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furafila
$Economia Brasileira

Substituição de Importações
e Desenvolvimentismo
(1930-1980)

Da crise de 1929 à crise da dívida de 1982. Vargas, JK, PAEG, Milagre, II PND. Industrialização restringida e pesada. CEPAL, Furtado, Tavares, Cardoso de Mello. As 4 fases da ISI e o legado do desenvolvimentismo.

Aula01 / 10
DisciplinaEconomia Brasileira
AtualizadoAbr / 2026
Nesta aula

Sumário

Esta aula percorre meio século de transformação econômica: o Brasil deixou de ser uma economia agrária dependente do café e se tornou a oitava economia industrial do mundo. Não foi acaso, foi projeto. Aqui você entende como aconteceu, quem pensou, quem executou, e por que tudo desabou em 1982.

  1. Modelo agroexportador e a ruptura de 1929
    Café como locomotiva e o choque externo
    p. 04
  2. Vargas e a industrialização restringida (1930-1945)
    Estado Novo, CSN, CVRD, primeira fase ISI
    p. 08
  3. Período democrático (1945-1955) e bases da CEPAL
    Dutra, segundo Vargas, Petrobras, Prebisch, Furtado
    p. 12
  4. JK e Plano de Metas (1956-1961)
    Industrialização pesada, "50 anos em 5", tripé
    p. 16
  5. Crise dos anos 60 e PAEG (1962-1967)
    Plano Trienal, golpe, reformas Campos-Bulhões
    p. 20
  6. Milagre Econômico (1968-1973)
    Delfim, crescimento de 11% e concentração de renda
    p. 24
  7. II PND e fim do modelo (1974-1980)
    Geisel, marcha forçada, dívida externa, 1982
    p. 28
  8. Doutrina e legado conceitual
    Furtado, Tavares, Cardoso de Mello, Cano, Castro, Bresser
    p. 32
  9. Mapa mental, revisão e questões comentadas
    10 questões fechando a aula
    p. 36
Meta desta aula
Compreender por que o Brasil industrializou, em que ritmo, com quais instrumentos e por que o modelo se esgotou. Dominar as 4 fases da ISI, distinguir industrialização restringida de pesada, conhecer doutrina canônica e jurisprudência conceitual.
Antes de começar

O que você vai aprender

01
Modelo agroexportador

O café como locomotiva, Convênio de Taubaté (1906), política de valorização e a ruptura de 1929.

02
Industrialização restringida

Vargas, queima de estoques, primeira fase ISI (não duráveis), CSN (1941) e CVRD (1942).

03
CEPAL

Prebisch e a tese da deterioração dos termos de intercâmbio. Centro × periferia. ISEB e Furtado.

04
Plano de Metas

JK, "50 anos em 5", 30 metas + Brasília, indústria pesada, tripé estatal-multinacional-nacional.

05
PAEG

Reformas Campos-Bulhões (1964-1967): BACEN, CTN, ORTN, FGTS, BNH, mercado de capitais, SFN.

06
Milagre Econômico

Delfim, 11% a.a., concentração de renda, "deixar o bolo crescer", maxi-mini desvalorização.

07
II PND

Geisel, marcha forçada (Castro), bens de capital + insumos básicos, endividamento externo.

08
Doutrina canônica

4 fases da ISI (Tavares); industrialização restringida × pesada (Cardoso de Mello); marcha forçada (Castro).

Dica do Fuffu

Banca adora datas e siglas. Decora os marcos: 1929 (crise), 1930 (Vargas), 1941 (CSN), 1942 (CVRD), 1953 (Petrobras), 1956-1961 (JK), 1964 (PAEG e BACEN), 1968-1973 (Milagre), 1974-1979 (II PND), 1982 (crise da dívida). E memoriza as 4 fases da ISI da Conceição Tavares: não duráveis, duráveis, intermediários, bens de capital.

Prof. Affonsinho explica, Módulo 01

1 Modelo agroexportador e ruptura de 1929

O Brasil de 1900 a 1929

O Brasil entrou no século XX como economia primário-exportadora. Em 1900, o café respondia por mais de 50% das receitas de exportação; em 1929, ainda representava cerca de 70%. A indústria existia, mas era marginal: cerca de 20% do PIB em 1929, concentrada em São Paulo, no Distrito Federal e no Rio Grande do Sul, dominada por bens de consumo não duráveis (têxteis, alimentos, calçados).

Esse modelo tinha lógica clara:

  • Vantagens comparativas: o Brasil produzia café com baixo custo unitário e exportava para um mundo industrializado.
  • Importação de manufaturados: tudo o que o Brasil consumia em bens duráveis, máquinas, equipamentos vinha de fora, pago com a moeda forte das exportações.
  • Câmbio fixo (padrão-ouro até 1914 e após 1922): garantia previsibilidade ao comércio.
  • Capital estrangeiro: para ferrovias, energia, portos.

Convênio de Taubaté (1906)

Em fevereiro de 1906, os governadores de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro firmaram o Convênio de Taubaté: o Estado comprava o excedente de café para sustentar o preço internacional. Foi o primeiro grande episódio de política de defesa do café:

  • Estoque público de café.
  • Empréstimos externos para financiar a compra.
  • Câmbio sustentado para favorecer o exportador.
  • Imposto sobre exportação para custear o programa.

O modelo foi repetido em 1917 (1ª Guerra), em 1921, e estruturalmente até 1929.

Política do "Café com Leite"

A República Velha (1889-1930) era dominada pela aliança entre São Paulo (cafeicultor) e Minas Gerais (laticínios e política), alternando a presidência. A economia subordinava-se à elite cafeeira. Vencedor do café era vencedor da política.

A crise de 1929

Em 24 de outubro de 1929 ("Quinta-Feira Negra"), a Bolsa de Nova York desabou. O efeito sobre o Brasil foi devastador:

  • Queda do preço do café: caiu cerca de 60% entre 1929 e 1931.
  • Estoques gigantescos: o Brasil tinha estoques superiores à demanda mundial.
  • Crise cambial: a queda das exportações desorganizou o balanço de pagamentos.
  • Insolvência: produtores endividados, bancos quebrando.
  • Crise política: a República Velha não resistiu. Revolução de 1930.

Resposta de Vargas: queima de estoques

Em 1931, o governo Vargas adotou medida heterodoxa: a queima dos estoques de café. Entre 1931 e 1944, foram destruídas cerca de 78 milhões de sacas (equivalente a três anos de produção mundial). O objetivo era duplo:

  • Sustentar o preço do café no mercado externo.
  • Evitar que o estoque virasse pressão deflacionária no mercado interno.

O custo era socializado via emissão monetária e impostos. Mas teve efeito colateral fundamental: manteve a renda interna, permitindo que a indústria nacional encontrasse demanda.

Industrialização "involuntária" (1930-1933)

A escassez de divisas externas tornou as importações caras. Quem queria consumir manufaturado teve de comprar internamente. A indústria nacional, antes marginal, encontrou demanda represada e protegida pelo câmbio. Esse fenômeno é chamado de industrialização involuntária ou industrialização por proteção cambial.

Foi o início do Modelo de Substituição de Importações (ISI), que dominaria a economia brasileira por meio século.

Conceito teórico - ISI

A Industrialização por Substituição de Importações (ISI) é o processo pelo qual um país substitui produtos antes importados por produção doméstica equivalente. Quatro fases típicas (formuladas por Maria da Conceição Tavares):

  1. Bens de consumo não duráveis (têxteis, alimentos, calçados): mais simples, demanda popular ampla.
  2. Bens de consumo duráveis (eletrodomésticos, automóveis): exigem escala maior e capital intensivo.
  3. Bens intermediários (aço, química, papel): insumos para outras indústrias.
  4. Bens de capital (máquinas, equipamentos): mais sofisticados, base da reprodução autônoma.

A primeira fase foi rápida e relativamente fácil; as fases seguintes foram cada vez mais difíceis, exigindo capital, tecnologia e mercado interno robustos.

