)
  • Lei 5.025/66, CACEX
  • SUNAB controle preços

Cronologia abertura

  • Sarney 1988-89 (preparatório)
  • Collor 1990-92 (radical)
  • Itamar/FHC 93-95 (consolidação)
  • Tarifa 51% → 12%

Mercosul

  • Tratado Assunção (26/3/1991)
  • Ouro Preto (17/12/1994)
  • União aduaneira (1/1/1995)
  • 4 membros + Bolívia (2024)

TEC

  • Tarifa Externa Comum
  • LETEC nacionais
  • Lista BIT, BK
  • Antidumping (Decreto 1.602/95)

OMC

  • Marrakesh (15/4/1994)
  • Vigência 1/1/1995
  • Brasil fundador
  • GATT, GATS, TRIPS, ESC

Reformas EC

  • EC 5-9/1995 (monopólios)
  • EC 19/1998 (admin)
  • EC 20/1998 (previdência)
  • LRF (LC 101/2000)

CADE e LPI

  • Lei 8.884/1994 (CADE)
  • Lei 12.529/2011 (Super-CADE)
  • Lei 9.279/1996 (LPI/TRIPS)
  • Lei 9.610/1998 (autoral)

Agências

  • ANEEL, ANATEL, ANP
  • ANVISA, ANS, ANA
  • ANTT/ANTAQ, ANCINE
  • Lei 13.848/2019 (geral)

Revisão relâmpago

Se você tem 5 minutos antes da prova, leia só isto.

  1. Antes da abertura: tarifa média 51% (1989), Lei do Similar (DL 7.903/1945), Lei 5.025/1966, CACEX, SUNAB.
  2. Cronologia abertura: Sarney 1988-89 (preparatório) → Collor 1990-92 (radical) → Itamar/FHC 93-95 (consolidação).
  3. Tarifa média: 51% (1989) → 32% (1990) → 14% (1994) → 12% (1998+).
  4. Collor I (16/3/1990): eliminou listas, suspendeu Lei do Similar Nacional. PICE (26/6/1990).
  5. Mercosul - Tratado de Assunção: 26/3/1991. Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai. Decreto 350/1991.
  6. Mercosul - Protocolo de Ouro Preto: 17/12/1994. Personalidade jurídica. Decreto 1.901/1996.
  7. União aduaneira Mercosul: 1/1/1995. TEC + LETEC.
  8. Bolívia: adesão plena 7/7/2024. Venezuela: suspensa em ago/2017.
  9. OMC - Marrakesh: 15/4/1994. Vigência: 1/1/1995. Brasil membro fundador. Decreto 1.355/1994.
  10. Acordos OMC: GATT 1994, GATS, TRIPS, ESC. Conferências ministeriais a cada 2 anos.
  11. Mercosul-UE: acordo assinado em 6/12/2024 (25+ anos de negociação).
  12. CADE: Lei 8.884/1994 (estrutura tripartite); Lei 12.529/2011 (Super-CADE, análise prévia).
  13. LPI: Lei 9.279/1996 (14/5/1996). Patentes 20 anos, marcas 10 anos. Cumpriu TRIPS.
  14. Direito autoral: Lei 9.610/1998.
  15. ECs 5-9/1995: monopólios (gás, mineração, cabotagem, telecom, petróleo).
  16. EC 19/1998: reforma administrativa (Bresser-Pereira). Eficiência.
  17. EC 20/1998: reforma da previdência (eliminação ATS).
  18. LRF: LC 101/2000. União 50%, Estados/DF/Municípios 60% RCL. Lei 10.028/2000 (crimes fiscais).
  19. Agências: ANEEL (1996), ANATEL (1997), ANP (1997), ANVISA (1999), ANS (2000), ANA (2000), ANTT/ANTAQ (2001), ANCINE (2001), ANAC (2005), ANM (2017). Lei geral: Lei 13.848/2019.
  20. Doutrina: Pedro Malan + Gustavo Franco (ortodoxos), Edmar Bacha (apoio crítico), Bresser-Pereira (crítico, doença holandesa, câmbio competitivo), Baumann + Lia Valls Pereira.
Você está pronto
20 pontos densos sobre abertura comercial e reformas dos 90. Bora para as questões.

