Política Industrial
e Comercial
Brasileira
Da ISI (1930-1980) à Nova Indústria Brasil (NIB, 2024). PITCE (2004), PDP (2008), PBM (2011) e NIB (2024). Política comercial: Mercosul, OMC, Mercosul-UE (2024), EFTA, Cingapura. Defesa comercial. Conteúdo local. Doutrina internacional (Ha-Joon Chang, Mazzucato) e brasileira (Bresser, Conceição Tavares, Coutinho).
Sumário
Política industrial é instrumento que governos usam para influenciar a estrutura produtiva. Brasil teve fases ricas: ISI (1930-1980), liberalização (1990s), retomada via PITCE (2004) → PDP (2008) → PBM (2011) → NIB (2024). Esta aula percorre as quatro políticas modernas e a política comercial associada.
- p. 04Histórico: ISI à liberalização1930-2003. Ciclo desenvolvimentista e abertura
- p. 08PITCE (2004)Primeira política industrial moderna pós-1990s
- p. 12PDP (2008) e PBM (2011)Política de Desenvolvimento Produtivo, Plano Brasil Maior
- p. 16NIB - Nova Indústria Brasil (2024)Lula 3, missões, neoindustrialização
- p. 20Política comercialMercosul, OMC, Mercosul-UE (2024), EFTA, Cingapura
- p. 24Conteúdo local e defesa comercialPetrobras, Lei 14.133/2021, antidumping
- p. 28Doutrina internacionalHa-Joon Chang, Mazzucato, List, Hamilton
- p. 32Doutrina brasileiraBresser, Conceição Tavares, Coutinho, Suzigan, Furtado
- p. 36Mapa mental, revisão e questões comentadas10 questões fechando a aula
O que você vai aprender
1930-1980: substituição de importações em 4 fases (Tavares). PAEG, II PND. Modelo desenvolvimentista.
Collor, FHC. Tarifa média 51% → 12-14%. Privatizações. Mercosul (1991), OMC (1995). Recuo da política industrial ativa.
Política Industrial, Tecnológica e de Comércio Exterior. Primeira política moderna. Foco em semicondutores, fármacos, software, bens de capital.
Política de Desenvolvimento Produtivo. Lançada em 12/5/2008. Foco em ampliação de competitividade e fortalecimento de cadeias.
Plano Brasil Maior. Lançado em 2/8/2011. Inovação, produtividade, defesa comercial, conteúdo local.
Nova Indústria Brasil. Lançada em 22/1/2024. 6 missões: agroindustrial, complexo da saúde, infraestrutura digital, transição energética, defesa, transporte.
Mercosul, OMC, Mercosul-UE (assinado 6/12/2024 após 25 anos), EFTA (2024), Cingapura (2023). Tarifa média Brasil cerca de 12%.
Ha-Joon Chang ("Chutando a Escada", 2002), Mariana Mazzucato ("Estado Empreendedor", 2013), Bresser-Pereira (novo desenvolvimentismo), Conceição Tavares.
Dica do Fuffu
Decora a sequência das 4 políticas industriais modernas: PITCE (2004) → PDP (2008) → PBM (2011) → NIB (2024). Cada uma com foco diferente. PITCE foi a primeira pós-liberalização. NIB é a atual de Lula 3, baseada em "missões" (Mazzucato).
Prof. Affonsinho explica, Módulo 011 Histórico: ISI à liberalização
Política industrial - conceito
A política industrial é o conjunto de instrumentos que governos usam para influenciar a estrutura produtiva. Características:
- Horizontais: aplicáveis a toda a indústria (P&D, infraestrutura, educação).
- Verticais: focados em setores específicos (semicondutores, automotivo, defesa).
- Instrumentos: tarifas, subsídios, crédito, compras públicas, regulamentação, defesa comercial.
ISI - 1930-1980
O modelo de Substituição de Importações (ISI) foi a maior política industrial brasileira. Características já estudadas (Aula 01):
- 4 fases: bens não duráveis → duráveis → intermediários → bens de capital (Tavares).
- Industrialização restringida (1930-1955) → industrialização pesada (1956-1980) (Cardoso de Mello).
- Tripé estatal-multinacional-nacional.
- Resultado: indústria diversificada, mas com baixa produtividade e dependência tecnológica.
- Esgotamento em 1982 com a crise da dívida.