Bate-papo com o Seu Teoffilo

Quando você ouvir alguém dizer que "Vargas industrializou o Brasil", lembre que a história é mais nuançada. A industrialização começou antes de Vargas (entreguerras, com bens de consumo simples) e Vargas a acelerou, mas não a criou. Celso Furtado, em "Formação Econômica do Brasil" (1959), mostrou que a queima de estoques e a manutenção da renda interna foram cruciais. Foi quase um keynesianismo avant la lettre, antes do Keynes ser canonizado.

Prof. Affonsinho explica, Módulo 02

2 Vargas e a industrialização restringida (1930-1945)

Revolução de 1930

Em outubro de 1930, Getúlio Vargas, derrotado nas urnas, liderou a revolução que pôs fim à República Velha. Estado e economia mudaram:

  • Centralização política: enfraquecimento das oligarquias estaduais.
  • Estado interventor: regulação econômica, criação de órgãos setoriais.
  • Café perde primazia política, embora econômica permaneça por mais de uma década.

Industrialização restringida (Cardoso de Mello)

João Manuel Cardoso de Mello, em "O Capitalismo Tardio" (1982), conceitua o período 1930-1955 como industrialização restringida: a indústria avançou nos bens de consumo, mas faltavam:

  • Setor de bens de capital próprio (dependência de importação de máquinas).
  • Setor de insumos básicos (aço, química).
  • Capital financeiro de longo prazo.
  • Capacidade tecnológica autônoma.

"Restringida" significa: o crescimento industrial dependia de divisas externas (do café e do empréstimo) e ficava limitado pelo gargalo de bens de capital.

Estado Novo (1937-1945)

Em novembro de 1937, Vargas instaura ditadura. O Estado Novo:

  • Constituição de 1937 ("Polaca").
  • Suspensão de direitos políticos.
  • Centralização absoluta do poder econômico.
  • Estado como protagonista do desenvolvimento.

CSN - Companhia Siderúrgica Nacional (1941)

Em 1940, em meio às pressões da Segunda Guerra, Vargas barganhou com os EUA: apoio brasileiro à guerra em troca de financiamento para construir uma siderúrgica. Em 9 de abril de 1941, foi assinado o decreto criando a CSN, com sede em Volta Redonda (RJ). A produção começou em 1946. A CSN simbolizou:

  • Capacidade nacional de produzir aço (insumo básico estratégico).
  • Modelo da empresa estatal de grande porte.
  • Projeto de soberania industrial.

CVRD - Companhia Vale do Rio Doce (1942)

Criada em 1º de junho de 1942, a CVRD nasceu para explorar minério de ferro em Minas Gerais e exportar para os Aliados. Foi peça central da estratégia industrializante. Privatizada em 1997, hoje é a Vale.

Outras criações estratégicas do período

  • Conselho Federal de Comércio Exterior (1934).
  • IBGE (1936-1938) - estatísticas oficiais.
  • CLT - Consolidação das Leis do Trabalho (Decreto-Lei 5.452, de 1º de maio de 1943).
  • FNM - Fábrica Nacional de Motores (1942).
  • Companhia Nacional de Álcalis (1943).
  • CHESF - Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (1945).

Política cambial e de comércio exterior

Vargas usou intensivamente:

  • Câmbio múltiplo: diferentes taxas por categoria de produto.
  • Controle de importação: licenças, tarifas seletivas.
  • Acordos bilaterais: trocas administradas com EUA, Alemanha (até 1942).
  • Carteira de Câmbio do Banco do Brasil: gerenciava as divisas escassas.

Resultado do período Vargas (1930-1945)

  • Indústria passou de 20% para cerca de 25% do PIB.
  • Bens de consumo não duráveis: praticamente substituídos.
  • Iniciou-se a transição para bens duráveis e intermediários.
  • Estado consolidou-se como ator econômico central.
  • Mercado de trabalho urbano: organizado pela CLT.

O choque da Segunda Guerra (escassez de importação) acelerou a industrialização interna, aprofundando a tendência iniciada em 1929.

Pegadinha da Dotôra Soffya

Pegadinha clássica: quando começou a industrialização brasileira? Resposta correta: a industrialização começou antes de 1930, com bens de consumo simples no entreguerras (1900-1929). O que Vargas e a crise de 1929 fizeram foi acelerar e aprofundar o processo, não inaugurá-lo. Confundir início com aceleração custa ponto. Marque também: CSN é de 1941 (decreto), com produção em 1946.

Prof. Affonsinho explica, Módulo 03

3 Período democrático e bases da CEPAL

Eurico Gaspar Dutra (1946-1951)

Eleito em dezembro de 1945, Dutra herdou um país com reservas internacionais altas (acumuladas durante a guerra) e adotou política de liberalização:

  • Plano SALTE (Saúde, Alimentação, Transporte, Energia): tentativa frustrada de planejamento setorial.
  • Liberalização das importações (1946-1947): consumiu reservas em poucos meses.
  • Crise cambial de 1947: queda de reservas obrigou a reintrodução de controles.
  • Lei do Similar Nacional (Decreto-Lei 7.903/1945): proteção tarifária à indústria nacional.

O choque das reservas mostrou que o modelo agroexportador estava esgotado: o Brasil precisava industrializar para não depender de divisas escassas.

Vargas constitucional (1951-1954)

Em janeiro de 1951, Vargas voltou ao poder, agora eleito democraticamente. Adotou nacionalismo econômico:

  • BNDE - Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico (Lei 1.628, de 20 de junho de 1952): hoje BNDES.
  • Comissão Mista Brasil-EUA (1951-1953): inventário de gargalos.
  • Petrobras (Lei 2.004, de 3 de outubro de 1953): monopólio estatal do petróleo. Lema: "O petróleo é nosso".
  • Eletrobras (proposta em 1954, criada em 1962).

Plano de Estabilização e crise política

Em 1953-1954, a inflação acelerou e a Plano de Estabilização (austeridade fiscal e monetária) tentou conter. A pressão política contra Vargas (oposição UDN, crise do Atentado da Rua Tonelero em agosto de 1954) levou ao seu suicídio em 24 de agosto de 1954.

Café Filho (1954-1955) e Carlos Luz (1955)

Período de transição. Café Filho conduziu o Brasil até 1955 com dificuldades. Em novembro de 1955, golpe preventivo derrubou Carlos Luz, que tentara impedir a posse de JK.

CEPAL - Comissão Econômica para América Latina (1948)

Criada pela ONU em fevereiro de 1948, com sede em Santiago. Foi o principal centro intelectual do desenvolvimentismo latino-americano. Personagens centrais:

  • Raúl Prebisch (argentino, secretário executivo de 1950 a 1963).
  • Celso Furtado (brasileiro, integrou a CEPAL em 1949-1957).
  • Aníbal Pinto, Osvaldo Sunkel, Maria da Conceição Tavares (anos depois).

Tese da deterioração dos termos de intercâmbio

A tese central da CEPAL, formulada por Prebisch em 1949 ("O Desenvolvimento Econômico da América Latina e Seus Principais Problemas") e refinada por Hans Singer, ficou conhecida como tese Prebisch-Singer:

  • Centro (países industrializados): exportam manufaturados de demanda inelástica e tecnologia incorporada.
  • Periferia (países primário-exportadores): exportam commodities de demanda elástica e baixa tecnologia.
  • Termos de intercâmbio: a relação entre preço de exportação e preço de importação tende a se deteriorar contra a periferia ao longo do tempo.
  • Conclusão: a especialização em commodities condena a periferia ao subdesenvolvimento; a industrialização é necessária para romper o círculo.

A tese fundamentou economicamente a estratégia de Substituição de Importações.

Celso Furtado e o ISEB

Em 1955 foi criado o ISEB (Instituto Superior de Estudos Brasileiros), vinculado ao MEC, com Hélio Jaguaribe, Cândido Mendes, Roland Corbisier e Celso Furtado. Foi o caldo intelectual do nacional-desenvolvimentismo brasileiro.

Celso Furtado publicou em 1959 "Formação Econômica do Brasil", obra-síntese da economia colonial à industrialização. É leitura obrigatória em concursos de economia. A tese central:

  • O subdesenvolvimento brasileiro tem causas históricas e estruturais.
  • A industrialização foi resposta a choques externos, não escolha planejada.
  • Romper a dependência exige projeto nacional, com Estado ativo.

