f
furafila
$Economia Brasileira

Boom de Commodities
e Política Anticíclica
(2003-2010)

Da Carta ao Povo Brasileiro (2002) à crise de 2008 e à recuperação de 2010. Equipe Lula: Palocci, Meirelles, Mantega. Boom de commodities (China). Bolsa Família (Lei 10.836/2004). PAC (2007). Pré-sal: descoberta (2007), Lei 12.351/2010 (partilha). Resposta anticíclica à crise Lehman (15/9/2008). Grau de investimento. PIB +7,5% em 2010.

Aula06 / 10
DisciplinaEconomia Brasileira
AtualizadoAbr / 2026
Nesta aula

Sumário

Os anos Lula combinaram herança macroeconômica do tripé com expansão de gastos sociais e investimento público. Conjuntura externa favoreceu (boom da China, commodities, liquidez global). A crise de 2008 testou a arquitetura, e o Brasil respondeu com política anticíclica que produziu a maior recuperação de PIB do século (+7,5% em 2010). Esta aula analisa em detalhe como tudo aconteceu.

  1. Carta ao Povo e equipe Lula
    Permanência do tripé, Palocci, Meirelles, Mantega
    p. 04
  2. Ajuste fiscal e queda da Selic (2003-2006)
    Superávit primário acima da meta, juros decrescentes
    p. 08
  3. Boom de commodities
    China driver, soja, minério, petróleo, termos de troca
    p. 12
  4. Política social: Bolsa Família e mais
    Lei 10.836/2004, CadÚnico, PNAD, redução de pobreza
    p. 16
  5. PAC e investimento público
    PAC 1 (2007), BNDES, infraestrutura, programa habitacional
    p. 20
  6. Pré-sal e marco regulatório
    Tupi (2007), Lei 12.351/2010, Lei 12.276/2010, Lei 12.304/2010
    p. 24
  7. Crise de 2008 e resposta anticíclica
    Lehman, IOF, redução IPI, crédito BNDES, Selic
    p. 28
  8. Doutrina e legado
    Pochmann, Neri, Lavinas, Bresser, Bacha, Belluzzo
    p. 32
  9. Mapa mental, revisão e questões comentadas
    10 questões fechando a aula
    p. 36
Meta desta aula
Compreender a combinação tripé + expansão fiscal/social. Entender o boom de commodities como dirigido pela China. Dominar o Bolsa Família, PAC e marco do pré-sal. Analisar a resposta anticíclica de 2008-2009 e seu legado.
Antes de começar

O que você vai aprender

01
Carta ao Povo Brasileiro

Documento de 22/6/2002. Lula assumiu o compromisso de manter contratos, dívida e tripé macroeconômico. Sinalizou continuidade.

02
Equipe Lula

Antônio Palocci (Fazenda 2003-2006), Henrique Meirelles (BACEN 2003-2010, mandato recorde), Guido Mantega (Fazenda 2006-2014).

03
Ajuste fiscal

Superávit primário 4,25% PIB (2003-2005). Queda da Selic de 26,5% (2003) para 11,25% (2007).

04
Boom de commodities

China como driver. Termos de troca brasileiros melhoraram cerca de 40% entre 2002 e 2008.

05
Bolsa Família

Lei 10.836, de 9/1/2004. Unificou Bolsa Escola, Bolsa Alimentação, Auxílio-Gás, Vale-Cartão Alimentação. CadÚnico.

06
PAC

Programa de Aceleração do Crescimento. Lançado em 22/1/2007. Investimento previsto de R$ 504 bi até 2010.

07
Pré-sal

Tupi (campo de Lula) anunciado em 8/11/2007. Marco regulatório: Lei 12.351/2010 (partilha), Lei 12.276/2010 (cessão onerosa), Lei 12.304/2010 (PPSA).

08
Resposta anticíclica

Lehman em 15/9/2008. Brasil reagiu com IOF, redução de IPI, crédito BNDES, Selic mínima de 8,75% em 2009. PIB -0,1% em 2009 e +7,5% em 2010.

Dica do Fuffu

Decora o calendário do período: 2002 (eleição + Carta), 2003 (ajuste fiscal), 2004 (Bolsa Família), 2007 (PAC + pré-sal), 2008 (Lehman + grau de investimento), 2009 (PIB cai 0,1%), 2010 (PIB +7,5% + Marco do Pré-Sal). Em prova, a banca cobra essas datas com leis e atores específicos.

Prof. Affonsinho explica, Módulo 01

1 Carta ao Povo Brasileiro e equipe

Contexto da eleição de 2002

A eleição de 2002 foi marcada pela "crise de confiança" dos mercados financeiros. Lula, candidato com favoritismo nas pesquisas, era visto com receio:

  • Real: depreciou de R$ 2,30 (jan/2002) para R$ 4,00 (out/2002).
  • Risco-Brasil (EMBI+): subiu de 700 pontos (jan) para 2.400 pontos (set/2002).
  • Selic: subiu para 25% em outubro.
  • Dívida pública: relação Dívida/PIB chegou a 76% em 2002.
  • Inflação 2002: 12,5% (descumprimento da meta de 3,5%).

Carta ao Povo Brasileiro - 22 de junho de 2002

Em 22 de junho de 2002, no auge da turbulência, Lula publicou a "Carta ao Povo Brasileiro". Documento estratégico, de cerca de 4 páginas, com mensagens centrais:

  • Compromisso com contratos: respeitar contratos públicos e privados.
  • Pagamento da dívida: continuidade dos pagamentos da dívida pública e externa.
  • Manutenção do tripé: câmbio flutuante, metas de inflação, superávit primário.
  • Modelo de transição: mudanças graduais, não rupturas.
  • Redução da pobreza: prioridade social.

A Carta foi escrita por equipe que incluía Antônio Palocci, José Dirceu, Aloizio Mercadante, Marco Aurélio Garcia, entre outros. Acalmou parcialmente o mercado, mas a tensão persistiu até a posse.

Acordo com FMI - agosto 2002

Em 7 de agosto de 2002, o governo FHC fechou acordo com FMI de US$ 30 bilhões para sustentar o Real. Lula apoiou o acordo. Foi seguido de promessas explícitas:

  • Manutenção da meta de superávit primário em 3,75% do PIB.
  • Compromisso com a Lei de Responsabilidade Fiscal.
  • Não tabelamento, não confisco.

Eleição - outubro 2002

Em 27 de outubro de 2002, no segundo turno, Lula venceu com 61,3% dos votos válidos contra José Serra (PSDB, com 38,7%). Posse em 1º de janeiro de 2003.

Equipe econômica original (2003-2005)

A equipe inicial surpreendeu pela ortodoxia:

  • Antônio Palocci: Ministro da Fazenda. Médico de Ribeirão Preto, com perfil tecnocrata. Defendia estabilidade macroeconômica e disciplina fiscal.
  • Henrique Meirelles: Presidente do BACEN. Ex-presidente mundial do BankBoston. Empossado em 31/12/2002 (ainda em FHC) e mantido por Lula.
  • Guido Mantega: Ministro do Planejamento (2003-2004). Economista da FGV-SP, próximo de Lula. Visão mais desenvolvimentista.
  • Bernard Appy: Secretário de Política Econômica (depois Receita Federal).
  • Marcos Lisboa: Secretário de Política Econômica (após Appy).
  • Murilo Portugal: Secretário-Executivo da Fazenda.
  • Joaquim Levy: Secretário do Tesouro (2003-2006).

Henrique Meirelles - mandato recorde

Henrique Meirelles foi presidente do BACEN de 2 de janeiro de 2003 a 31 de dezembro de 2010 (8 anos), mandato mais longo da história do BACEN. Pontos marcantes:

  • Implementação rigorosa do regime de metas.
  • Acumulação massiva de reservas internacionais.
  • Continuação das reformas microeconômicas.
  • Resposta competente à crise de 2008.

Depois, Meirelles foi presidente do BNDES e Ministro da Fazenda no governo Temer (2016-2018).

Mudança em 2006 - Mantega Fazenda

Em 27 de março de 2006, com a saída de Palocci (sob denúncias na CPI do Mensalão), Guido Mantega assumiu a Fazenda. Permaneceu até 31 de dezembro de 2014 (oito anos e meio, recordista no cargo). Mantega trazia visão mais desenvolvimentista, com aceitação parcial do tripé.

CPI do Mensalão e crise política

Em 2005-2006, a CPI do Mensalão abalou o governo, com denúncias de pagamento mensal a parlamentares. Levaram à queda de:

  • José Dirceu: ministro da Casa Civil, em junho de 2005.
  • Antônio Palocci: Ministro da Fazenda, em março de 2006.

A crise política não derrubou o governo, mas alterou a equipe. Lula reelegeu-se em outubro de 2006 (60,8% no segundo turno contra Geraldo Alckmin).

Início Lula 2 (2007-2010)

Em janeiro de 2007, Lula iniciou o segundo mandato com:

  • Palocci já fora.
  • Meirelles permanecendo no BACEN.
  • Mantega na Fazenda.
  • Lançamento do PAC em 22/1/2007.