? 10 questões comentadas

As dez questões a seguir foram elaboradas para cobrir o essencial desta aula. Cada uma vem com gabarito e comentário detalhado do Prof. Affonsinho.

Sugestão de uso:

  1. Leia cada questão sem olhar o gabarito.
  2. Marque sua resposta num papel.
  3. Só depois, confira o gabarito e leia o comentário.
  4. Se errou, marque em um caderno qual conceito ou data falhou, e volte ao módulo correspondente.

O vilão da aula: Professor Famoso

Esse vilão tem doutrina própria que diverge do consenso, e você só descobre na hora. Em abertura comercial, ele ataca: cronologia da abertura, datas exatas do Mercosul, distinção GATT × OMC, lei do CADE, agências reguladoras. As próximas dez foram pensadas para você não cair onde ele cai.

Q1

Questão 01 · Comentada

Enunciado. Sobre a cronologia da abertura comercial brasileira:

  1. A) Iniciou-se em 1990 com o governo Collor, sem antecedentes.
  2. B) A abertura comercial brasileira teve três fases distintas: (i) preparatória no governo Sarney com a reforma tarifária de 1988, reduzindo a tarifa média de 51% para 41% até 1989; (ii) radical no governo Collor a partir do Plano Collor I (16/3/1990), com eliminação das listas de proibição (cerca de 1.300 produtos), suspensão da Lei do Similar Nacional (DL 7.903/1945), eliminação do licenciamento prévio em geral, e adoção de cronograma tarifário decrescente; (iii) consolidação nos governos Itamar Franco e FHC primeiro mandato (1993-1998), com tarifa média estabilizada em torno de 12-13%.
  3. C) Foi planejada e executada apenas no governo FHC.
  4. D) Manteve a tarifa média em 51% durante todo o período.
  5. E) Iniciou-se com o Plano Real em 1994.

Gabarito: B

Prof. Affonsinho comenta

Cobra a cronologia da abertura.

  • A errada: iniciou-se com Sarney em 1988; Collor radicalizou em 1990.
  • B CORRETA 1988-1995: exato. Três fases distintas com seus marcos e protagonistas.
  • C errada: antecedeu FHC: começou com Sarney, foi radicalizada por Collor.
  • D errada: caiu de 51% para 12% ao longo dos anos 90.
  • E errada: Real é de 1994; abertura é anterior e em curso paralelo.

Tese central: Abertura comercial: Sarney (1988) preparatório → Collor (1990) radical → Itamar/FHC (1993-1998) consolidação. Tarifa de 51% para 12%.

Q2

Questão 02 · Comentada

Enunciado. Sobre o Mercosul:

  1. A) Foi criado pelo Tratado de Brasília em 1994.
  2. B) O Mercosul foi criado pelo Tratado de Assunção, assinado em 26 de março de 1991 por Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai (Collor, Menem, Rodríguez, Lacalle); promulgado no Brasil pelo Decreto 350/1991. O Protocolo de Ouro Preto, assinado em 17 de dezembro de 1994 e promulgado pelo Decreto 1.901/1996, deu ao Mercosul personalidade jurídica internacional e estrutura institucional definitiva (CMC, GMC, CCM, CPC, FCES, Secretaria). A União Aduaneira entrou em vigor em 1/1/1995 com a TEC. A Bolívia ingressou plenamente em 7/7/2024. A Venezuela foi suspensa em agosto de 2017 por descumprimento da cláusula democrática (Protocolo de Ushuaia).
  3. C) Foi criado em 1994 pelo Protocolo de Ouro Preto.
  4. D) Inclui apenas Brasil e Argentina.
  5. E) A Venezuela é membro pleno.

Gabarito: B

Prof. Affonsinho comenta

Cobra a estrutura do Mercosul.