SUMOC - Superintendência da Moeda e do Crédito (1945)

Criada em fevereiro de 1945 (Decreto-Lei 7.293), foi precursora do Banco Central. Funções:

  • Gestão da política monetária.
  • Regulação cambial.
  • Supervisão bancária.

Existiu até 1964, quando foi substituída pelo BACEN.

Instrução 113 da SUMOC (1955)

Editada em janeiro de 1955, a Instrução 113 permitia que empresas estrangeiras importassem máquinas e equipamentos sem cobertura cambial (sem precisar de divisas). Em troca, recebiam ações da subsidiária brasileira. Foi o instrumento que viabilizou a entrada massiva de capital estrangeiro produtivo no Brasil, base do "tripé" de JK.

Bate-papo com o Seu Teoffilo

A CEPAL não é apenas conteúdo histórico, é também ferramenta analítica viva. Mesmo hoje, em 2026, economistas heterodoxos invocam Prebisch-Singer para explicar dependência tecnológica. Em prova, decora: tese é deterioração dos termos de intercâmbio, autores são Prebisch e Singer, conclusão é industrialização como saída do subdesenvolvimento. Celso Furtado: integrou a CEPAL, escreveu "Formação Econômica do Brasil" em 1959, depois ministro do Planejamento de Goulart e ministro extraordinário do Nordeste. É figura central.

Prof. Affonsinho explica, Módulo 04

4 JK e Plano de Metas (1956-1961)

Juscelino Kubitschek - eleição e posse

Eleito em outubro de 1955 com a chapa JK-João Goulart. Tomou posse em 31 de janeiro de 1956 sob crise política (golpe preventivo de novembro 1955 garantiu a posse). Lema da campanha: "50 anos em 5" e "Energia e Transporte".

Programa de Metas - estrutura

O Programa de Metas tinha 30 metas distribuídas em 5 setores, mais 1 meta-síntese (Brasília). Inspirado no Plano Marshall e em planos de desenvolvimento europeus.

Os 5 setores do plano:

  1. Energia: hidroelétricas, refino de petróleo, carvão, energia nuclear (12 metas).
  2. Transporte: ferrovias, rodovias (Belém-Brasília, Brasília-Acre), portos, aviação civil (5 metas).
  3. Indústria de base: aço, cimento, álcalis, papel, celulose, mecânica, química pesada, materiais elétricos (7 metas).
  4. Alimentação: armazenamento, frigoríficos, mecanização agrícola, fertilizantes (5 metas).
  5. Educação: formação técnica de pessoal especializado (1 meta).

Meta-síntese: a construção de Brasília, inaugurada em 21 de abril de 1960. Objetivo: integração territorial e símbolo do desenvolvimento.

Conselho de Desenvolvimento

Para coordenar o plano, foi criado o Conselho de Desenvolvimento (1956), presidido pelo próprio JK. Estrutura:

  • Grupos Executivos setoriais (GE-Automobilístico, GE-Naval, GE-Pesado, etc.).
  • BNDE como agência de financiamento.
  • Comissão de Marinha Mercante, etc.

Foi a primeira experiência brasileira de planejamento setorial executivo.

Indústria automobilística - GEIA

O GEIA - Grupo Executivo da Indústria Automobilística (1956) foi o caso de sucesso emblemático:

  • Volkswagen (Anchieta-SP, 1957).
  • Mercedes-Benz (São Bernardo, 1956).
  • Ford (1957).
  • General Motors (1959).
  • Vemag, FNM, Willys.

Em 1960, o Brasil produzia 130 mil veículos por ano. Em 1961, alcançou-se a nacionalização de 90% dos componentes automotivos.

Industrialização pesada (Cardoso de Mello)

O período 1955-1961 marca o início da industrialização pesada: o sistema produtivo deixa de ser dominado por bens de consumo simples e passa a incluir bens de capital, bens duráveis e insumos básicos em escala. Características:

  • Capital intensivo: alta densidade de capital por trabalhador.
  • Escala mínima eficiente: exige mercado interno robusto.
  • Tecnologia importada: licenciamentos, transferência via subsidiária.
  • Concentração geográfica: Sudeste, especialmente São Paulo.

Tripé estatal-multinacional-nacional

JK consolidou o "tripé" como modelo de financiamento e propriedade industrial:

  • Estado: setores estratégicos (energia, siderurgia, infraestrutura, química básica).
  • Multinacionais: bens duráveis (automóveis, eletrodomésticos), tecnologia.
  • Capital nacional: bens de consumo, complementação local, comércio.

O tripé inspirou-se na Instrução 113 da SUMOC (1955) que facilitou IDE.

Resultados macroeconômicos do governo JK (1956-1961)

  • PIB cresceu 7,1% ao ano em média (acumulado de 41% no quinquênio).
  • Indústria cresceu 11% a.a., com bens duráveis crescendo 22% a.a.
  • Inflação acelerou: de 7% em 1956 para 33% em 1961.
  • Déficit fiscal: cresceu como proporção do PIB.
  • Endividamento externo: dobrou.

O preço do desenvolvimento

JK rompeu com o FMI em 1959 ao recusar suas exigências de austeridade ("estabilização monetária"). A ruptura selou a marca do desenvolvimentismo: crescimento é prioridade, inflação é subproduto aceitável. A herança macroeconômica para o sucessor (Jânio Quadros, 1961) foi pesada: inflação alta, déficit, dívida externa.

Alerta do Examinador

Memorize: 30 metas + 1 (Brasília) = 31 metas no Plano de Metas. Setores: energia, transporte, indústria de base, alimentação, educação. PIB cresceu 7,1% ao ano. Tripé: estatal + multinacional + nacional. Marco regulatório: Instrução 113 SUMOC (1955). Decora os números, banca cobra.

Prof. Affonsinho explica, Módulo 05

5 Crise dos anos 60 e PAEG (1962-1967)

Jânio Quadros (jan-ago 1961)

Eleito pela UDN, prometia "varrer a corrupção" (símbolo: a vassoura). Adotou pacote de austeridade. Renunciou em 25 de agosto de 1961 após 7 meses de governo. Crise política: como vice-presidente, João Goulart estava na China em missão oficial. Os ministros militares vetaram seu retorno; o Congresso negociou solução.

Goulart - parlamentarismo e Plano Trienal (1961-1963)

Goulart assumiu em setembro de 1961 sob parlamentarismo (compromisso). Em janeiro de 1963, plebiscito devolveu o presidencialismo.

Em dezembro de 1962, foi anunciado o Plano Trienal de Desenvolvimento Econômico e Social, elaborado por Celso Furtado (então ministro extraordinário do Planejamento). Características:

  • Combate à inflação (era de 50% a.a.).
  • Controle de salários.
  • Continuidade da industrialização.
  • Ajuste fiscal.

O plano fracassou em poucos meses por falta de apoio político. A esquerda não aceitou o controle salarial; a direita, o aumento de tributos.

Reformas de Base

Goulart propôs em 1963-1964 as Reformas de Base: reforma agrária, reforma urbana, reforma bancária, reforma educacional, reforma tributária, reforma administrativa. Polarizou a sociedade. Comício da Central do Brasil em 13 de março de 1964: assinatura de decretos antecipando reforma agrária e nacionalizando refinarias privadas.

Golpe Militar (1964)

Em 31 de março / 1º de abril de 1964, o Exército derrubou Goulart. Marechal Castello Branco assumiu em 15 de abril. O ciclo militar duraria 21 anos (até 15 de março de 1985). Inicialmente sustentado pela aliança UDN-Militares com base anticomunista.

PAEG - Plano de Ação Econômica do Governo (1964-1967)

Coordenado por Roberto Campos (Ministro do Planejamento) e Otávio Gouvêa de Bulhões (Ministro da Fazenda), o PAEG foi a primeira grande tentativa de estabilização com reformas estruturais. Características:

  • Combate à inflação: meta gradualista (de 91% em 1964 para 25% em 1967).
  • Reforma fiscal: aumento de impostos, redução de gastos.
  • Reforma tributária: novos impostos, federalização da arrecadação.
  • Reforma monetária e financeira: novo sistema bancário e mercado de capitais.
  • Reforma trabalhista: criação do FGTS, fim da estabilidade decenal.
  • Reforma habitacional: SFH, BNH.