Liberalização (1988-1995)
O processo de abertura comercial e privatização (Aula 04) significou recuo da política industrial ativa:
- Sarney (1988): início da redução tarifária.
- Collor (1990-1992): radicalização. Plano Industrial e de Comércio Exterior (PICE, 26/6/1990).
- Itamar/FHC: consolidação. Câmara de Comércio Exterior (CAMEX) criada em 1995.
- Foco em políticas horizontais (educação, infraestrutura, capital).
- Privatizações em massa reduziram presença estatal.
FHC e a política industrial fragmentada
Nos anos FHC (1995-2002), a política industrial não foi prioridade. Iniciativas pontuais:
- Lei 8.387/1991 (PPB): Processo Produtivo Básico para Zona Franca de Manaus.
- Lei 10.176/2001: Lei de Informática.
- Programa de Governo Eletrônico: digitalização do Estado.
- Investimento em P&D: estagnado.
Críticos como Bresser-Pereira chamaram esse período de "anti-política industrial".
Volta da política industrial - 2003+
Com o governo Lula (2003), a política industrial voltou ao centro da agenda. Sequência:
- PITCE (2004): primeira política moderna pós-liberalização.
- PDP (2008): ampliação.
- PBM (2011): foco mais amplo.
- NIB (2024): missões (Mazzucato).
Crise da política industrial em 2015-2019
Entre 2015 (crise) e 2019 (Bolsonaro/Guedes), a política industrial sofreu retração:
- Cortes orçamentários no MDIC (depois ME).
- Foco no liberalismo de Guedes.
- Manteve-se Lei de Informática e algumas políticas residuais.
- Plano Mais Brasil de Bolsonaro: foco em desestatização.
Retomada Lula 3 (2023+)
O governo Lula 3 retomou a política industrial:
- Recriou o MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços) em 2023.
- Lançou a NIB (Nova Indústria Brasil) em 22/1/2024.
- Geraldo Alckmin como Vice-Presidente e Ministro do MDIC.
- Equipe técnica robusta (Uallace Moreira, Marcio Pochmann, Clovis Bueno).
Bate-papo com o Seu Teoffilo
A política industrial brasileira é tema cíclico. Forte (1930-1980), recuou (1988-2003), voltou (2003-2014), recuou novamente (2015-2022), voltou (2023+). Em prova, conheça as 4 fases: ISI, liberalização, retomada Lula 1-2, NIB Lula 3. Conexões com Mazzucato (missões) e Ha-Joon Chang (chutando a escada) são frequentes.
Prof. Affonsinho explica, Módulo 022 PITCE - Política Industrial, Tecnológica e de Comércio Exterior (2004)
Lançamento - 26 de novembro de 2003
A PITCE foi anunciada em 26 de novembro de 2003 e lançada formalmente em 2004. Foi a primeira política industrial moderna pós-liberalização. Coordenada pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) com Luiz Fernando Furlan como ministro, e pela Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), criada pela Lei 11.080, de 30 de dezembro de 2004.
Estrutura da PITCE
Três eixos:
- Linhas de ação horizontais: inovação e desenvolvimento tecnológico, modernização industrial, melhoria do ambiente institucional.
- Setores estratégicos: 4 setores prioritários.
- Atividades portadoras de futuro: setores nascentes.
4 setores estratégicos
Setores priorizados:
- Semicondutores: rota tecnológica, indústria nacional inicial.
- Software: serviços, exportação, conteúdo nacional.
- Fármacos e medicamentos: cadeia de saúde, genéricos.
- Bens de capital: máquinas e equipamentos.
Atividades portadoras de futuro
- Biotecnologia.
- Nanotecnologia.
- Energias renováveis.
- Biomassa.
Lei 11.080/2004 - ABDI
A Lei 11.080, de 30 de dezembro de 2004, criou a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), serviço social autônomo (similar a Sebrae, Senai). Funções:
- Articulação institucional.
- Estudos e pesquisas.
- Inteligência industrial.
- Apoio à execução das políticas.
Lei do Bem - Lei 11.196/2005
A Lei 11.196, de 21 de novembro de 2005 (Lei do Bem) instituiu incentivos fiscais para inovação e P&D:
- Dedução de IRPJ e CSLL para gastos com P&D.
- Redução de IPI sobre bens de capital usados em P&D.
- Depreciação acelerada.
- Amortização acelerada de gastos de pesquisa.