Bate-papo com o Seu Teoffilo

Em prova, decora os atores: Lula presidente (2003-2010), Palocci Fazenda (2003-2006), Meirelles BACEN (2003-2010, recordista), Mantega Fazenda (2006-2014, recordista). Carta ao Povo Brasileiro: 22/6/2002. Pacto institucional: manutenção do tripé. Ortodoxia inicial surpreendente. CPI do Mensalão (2005-2006) tirou Dirceu e Palocci.

Prof. Affonsinho explica, Módulo 02

2 Ajuste fiscal e queda da Selic (2003-2006)

Posição inicial 2003

Em janeiro de 2003, Lula assumiu cenário desafiador:

  • Inflação 2002: 12,5% (meta 3,5%, descumprida).
  • Selic: 25% ao ano (em alta).
  • Real: R$ 3,53/US$ 1.
  • Dívida/PIB: 76%.
  • Risco-Brasil: acima de 1.500 pontos.

O ajuste era inevitável.

Aperto monetário inicial - fevereiro 2003

O COPOM elevou a Selic agressivamente:

  • Janeiro 2003: 25,5%.
  • Fevereiro 2003: 26,5% (pico).
  • Manteve em 26,5% até maio de 2003.

Ajuste fiscal - 2003

Palocci elevou o superávit primário:

  • Meta inicial: 3,75% do PIB (FMI).
  • Meta revisada: 4,25% do PIB.
  • Resultado 2003: 4,3% do PIB.
  • Cortes orçamentários: contingenciamento de despesas.
  • Reforma da Previdência: EC 41/2003 e EC 47/2005.

EC 41/2003 - Reforma da Previdência

A Emenda Constitucional 41, de 19 de dezembro de 2003, foi a segunda grande reforma da Previdência, agora focada em servidores públicos. Mudanças:

  • Contribuição dos inativos: aposentados e pensionistas passaram a contribuir.
  • Teto remuneratório: STF como referência.
  • Idade mínima: 60/55 anos.
  • Reformas pelo Regime Próprio de Previdência.

EC 47/2005 - ajustes

A EC 47, de 5 de julho de 2005, ajustou aspectos da EC 41/2003, melhorando regras para servidores em transição.

Cumprimento das metas - 2003 em diante

Em 2003, a inflação foi de 9,3% (IPCA), ainda fora da meta original de 4% +/- 2 pp. CMN revisou a meta para 8,5% +/- 2,5 pp em junho/2003 (carta de revisão de Meirelles a Palocci). Em 2004, inflação caiu para 7,6%; em 2005, 5,7%; em 2006, 3,1%; em 2007, 4,5%. Resultado: tripé funcionando.

Queda da Selic - 2003-2007

Trajetória descendente:

  • Junho 2003: começa o ciclo de queda.
  • Dezembro 2003: 16,5%.
  • Dezembro 2004: 17,75% (subiu de novo por aceleração inflacionária).
  • Dezembro 2005: 18%.
  • Dezembro 2006: 13,25%.
  • Setembro 2007: 11,25% (mínima até então).

Apreciação cambial - 2003-2008

Com queda da Selic, melhora dos fundamentos e boom de commodities, o Real apreciou:

  • Janeiro 2003: R$ 3,53/US$ 1.
  • Fim 2004: R$ 2,65.
  • Fim 2006: R$ 2,14.
  • Mínima histórica em 1/8/2008: R$ 1,56/US$ 1.
  • Após Lehman (set/2008): retornou a R$ 2,40.

Acumulação de reservas

Estratégia explícita do BACEN sob Meirelles:

  • Janeiro 2003: US$ 38 bi.
  • Janeiro 2006: US$ 53 bi.
  • Janeiro 2008: US$ 188 bi.
  • Setembro 2008: US$ 207 bi (auge antes da crise).
  • Janeiro 2010: US$ 240 bi.
  • Janeiro 2011: US$ 290 bi.

Brasil tornou-se credor líquido externo em maio de 2008: passivos externos menores que reservas + outros ativos.

Quitação da dívida com FMI - dezembro 2005

Em 13 de dezembro de 2005, o Brasil quitou antecipadamente sua dívida com o FMI (cerca de US$ 15,5 bi). Foi marco simbólico forte: independência da assistência externa.

Resgate dos Brady Bonds - 2006

Em 2006, o Brasil também recomprou cerca de US$ 6,5 bi de Brady Bonds (títulos da renegociação dos anos 90), eliminando passivo simbólico da década perdida.

Pegadinha da Dotôra Soffya

Pegadinha clássica: quando o Brasil quitou a dívida com o FMI? Resposta: 13 de dezembro de 2005, antecipadamente. Dois anos depois (2007), pré-pagou também o Clube de Paris. Marco simbólico de autonomia. Decora também: Selic pico de 26,5% em fev/2003, mínima do período de 11,25% em set/2007.

Prof. Affonsinho explica, Módulo 03

3 Boom de commodities (2003-2008)

A China como driver

O fenômeno central do período foi o boom de commodities dirigido pela China. Características:

  • PIB chinês: cresceu cerca de 10% ao ano entre 2003 e 2008.
  • Industrialização e urbanização aceleradas, demandando matérias-primas.
  • WTO em 2001: integração da China ao sistema comercial global.
  • Olimpíadas 2008: investimento massivo em infraestrutura.
  • Renda per capita: dobrou no período.

China demandou minério de ferro, petróleo, soja, carne, cobre, celulose, açúcar em volumes sem precedentes.

Indices de preços de commodities

O índice Bloomberg de Commodities entre 2003 e 2008:

  • Início 2003: ~100 (base 2002).
  • Pico junho/julho 2008: cerca de 250 (alta de 150%).
  • Após Lehman (2008-2009): caiu pela metade.
  • Recuperação 2010-2014.

Setores beneficiados no Brasil

O Brasil tem pauta exportadora dominada por commodities:

  • Soja: preço subiu de US$ 200/ton (2002) para US$ 600/ton (2008).
  • Minério de ferro: cerca de US$ 25/ton (2002) para US$ 175/ton (pico 2008).
  • Petróleo: US$ 25/barril (2002) para US$ 147/barril (pico julho 2008).
  • Carne bovina: dobro de preço.
  • Açúcar: triplicou.
  • Celulose: subiu fortemente.

Exportações brasileiras - explosão

As exportações brasileiras saíram da estagnação:

  • 2002: US$ 60 bi.
  • 2005: US$ 118 bi.
  • 2008: US$ 198 bi.
  • 2011: US$ 256 bi (pico).
  • Crescimento de mais de 4x em 9 anos.

Termos de troca

Os termos de troca (relação preço de exportação / preço de importação) brasileiros melhoraram dramaticamente:

  • 2002: índice base 100.
  • 2008: cerca de 140 (melhora de 40%).
  • 2011: cerca de 145.
  • 2014: começa a deteriorar.

Significa: o Brasil precisava de menos volume de exportação para comprar a mesma quantidade de importações.

Saldo comercial

Saldo comercial brasileiro:

  • 2002: US$ 13 bi.
  • 2003: US$ 25 bi.
  • 2005: US$ 45 bi.
  • 2007: US$ 40 bi (pico relativo).
  • 2008: US$ 25 bi (impacto do segundo semestre).

China - parceira número 1

A China passou a ser o maior parceiro comercial do Brasil em 2009, ultrapassando os EUA. Pauta:

  • Para a China: minério de ferro, soja, petróleo, celulose.
  • Da China: bens manufaturados, eletroeletrônicos, máquinas.
  • Saldo comercial: positivo (Brasil exporta mais que importa da China).
  • Mas: dependência crescente de mercado único.

Recursos naturais e desindustrialização

O boom de commodities reativou o debate sobre doença holandesa:

  • Câmbio apreciou pelo influxo de divisas.
  • Indústria de transformação perdeu competitividade.
  • Coeficiente de penetração das importações cresceu.
  • Bresser-Pereira documentou intensamente.

Fluxos de capital

Além do boom comercial, fluxos financeiros:

  • IDE: cerca de US$ 18 bi/ano em 2002 → US$ 45 bi em 2008.
  • Capital especulativo: carry trade em alta.
  • Resultado: pressão pra apreciação cambial.

IOF como ferramenta

Para conter apreciação excessiva, o governo usou o IOF - Imposto sobre Operações Financeiras:

  • Decreto 6.339/2008: instituiu IOF de 1,38% sobre câmbio para investimento de portfólio.
  • Decreto 6.391/2008: ajustes.
  • 2009-2012: aumentos sucessivos para conter capital especulativo.

"Decoupling" - tese (parcialmente) verdadeira

Antes da crise de 2008, falava-se em "decoupling": economias emergentes (China, Brasil, Índia, etc.) seriam imunes ou pouco afetadas por choques nos países desenvolvidos. A crise do Lehman desafiou parcialmente a tese: choques se transmitiram, mas resposta anticíclica e fundamentos sólidos atenuaram impactos.