Reforma tributária (1965-1967)

Princípios:

  • EC 18/1965: nova divisão tributária entre União, estados e municípios.
  • CTN - Código Tributário Nacional (Lei 5.172, de 25 de outubro de 1966): consolidação.
  • Substituição do IVC (estadual cumulativo) pelo ICM (não cumulativo) - precursor do ICMS.
  • Criação do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) - federal.
  • Extinção de impostos cumulativos.

Reforma monetária e bancária

  • Lei 4.595, de 31 de dezembro de 1964: criou o Sistema Financeiro Nacional (SFN), o BACEN (substituindo SUMOC), o CMN (Conselho Monetário Nacional).
  • Lei 4.728, de 14 de julho de 1965: disciplinou o mercado de capitais.
  • Correção monetária: criação das ORTN (Obrigações Reajustáveis do Tesouro Nacional, Lei 4.357 de 1964) - permitiu indexação da economia, instrumento revolucionário.

Reforma trabalhista e habitacional

  • Lei 5.107, de 13 de setembro de 1966: criou o FGTS - Fundo de Garantia do Tempo de Serviço. Substituiu a estabilidade decenal por depósito mensal de 8% sobre o salário.
  • Lei 4.380, de 21 de agosto de 1964: criou o SFH - Sistema Financeiro de Habitação e o BNH - Banco Nacional de Habitação.

Resultados do PAEG

  • Inflação caiu de 91,8% em 1964 para 25% em 1967.
  • PIB cresceu modestamente nos primeiros anos (3,4% em média entre 1964-1967).
  • Salário real caiu (perda de 22% no quadriênio).
  • Reformas estruturais lançaram bases para o Milagre.

O PAEG é considerado um marco metodológico: combinou estabilização gradualista com reformas estruturais profundas, deixando para o sucessor uma economia organizada para crescer.

Pegadinha da Dotôra Soffya

Pegadinha clássica em concurso: confusão entre BACEN e SUMOC. Resposta correta: SUMOC existiu de 1945 a 1964; BACEN foi criado pela Lei 4.595 de 31/12/1964, junto com o SFN e o CMN. FGTS: Lei 5.107/1966. CTN: Lei 5.172/1966. SFH/BNH: Lei 4.380/1964. Decora os números das leis.

Prof. Affonsinho explica, Módulo 06

6 Milagre Econômico (1968-1973)

Contexto - Costa e Silva e Médici

Após Castello Branco (1964-1967), assumiu Costa e Silva (1967-1969) e depois Médici (1969-1974). O período do "Milagre Brasileiro" coincide com a fase mais autoritária do regime militar (AI-5, dezembro de 1968) e com o ápice do crescimento econômico.

Antônio Delfim Netto

Delfim Netto foi Ministro da Fazenda de março de 1967 a março de 1974. Doutor em economia pela USP, era a face técnica do governo Costa e Silva e Médici. Sua estratégia:

  • Aproveitar a capacidade ociosa instalada pelo PAEG.
  • Estimular demanda agregada.
  • Política monetária expansionista.
  • Controle de preços via CIP (Conselho Interministerial de Preços).
  • Subsídios setoriais.

Crescimento - números do Milagre

Entre 1968 e 1973, o Brasil viveu crescimento sem precedentes:

  • PIB: crescimento médio de 11,1% ao ano.
  • Indústria: 13,3% a.a.
  • Agricultura: 4,5% a.a.
  • Inflação: caiu de 25% em 1967 para 15-20% no período (abaixo da média latino-americana).
  • Bens duráveis: cresceram quase 24% a.a.

Tripé estatal-multinacional-nacional consolidado

O período consolidou o tripé:

  • Empresas estatais: Petrobras, Vale, Eletrobras, CSN, Embratel (1965), Telebras (1972).
  • Multinacionais: domínio nos bens duráveis (automotivo, eletrônicos).
  • Capital nacional: bens não duráveis, comércio, construção, alimentos.

Crowding-in

O investimento estatal puxou o investimento privado (efeito crowding-in): o Estado abria infraestrutura, fornecia insumos básicos, e o privado entrava com produção final. O modelo funcionou enquanto havia demanda externa robusta e crédito barato.

Política monetária e cambial

  • Maxi-mini desvalorizações cambiais (a partir de 1968): pequenas e frequentes desvalorizações do cruzeiro. Buscavam neutralizar a inflação interna sem causar choques cambiais. Permitiam ao exportador planejamento.
  • Câmbio quase fixo, com correção periódica: previsibilidade.
  • Reservas crescentes: o IDE e o crédito externo abundante mantiveram superávits no balanço de pagamentos.

Mercado de capitais

  • Lei do Mercado de Capitais (Lei 4.728/1965).
  • Lei das S.A. (Lei 6.404, de 15 de dezembro de 1976) - já no final do milagre.
  • CVM (Lei 6.385, de 7 de dezembro de 1976).
  • Bolsa de São Paulo (BOVESPA): boom de captação em 1971, depois colapso (especulação descontrolada).

Concentração de renda

O milagre teve um custo distributivo conhecido. O Coeficiente de Gini da renda brasileira:

  • 1960: 0,500.
  • 1970: 0,565.
  • 1976: 0,623 (entre os maiores do mundo).

Os 10% mais ricos passaram a captar mais de 50% da renda nacional. Edmar Bacha, em "O Economista e o Rei da Belíndia" (1974), descreveu o Brasil como uma Bélgica (rica) sobrevivendo num Índia (pobre): a "Belíndia". A imagem virou clássico.

"Deixar o bolo crescer pra depois dividir"

A frase é atribuída a Delfim Netto em 1972 (com debate sobre paternidade). Sintetiza a tese governista: primeiro o crescimento gera bolo grande, depois a distribuição vem naturalmente. Críticos respondiam: o bolo cresceu, mas a distribuição piorou.

Endividamento externo

O Milagre dependeu crucialmente de endividamento externo:

  • Petróleo importado (caro depois de 1973).
  • Bens de capital importados.
  • Empréstimos a juros baixos no euromercado.
  • Reservas crescentes mascaravam o endividamento.

Em 1973, a dívida externa brasileira era de cerca de US$ 12 bi; em 1980, alcançaria US$ 64 bi.

Fim do Milagre - choque do petróleo (1973)

Em outubro de 1973, a OPEP quadruplicou o preço do petróleo após a Guerra do Yom Kippur. O Brasil importava cerca de 80% do petróleo consumido. A conta pesou:

  • Déficit comercial cresceu.
  • Inflação acelerou (em 1974, 35%).
  • Necessidade de mais empréstimos externos.
  • Modelo entrou em crise.

Bate-papo com o Seu Teoffilo

O Milagre foi real e custoso. Real: 11% a.a. de crescimento por 6 anos é fato; transformou o Brasil em potência industrial regional. Custoso: concentrou renda (Gini de 0,500 a 0,623), reprimiu salários, dependeu de capital externo barato. A lição que economistas tiraram: crescimento sem distribuição cria sociedade frágil. Edmar Bacha ("Belíndia") e Hélio Jaguaribe debateram intensamente. Em concurso, conheça os números: 11% PIB, 13% indústria, Gini 0,623 em 1976.

Prof. Affonsinho explica, Módulo 07

7 II PND e fim do modelo (1974-1980)

Geisel e o II PND

Ernesto Geisel assumiu em 15 de março de 1974, com o choque do petróleo já em curso. Mário Henrique Simonsen foi Ministro da Fazenda; João Paulo dos Reis Velloso, Ministro do Planejamento.

Em setembro de 1974, foi lançado o II PND - II Plano Nacional de Desenvolvimento (Lei 6.151/1974). Era audacioso: completar a substituição de importações nas fases finais (bens de capital + insumos básicos), apesar do choque externo, com endividamento externo crescente.