- Subvenção para pesquisadores (até 60% da remuneração).
Foi marco fiscal importante. Em 2024, foi atualizada com pequenas modificações.
Lei de Inovação - Lei 10.973/2004
A Lei 10.973, de 2 de dezembro de 2004, foi o Marco Legal da Inovação. Estabeleceu:
- Cooperação público-privada para pesquisa.
- Fundos setoriais.
- Subvenção econômica para PMEs inovadoras.
- Estímulo a startups.
Atualizada pela Lei 13.243/2016 ("Marco Legal de Ciência, Tecnologia e Inovação"), que ampliou.
EC 85/2015 - PEC de Ciência e Tecnologia
A EC 85, de 26 de fevereiro de 2015, alterou os Arts. 23 e 24 da CF, ampliando competências federativas em CT&I. Era complementar ao marco da inovação.
Resultados da PITCE
- Aumento de gastos federais em CT&I de 0,5% para 0,8% do PIB.
- BNDES ampliou financiamento à inovação.
- EMBRAPII criada em 2013 (Decreto 7.643/2011).
- Resultado em produção: modesto. Indústria de semicondutores não decolou.
- Setor de fármacos: ampliou. Genéricos cresceram.
Crítica à PITCE
Coutinho, Suzigan e outros documentaram:
- Falta de execução robusta: planejamento sem implementação proporcional.
- Recursos limitados: orçamento aquém do prometido.
- Cadeias setoriais: dificuldade de articulação setorial.
- Continuidade frágil: PDP em 2008 mudou prioridades.
Pegadinha da Dotôra Soffya
Pegadinha clássica: quais os 4 setores prioritários da PITCE? Resposta: semicondutores, software, fármacos, bens de capital. Decora também: Lei 11.080/2004 (ABDI), Lei 11.196/2005 (Lei do Bem), Lei 10.973/2004 (Inovação), Lei 13.243/2016 (Marco CT&I), EC 85/2015.
Prof. Affonsinho explica, Módulo 033 PDP (2008) e PBM (2011)
PDP - Política de Desenvolvimento Produtivo (2008)
A PDP foi lançada em 12 de maio de 2008, no governo Lula 2. Sucessora ampliada da PITCE. Coordenada pelo MDIC com Miguel Jorge como ministro.
Macrometas da PDP
A PDP estabeleceu 4 macrometas para 2010:
- Investimento privado: aumentar de 17% (2007) para 21% do PIB.
- P&D privado: aumentar de 0,5% para 0,65% do PIB.
- Exportações: ampliar participação brasileira no comércio mundial de 1,18% para 1,25%.
- MPMEs: aumentar exportações de micro, pequenas e médias empresas.
Estrutura da PDP
Três níveis de programas:
- Programas Mobilizadores em Áreas Estratégicas: complexo industrial da saúde, TI&C, energia nuclear, complexo industrial da defesa, nanotecnologia, biotecnologia.
- Programas para Fortalecer a Competitividade: 25 setores (auto, aeronáutico, naval, têxtil, calçados, etc.).
- Programas para Consolidar e Expandir a Liderança: 8 setores onde Brasil já era líder (mineração, siderurgia, papel/celulose, agronegócio, etc.).
Instrumentos da PDP
- Crédito BNDES ampliado: TJLP subsidiada.
- Desonerações tributárias.
- Compras governamentais: prioridade nacional.
- Defesa comercial: antidumping reforçado.
- Inovação: Lei do Bem ampliada.
- Capital de risco: Inovar Empresa.
Avaliação da PDP
Resultados parciais:
- Investimento atingiu cerca de 19% do PIB em 2010 (abaixo da meta de 21%).
- P&D privado: estagnado em 0,5%.
- Exportações: 1,4% em 2010 (acima da meta), mas concentrada em commodities.
- Crise de 2008 prejudicou execução.
- Foco em campeãs nacionais foi controverso.
PBM - Plano Brasil Maior (2011)
O PBM foi lançado em 2 de agosto de 2011, no governo Dilma 1. Ministra de Desenvolvimento: Fernando Pimentel. Sucessor da PDP, com escopo ampliado.
Eixos do PBM
Quatro eixos:
- Competitividade da indústria nacional: produtividade, inovação.
- Comércio exterior: defesa comercial, exportações.
- Inovação e desenvolvimento tecnológico: P&D, inovação aberta.