Bate-papo com o Seu Teoffilo

O boom de commodities foi vento de popa do Brasil dos anos Lula. Sem ele, dificilmente teria havido tanto crescimento simultâneo a expansão social. China em 2009 virou parceiro número 1, ultrapassando EUA. Termos de troca melhoraram 40% entre 2002 e 2008. Em prova, conheça os números e as causas (industrialização chinesa + WTO + Olimpíadas).

Prof. Affonsinho explica, Módulo 04

4 Política social - Bolsa Família e mais

Antecedentes - programas de transferência

Antes do Bolsa Família, existiam vários programas:

  • Bolsa Escola: criado por FHC (1996, projeto piloto em Brasília sob Cristovam Buarque; federalização em 2001).
  • Bolsa Alimentação: 2001 (Saúde).
  • Auxílio-Gás: 2002.
  • Cartão Alimentação: 2003 (Fome Zero).

Os programas eram desarticulados, com cadastros diferentes e dispersão administrativa.

Lei 10.836, de 9 de janeiro de 2004 - Bolsa Família

A Lei 10.836, de 9 de janeiro de 2004, criou o Bolsa Família, unificando os programas anteriores. Estrutura:

  • Beneficiários: famílias em situação de pobreza e extrema pobreza.
  • Critério inicial: renda per capita até R$ 100/mês (extrema pobreza) e R$ 100-200/mês (pobreza).
  • Benefício: básico (extrema pobreza) + variável por filhos.
  • Condicionalidades: matrícula escolar, vacinação, pré-natal.
  • Gestão: Ministério do Desenvolvimento Social (MDS, criado em 2004).

CadÚnico - Cadastro Único

O CadÚnico - Cadastro Único para Programas Sociais (Decreto 6.135/2007) foi instrumento essencial:

  • Cadastro centralizado de famílias em vulnerabilidade social.
  • Base para diversos programas (Bolsa Família, Tarifa Social de Energia, isenção do INSS, etc.).
  • Atualização periódica.
  • Coordenado pelo MDS, com municípios fazendo o trabalho de campo.

Cobertura do Bolsa Família

AnoFamílias atendidasTotal beneficiários
2003 (programas separados)3,5 milhões14 milhões
200611 milhões~45 milhões
201013 milhões~50 milhões
201414 milhões~52 milhões
2020 (Auxílio Emergencial)14 milhões + 67 milhões emerg.~120 milhões
2024 (Bolsa Família 3)20+ milhões~52 milhões

Custo fiscal

  • 2003: cerca de R$ 4 bi.
  • 2010: cerca de R$ 14 bi.
  • 2014: cerca de R$ 27 bi.
  • 2024: cerca de R$ 167 bi (incluindo expansão pós-pandemia).
  • Em % do PIB: cerca de 0,4-1,5% conforme ano.

Resultados sociais - PNAD/IBGE

Indicadores sociais melhoraram no período Lula:

  • Pobreza extrema: caiu de 9,7% (2003) para 4,2% (2010).
  • Pobreza: 26,1% (2003) para 15,2% (2010).
  • Coeficiente de Gini: 0,580 (2003) para 0,540 (2010). Diminuição contínua.
  • 10% mais ricos / 10% mais pobres: caiu de 60x (2003) para 39x (2010).
  • Renda real do trabalho: cresceu cerca de 30% no período.

Salário mínimo - aumentos reais

O salário mínimo teve aumentos reais consistentes:

  • Janeiro 2003: R$ 200.
  • Janeiro 2010: R$ 510.
  • Aumento nominal: 155%.
  • Aumento real (descontada inflação): cerca de 53%.
  • Lei 12.382/2011: instituiu fórmula de reajuste (variação INPC + crescimento real do PIB de 2 anos antes).

Programa Brasil Sem Miséria - 2011

Em 2011 (já governo Dilma), foi criado o Brasil Sem Miséria, complemento ao Bolsa Família. Mas teve raízes nos programas Lula.

Outras políticas sociais

  • Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (PRONATEC): 2011, formação profissional.
  • Minha Casa Minha Vida: criado em 2009 (Lei 11.977/2009), programa habitacional massivo.
  • Programa Universidade para Todos (PROUNI): 2004 (Lei 11.096/2005), bolsas em universidades privadas.
  • Reuni: expansão de universidades federais (Decreto 6.096/2007).
  • Saúde da Família: expansão massiva.
  • Mais Médicos: 2013 (Lei 12.871/2013).
  • Cotas raciais: Lei 12.711/2012 (Lei de Cotas).

Doutrina sobre redução de pobreza

Marcelo Neri (FGV-IBRE), em obras como "A Nova Classe Média" (2008), documentou:

  • Mobilidade social significativa no período.
  • Crescimento da "classe C" (renda intermediária).
  • Mudança no padrão de consumo.
  • Redução de pobreza estrutural.

Marcio Pochmann (Unicamp, IPEA), em "A Década dos Mitos" (2002) e "Nova Classe Média?" (2012), tese alternativa:

  • Redução da pobreza foi real, mas via mercado de trabalho mais que transferência.
  • "Classe média" emergente é precária.
  • Estrutura social ainda muito desigual.

Lena Lavinas (UFRJ), em diversos estudos, criticou:

  • Foco em programas focalizados em vez de universais.
  • Financeirização da política social (consignado, etc.).
  • Limitações estruturais não enfrentadas.

Alerta do Examinador

Decora Lei 10.836, de 9/1/2004 (Bolsa Família) e Decreto 6.135/2007 (CadÚnico). Outras leis: Lei 11.096/2005 (PROUNI), Lei 11.977/2009 (Minha Casa Minha Vida), Lei 12.382/2011 (fórmula salário mínimo), Lei 12.711/2012 (cotas). Resultados sociais: Gini caiu de 0,580 para 0,540, pobreza extrema de 9,7% para 4,2%, renda real cresceu 30%, salário mínimo real cresceu 53% entre 2003 e 2010.

Prof. Affonsinho explica, Módulo 05

5 PAC e investimento público

Lançamento - 22 de janeiro de 2007

O PAC - Programa de Aceleração do Crescimento foi lançado em 22 de janeiro de 2007, pelo presidente Lula no início do segundo mandato. Eixos:

  • Logística e transporte: rodovias, ferrovias, portos, aeroportos.
  • Energia: hidrelétricas, transmissão, refino, biocombustíveis.
  • Social e urbano: habitação, saneamento, mobilidade urbana.

Investimento previsto: R$ 503,9 bilhões em quatro anos (2007-2010).

Estrutura institucional do PAC

  • Comitê Gestor (CG-PAC): presidido pela Casa Civil (na época, Dilma Rousseff).
  • Grupo Executivo: técnico, com representantes de ministérios.
  • Salas de Situação: monitoramento setorial.
  • BNDES: principal financiador.
  • Petrobras: principal executora em energia.

Dilma Rousseff e o PAC

Dilma Rousseff, então ministra-chefe da Casa Civil, foi a "mãe do PAC". A condução do programa projetou-a politicamente, levando-a à candidatura presidencial em 2010.

Principais obras

Obras emblemáticas do PAC 1:

  • Hidrelétrica de Santo Antônio (Madeira, Rondônia, 3.150 MW).
  • Hidrelétrica de Jirau (Madeira, Rondônia, 3.750 MW).
  • Hidrelétrica de Belo Monte (Xingu, Pará, 11.233 MW). Iniciada após PAC 1.
  • Refinaria Abreu e Lima (Pernambuco, Petrobras).
  • COMPERJ - Complexo Petroquímico do RJ.
  • Transposição do São Francisco.
  • Ferrovia Norte-Sul: trechos.
  • Rodovias federais: duplicações.
  • Portos: ampliações em Santos, Itaqui, etc.

PAC 2 (2011)

Em 29 de março de 2011 (governo Dilma), foi lançado o PAC 2, com investimento de R$ 958,9 bilhões (até 2014). Eixos:

  • PAC 2 - Cidade Melhor.
  • PAC 2 - Comunidade Cidadã.
  • PAC 2 - Minha Casa Minha Vida.
  • PAC 2 - Água e Luz para Todos.
  • PAC 2 - Transportes.
  • PAC 2 - Energia.

Novo PAC (2023)

Em 11 de agosto de 2023, governo Lula 3 lançou o "Novo PAC", com investimento previsto de R$ 1,7 trilhão até 2026. Continuidade conceitual dos anteriores.

BNDES como motor

O BNDES - Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social foi protagonista. Crescimento dos desembolsos:

  • 2002: R$ 35 bi.
  • 2007: R$ 65 bi.
  • 2008: R$ 92 bi.
  • 2009: R$ 137 bi (anticíclica).
  • 2010: R$ 170 bi (pico).
  • 2014: R$ 188 bi.
  • Após 2015: queda significativa.

TJLP e BNDES - debate

O BNDES tradicionalmente emprestava à TJLP - Taxa de Juros de Longo Prazo, abaixo da Selic. Significava subsídio implícito aos tomadores. O Tesouro fazia aportes ao BNDES (parcela financiada com dívida pública), gerando debate:

  • Críticos (FGV, USP, Banco Mundial): subsídio é regressivo, beneficia grandes empresas, distorce alocação.
  • Defensores (governo, Mantega): política industrial necessária, externalidades positivas, infraestrutura.