Estratégia do II PND

O II PND escolheu não fazer ajuste recessivo (como fizeram outros países latino-americanos), mas seguir crescendo via investimento pesado:

  • Bens de capital: máquinas, equipamentos pesados.
  • Insumos básicos: aço, química, papel, celulose, fertilizantes, alumínio.
  • Energia: hidrelétricas (Itaipu, Tucuruí), nuclear, álcool.
  • Transporte: ferrovias, portos, ampliação rodoviária.
  • Telecomunicações: Telebras consolidada.

"Marcha forçada" - Antônio Barros de Castro

O economista Antônio Barros de Castro, em "A Economia Brasileira em Marcha Forçada" (1985, com Francisco Eduardo Pires de Souza), conceituou o II PND. A tese:

  • O II PND completou a industrialização brasileira em condições adversas.
  • Apesar dos custos imediatos (dívida, inflação), a estrutura produtiva ficou madura.
  • Foi "marcha forçada": investimento em escala não compatível com cenário externo, mas necessário para fechar o ciclo.
  • Sem o II PND, o Brasil teria ficado pra trás na transição produtiva.

Castro diverge dos críticos do II PND (que viam apenas insanidade fiscal). Para ele, o legado em capacidade produtiva foi enorme - colhido nos anos 80 quando o Brasil exportou commodities industriais para enfrentar a dívida.

Megaprojetos

O II PND financiou megaprojetos:

  • Itaipu Binacional (1973 acordo, obras 1975-1991): hidrelétrica de 14 GW na fronteira com Paraguai.
  • Tucuruí (1976-1984): 8,3 GW no Pará.
  • Programa Nuclear (acordo Brasil-Alemanha, 1975): Angra II e III (paralisadas depois).
  • Pró-Álcool (Decreto 76.593, de 14 de novembro de 1975): substituição de gasolina por etanol de cana. Marco mundial.
  • Polos petroquímicos: Camaçari (BA), Triunfo (RS).
  • Aço: Tubarão (ES), Açominas (MG).
  • Papel/celulose: Aracruz (ES), Cenibra (MG).

Petrobras - exploração offshore

Em 1974, foi descoberta a Bacia de Campos (RJ). Os investimentos em exploração offshore foram crescentes. A produção, que em 1973 era irrelevante, em 1985 atingia 500 mil barris/dia. Reduziu a dependência externa do petróleo.

Resultados macroeconômicos do II PND

  • PIB: cresceu 7,2% a.a. em média (1974-1979) - menos que o Milagre, mas notável dado o contexto.
  • Inflação: acelerou de 35% em 1974 para 77% em 1979 (após segundo choque do petróleo).
  • Dívida externa: passou de US$ 12 bi (1973) para US$ 64 bi (1980).
  • Substituição completa de importações em insumos básicos: aço, fertilizantes, celulose.
  • Emergência de novas exportações industriais: as bases para os anos 80.

Segundo choque do petróleo (1979)

Em 1979, com a Revolução Iraniana, o preço do petróleo dobrou novamente. O Brasil, ainda fortemente dependente, sofreu novo abalo.

Choque Volcker (1979-1982)

Em outubro de 1979, Paul Volcker assumiu o Federal Reserve dos EUA e elevou agressivamente os juros para conter inflação. A Fed Funds Rate passou de 11% (1979) para 20% (1981). Para o Brasil:

  • Custo da dívida externa explodiu (juros eram flutuantes em grande parte).
  • Dólar valorizou, encarecendo a dívida em moeda nacional.
  • Recessão global cortou demanda por exportações.

Figueiredo (1979-1985) - tentativas de ajuste

João Figueiredo, último presidente militar, herdou economia em crise. Mário Henrique Simonsen (Planejamento) tentou ajuste; foi substituído por Delfim Netto em agosto de 1979. Delfim adotou política heterodoxa (maxi-desvalorização de 1979, prefixação de correção monetária em 1980), mas a deterioração foi inevitável.

Moratória do México (agosto de 1982) - fim do modelo

Em 20 de agosto de 1982, o México declarou impossibilidade de pagar a dívida externa. Os bancos internacionais cortaram crédito a toda a América Latina. O Brasil, dependente desse crédito, mergulhou em crise:

  • Reservas internacionais despencaram.
  • Brasil recorreu ao FMI em fevereiro de 1983.
  • Acordo com FMI: ajuste recessivo profundo.
  • "Década perdida" iniciou-se.

O modelo desenvolvimentista, que sustentou meio século de industrialização, esgotou-se. A próxima aula percorre os anos 80 e as tentativas de estabilização.

Estratégia ninja do Raffinha

Pra prova: decora o trio do II PND - Geisel (presidente), Reis Velloso (Planejamento), Simonsen (Fazenda). Conceito-chave: "marcha forçada" de Antônio Barros de Castro. Setores prioritários: bens de capital + insumos básicos + energia. Marcos: Itaipu, Tucuruí, Pró-Álcool (1975), Bacia de Campos (1974). Crise final: Volcker (1979) + México (1982). Memorize esse encadeamento.

Prof. Affonsinho explica, Módulo 08

8 Doutrina e legado conceitual

Celso Furtado (1920-2004)

Economista paraibano, integrou a CEPAL, foi diretor da SUDENE, ministro do Planejamento de Goulart, ministro extraordinário do Nordeste de Sarney. Obras-chave:

  • "Formação Econômica do Brasil" (1959): história econômica desde o pacto colonial.
  • "Subdesenvolvimento e Estagnação na América Latina" (1966): tese da estagnação estrutural.
  • "O Mito do Desenvolvimento Econômico" (1974): crítica ambiental e cultural.

Tese central: o subdesenvolvimento não é etapa, é estrutura. Romper exige projeto nacional com Estado ativo.

Maria da Conceição Tavares (1930-2024)

Economista portuguesa-brasileira, professora da UFRJ. Obras:

  • "Da Substituição de Importações ao Capitalismo Financeiro" (1972): formulou as 4 fases da ISI.
  • "Acumulação de Capital e Industrialização no Brasil" (1978).

Tese: a ISI tem fases sucessivas; cada fase exige condições distintas (mercado, capital, tecnologia, escala). A última fase (bens de capital) é a mais difícil, exige Estado robusto.

João Manuel Cardoso de Mello

Economista paulista, professor da Unicamp. Obra:

  • "O Capitalismo Tardio" (1982): conceitua industrialização restringida (1930-1955) e industrialização pesada (1956-1980).

Tese: o Brasil teve duas grandes fases de industrialização. A primeira foi limitada por gargalos estruturais (falta de bens de capital próprios); a segunda completou o ciclo, ainda que com endividamento.

Antônio Barros de Castro (1938-2011)

Economista carioca, professor da UFRJ e Unicamp. Obra:

  • "A Economia Brasileira em Marcha Forçada" (1985, com Francisco Eduardo Pires de Souza).

Tese: o II PND, frequentemente criticado como insano, foi marcha forçada que completou a estrutura produtiva. O legado em capacidade industrial foi enorme, colhido nos anos 80 (exportações industriais).

Wilson Cano (1937-2020)

Economista paulista, professor da Unicamp. Obras:

  • "Raízes da Concentração Industrial em São Paulo" (1977).
  • "Desequilíbrios Regionais e Concentração Industrial no Brasil" (1985).

Tese: a concentração industrial em São Paulo é resultado histórico. Estudo da dinâmica regional brasileira.

Luiz Carlos Bresser-Pereira

Economista paulista, ministro da Fazenda (1987), Administração Federal (1995-1998), Ciência e Tecnologia (1999). Obras numerosas. Conceitos:

  • Nacional-desenvolvimentismo: três fases na história brasileira (1930-1980; abandonado nos anos 80-90; tentativas de retomada nos 2000).
  • Novo desenvolvimentismo: proposta para século XXI, com câmbio competitivo, política industrial seletiva.
  • Macroeconomia desenvolvimentista: políticas para crescimento sustentado.

Ignácio Rangel (1914-1994)

Economista maranhense, formulou a teoria dos ciclos longos brasileiros. Tese: a economia brasileira tem ciclos endógenos de cerca de 25 anos. Cada ciclo termina quando os gargalos estruturais não são vencidos.