  • A errada: Assunção (26/3/1991), não Brasília.
  • B CORRETA Tratado de Assunção + Ouro Preto: exato. Datas, signatários, decretos, evolução posterior.
  • C errada: Ouro Preto deu personalidade jurídica em 1994; fundação foi em 1991.
  • D errada: 4 membros fundadores: Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai. Bolívia entrou em 2024.
  • E errada: Venezuela suspensa em ago/2017 pela cláusula democrática.

Tese central: Mercosul: Tratado de Assunção 26/3/1991; Ouro Preto 17/12/1994 (personalidade jurídica). União aduaneira 1/1/1995. Bolívia 2024. Venezuela suspensa 2017.

Q3

Questão 03 · Comentada

Enunciado. Sobre a OMC e a Rodada Uruguai:

  1. A) A OMC foi criada em 1947 substituindo o GATT.
  2. B) A Rodada Uruguai foi iniciada em setembro de 1986 em Punta del Este e concluída em 15 de abril de 1994 em Marrakesh (Acordo de Marrakesh); criou a OMC (Organização Mundial do Comércio), que entrou em vigor em 1º de janeiro de 1995 substituindo o GATT 1947 (que era um acordo provisório); o Brasil é membro fundador da OMC. Os principais acordos da OMC são: GATT 1994 (bens), GATS (serviços), TRIPS (propriedade intelectual), e o ESC (Sistema de Solução de Controvérsias). O Brasil internalizou os acordos pelo Decreto Legislativo 30/1994 e Decreto 1.355, de 30/12/1994.
  3. C) A Rodada Uruguai foi iniciada em Marrakesh.
  4. D) O TRIPS trata exclusivamente de comércio de bens.
  5. E) A OMC e o GATT coexistem desde 1995.

Gabarito: B

Prof. Affonsinho comenta

Cobra a OMC.

  • A errada: OMC criada em 1995, substituindo o GATT 1947.
  • B CORRETA Rodada Uruguai 1986-1994: exato. Datas, sede, acordos. Brasil fundador.
  • C errada: iniciada em Punta del Este (1986); concluída em Marrakesh (1994).
  • D errada: TRIPS = propriedade intelectual. GATT 1994 trata de bens.
  • E errada: OMC substituiu o GATT 1947 (não coexistem como organizações; o GATT 1994 é parte da OMC).

Tese central: OMC: criada em 15/4/1994 (Marrakesh), vigência 1/1/1995. Substituiu GATT 1947. Brasil fundador. Acordos: GATT 1994, GATS, TRIPS, ESC.

Q4

Questão 04 · Comentada

Enunciado. Sobre a TEC (Tarifa Externa Comum) do Mercosul:

  1. A) A TEC é uma tarifa zero entre todos os países do mundo.
  2. B) A TEC (Tarifa Externa Comum) é o instrumento que faz do Mercosul uma união aduaneira: alíquotas comuns aplicáveis a importações de terceiros países (fora do Mercosul); estrutura comum de classificação NCM (Nomenclatura Comum do Mercosul, baseada no SH); cada país tem direito a Lista de Exceções Nacionais (LETEC), com alíquotas diferentes da TEC; o Brasil mantém listas BIT (Bens de Informática e Telecomunicações), BK (Bens de Capital), e regimes especiais (automotivo, açúcar). A tarifa máxima da TEC é 35% (consolidada na OMC); a tarifa média ponderada do Brasil é cerca de 12%.
  3. C) Aplica-se ao comércio entre os membros do Mercosul.
  4. D) Não admite exceções nacionais.
  5. E) Tem alíquota máxima de 60%.

Gabarito: B

Prof. Affonsinho comenta

Cobra a TEC.

  • A errada: tarifa para terceiros países; entre membros é zero (intrazona).
  • B CORRETA TEC + LETEC: exato. Estrutura, exceções, alíquotas, listas.
  • C errada: terceiros países (fora do Mercosul); intrazona é zero.
  • D errada: admite LETEC: cada país tem suas exceções.
  • E errada: 35% tarifa máxima (consolidada na OMC).