Em 2018 (Lei 13.483/2017), TJLP foi substituída pela TLP - Taxa de Longo Prazo, mais próxima de mercado, reduzindo subsídio.

"Campeãs nacionais" - política industrial

Estratégia controversa: BNDES financiou fusões e expansão de grandes empresas brasileiras para criar "campeãs nacionais":

  • JBS: aquisições internacionais (Swift, Smithfield Beef, etc.).
  • Friboi/Bertin: fusão.
  • Marfrig: aquisições.
  • Vale: expansão internacional.
  • Oi: fusão telecomunicações.
  • Petrobras: capitalização recorde de US$ 70 bi em 2010.

Em 2014-2017, a Operação Lava Jato e os escândalos da JBS expuseram que parte das aquisições foram financiadas com corrupção e propinas, abalando o programa.

Programa Minha Casa Minha Vida

Lançado em 25 de março de 2009 pela Lei 11.977, o MCMV foi o maior programa habitacional da história brasileira:

  • Meta inicial: 1 milhão de unidades.
  • Faixas: 1, 2, 3 (depois 1,5 e 4).
  • Beneficiários por renda: até 3, 6, 10 SM.
  • Subsídio para baixa renda.
  • Crédito imobiliário com juros subsidiados via Caixa.
  • Até 2014: cerca de 4 milhões de unidades contratadas.
  • Programa renomeado e relançado em diversos governos.

Resultados macroeconômicos do PAC

  • Investimento público: cresceu de cerca de 0,5% PIB (2002) para 0,7% (2010) e 1,0% em pico.
  • FBCF (Formação Bruta de Capital Fixo) total: subiu de 16% (2002) para 19,5% (2008) do PIB.
  • Crescimento PIB: cerca de 4% a.a. médio em 2003-2010.
  • Multiplicador fiscal: estimativas de 1,2-1,5 para investimento.

Estratégia ninja do Raffinha

Decora as datas: PAC 1: 22/1/2007 (R$ 504 bi), PAC 2: 29/3/2011 (R$ 959 bi), Novo PAC: 11/8/2023 (R$ 1,7 tri). Minha Casa Minha Vida: Lei 11.977 de 25/3/2009. BNDES desembolsos pico: R$ 170 bi (2010). TLP substituiu TJLP em 2018 (Lei 13.483/2017). Dilma foi a "mãe do PAC" - condução política do programa.

Prof. Affonsinho explica, Módulo 06

6 Pré-sal e marco regulatório

A descoberta - 8 de novembro de 2007

Em 8 de novembro de 2007, a Petrobras anunciou a descoberta de petróleo de qualidade no campo de Tupi (depois renomeado Lula), na Bacia de Santos, sob a camada de sal abaixo do leito do mar. Era o início da revelação da "província do pré-sal":

  • Profundidade: 5-7 km abaixo do mar.
  • Camada de sal: 1-2 km de espessura.
  • Reservas estimadas: 5-8 bi de barris recuperáveis em Tupi/Lula.
  • Total da província: 50-100 bi de barris (estimativas iniciais; depois ajustadas).
  • Qualidade: petróleo médio (28-32 ºAPI).

Outras descobertas no pré-sal

Em sequência foram anunciadas:

  • Iara (depois Sururu, Berbigão e Atapu): 2008.
  • Júpiter: 2008.
  • Guará (depois Sapinhoá): 2008.
  • Carioca: 2008.
  • Búzios (Franco): 2010, considerado o maior campo offshore do mundo.
  • Mero: 2013.
  • E outros.

Debate sobre o regime

A descoberta gerou debate sobre o regime regulatório:

  • Regime de concessão (Lei 9.478/1997): empresa explora, paga royalties e participações especiais. Sistema vigente desde 1997.
  • Regime de partilha: petróleo é da União, empresa explora e divide com a União.
  • Regime de cessão onerosa: União cede direitos para a Petrobras, em troca de pagamento.

O governo optou por combinação dos dois últimos para o pré-sal.

Lei 12.276/2010 - Cessão Onerosa

A Lei 12.276, de 30 de junho de 2010, autorizou a Cessão Onerosa: a União cedeu à Petrobras o direito de extrair até 5 bilhões de barris em áreas específicas do pré-sal. Como contrapartida:

  • Petrobras pagou US$ 42,5 bi à União.
  • Pagamento via títulos do Tesouro emitidos no aumento de capital da Petrobras.
  • Capitalização da Petrobras: US$ 70 bi em setembro de 2010 (recorde mundial).

Lei 12.351/2010 - Regime de Partilha

A Lei 12.351, de 22 de dezembro de 2010, instituiu o regime de partilha de produção para o pré-sal e áreas estratégicas. Características:

  • União é proprietária do petróleo.
  • Petrobras é operadora obrigatória: participação mínima de 30% no consórcio.
  • Outros participantes: empresas vencedoras de leilão.
  • Pagamento ao Estado: óleo-lucro (parcela do petróleo após custos).
  • Royalties e participação especial: continuam.
  • Bônus de assinatura: pago no leilão.

Lei 12.304/2010 - PPSA

A Lei 12.304, de 2 de agosto de 2010, criou a Pré-Sal Petróleo S.A. (PPSA): empresa estatal especialmente para gerir os contratos de partilha. Funções:

  • Representar a União nos consórcios de partilha.
  • Comercializar a parcela da União.
  • Auditar os contratos.
  • Não opera os campos diretamente (Petrobras opera).

Lei 12.351/2010 e fundo social

A Lei 12.351/2010 também criou o Fundo Social: receitas do pré-sal financiam:

  • Educação: 50% (depois alterado).
  • Saúde: percentual.
  • Combate à pobreza.
  • Ciência e tecnologia, cultura, esporte, meio ambiente.

Lei 12.858/2013: vinculou royalties e fundo social ao FUNDEB.

Capitalização da Petrobras - 24 de setembro de 2010

Em 24 de setembro de 2010, foi realizada a maior oferta de ações da história mundial até então:

  • Volume: US$ 70 bilhões.
  • Maior parte: capital integralizado pelo Tesouro com a cessão onerosa.
  • Demais investidores: cerca de US$ 25 bi em mercado.
  • Resultado: Petrobras virou uma das maiores empresas do mundo por valor de mercado (cerca de US$ 220 bi em pico).

Lei 12.734/2012 - royalties

A Lei 12.734, de 30 de novembro de 2012, alterou a distribuição de royalties do petróleo entre estados e municípios produtores e não produtores. Foi tema de intenso debate (RJ, ES e SP, principais produtores, perderiam parte; demais ganhariam). STF eventualmente apreciou (ADIs).

Mudanças no regime - governos posteriores

  • Lei 13.365/2016 (governo Temer): retirou da Petrobras a obrigatoriedade de ser operadora única em todos os campos do pré-sal. Tornou facultativa a participação.
  • Acordo de revisão da cessão onerosa (2019): Petrobras pagou à União diferença pela revisão.
  • Leilão dos excedentes da cessão onerosa (6/11/2019): Búzios e Itapu - leilão histórico.

Produção do pré-sal - resultados

AnoProdução pré-sal (mil barris/dia)% produção total
2010402%
201450023%
20181.50056%
20222.70076%
20243.500~80%

Brasil - posição mundial em petróleo

Em 2024, o Brasil era 9º maior produtor mundial de petróleo, com cerca de 3,5 milhões de barris/dia. Reservas provadas em torno de 13 bi de barris. Pré-sal responde por ~80% da produção atual.

Pegadinha da Dotôra Soffya

Pegadinha clássica: quais as três leis do marco do pré-sal? Resposta: Lei 12.276/2010 (cessão onerosa), Lei 12.351/2010 (partilha), Lei 12.304/2010 (PPSA). Datas: 30/6/2010, 22/12/2010, 2/8/2010. Descoberta de Tupi/Lula: 8/11/2007. Capitalização da Petrobras: 24/9/2010 (US$ 70 bi). Operadora obrigatória virou facultativa em 2016 (Lei 13.365/2016).

Prof. Affonsinho explica, Módulo 07

7 Crise de 2008 e resposta anticíclica

Origem da crise - subprime americano

A crise financeira global de 2007-2008 originou-se nos EUA, com:

  • Bolha imobiliária (2003-2006): preços de imóveis dobraram.
  • Subprime: empréstimos hipotecários a pessoas de alto risco.
  • Securitização: MBS (mortgage-backed securities), CDOs, derivativos complexos.
  • Estouro: 2007. Bear Stearns quebrou em março de 2008 (resgate JPMorgan).
  • Lehman Brothers: falência em 15 de setembro de 2008. Marco da crise.
  • AIG: resgate de US$ 182 bi.
  • TARP (Troubled Asset Relief Program): US$ 700 bi para resgates.

Impacto inicial sobre o Brasil - "marolinha"

Em outubro de 2008, Lula declarou em entrevista: "Aqui vai chegar uma marolinha". A frase virou polêmica, mas refletia avaliação inicial.