Crítica liberal ao desenvolvimentismo

Não pode faltar a posição liberal. Autores como Roberto Campos, Octavio Bulhões, Eugênio Gudin, Mario Henrique Simonsen apontavam:

  • Distorções alocativas: proteção excessiva criou indústrias ineficientes.
  • Captura: empresários protegidos com lucros sem investir em produtividade.
  • Inflação: subsídios e expansão monetária inflavam preços.
  • Endividamento: a estratégia dependia de crédito externo barato.
  • Estatização excessiva: empresas públicas viraram caixa de favores.

Síntese - o legado em 1980

Em 1980, ao fim do ciclo desenvolvimentista, o Brasil tinha:

  • Indústria diversificada: 40% do PIB (vs. 20% em 1929).
  • Capacidade tecnológica: razoável em vários setores (siderurgia, papel, química).
  • Empresas estatais: peso enorme no PIB.
  • Mercado interno: 60-70 milhões de consumidores.
  • Concentração de renda: das maiores do mundo.
  • Dívida externa: US$ 64 bi, em condições insustentáveis.
  • Inflação alta: 100% a.a. em 1980, em rota ascendente.

O modelo havia industrializado o Brasil mas legado contradições profundas. A próxima aula trata de como os anos 80 tentaram lidar com essa herança.

Bate-papo com o Seu Teoffilo

Para concurso, conheça pelo menos os 6 grandes do desenvolvimentismo: Furtado (formação histórica), Tavares (4 fases ISI), Cardoso de Mello (restringida × pesada), Castro (marcha forçada), Cano (regional), Bresser-Pereira (síntese e novo desenvolvimentismo). Eles são citados em provas; banca pede a tese de cada um. Estuda em pares (autor + tese + obra) para fixar.

Mapa mental

Visão de avião sobre a aula. Use para revisão rápida.

ISI e
Desenvolvimentismo
(1930-1980)

Marcos históricos

  • 1929 (crise) / 1930 (Vargas)
  • 1941 (CSN) / 1942 (CVRD)
  • 1953 (Petrobras)
  • 1956-1961 (JK)

4 fases ISI

  • Bens não duráveis
  • Bens duráveis
  • Bens intermediários
  • Bens de capital

Plano de Metas

  • 30 metas + Brasília
  • 5 setores + tripé
  • "50 anos em 5"
  • PIB +7,1% a.a.

PAEG (1964-67)

  • Campos-Bulhões
  • BACEN, CMN, SFN (4.595/64)
  • CTN, FGTS, BNH
  • ORTN, correção monetária

Milagre (68-73)

  • Delfim Netto
  • PIB 11% a.a.
  • Concentração de renda
  • Maxi-mini cambial

II PND (74-79)

  • Geisel + Reis Velloso
  • Marcha forçada
  • Bens de capital + insumos
  • Endividamento externo

CEPAL

  • Prebisch (1948)
  • Centro × periferia
  • Termos de intercâmbio
  • Furtado e ISEB

Doutrina

  • Furtado (formação)
  • Tavares (4 fases)
  • Cardoso de Mello (pesada)
  • Castro (marcha forçada)

Revisão relâmpago

Se você tem 5 minutos antes da prova, leia só isto.

  1. Modelo agroexportador: até 1929, café representava 70% das exportações. Convênio de Taubaté (1906): valorização do café.
  2. Crise de 1929: queda do café em 60%. Ruptura do modelo. Revolução de 1930.
  3. Queima de estoques: 78 milhões de sacas destruídas (1931-1944). Sustentou renda interna.
  4. Industrialização involuntária: escassez de divisas protegeu indústria nacional. Início da ISI.
  5. 4 fases ISI (Tavares): bens não duráveis → duráveis → intermediários → bens de capital.
  6. Industrialização restringida (Cardoso de Mello): 1930-1955, faltavam bens de capital próprios.
  7. Vargas - marcos: CSN (1941), CVRD (1942), CLT (1943), CHESF (1945).
  8. Estado Novo: 1937-1945. Centralização e estatismo.
  9. SUMOC (1945-1964): precursora do BACEN. Instrução 113 (1955) facilitou IDE.
  10. CEPAL (1948): Prebisch e tese da deterioração dos termos de intercâmbio. Centro × periferia.
  11. Furtado: "Formação Econômica do Brasil" (1959). ISEB (1955).
  12. Vargas constitucional (1951-1954): BNDE (1952), Petrobras (Lei 2.004/1953), suicídio em 1954.
  13. JK e Plano de Metas (1956-1961): 30 metas + Brasília, 5 setores, tripé estatal-multinacional-nacional.
  14. "50 anos em 5": PIB cresceu 7,1% a.a. mas inflação subiu de 7% para 33%.
  15. Industrialização pesada (Cardoso de Mello): 1956-1980. Bens duráveis, capital, insumos básicos.
  16. Plano Trienal (1962-63): Furtado, Goulart. Fracassou. Reformas de Base. Golpe de 1964.
  17. PAEG (1964-67): Campos-Bulhões. Lei 4.595/64 (BACEN, SFN, CMN). CTN (1966). FGTS (1966). BNH (1964). ORTN.
  18. Milagre (1968-73): Delfim. PIB +11% a.a. Concentração de renda (Gini 0,623 em 1976). Belíndia.
  19. II PND (1974-79): Geisel, Reis Velloso, Simonsen. "Marcha forçada" (Castro). Bens de capital + insumos. Itaipu, Pró-Álcool. Endividamento externo.
  20. Crise final: Choque do petróleo (1973, 1979) + Choque Volcker (1979) + Moratória do México (1982). Fim do modelo.
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20 pontos densos sobre meio século de transformação. Bora para as questões.

? 10 questões comentadas

As dez questões a seguir foram elaboradas para cobrir o essencial desta aula. Cada uma vem com gabarito e comentário detalhado do Prof. Affonsinho.

Sugestão de uso:

  1. Leia cada questão sem olhar o gabarito.
  2. Marque sua resposta num papel.
  3. Só depois, confira o gabarito e leia o comentário.
  4. Se errou, marque em um caderno qual conceito ou data falhou, e volte ao módulo correspondente.

A vilã da aula: Promotora Implacável

Essa vilã não aceita omissão e exige fundamentação na letra fria da lei e do número. Em ISI e desenvolvimentismo, ela ataca: datas exatas, números das leis, autores e obras, fases da ISI, marcos institucionais. As próximas dez foram pensadas para você não cair onde ela cai.

Q1

Questão 01 · Comentada

Enunciado. Sobre o modelo de Substituição de Importações (ISI) no Brasil:

  1. A) Foi formalmente planejado pelo governo Vargas a partir de 1930, com objetivos explícitos de substituir importações de bens de capital.
  2. B) O processo de substituição de importações no Brasil teve início como resposta involuntária à escassez de divisas após a crise de 1929; foi consolidado em fases sucessivas teorizadas por Maria da Conceição Tavares (bens de consumo não duráveis, bens de consumo duráveis, bens intermediários e bens de capital); a primeira fase foi a mais simples, e as fases subsequentes exigiram cada vez mais capital, escala e tecnologia.
  3. C) Iniciou-se em 1956 com o Plano de Metas de JK.
  4. D) Foi um processo concluído em 1945 com o fim do Estado Novo.
  5. E) Não teve fases distintas; foi um processo homogêneo.

Gabarito: B

Prof. Affonsinho comenta

Cobra a estrutura teórica da ISI.

  • A errada: início foi involuntário, não planejado. Vargas o consolidou depois.
  • B CORRETA Tavares (1972): exato. Início involuntário (1929) + 4 fases sucessivas teorizadas por Tavares.
  • C errada: JK aprofundou a ISI nas fases avançadas, mas o processo começou bem antes.
  • D errada: em 1945 estava em primeira fase; ainda faltavam duráveis, intermediários e bens de capital.
  • E errada: 4 fases distintas conforme Tavares; cada uma com lógica e dificuldade próprias.

Tese central: ISI: início involuntário em 1929; 4 fases sucessivas (Tavares); fases avançadas exigem mais capital e tecnologia.