- Sustentabilidade: indústria verde.
Setores priorizados no PBM
Cinco grandes blocos:
- Sistemas da Mecânica, Eletro-eletrônica e Saúde: complexo industrial da saúde, defesa, automotivo, máquinas, eletrônica.
- Sistemas Intensivos em Recursos Naturais: petróleo, gás, química, papel/celulose, mineração.
- Sistemas Intensivos em Trabalho: têxtil, vestuário, calçados, móveis, brinquedos.
- Sistemas Intensivos em Conhecimento: software, TI, comunicações, telecom.
- Comércio, logística e serviços.
Instrumentos do PBM
- Desoneração da folha (Lei 12.546/2011): 56 setores em pico.
- Reduções de IPI.
- Conteúdo local: especialmente em compras públicas e setor de petróleo (pré-sal).
- Crédito BNDES: pico de R$ 170 bi em 2010.
- Defesa comercial: antidumping ampliado.
- INOVA Empresa: programas setoriais (energia, saúde, agro).
- EMBRAPII: criada em 2013, para parceria com institutos de pesquisa.
Resultado do PBM
Avaliação:
- Indústria continuou perdendo participação no PIB.
- Produtividade industrial estagnada.
- Exportações concentradas em commodities.
- Benefícios fiscais alcançaram cerca de R$ 100 bi (mas custo elevado).
- Em 2014-2016, plano foi praticamente abandonado pela crise fiscal.
Lições da PDP-PBM
- Política industrial sem coordenação macro estável é frágil.
- Subsídios tributários têm custo fiscal alto.
- Conteúdo local pode criar oportunidades, mas custos para setores compradores.
- Foco em "campeãs nacionais" gerou dependências e captura.
- Necessidade de avaliação rigorosa.
Alerta do Examinador
Decora datas: PDP: 12/5/2008 (Lula 2). PBM: 2/8/2011 (Dilma 1). PDP teve 4 macrometas (investimento, P&D, exportações, MPMEs). PBM teve 4 eixos e 5 blocos setoriais. Lei 12.546/2011 (desoneração da folha) foi instrumento central do PBM.
Prof. Affonsinho explica, Módulo 044 NIB - Nova Indústria Brasil (2024)
Lançamento - 22 de janeiro de 2024
A NIB - Nova Indústria Brasil foi lançada em 22 de janeiro de 2024, no governo Lula 3. Coordenada pelo MDIC, com Geraldo Alckmin como vice-presidente e ministro do MDIC. Equipe técnica: Uallace Moreira (secretário-executivo), Márcio Pochmann (depois IBGE), Clóvis Bueno.
Inspiração - missões de Mazzucato
A NIB inspira-se em Mariana Mazzucato, economista italo-americana, em obras como:
- "O Estado Empreendedor" (2013): Estado investe em pesquisa pioneira.
- "O Valor de Tudo" (2018): crítica à teoria neoclássica.
- "Mission Economy: A Moonshot Guide to Changing Capitalism" (2021): política orientada por missões.
A "economia de missões" propõe que governos definam missões (problemas concretos) e organizem a sociedade ao redor.
As 6 missões da NIB
A NIB definiu 6 missões para 2026-2033:
- Cadeias agroindustriais sustentáveis e tecnológicas: agro 4.0, redução de defensivos, valor agregado.
- Complexo econômico-industrial da saúde: redução da dependência de importações.
- Infraestrutura e saneamento: 5G, fibra óptica, mobilidade urbana, saneamento.
- Transformação digital da indústria: indústria 4.0, automação, IoT.
- Bioeconomia, descarbonização, transição energética: hidrogênio verde, eólica, solar.
- Tecnologias para o setor de defesa, soberania e segurança nacional: indústria de defesa, dual use.
Investimento previsto
R$ 300 bilhões em 4 anos (2024-2027), via:
- BNDES: R$ 250 bi.
- FNDCT: R$ 30 bi.
- FINEP: R$ 20 bi.
Conselho Nacional de Desenvolvimento Industrial - CNDI
A NIB recriou e ampliou o CNDI, presidido pelo presidente da República, com 4 representantes empresariais, 4 trabalhadores, 4 governos, 4 órgãos federais.