Tese central: TEC: tarifa para terceiros países. NCM. Lista de Exceções Nacionais (LETEC). BIT, BK no Brasil. Tarifa máxima 35%.

Q5

Questão 05 · Comentada

Enunciado. Sobre a Lei de Propriedade Industrial (LPI) e o TRIPS:

  1. A) A LPI brasileira é de 1976 e independe do TRIPS.
  2. B) A Lei 9.279, de 14 de maio de 1996, é a Lei de Propriedade Industrial (LPI). Foi editada para cumprir o Acordo TRIPS (Aspectos dos Direitos de Propriedade Intelectual Relacionados ao Comércio) da OMC, que estabeleceu padrões mínimos internacionais. A LPI prevê: patentes (20 anos para invenção, 15 anos para modelo de utilidade); marcas (10 anos renováveis); desenho industrial (10 anos prorrogáveis até 25); indicações geográficas (procedência e denominação de origem); concorrência desleal (com tipificação penal e civil). O INPI (Instituto Nacional da Propriedade Industrial, Lei 5.648/1970) é a autarquia gestora. A Lei 9.610/1998 cobre direitos autorais.
  3. C) A patente de invenção tem prazo de 10 anos.
  4. D) A marca registrada vale por 50 anos sem renovação.
  5. E) O Brasil não ratificou o TRIPS.

Gabarito: B

Prof. Affonsinho comenta

Cobra LPI.

  • A errada: 1996, em cumprimento ao TRIPS de 1994.
  • B CORRETA Lei 9.279/1996: exato. Cumpriu TRIPS, modernizou propriedade industrial brasileira.
  • C errada: 20 anos para invenção, 15 para modelo de utilidade.
  • D errada: 10 anos renováveis.
  • E errada: ratificou: faz parte do pacote da OMC, internalizado pelos Decretos 30/1994 e 1.355/1994.

Tese central: LPI (Lei 9.279/1996): cumpre TRIPS. Patentes 20 anos, marcas 10 anos renováveis, desenho industrial 10-25 anos.

Q6

Questão 06 · Comentada

Enunciado. Sobre o CADE e sua reforma de 1994:

  1. A) O CADE foi criado em 2011 pela Lei 12.529.
  2. B) A Lei 8.884, de 11 de junho de 1994, transformou o CADE em autarquia federal e criou estrutura tripartite com SEAE (Ministério da Fazenda), SDE (Ministério da Justiça) e CADE julgador; conselheiros com mandato fixo; análise posterior de fusões em casos relevantes; combate a condutas anticompetitivas (cartel, abuso de posição dominante). A Lei 12.529, de 30 de novembro de 2011 ("Super-CADE"), substituiu a anterior: unificou SEAE/SDE no CADE; análise prévia obrigatória de fusões e aquisições; critérios mais amplos de notificação obrigatória; poderes investigativos ampliados; conselheiros com mandato de 4 anos.
  3. C) A análise de fusões era exclusivamente prévia desde 1994.
  4. D) A Lei 12.529/2011 manteve a estrutura tripartite.
  5. E) O CADE não tem autonomia administrativa.

Gabarito: B

Prof. Affonsinho comenta

Cobra a história do CADE.

  • A errada: Lei 8.884/1994 reformou o CADE; Lei 12.529/2011 o aperfeiçoou. Mas o CADE existe desde 1962 (Lei 4.137).
  • B CORRETA Lei 8.884/1994 + Lei 12.529/2011: exato. Evolução institucional. Lei 1994 (estrutura tripartite); Lei 2011 (Super-CADE, análise prévia).
  • C errada: análise posterior em 1994; análise prévia obrigatória só em 2011.
  • D errada: unificou SEAE/SDE no CADE; estrutura tripartite foi extinta.
  • E errada: tem autonomia: é autarquia federal especial.

Tese central: CADE: Lei 8.884/1994 (estrutura tripartite, análise posterior); Lei 12.529/2011 (Super-CADE, análise prévia, unificação SEAE/SDE).