Q2

Questão 02 · Comentada

Enunciado. Sobre a CEPAL e a tese da deterioração dos termos de intercâmbio:

  1. A) Foi formulada por Eugênio Gudin no Brasil.
  2. B) A tese da deterioração dos termos de intercâmbio foi formulada na Comissão Econômica para América Latina (CEPAL, criada em 1948), por Raúl Prebisch (e refinada por Hans Singer), conhecida como tese Prebisch-Singer; sustenta que países do centro (industrializados) exportam manufaturados de demanda inelástica, enquanto países da periferia (primário-exportadores) exportam commodities de demanda elástica, gerando deterioração tendencial dos termos de intercâmbio contra a periferia ao longo do tempo; a conclusão prática é que a industrialização é necessária para romper o subdesenvolvimento.
  3. C) Defende que a especialização em commodities é vantajosa para os países periféricos.
  4. D) Foi rejeitada por Celso Furtado.
  5. E) Aplicava-se apenas aos países da Ásia.

Gabarito: B

Prof. Affonsinho comenta

Cobra a tese central da CEPAL.

  • A errada: Prebisch (argentino) e Singer, na CEPAL. Gudin era liberal brasileiro, criticava a tese.
  • B CORRETA Prebisch-Singer (1949): exato. Centro × periferia, deterioração estrutural, conclusão pró-industrialização.
  • C errada: tese é o oposto: especialização condena ao subdesenvolvimento.
  • D errada: Furtado defendeu: era cepalino, integrou a CEPAL de 1949 a 1957.
  • E errada: aplicava-se à América Latina, e por extensão a periferias em geral.

Tese central: Tese Prebisch-Singer (CEPAL, 1948): deterioração tendencial dos termos de intercâmbio. Conclusão: industrialização rompe o subdesenvolvimento.

Q3

Questão 03 · Comentada

Enunciado. Sobre o Plano de Metas de Juscelino Kubitschek (1956-1961):

  1. A) Tinha 50 metas distribuídas em 3 setores estratégicos.
  2. B) O Plano de Metas estruturava-se em 30 metas distribuídas em 5 setores (energia, transporte, indústria de base, alimentação, educação) mais uma meta-síntese (Brasília); aprofundou a industrialização nas fases avançadas (bens duráveis e intermediários), com financiamento via tripé estatal-multinacional-nacional, viabilizado pela Instrução 113 da SUMOC (1955); o PIB cresceu em média 7,1% ao ano no quinquênio.
  3. C) Excluía o setor de transportes.
  4. D) Foi planejado pela CEPAL diretamente.
  5. E) Tinha como meta-síntese a construção de Curitiba.

Gabarito: B

Prof. Affonsinho comenta

Cobra a estrutura do Plano de Metas.

  • A errada: 30 metas + 1 (Brasília) em 5 setores, não 50 em 3.
  • B CORRETA Plano de Metas (1956): exato. 30 metas + Brasília, 5 setores, tripé, PIB 7,1% a.a.
  • C errada: incluía transporte: 5 metas (Belém-Brasília, ferrovias, etc.).
  • D errada: foi planejado pelo governo brasileiro, com inspiração CEPAL/Plano Marshall, não diretamente pela CEPAL.
  • E errada: Brasília, inaugurada em 21/04/1960. Não Curitiba.

Tese central: Plano de Metas: 30 + 1 metas em 5 setores (energia, transporte, indústria de base, alimentação, educação), tripé, PIB 7,1% a.a.

Q4

Questão 04 · Comentada

Enunciado. Sobre as reformas estruturais do PAEG (1964-1967):

  1. A) Não realizou reformas estruturais, focou apenas em estabilização.
  2. B) O PAEG (Plano de Ação Econômica do Governo), conduzido por Roberto Campos e Otávio Bulhões, combinou estabilização gradualista com profundas reformas estruturais: reforma tributária (CTN - Lei 5.172/1966); reforma monetária e bancária (Lei 4.595/1964 - SFN, BACEN, CMN); mercado de capitais (Lei 4.728/1965); correção monetária (ORTN, Lei 4.357/1964); reforma trabalhista (FGTS - Lei 5.107/1966); reforma habitacional (SFH/BNH - Lei 4.380/1964).
  3. C) Foi conduzido por Delfim Netto.
  4. D) Criou o BACEN em 1968.
  5. E) Eliminou o sistema de correção monetária.

Gabarito: B

Prof. Affonsinho comenta

Cobra as reformas do PAEG.

  • A errada: realizou reformas profundas: tributária, monetária, trabalhista, habitacional, mercado de capitais.
  • B CORRETA PAEG (1964-67): exato. Estabilização + reformas estruturais + leis-marco específicas. Decora os números.
  • C errada: Roberto Campos (Planejamento) e Otávio Bulhões (Fazenda). Delfim Netto veio depois (1967).
  • D errada: BACEN criado em 1964 pela Lei 4.595, não em 1968.
  • E errada: criou a correção monetária (ORTN, 1964): ferramenta central da estratégia.

Tese central: PAEG: estabilização + reformas estruturais. Lei 4.595/64 (SFN, BACEN, CMN), CTN/1966, FGTS/1966, BNH/1964, ORTN/1964.

Q5

Questão 05 · Comentada

Enunciado. Sobre o Milagre Econômico (1968-1973):

  1. A) Caracterizou-se por crescimento moderado de 4-5% ao ano.
  2. B) O Milagre Econômico (1968-1973) caracterizou-se por crescimento médio do PIB de 11,1% ao ano (com indústria a 13,3% a.a. e bens duráveis a 22-24% a.a.); foi conduzido por Delfim Netto na Fazenda; aproveitou capacidade ociosa instalada pelo PAEG; teve como contrapartidas a concentração de renda (Coeficiente de Gini subiu de 0,500 em 1960 para 0,623 em 1976) e o endividamento externo crescente; foi interrompido pelo primeiro choque do petróleo em outubro de 1973.
  3. C) Foi marcado por queda do Coeficiente de Gini.
  4. D) Não teve relação com endividamento externo.
  5. E) Foi conduzido por Mário Henrique Simonsen.

Gabarito: B

Prof. Affonsinho comenta

Cobra os números e características do Milagre.

  • A errada: 11,1% a.a., não 4-5%. Foi crescimento extraordinário.
  • B CORRETA Milagre 1968-73: exato. PIB 11%, indústria 13%, Gini 0,623, dívida crescente, fim em 1973.
  • C errada: Gini subiu (concentração piorou). De 0,500 (1960) para 0,623 (1976).
  • D errada: endividamento crescente: dívida passou de US$ 12 bi (1973) para US$ 64 bi (1980).
  • E errada: Delfim Netto na Fazenda (1967-1974). Simonsen foi de Geisel (1974-1979).

Tese central: Milagre: PIB 11,1% a.a. + concentração (Gini 0,500→0,623) + endividamento + Delfim. Fim com choque do petróleo de 1973.

Q6

Questão 06 · Comentada

Enunciado. Sobre o II PND (1974-1979) e o conceito de "marcha forçada":

  1. A) Optou por ajuste recessivo após o choque do petróleo.
  2. B) O II Plano Nacional de Desenvolvimento (Lei 6.151/1974), durante o governo Geisel (com Reis Velloso no Planejamento e Simonsen na Fazenda), optou por seguir crescendo apesar do choque do petróleo, completando a substituição de importações nas fases finais (bens de capital, insumos básicos, energia); o conceito de "marcha forçada" foi formulado por Antônio Barros de Castro em "A Economia Brasileira em Marcha Forçada" (1985, com Francisco Pires de Souza); apesar dos custos imediatos (dívida, inflação), o legado em capacidade produtiva foi colhido nos anos 80 com exportações industriais.
  3. C) Foi planejado por Roberto Campos.
  4. D) Excluiu o setor energético.
  5. E) O conceito de "marcha forçada" foi formulado por Celso Furtado.

Gabarito: B

Prof. Affonsinho comenta

Cobra II PND e marcha forçada.