Realidade dos primeiros meses:

  • Reservas: caíram de US$ 207 bi (set/2008) para US$ 188 bi (mar/2009).
  • Real: depreciou de R$ 1,56 (jul/2008) para R$ 2,50 (dez/2008).
  • Bolsa: Ibovespa caiu de 73 mil pontos para 30 mil pontos.
  • Crédito: contraiu fortemente.
  • Indústria: PIM-IBGE caiu 17% no 4T 2008 - 1T 2009.

Resposta anticíclica - múltiplas frentes

Brasil reagiu com pacote articulado:

1. Política monetária

  • BACEN cortou Selic de 13,75% (dez/2008) para 8,75% em jul/2009.
  • Mantida em 8,75% até abril/2010.
  • Maior corte do regime de metas até então.
  • Compulsórios bancários reduzidos: liberou cerca de R$ 100 bi.
  • Linhas de redesconto ampliadas.

2. Política fiscal

  • Redução de IPI sobre automóveis (de 7% para 0% em algumas faixas).
  • Redução de IPI sobre eletrodomésticos linha branca.
  • Redução de IPI sobre material de construção.
  • Aumento do salário mínimo: ajuste real.
  • Bolsa Família ampliado.
  • Auxílio-Gás.

3. Crédito - BNDES e bancos públicos

  • BNDES: desembolsos saltaram de R$ 92 bi (2008) para R$ 137 bi (2009).
  • Tesouro emitiu títulos para capitalizar BNDES (cerca de R$ 200 bi em 2009).
  • Linhas para capital de giro.
  • Caixa Econômica: ampliou crédito habitacional, MCMV.
  • Banco do Brasil: ampliou crédito agro e PJ.

4. Política cambial

  • BACEN vendeu reservas para conter desvalorização excessiva.
  • Em outubro/2008, Fed criou linha de swap com BACEN de US$ 30 bi (acordo bilateral).
  • BACEN ampliou leilões de dólar.
  • Maxidesvalorização foi parcialmente revertida em 2009.

5. Programas específicos

  • Minha Casa Minha Vida: lançado em março/2009 (Lei 11.977/2009). 1 milhão de unidades anunciadas.
  • Pró-Renda: ampliação de transferências.
  • Apoio à indústria automotiva: efeito imediato sobre vendas.

Resultado macroeconômico

Indicador200820092010
PIB (% real)+5,1%-0,1%+7,5%
IPCA5,9%4,3%5,9%
Selic dez/dez13,75%8,75%10,75%
Câmbio fim ano (R$/US$)2,341,741,67
Reservas (US$ bi)207239289
Resultado primário3,3%1,9%2,7%
Dívida bruta/PIB57%59%52%

PIB +7,5% em 2010 - recuperação espetacular

Em 2010, o PIB cresceu 7,5%, maior taxa desde 1986. Resultado de:

  • Efeito carryover (base baixa em 2009).
  • Estímulos fiscais e monetários.
  • Recuperação dos preços de commodities.
  • Investimento PAC, MCMV, pré-sal, Copa do Mundo.
  • Otimismo geral.

Grau de investimento

Reconhecimento internacional veio em formato de "investment grade":

  • 30 de abril de 2008: Standard & Poor's elevou rating para BBB-.
  • 29 de maio de 2008: Fitch elevou para BBB-.
  • 22 de setembro de 2009: Moody's elevou para Baa3.
  • Significado: Brasil deixou de ser "junk grade" e passou a ser "investment grade".
  • Efeito: Acesso a capital institucional (fundos de pensão, seguradoras) e custos de captação menores.

O grau de investimento foi perdido em 2015-2016 sob Dilma. Recuperado parcialmente em 2024 (S&P em 2024 elevou para BB+, perto mas ainda abaixo).

Doutrina sobre a anticíclica

Belluzzo, Carneiro, Conceição Tavares: defenderam a resposta como vitória da política heterodoxa.

Mantega: liderou a estratégia, falou em "decoupling parcial".

Bresser-Pereira: aplaudiu a resposta como exemplo de "macroeconomia desenvolvimentista".

Críticos ortodoxos (Bacha, Lara Resende, Affonso Pastore): alertaram que o estímulo foi excessivo, gerando pressões inflacionárias para 2010-2011 e plantando sementes da crise fiscal posterior.

Brasil credor externo - 2008

Em maio de 2008, o Brasil tornou-se credor líquido externo pela primeira vez na história moderna: ativos externos (reservas + outros) maiores que passivos externos. Marco simbólico forte.

Bate-papo com o Seu Teoffilo

Em prova: Lehman 15/9/2008, Selic mínima 8,75% em jul/2009, PIB -0,1% em 2009 e +7,5% em 2010. Grau de investimento: S&P 30/4/2008, Fitch 29/5/2008, Moody's 22/9/2009. Brasil credor externo líquido em maio/2008. Resposta anticíclica: juros + IPI + crédito BNDES + MCMV + reservas. Decora os 5 instrumentos.

Prof. Affonsinho explica, Módulo 08

8 Doutrina e legado

Visão "tripé com expansão" (Bacha, Bresser, mainstream)

A leitura mainstream destaca:

  • Continuidade: tripé herdado de FHC mantido e fortalecido.
  • Expansão social: Bolsa Família e ganhos reais do mínimo.
  • Boom externo: ventos de popa da China.
  • Política industrial moderada: BNDES, PAC.
  • Resposta competente em 2008: anticíclica bem calibrada.

Edmar Bacha: "Os governos Lula combinaram herança de FHC com expansão social, e usaram o boom externo".

Visão "novo desenvolvimentismo" (Bresser, Belluzzo, Conceição Tavares)

Bresser-Pereira, em "Globalização e Competição" (2009) e "A Crise Brasileira da Tese da Crise" (2010), articulou o "novo desenvolvimentismo":

  • Câmbio competitivo (não sobrevalorizado).
  • Política industrial seletiva.
  • Ajuste fiscal estrutural.
  • Foco em produtividade.

Bresser apoiou amplamente Lula em vários momentos, mas criticou o câmbio sobrevalorizado de 2007-2010.

Belluzzo, em "Os Antecedentes da Tormenta" (2009): defendeu a estratégia anticíclica e a expansão social. Crítico do mainstream financeiro.

Maria da Conceição Tavares, em vários textos: apoiou a inflexão social, criticou as concessões à ortodoxia.

Visão "ortodoxa crítica" (Bacha, Pastore, Lara Resende, Mendonça de Barros)

Da ortodoxia, vieram críticas:

  • Estímulos excessivos em 2009-2010.
  • Captura do BNDES por interesses particulares (campeãs nacionais).
  • Gastos fiscais permanentes (mínimo, transferências) sem fonte clara de receita.
  • Sustentabilidade fiscal comprometida.
  • Inflação sob risco constante.

Em retrospecto, esses críticos têm parte da razão: a expansão pavimentou a crise fiscal de 2014-2016.

Marcio Pochmann e a "nova classe média"

Marcio Pochmann (Unicamp, IPEA durante governo Lula), em diversas obras, debateu:

  • "Classe C" emergente é majoritariamente "nova classe trabalhadora", não classe média.
  • Renda intermediária mas baseada em emprego precarizado.
  • Estrutura social ainda fortemente desigual.
  • Mobilidade real, mas frágil.

Tese mais conservadora foi de Marcelo Neri, "A Nova Classe Média" (2008), que falou em transformação estrutural mais profunda.

Lena Lavinas - financeirização social

Lena Lavinas (UFRJ), em "The Takeover of Social Policy by Financialization" (2017) e papers, articulou crítica:

  • Política social brasileira aderiu ao crédito como ferramenta.
  • Beneficiários do Bolsa Família tornaram-se foco de bancos.
  • Consignado, cartão, microcrédito fluíram em massa.
  • Endividamento das famílias cresceu.
  • Vulnerabilidade financeira aumentou.

A doença holandesa permanece

Bresser-Pereira documentou a continuidade da doença holandesa:

  • Câmbio sobrevalorizado durante boom commodities.
  • Indústria de transformação perdeu cerca de 5 pontos do PIB no período.
  • "Reprimarização" da pauta exportadora.
  • Perda de complexidade econômica (ECI - Economic Complexity Index, Hidalgo-Hausmann).

Síntese - balanço do período Lula

Aspectos positivos consensuais:

  • PIB cresceu cerca de 4% a.a. médio.
  • Inflação controlada (em geral).
  • Reservas robustas (US$ 290 bi em 2010).
  • Brasil credor externo líquido.
  • Pobreza extrema caiu de 9,7% para 4,2%.
  • Gini caiu de 0,580 para 0,540.
  • Renda do trabalho cresceu 30% real.
  • Salário mínimo cresceu 53% real.
  • Resposta competente à crise de 2008.
  • Grau de investimento alcançado.