Q7

Questão 07 · Comentada

Enunciado. Sobre as agências reguladoras federais brasileiras e a Lei Geral 13.848/2019:

  1. A) Todas as agências reguladoras federais foram criadas em 2019.
  2. B) As principais agências reguladoras federais foram criadas entre 1996 e 2017: ANEEL (Lei 9.427/1996, energia); ANATEL (Lei 9.472/1997, telecom); ANP (Lei 9.478/1997, petróleo); ANVISA (Lei 9.782/1999, saúde); ANS (Lei 9.961/2000, saúde suplementar); ANA (Lei 9.984/2000, águas, depois Águas e Saneamento); ANTT/ANTAQ (Lei 10.233/2001, transportes); ANCINE (MP 2.228-1/2001, cinema); ANAC (Lei 11.182/2005, aviação); ANM (Lei 13.575/2017, mineração). A Lei 13.848, de 25 de junho de 2019, é a Lei Geral das Agências Reguladoras: padronizou mandatos (5 anos não coincidentes), quarentena (6 meses), Análise de Impacto Regulatório (AIR), consulta pública obrigatória, prestação de contas anual ao Congresso.
  3. C) A Lei 13.848/2019 substituiu todas as leis específicas das agências.
  4. D) ANATEL foi criada em 1996.
  5. E) Não há lei geral aplicável às agências.

Gabarito: B

Prof. Affonsinho comenta

Cobra agências reguladoras.

  • A errada: 1996-2017, com leis específicas. Lei 13.848/2019 é geral, não criou as agências.
  • B CORRETA Lei 13.848/2019: exato. Cronologia + Lei Geral + padronizações.
  • C errada: complementou: leis específicas continuam vigentes nas particularidades setoriais.
  • D errada: 1997 (Lei 9.472/1997). Em 1996 foi a ANEEL.
  • E errada: : Lei 13.848/2019.

Tese central: Agências: 1996-2017. Lei 13.848/2019 (Lei Geral): mandatos 5 anos, quarentena 6 meses, AIR, consulta pública.

Q8

Questão 08 · Comentada

Enunciado. Sobre a tese da desindustrialização precoce e a doença holandesa, conforme Bresser-Pereira:

  1. A) A indústria brasileira tem participação crescente no PIB desde 1980.
  2. B) Luiz Carlos Bresser-Pereira articulou a tese da "desindustrialização precoce" brasileira: a participação industrial no PIB caiu de cerca de 36% em 1980 para 16-17% em 2024, e a indústria de transformação caiu de 27% (1980) para cerca de 11% (2024); a tese é articulada com a "doença holandesa" (exportação de commodities valoriza o câmbio, prejudicando indústria) e o "câmbio cronicamente sobrevalorizado" (pela política de juros altos que atrai capital especulativo); como solução, Bresser propõe "câmbio competitivo", ancorado na taxa de câmbio de equilíbrio industrial (distinta da taxa de equilíbrio macroeconômico de plena utilização).
  3. C) A tese da doença holandesa é específica do petróleo.
  4. D) Bresser-Pereira defende câmbio sobrevalorizado.
  5. E) Não há queda da participação industrial no Brasil.

Gabarito: B

Prof. Affonsinho comenta

Cobra a tese de Bresser-Pereira.

  • A errada: caiu de 36% (1980) para 16-17% (2024).
  • B CORRETA Bresser-Pereira: exato. Desindustrialização precoce + doença holandesa + câmbio competitivo.
  • C errada: aplica-se a commodities em geral: minério, soja, etc. Originada em estudos sobre Holanda nos anos 1970 (gás natural).
  • D errada: defende câmbio competitivo (mais desvalorizado).
  • E errada: há queda relevante: 36% → 16-17% em 4 décadas.

Tese central: Bresser-Pereira: desindustrialização precoce + doença holandesa + câmbio cronicamente sobrevalorizado. Solução: câmbio competitivo.