  • A errada: NÃO ajustou: optou por seguir crescendo via investimento pesado.
  • B CORRETA Castro e Souza (1985): exato. II PND completou ISI nas fases finais. Marcha forçada de Castro. Legado: exportações industriais nos 80.
  • C errada: Reis Velloso (Planejamento) e Simonsen (Fazenda). Campos foi do PAEG (1964-67).
  • D errada: incluía energia: Itaipu, Tucuruí, Pró-Álcool (1975), nuclear.
  • E errada: Antônio Barros de Castro, em obra de 1985. Furtado escreveu "Formação Econômica do Brasil".

Tese central: II PND: Geisel + Reis Velloso + Simonsen. Crescimento apesar do choque. Castro: marcha forçada. Legado: exportações industriais.

Q7

Questão 07 · Comentada

Enunciado. Sobre a SUMOC e o BACEN:

  1. A) BACEN foi criado em 1945 por Vargas.
  2. B) A SUMOC (Superintendência da Moeda e do Crédito) foi criada em fevereiro de 1945 pelo Decreto-Lei 7.293, sendo precursora do Banco Central; a SUMOC editou em 1955 a Instrução 113, que permitiu importação de máquinas sem cobertura cambial em troca de ações, viabilizando a entrada massiva de capital estrangeiro produtivo (base do tripé de JK); o BACEN foi criado pela Lei 4.595, de 31 de dezembro de 1964, como parte da reforma do PAEG, junto com o SFN (Sistema Financeiro Nacional) e o CMN (Conselho Monetário Nacional).
  3. C) SUMOC e BACEN coexistiram entre 1945 e 1980.
  4. D) Instrução 113 da SUMOC dificultou o IDE no Brasil.
  5. E) BACEN foi criado pela Lei 5.172/1966 (CTN).

Gabarito: B

Prof. Affonsinho comenta

Cobra história da SUMOC e do BACEN.

  • A errada: BACEN foi criado em 1964, não em 1945. Em 1945 foi a SUMOC.
  • B CORRETA Decreto-Lei 7.293/1945 + Lei 4.595/1964: exato. SUMOC (1945) + Instrução 113 (1955) + BACEN (1964).
  • C errada: BACEN substituiu SUMOC em 1964 (não coexistiram).
  • D errada: Instrução 113 facilitou o IDE: importação de máquinas sem cobertura cambial.
  • E errada: Lei 4.595/1964. A Lei 5.172/1966 é o CTN.

Tese central: SUMOC (1945) → BACEN (Lei 4.595/1964). Instrução 113 SUMOC (1955) facilitou IDE. PAEG criou SFN, BACEN, CMN.

Q8

Questão 08 · Comentada

Enunciado. Sobre a obra de João Manuel Cardoso de Mello e os conceitos de industrialização restringida e industrialização pesada:

  1. A) Cardoso de Mello é da escola da CEPAL e formulou as 4 fases da ISI.
  2. B) João Manuel Cardoso de Mello, em "O Capitalismo Tardio" (1982), formulou os conceitos de "industrialização restringida" (1930-1955) e "industrialização pesada" (1956-1980); na fase restringida, faltavam ao Brasil setores próprios de bens de capital e insumos básicos, com dependência de importação de máquinas e gargalos estruturais; na fase pesada, completou-se a industrialização com bens duráveis, intermediários e bens de capital, viabilizada pelo tripé estatal-multinacional-nacional; o conceito é distinto das "4 fases da ISI" formuladas por Maria da Conceição Tavares.
  3. C) Industrialização restringida foi de 1956-1980.
  4. D) A obra é "Formação Econômica do Brasil".
  5. E) Cardoso de Mello defende que a industrialização brasileira foi linear e sem fases.

Gabarito: B

Prof. Affonsinho comenta

Cobra distinção entre Tavares e Cardoso de Mello.

  • A errada: as 4 fases da ISI foram formuladas por Tavares. Cardoso de Mello criou os conceitos de restringida × pesada.
  • B CORRETA Cardoso de Mello (1982): exato. "O Capitalismo Tardio". Restringida (1930-55) × Pesada (1956-80).
  • C errada: Restringida = 1930-55; Pesada = 1956-80.
  • D errada: "Formação Econômica do Brasil" é de Furtado (1959).
  • E errada: distingue duas fases: restringida e pesada.

Tese central: Cardoso de Mello, "O Capitalismo Tardio" (1982): industrialização restringida (1930-55) × pesada (1956-80). Diferente das 4 fases ISI de Tavares.

Q9

Questão 09 · Comentada

Enunciado. Sobre o fim do modelo desenvolvimentista no início dos anos 80:

  1. A) O modelo terminou em 1973 com o primeiro choque do petróleo.
  2. B) O modelo desenvolvimentista esgotou-se na sequência de três choques externos: o primeiro choque do petróleo (1973), o segundo choque (1979) e o choque dos juros americanos sob Paul Volcker (1979-1981, com Fed Funds Rate chegando a 20% em 1981); o pivô final foi a moratória do México em 20 de agosto de 1982, que cortou o crédito externo a toda a América Latina; o Brasil recorreu ao FMI em fevereiro de 1983, iniciando a "década perdida" e selando o fim do ciclo desenvolvimentista (1930-1980).
  3. C) O modelo terminou em 1985 com o fim do regime militar.
  4. D) O choque Volcker beneficiou a economia brasileira.
  5. E) A moratória do México não teve efeitos sobre o Brasil.

Gabarito: B

Prof. Affonsinho comenta

Cobra os marcos do esgotamento do modelo.

  • A errada: 1973 foi o fim do Milagre, mas o modelo prosseguiu com o II PND (1974-79).
  • B CORRETA 1973 + 1979 + 1982: exato. Sequência: 1º petróleo (73) + 2º petróleo (79) + Volcker (79-81) + México (82). FMI (83). Década perdida.
  • C errada: fim do modelo foi em 1982, não 1985 (que foi o fim político-militar).
  • D errada: Volcker devastou o Brasil: dívida externa em juros flutuantes explodiu.
  • E errada: cortou o crédito à América Latina, levando o Brasil ao FMI em 1983.

Tese central: Fim do modelo: 1973 + 1979 + Volcker + México (1982). FMI em 1983. Década perdida. Modelo desenvolvimentista esgotou.

Q10

Questão 10 · Comentada

Enunciado. Sobre as obras canônicas e seus autores:

  1. A) "Formação Econômica do Brasil" é de Maria da Conceição Tavares.
  2. B) Pode-se associar com precisão: "Formação Econômica do Brasil" (1959) - Celso Furtado, sobre a história econômica brasileira desde o pacto colonial; "Da Substituição de Importações ao Capitalismo Financeiro" (1972) - Maria da Conceição Tavares, com as 4 fases da ISI; "O Capitalismo Tardio" (1982) - João Manuel Cardoso de Mello, com industrialização restringida × pesada; "A Economia Brasileira em Marcha Forçada" (1985) - Antônio Barros de Castro e Francisco Pires de Souza, sobre o II PND.
  3. C) "O Capitalismo Tardio" é de Wilson Cano.
  4. D) Antônio Barros de Castro escreveu sobre dinâmica regional.
  5. E) Celso Furtado nunca esteve na CEPAL.

Gabarito: B

Prof. Affonsinho comenta

Cobra associação autor-obra-tese.

  • A errada: "Formação Econômica do Brasil" é do Furtado (1959). Tavares escreveu "Da Substituição..."
  • B CORRETA doutrina canônica: exato. As 4 grandes obras com seus autores e teses.
  • C errada: "O Capitalismo Tardio" é de Cardoso de Mello (1982). Cano escreveu sobre dinâmica regional.
  • D errada: Castro escreveu sobre o II PND ("marcha forçada"). Cano sobre dinâmica regional.
  • E errada: Furtado integrou a CEPAL de 1949 a 1957. Era cepalino.

Tese central: Obras canônicas: Furtado (Formação), Tavares (4 fases ISI), Cardoso de Mello (capitalismo tardio), Castro (marcha forçada).

Fim da aula 01

Você dominou meio século de transformação.
Crise de 1929, ISI, JK, PAEG, Milagre, II PND.
Furtado, Tavares, Cardoso de Mello, Castro.
As 4 fases da ISI e o legado em 1980.

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Aula 01 de 10 · Economia Brasileira
Próxima: Crise dos Anos 80 e Tentativas de Estabilização.

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