Aspectos críticos consensuais:

  • Forte dependência do boom de commodities.
  • Apreciação cambial e doença holandesa.
  • Indústria de transformação perdeu participação.
  • Estímulos pós-2008 plantaram sementes da crise fiscal de 2014-2016.
  • Captura parcial do BNDES (campeãs nacionais).
  • Casos de corrupção (Mensalão, Lava Jato posterior).
  • Sustentabilidade fiscal de longo prazo comprometida.

Lula 3 (2023-) - continuidades e mudanças

Em janeiro de 2023, Lula iniciou terceiro mandato. Aspectos:

  • Equipe econômica: Fernando Haddad (Fazenda), Roberto Campos Neto (BACEN até dez/2024), Galípolo (BACEN desde 1/1/2025), Simone Tebet (Planejamento até abr/2025).
  • Arcabouço fiscal: LC 200/2023.
  • Bolsa Família 3: piso de R$ 600.
  • Novo PAC: lançado em 11/8/2023.
  • Reforma tributária: EC 132/2023.
  • Crescimento: cerca de 3% a.a. (2023-2024).

Continuidades e mudanças em relação aos mandatos anteriores são tema da última aula.

Bate-papo com o Seu Teoffilo

Em concurso, conheça as 4 visões: (1) tripé com expansão (Bacha, mainstream); (2) novo desenvolvimentismo (Bresser-Pereira, Belluzzo); (3) ortodoxa crítica (Lara Resende, Pastore); (4) crítica heterodoxa (Pochmann, Lavinas). Cada uma destaca aspectos diferentes do período Lula. E lembre: boom de commodities + tripé + expansão social é o tripé interpretativo.

Mapa mental

Visão de avião sobre a aula. Use para revisão rápida.

Boom Commodities
e Anticíclica
(2003-2010)

Equipe Lula

  • Carta ao Povo (22/6/2002)
  • Palocci Fazenda 03-06
  • Meirelles BACEN 03-10
  • Mantega Fazenda 06-14

Ajuste fiscal

  • Selic 26,5% (fev/2003)
  • Primário 4,25% PIB
  • EC 41/2003 + 47/2005
  • Quita FMI (13/12/2005)

Boom commodities

  • China driver
  • Termos de troca +40%
  • Soja, minério, petróleo
  • Exportações 4x em 9 anos

Política social

  • Bolsa Família (Lei 10.836/2004)
  • CadÚnico (Decreto 6.135/2007)
  • Mínimo +53% real
  • Gini 0,580 → 0,540

PAC e BNDES

  • PAC (22/1/2007, R$ 504 bi)
  • MCMV (Lei 11.977/2009)
  • BNDES R$ 170 bi (2010)
  • Campeãs nacionais

Pré-sal

  • Tupi/Lula (8/11/2007)
  • Lei 12.276/2010 (cessão)
  • Lei 12.351/2010 (partilha)
  • Lei 12.304/2010 (PPSA)

Crise 2008

  • Lehman (15/9/2008)
  • Selic 8,75% (jul/2009)
  • IPI redução, BNDES, MCMV
  • PIB -0,1% / +7,5%

Doutrina

  • Bacha (mainstream)
  • Bresser (novo desenv.)
  • Pochmann, Neri, Lavinas
  • Belluzzo, Conceição Tavares

Revisão relâmpago

Se você tem 5 minutos antes da prova, leia só isto.

  1. Carta ao Povo Brasileiro: 22/6/2002. Lula assumiu compromisso com tripé, contratos, dívida.
  2. Equipe Lula: Palocci (Fazenda 2003-2006), Meirelles (BACEN 2003-2010, recordista), Mantega (Fazenda 2006-2014).
  3. Selic pico: 26,5% em fev/2003. Mínima do período: 8,75% em jul/2009.
  4. Superávit primário: 4,25% do PIB (2003-2005). Quitação dívida FMI: 13/12/2005.
  5. Reformas Previdência: EC 41/2003 + EC 47/2005.
  6. Boom de commodities: dirigido pela China. Termos de troca +40% (2002-2008).
  7. Exportações: US$ 60 bi (2002) → US$ 198 bi (2008). China parceira nº 1 em 2009.
  8. Bolsa Família: Lei 10.836, de 9/1/2004. Unificou programas anteriores.
  9. CadÚnico: Decreto 6.135/2007.
  10. Resultados sociais: Gini 0,580 → 0,540. Pobreza extrema 9,7% → 4,2%. Mínimo real +53%.
  11. PAC: 22/1/2007, R$ 504 bi. Dilma "mãe do PAC". Foco: logística, energia, social.
  12. Minha Casa Minha Vida: Lei 11.977, de 25/3/2009.
  13. Pré-sal: Tupi/Lula em 8/11/2007. Marco regulatório: Lei 12.276/2010 (cessão), Lei 12.351/2010 (partilha), Lei 12.304/2010 (PPSA).
  14. Capitalização Petrobras: 24/9/2010, US$ 70 bi (recorde mundial).
  15. Crise 2008: Lehman 15/9/2008. Brasil reagiu com IPI, Selic, BNDES (R$ 137 bi), MCMV.
  16. PIB: -0,1% em 2009 / +7,5% em 2010.
  17. Grau de investimento: S&P 30/4/2008, Fitch 29/5/2008, Moody's 22/9/2009.
  18. Brasil credor externo líquido: maio/2008. Reservas US$ 290 bi (2010).
  19. BNDES desembolsos: R$ 170 bi (pico 2010). TJLP. Lei 13.483/2017 substituiu por TLP em 2018.
  20. Doutrina: 4 visões - tripé com expansão (Bacha), novo desenvolvimentismo (Bresser, Belluzzo), ortodoxa crítica (Lara Resende), heterodoxa crítica (Pochmann, Lavinas).
Você está pronto
20 pontos densos sobre o boom de commodities e a anticíclica. Bora para as questões.

? 10 questões comentadas

As dez questões a seguir foram elaboradas para cobrir o essencial desta aula. Cada uma vem com gabarito e comentário detalhado do Prof. Affonsinho.

Sugestão de uso:

  1. Leia cada questão sem olhar o gabarito.
  2. Marque sua resposta num papel.
  3. Só depois, confira o gabarito e leia o comentário.
  4. Se errou, marque em um caderno qual conceito ou data falhou, e volte ao módulo correspondente.

O vilão da aula: PhD em Concursos

Esse vilão cobra jurisprudência de turma específica com voto vencido e adora detalhes técnicos. Em boom de commodities, ele ataca: datas das leis, nomes dos atores, números econômicos exatos, marcos regulatórios. As próximas dez foram pensadas para você não cair onde ele cai.

Q1

Questão 01 · Comentada

Enunciado. Sobre a equipe econômica do governo Lula 1 (2003-2006):

  1. A) Antônio Palocci foi presidente do BACEN durante todo o período.
  2. B) A equipe econômica original do governo Lula contava com Antônio Palocci como Ministro da Fazenda (2003-2006), Henrique Meirelles como Presidente do BACEN (2003-2010, mandato recorde de 8 anos), Guido Mantega como Ministro do Planejamento (2003-2004) e depois Ministro da Fazenda (2006-2014, também recorde no cargo); Bernard Appy e Marcos Lisboa atuaram na Secretaria de Política Econômica; Joaquim Levy foi Secretário do Tesouro (2003-2006); a equipe foi caracterizada por uma ortodoxia surpreendente, com Palocci priorizando o ajuste fiscal (superávit primário 4,25% do PIB) e Meirelles implementando rigidamente o regime de metas.
  3. C) Henrique Meirelles foi Ministro da Fazenda no período.
  4. D) Guido Mantega assumiu a Fazenda em 2003.
  5. E) A equipe foi totalmente heterodoxa.

Gabarito: B

Prof. Affonsinho comenta

Cobra a equipe Lula 1.

  • A errada: Palocci foi Fazenda; Meirelles BACEN.
  • B CORRETA Lula 1 (2003-2006): exato. Composição completa, recordistas, ortodoxia inicial.
  • C errada: Meirelles foi BACEN, não Fazenda. Foi Fazenda no governo Temer (2016-2018).
  • D errada: Mantega assumiu Fazenda em 27/3/2006, após queda de Palocci.
  • E errada: ortodoxia surpreendente: Palocci era tecnocrata, Meirelles vinha do BankBoston.

Tese central: Lula 1: Palocci Fazenda 2003-2006, Meirelles BACEN 2003-2010 (recordista 8 anos), Mantega Fazenda 2006-2014 (recordista 8,5 anos).

Q2

Questão 02 · Comentada

Enunciado. Sobre o Programa Bolsa Família:

  1. A) Foi criado pela Lei 11.977/2009 e tem como gestor o Ministério da Saúde.
  2. B) O Bolsa Família foi criado pela Lei 10.836, de 9 de janeiro de 2004, unificando programas anteriores: Bolsa Escola (1996/2001), Bolsa Alimentação (2001), Auxílio-Gás (2002) e Cartão Alimentação (2003); tem como gestor o Ministério do Desenvolvimento Social (MDS, criado em 2004); usa o CadÚnico (Cadastro Único, Decreto 6.135/2007) como base; condicionalidades de educação (matrícula escolar, frequência) e saúde (vacinação, pré-natal); cobertura cresceu de 3,5 milhões de famílias em 2003 (programas separados) para 13 milhões em 2010 e 20+ milhões em 2024 (Bolsa Família 3); resultou em redução significativa de pobreza extrema (de 9,7% em 2003 para 4,2% em 2010, segundo PNAD/IBGE).
  3. C) Não tem condicionalidades.
  4. D) Foi gerido pelo Ministério da Saúde até 2014.
  5. E) Iniciou-se em 2003 sem unificação de programas.