Diferenças entre NIB e PBM
| Aspecto | PBM (2011) | NIB (2024) |
|---|---|---|
| Foco | Setores | Missões |
| Inspiração | Política industrial tradicional | Mazzucato (missões) |
| Coordenação | MDIC | MDIC + CNDI |
| Investimento | R$ 25 bi/ano (estimado) | R$ 75 bi/ano |
| Sustentabilidade | Eixo periférico | Central (missão 5) |
| Defesa | Setor | Missão (6) |
Lei de Mobilidade Verde - Lei 14.902/2024
Em 27 de junho de 2024, foi sancionada a Lei 14.902/2024, que instituiu o programa "Mover" (Mobilidade Verde e Inovação), substituindo o "Rota 2030":
- Incentivos fiscais para indústria automotiva.
- Foco em descarbonização.
- Eficiência energética.
- Pesquisa e desenvolvimento.
- Regime até 2028.
Política de hidrogênio verde
A Lei 14.948/2024 (Marco Legal do Hidrogênio Verde) instituiu o regime de incentivos para o setor. Brasil tem potencial significativo (energia eólica e solar abundantes).
Lei 14.876/2024 - Combustível do Futuro
A Lei 14.876, de 13 de junho de 2024, foi o Marco do Combustível do Futuro:
- Aumento gradual de mistura de etanol na gasolina (de 27% para 30% prevista).
- Aumento de mistura de biodiesel no diesel.
- Programas de combustível sustentável de aviação (SAF).
- Diesel verde.
- Programa Nacional de Descarbonização do Produtor e Importador de Combustíveis.
Críticas à NIB
- Implementação inicial: lenta nos primeiros anos.
- Restrição fiscal: arcabouço fiscal limita expansão.
- Articulação federativa: estados têm dificuldade.
- Avaliação: difícil acompanhar 6 missões simultâneas.
Defensores
- Mazzucato (consultora informal): missões orientam governo.
- Bresser-Pereira: NIB se aproxima do novo desenvolvimentismo.
- Conceição Tavares (até falecimento em 2024): apoiou a inflexão.
- Marcio Pochmann: visão favorável.
Bate-papo com o Seu Teoffilo
Em prova: NIB: 22/1/2024. 6 missões: agroindustrial, saúde, infraestrutura, transformação digital, transição energética, defesa. Inspiração: Mazzucato (missões). R$ 300 bi em 4 anos. Mover: Lei 14.902/2024 (substituiu Rota 2030). Combustível do Futuro: Lei 14.876/2024.
Prof. Affonsinho explica, Módulo 055 Política comercial brasileira
Estrutura institucional
Atores principais da política comercial:
- CAMEX - Câmara de Comércio Exterior: criada em 1995 (Decreto 1.386/1995, depois Decreto 4.732/2003). Coordena a política. Composta por ministros.
- SECEX - Secretaria de Comércio Exterior: do MDIC. Operacionaliza políticas.
- Receita Federal: aduana, controle.
- BACEN: controle cambial.
- Itamaraty: negociações internacionais.
- ApexBrasil: promoção de exportações (criada em 1997).
Estrutura tarifária
Tarifa Externa Comum (TEC) do Mercosul:
- Tarifa máxima: 35% (consolidada na OMC).
- Tarifa média ponderada Brasil: cerca de 12%.
- Listas de exceção nacionais (LETEC): BIT (informática e telecom), BK (bens de capital).
- Regimes especiais: Zona Franca de Manaus, automotivo, etc.
Mercosul - estrutura atual
Membros plenos: Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai, Bolívia (desde 7/7/2024). Venezuela suspensa (ago/2017). Acordos de associação com Chile, Peru, Colômbia, Equador.
Sistema de Solução de Controvérsias: Protocolo de Olivos (2002), Tribunal Permanente de Revisão em Assunção.
Mercosul-União Europeia (2024)
Em 6 de dezembro de 2024, foi assinado o Acordo Mercosul-UE, após mais de 25 anos de negociação iniciada em 1999. É um dos maiores acordos de livre comércio do mundo:
- População: 720 milhões de habitantes.
- PIB combinado: cerca de 25% do PIB global.
- Eliminação tarifária: gradual, em mais de 90% do comércio.
- Setores: bens, serviços, contratação pública, propriedade intelectual.
- Ratificação: em curso (parlamentos europeus, nacionais).
O acordo era criticado por setores agropecuários europeus (especialmente França) e por ambientalistas (Amazônia). Ajustes ambientais foram incluídos.