Q9

Questão 09 · Comentada

Enunciado. Sobre o Acordo Mercosul-União Europeia:

  1. A) Foi assinado em 1995 e entrou em vigor imediatamente.
  2. B) O Acordo de Associação Mercosul-União Europeia foi assinado em 6 de dezembro de 2024, após mais de 25 anos de negociação iniciada em 1999; é considerado um dos maiores acordos de livre comércio do mundo, abrangendo cerca de 700 milhões de habitantes e 25% do PIB global; tem três pilares: comercial (eliminação progressiva de tarifas em mais de 90% do comércio), político (cooperação política e diálogo) e cooperação (em áreas como educação e ciência); está em fase de ratificação nos países membros, com expectativa de implementação progressiva nos anos seguintes; coexiste com outros acordos recentes como Mercosul-EFTA (2024) e Mercosul-Cingapura (2023).
  3. C) Foi rejeitado pelo Brasil.
  4. D) Inclui apenas comércio agrícola.
  5. E) Foi assinado em 2010.

Gabarito: B

Prof. Affonsinho comenta

Cobra o Mercosul-UE.

  • A errada: assinado em 6/12/2024; em fase de ratificação.
  • B CORRETA Mercosul-UE 2024: exato. Acordo histórico após 25+ anos. Três pilares. Em fase de ratificação.
  • C errada: foi assinado pelo Brasil; ratificação em curso.
  • D errada: amplo: bens, serviços, contratação pública, IP, comércio, etc.
  • E errada: 2024.

Tese central: Mercosul-UE: assinado em 6/12/2024 após 25+ anos. Três pilares (comercial, político, cooperação). Em ratificação.

Q10

Questão 10 · Comentada

Enunciado. Sobre o sistema de solução de controvérsias do Mercosul:

  1. A) Não há sistema de solução de controvérsias no Mercosul.
  2. B) O sistema de solução de controvérsias do Mercosul evoluiu em duas fases: (i) Protocolo de Brasília (1991), o sistema original; (ii) Protocolo de Olivos, assinado em 18 de fevereiro de 2002 e promulgado pelo Decreto 4.982/2004, sistema atual mais sofisticado; o Protocolo de Olivos criou o Tribunal Permanente de Revisão (sede em Assunção) e mantém os Tribunais Arbitrais ad hoc para casos específicos; aplica-se a controvérsias entre Estados-Partes (não há jurisdição direta para particulares, embora exista mecanismo indireto via reclamação à Comissão de Comércio do Mercosul - CCM); o sistema é menos forte que o da OMC (que tem jurisdição compulsória e Órgão de Apelação).
  3. C) Particulares têm jurisdição direta no Tribunal.
  4. D) O Protocolo de Brasília está em vigor desde 2002.
  5. E) O Tribunal Permanente fica em Buenos Aires.

Gabarito: B

Prof. Affonsinho comenta

Cobra a solução de controvérsias.

  • A errada: : Protocolo de Olivos (2002), atual.
  • B CORRETA Protocolo de Olivos (2002): exato. Evolução. Estrutura. Comparação com OMC.
  • C errada: indireto via CCM; jurisdição direta é só entre Estados-Partes.
  • D errada: Brasília (1991); Olivos (2002) é o atual.
  • E errada: Assunção (Paraguai); Buenos Aires não é sede oficial.

Tese central: Mercosul: Protocolo de Brasília (1991)Protocolo de Olivos (2002). Tribunal Permanente em Assunção. Jurisdição entre Estados.

Fim da aula 04

Você dominou a abertura comercial.
Mercosul, OMC, CADE, LPI, agências.
ECs 5-9/95, 19/98, 20/98, LRF.
Doença holandesa e desindustrialização.

f
furafila

Aula 04 de 10 · Economia Brasileira
Próxima: Tripé Macroeconômico - metas, câmbio, primário.

Treine essa matéria no furafila

Acabou a aula? Fixe o conteúdo respondendo questões comentadas, com XP, ranking e batalhas. De graça.

começar grátis agora

Continue por aqui

← Todas as aulas