Gabarito: B

Prof. Affonsinho comenta

Cobra o Bolsa Família.

  • A errada: Lei 10.836/2004; Lei 11.977/2009 é o MCMV. Gestor é MDS, não Saúde.
  • B CORRETA Lei 10.836/2004: exato. Origem, unificação, gestor, CadÚnico, condicionalidades, resultados.
  • C errada: tem condicionalidades: educação (matrícula, frequência) + saúde (vacinação, pré-natal).
  • D errada: MDS criado em 2004 especificamente para gerir programas sociais.
  • E errada: unificou Bolsa Escola, Bolsa Alimentação, Auxílio-Gás, Cartão Alimentação.

Tese central: Bolsa Família: Lei 10.836, de 9/1/2004. Unificou programas anteriores. Gestor: MDS. Base: CadÚnico (Decreto 6.135/2007). Condicionalidades educação + saúde.

Q3

Questão 03 · Comentada

Enunciado. Sobre o marco regulatório do pré-sal:

  1. A) É composto por uma única lei (Lei 12.351/2010).
  2. B) O marco regulatório do pré-sal é composto por três leis principais aprovadas em 2010: a Lei 12.276, de 30 de junho de 2010 (Cessão Onerosa: a União cedeu à Petrobras o direito de extrair até 5 bilhões de barris em troca de US$ 42,5 bilhões pagos em títulos do Tesouro, capitalizando a Petrobras); a Lei 12.304, de 2 de agosto de 2010 (criou a PPSA - Pré-Sal Petróleo S.A., empresa estatal para gerir contratos de partilha); a Lei 12.351, de 22 de dezembro de 2010 (instituiu o regime de partilha de produção para o pré-sal, com União proprietária do petróleo, Petrobras como operadora obrigatória inicialmente em consórcio com participação mínima de 30%, e criou o Fundo Social). Em 2016, a Lei 13.365 retirou a obrigatoriedade da Petrobras como operadora única.
  3. C) O regime de cessão onerosa cedeu 50 bilhões de barris à Petrobras.
  4. D) A PPSA opera diretamente os campos do pré-sal.
  5. E) O regime instituído foi exclusivamente o de concessão.

Gabarito: B

Prof. Affonsinho comenta

Cobra o marco do pré-sal.

  • A errada: três leis em 2010: 12.276, 12.304, 12.351.
  • B CORRETA Leis 12.276, 12.304, 12.351 de 2010: exato. Três leis com objetos distintos. Cessão onerosa, PPSA, partilha.
  • C errada: 5 bilhões de barris, não 50.
  • D errada: PPSA gere contratos; Petrobras opera campos.
  • E errada: regime de partilha + cessão onerosa para o pré-sal. Concessão é o regime geral (Lei 9.478/1997).

Tese central: Marco do pré-sal: Lei 12.276/2010 (cessão), Lei 12.304/2010 (PPSA), Lei 12.351/2010 (partilha). Petrobras operadora obrigatória até 2016 (Lei 13.365).

Q4

Questão 04 · Comentada

Enunciado. Sobre a resposta brasileira à crise de 2008:

  1. A) O governo brasileiro adotou austeridade fiscal e elevou agressivamente a Selic para conter a fuga de capital.
  2. B) Após a falência da Lehman Brothers em 15 de setembro de 2008, o Brasil adotou política anticíclica articulada em múltiplas frentes: (i) política monetária - BACEN cortou Selic de 13,75% (dez/2008) para 8,75% em julho de 2009 (mantida até abril de 2010); (ii) política fiscal - redução de IPI sobre automóveis e linha branca, aumento real do salário mínimo, ampliação do Bolsa Família; (iii) crédito - BNDES expandiu desembolsos de R$ 92 bi (2008) para R$ 137 bi (2009); (iv) política cambial - venda de reservas, swap com Fed (US$ 30 bi); (v) programas - lançamento do Minha Casa Minha Vida (Lei 11.977 de 25/3/2009). Resultado: PIB caiu apenas 0,1% em 2009 e cresceu 7,5% em 2010 (maior taxa desde 1986).
  3. C) Brasil decretou moratória da dívida externa.
  4. D) PIB caiu 5% em 2009.
  5. E) BACEN elevou Selic para 25% em 2009.

Gabarito: B

Prof. Affonsinho comenta

Cobra a anticíclica de 2008-2009.

  • A errada: política expansionista: cortou Selic, reduziu IPI, ampliou crédito.
  • B CORRETA anticíclica 2008-2009: exato. Cinco frentes: monetária, fiscal, crédito, cambial, programas.
  • C errada: não houve moratória; Brasil tinha reservas robustas.
  • D errada: caiu 0,1% em 2009 e cresceu 7,5% em 2010.
  • E errada: cortou para 8,75%, mínima do regime de metas até então.

Tese central: Anticíclica 2008-2009: Selic 13,75% → 8,75%, IPI reduzido, BNDES R$ 137 bi, MCMV (Lei 11.977/2009). PIB -0,1% (2009) / +7,5% (2010).

Q5

Questão 05 · Comentada

Enunciado. Sobre o boom de commodities (2003-2008):

  1. A) Foi dirigido pelos Estados Unidos, principal demandante mundial.
  2. B) O boom de commodities entre 2003 e 2008 foi dirigido principalmente pela China, cuja entrada na Organização Mundial do Comércio (OMC) em 2001, combinada com industrialização e urbanização aceleradas e crescimento médio de 10% ao ano, demandou volumes sem precedentes de minério de ferro, petróleo, soja, carne, cobre, celulose e açúcar; os termos de troca brasileiros melhoraram cerca de 40% entre 2002 e 2008; as exportações brasileiras saltaram de US$ 60 bilhões (2002) para US$ 198 bilhões (2008); a China tornou-se o maior parceiro comercial do Brasil em 2009, ultrapassando os EUA; o lado negativo foi a apreciação cambial (Real chegou a R$ 1,56/US$ 1 em 1/8/2008), que aprofundou a tese da doença holandesa e da desindustrialização precoce articulada por Bresser-Pereira.
  3. C) A China continuou sendo parceiro comercial menor do Brasil.
  4. D) Os termos de troca não foram afetados.
  5. E) O Real depreciou no período.

Gabarito: B

Prof. Affonsinho comenta

Cobra o boom de commodities.

  • A errada: China foi o motor; EUA já estavam saturados em commodities.
  • B CORRETA boom 2003-2008: exato. China driver, termos de troca +40%, exportações 4x, parceiro nº 1.
  • C errada: nº 1 desde 2009, ultrapassando os EUA.
  • D errada: melhoraram 40% entre 2002 e 2008.
  • E errada: apreciou: chegou a R$ 1,56/US$ 1 em 1/8/2008.

Tese central: Boom (2003-2008): China driver, termos de troca +40%, exportações de US$ 60 bi para US$ 198 bi. China parceiro nº 1 desde 2009.

Q6

Questão 06 · Comentada

Enunciado. Sobre o grau de investimento do Brasil:

  1. A) O Brasil obteve grau de investimento das três principais agências em 1995.
  2. B) O Brasil obteve grau de investimento ("investment grade") das três principais agências de classificação de risco em sequência: Standard & Poor's foi a primeira, em 30 de abril de 2008, elevando o rating para BBB-; Fitch elevou para BBB- em 29 de maio de 2008; Moody's elevou para Baa3 em 22 de setembro de 2009; o significado prático é o acesso a fundos institucionais (de pensão, seguradoras) que tipicamente só investem em "investment grade", e custos de captação menores; o Brasil perdeu o grau de investimento em 2015-2016 (Standard & Poor's em 9/9/2015, Fitch em 16/12/2015, Moody's em 24/2/2016) sob o governo Dilma 2; a recuperação foi parcial, com S&P elevando para BB+ em 2024.
  3. C) Moody's foi a primeira a elevar em abril de 2008.
  4. D) O Brasil nunca perdeu o grau de investimento.
  5. E) Apenas a S&P concedeu o grau de investimento.

Gabarito: B

Prof. Affonsinho comenta

Cobra o grau de investimento.

  • A errada: 2008-2009; em 1995 o Brasil ainda era "junk".
  • B CORRETA S&P 2008, Fitch 2008, Moody's 2009: exato. Cronologia, datas, ratings, perda 2015-2016, recuperação 2024.
  • C errada: S&P foi primeira em 30/4/2008; Moody's foi última em 22/9/2009.
  • D errada: perdeu em 2015-2016: S&P 9/9/2015, Fitch 16/12/2015, Moody's 24/2/2016.
  • E errada: todas três: S&P, Fitch, Moody's.

Tese central: Grau de investimento: S&P 30/4/2008, Fitch 29/5/2008, Moody's 22/9/2009. Perdido em 2015-2016. S&P recuperou para BB+ em 2024.

Q7

Questão 07 · Comentada

Enunciado. Sobre o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento):

  1. A) Foi lançado em 2003 com investimento previsto de R$ 50 bilhões.
  2. B) O PAC foi lançado em 22 de janeiro de 2007, no início do segundo mandato de Lula, com investimento previsto de R$ 503,9 bilhões para 2007-2010, distribuído em três eixos: logística e transporte (rodovias, ferrovias, portos, aeroportos), energia (hidrelétricas, transmissão, refino, biocombustíveis) e social/urbano (habitação, saneamento, mobilidade urbana); a coordenação era da Casa Civil (Dilma Rousseff, então ministra); BNDES e Petrobras eram principais executores. Posteriormente, foi lançado o PAC 2 (29/3/2011, R$ 958,9 bilhões) e o Novo PAC (11/8/2023, R$ 1,7 trilhão). Obras emblemáticas incluem hidrelétricas (Santo Antônio, Jirau, Belo Monte), Refinaria Abreu e Lima, Transposição do São Francisco e Ferrovia Norte-Sul.
  3. C) O PAC 2 foi lançado em 2007 com PAC 1.
  4. D) Foi coordenado pelo Ministério da Fazenda.
  5. E) O Novo PAC tem investimento de R$ 100 bi.

Gabarito: B

Prof. Affonsinho comenta

Cobra o PAC.

  • A errada: 22/1/2007, R$ 504 bi. Não 2003.
  • B CORRETA PAC 22/1/2007: exato. Datas, valores, eixos, coordenação, sucessores.
  • C errada: PAC 2 em 29/3/2011, R$ 958,9 bi. Posterior ao PAC 1.
  • D errada: Casa Civil (Dilma na época). MDS, BNDES, Petrobras eram parceiros.
  • E errada: R$ 1,7 trilhão, lançado em 11/8/2023.

Tese central: PAC: 22/1/2007 (R$ 504 bi) → PAC 2: 29/3/2011 (R$ 959 bi) → Novo PAC: 11/8/2023 (R$ 1,7 tri). Coordenação Casa Civil. Dilma "mãe do PAC".

Q8

Questão 08 · Comentada

Enunciado. Sobre a EC 41/2003 (Reforma da Previdência) e a quitação da dívida com o FMI:

  1. A) A EC 41/2003 foi aprovada no governo FHC e o Brasil quitou a dívida com o FMI em 2010.
  2. B) A Emenda Constitucional 41, de 19 de dezembro de 2003, foi a segunda grande reforma da Previdência (após a EC 20/1998), focada em servidores públicos: instituiu contribuição previdenciária dos inativos (aposentados e pensionistas), tetos remuneratórios, idade mínima e regras de transição (depois ajustada pela EC 47/2005); foi liderada por Antônio Palocci na Fazenda. O Brasil quitou antecipadamente sua dívida com o FMI (cerca de US$ 15,5 bilhões) em 13 de dezembro de 2005, sob o governo Lula 1, em marco simbólico de autonomia em relação ao Fundo.
  3. C) A EC 41/2003 não tratou de servidores.
  4. D) Quitação do FMI ocorreu em 1995 com o Plano Real.
  5. E) Não houve nenhuma reforma da Previdência em 2003.

Gabarito: B

Prof. Affonsinho comenta

Cobra EC 41/2003 e quitação FMI.

  • A errada: governo Lula 1 (Palocci), não FHC. Quitação em 2005.
  • B CORRETA EC 41/2003 + 13/12/2005: exato. Reforma de servidores + quitação FMI antecipada.
  • C errada: focou em servidores: contribuição inativos, idade mínima, etc.
  • D errada: 13/12/2005; em 1995 o Brasil ainda dependia do FMI.
  • E errada: EC 41/2003 (19/12/2003), segunda grande reforma da Previdência.

Tese central: EC 41/2003 (19/12/2003): reforma Previdência servidores (Palocci, contribuição inativos). Quitação dívida FMI: 13/12/2005 (US$ 15,5 bi).

Q9

Questão 09 · Comentada

Enunciado. Sobre o BNDES no período 2003-2010:

  1. A) Os desembolsos do BNDES caíram no período pela política de ajuste fiscal.
  2. B) Os desembolsos do BNDES cresceram fortemente no período 2003-2010, indo de R$ 35 bilhões em 2002 para R$ 65 bi em 2007, R$ 137 bi em 2009 (resposta anticíclica) e pico de R$ 170 bi em 2010; o financiamento se dava à TJLP (Taxa de Juros de Longo Prazo), abaixo da Selic, gerando subsídio implícito; o Tesouro emitiu títulos para capitalizar o BNDES (cerca de R$ 200 bi em 2009-2010); foi instrumento central do PAC e da política industrial; também atuou no programa de "campeãs nacionais" (financiando fusões e expansão de empresas como JBS, Friboi, Marfrig, Vale, Oi); em 2018, a Lei 13.483/2017 substituiu a TJLP pela TLP (Taxa de Longo Prazo), mais próxima de mercado, reduzindo o subsídio implícito.
  3. C) O BNDES emprestou à Selic durante todo o período.
  4. D) TLP foi criada em 2010.
  5. E) Os desembolsos foram constantes em R$ 35 bi/ano.

Gabarito: B

Prof. Affonsinho comenta

Cobra o BNDES.

  • A errada: cresceram fortemente: R$ 35 bi (2002) → R$ 170 bi (2010).
  • B CORRETA BNDES 2003-2010: exato. Crescimento, TJLP, capitalização Tesouro, campeãs nacionais, TLP em 2018.
  • C errada: TJLP (subsidiada), abaixo da Selic.
  • D errada: TLP em 2018 (Lei 13.483/2017), não 2010.
  • E errada: multiplicaram por 5x: R$ 35 bi (2002) → R$ 170 bi (2010).

Tese central: BNDES: desembolsos R$ 35 bi (2002) → R$ 170 bi (2010, pico). TJLP (subsídio). Capitalização Tesouro R$ 200 bi. Campeãs nacionais. TLP em 2018 (Lei 13.483/2017).

Q10

Questão 10 · Comentada

Enunciado. Sobre a doutrina sobre o período Lula:

  1. A) Há consenso doutrinário absoluto sobre o sucesso da política econômica Lula.
  2. B) A doutrina sobre o período 2003-2010 articula-se em quatro grandes visões: (i) tripé com expansão (Edmar Bacha, mainstream): destaca a continuidade do tripé herdado de FHC com expansão social complementar; (ii) novo desenvolvimentismo (Bresser-Pereira em "Globalização e Competição" 2009, Belluzzo em "Os Antecedentes da Tormenta" 2009, Maria da Conceição Tavares): apoiou a expansão social, mas criticou o câmbio sobrevalorizado e a doença holandesa; (iii) ortodoxa crítica (Bacha, Pastore, Lara Resende, Mendonça de Barros): alertou sobre estímulos excessivos pós-2008 e sustentabilidade fiscal; (iv) crítica heterodoxa (Marcio Pochmann em "A Década dos Mitos" 2002, Lena Lavinas, Marcelo Neri em "A Nova Classe Média" 2008): debateu a natureza da "nova classe média" e a financeirização social.
  3. C) Apenas Bresser-Pereira analisou o período.
  4. D) Toda a doutrina é favorável ao governo Lula.
  5. E) Toda a doutrina é contrária ao governo Lula.

Gabarito: B

Prof. Affonsinho comenta

Cobra a doutrina sobre o período Lula.

  • A errada: 4 visões distintas: ortodoxas, desenvolvimentistas, heterodoxas.
  • B CORRETA doutrina sobre Lula 2003-2010: exato. Quatro visões com seus autores e teses.
  • C errada: vários autores: Bacha, Bresser, Belluzzo, Conceição Tavares, Pochmann, Neri, Lavinas, Pastore, Lara Resende.
  • D errada: visões críticas relevantes: ortodoxa crítica + heterodoxa crítica.
  • E errada: visões favoráveis relevantes: tripé com expansão + novo desenvolvimentismo (parcial).

Tese central: Doutrina Lula 2003-2010: 4 visões - tripé com expansão (Bacha), novo desenvolvimentismo (Bresser, Belluzzo), ortodoxa crítica (Lara Resende), heterodoxa crítica (Pochmann, Lavinas).

Fim da aula 06

Você dominou o boom de commodities.
Lula, Palocci, Meirelles, Mantega.
Bolsa Família, PAC, pré-sal.
Crise 2008 e PIB +7,5% em 2010.

f
furafila

Aula 06 de 10 · Economia Brasileira
Próxima: Nova Matriz Econômica e Crise Fiscal (2011-2016).

Treine essa matéria no furafila

Acabou a aula? Fixe o conteúdo respondendo questões comentadas, com XP, ranking e batalhas. De graça.

começar grátis agora

Continue por aqui

← Todas as aulas