Mercosul-EFTA (2024)
Acordo com Suíça, Noruega, Islândia e Liechtenstein. Assinado em 2024, em ratificação.
Mercosul-Cingapura (2023)
Assinado em 2023, em ratificação. Primeiro acordo do Mercosul com país asiático.
Outras negociações
- Mercosul-Israel: em vigor desde 2010.
- Mercosul-Egito: em vigor desde 2017.
- Mercosul-Cingapura: 2023.
- Brasil-EUA: tentativas de acordo bilateral (sem sucesso).
- Mercosul-Coreia do Sul: em negociação.
- Mercosul-Vietnã: em negociação.
- Mercosul-Indonésia: em negociação.
OMC e Brasil
Brasil é membro fundador da OMC (1/1/1995). Atuou em diversos contenciosos:
- Brasil x EUA - algodão (DS267, 2002-2014): vitória brasileira sobre subsídios.
- Brasil x UE - açúcar (DS266, 2002-2005): vitória brasileira.
- Brasil x Canadá - aeronaves (DS46, DS70, DS222): disputa Embraer x Bombardier.
- Reforma da OMC: Brasil tem participação ativa nas discussões.
Crise da OMC e do Órgão de Apelação
Desde 2019, o Órgão de Apelação da OMC está paralisado (bloqueio dos EUA). Brasil tem promovido reformas. Em 2024-2025, esforços diplomáticos para reativação.
Brasil candidato à OECD
Em 2017, o Brasil formalizou candidatura à OECD (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico). Processo lento, com avaliação técnica em diversos setores. Em 2024-2025, avanços parciais, mas adesão plena ainda pendente.
Pauta de exportação brasileira
Em 2024:
- Soja: 14% das exportações.
- Petróleo: 13%.
- Minério de ferro: 12%.
- Carne bovina: 4%.
- Açúcar: 3%.
- Outros commodities: cerca de 25%.
- Manufaturados: cerca de 20-25%.
Pauta concentrada em commodities: dependência da China e dos preços internacionais.
Alerta do Examinador
Decora Mercosul-UE: 6/12/2024 (após 25 anos). Bolívia plena: 7/7/2024. Venezuela suspensa: ago/2017. OMC: 1/1/1995. CAMEX: criada em 1995 (Decreto 1.386/1995). ApexBrasil: 1997. Tarifa média Brasil: cerca de 12%.
Prof. Affonsinho explica, Módulo 066 Conteúdo local e defesa comercial
Conteúdo local - conceito
O conteúdo local é exigência de que produtos ou serviços sejam parcial ou totalmente produzidos no Brasil. Aplicado em:
- Compras públicas: preferência a produtos nacionais.
- Concessões e contratos públicos: especialmente em setor de petróleo.
- Lei de Informática: produtos de TI no Brasil.
- Programa Mover: indústria automotiva.
- Indústria de defesa: produtos da Base Industrial de Defesa (BID).
Conteúdo local em compras públicas
A Lei 14.133, de 1º de abril de 2021 (Nova Lei de Licitações), prevê:
- Margem de preferência: até 25% para produtos nacionais (Art. 26).
- Margem de preferência adicional: para produtos com tecnologia desenvolvida no Brasil.
- Compras de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I): regimes diferenciados.
- Reserva para PMEs: licitações específicas até R$ 80 mil.
Conteúdo local no setor de petróleo
Desde os anos 2000, contratos de concessão e partilha exigem conteúdo local. Histórico:
- Rodada 0 (1999): exigência inicial.
- Rodadas 1-13: percentuais crescentes.
- Pré-sal (Lei 12.351/2010): conteúdo local elevado.
- 2017+: percentuais reduzidos para atrair investimento.
- 2024: revisão das regras pelo CNPE.
Lei de Informática (atual)
A Lei 8.387/1991 (PPB - Processo Produtivo Básico) e a Lei 10.176/2001 (Lei de Informática) foram atualizadas pela Lei 13.969/2019 e Lei 14.182/2021:
- Incentivos fiscais para produtos de TI fabricados no Brasil.
- PPB define percentual de produção local para usufruir incentivos.
- Investimento em P&D obrigatório (cerca de 4% do faturamento).
- Renovação periódica.
Defesa comercial - conceito
A defesa comercial é o conjunto de mecanismos de proteção contra práticas desleais ou contra surtos de importação. Três principais:
- Antidumping: contra produtos vendidos abaixo do valor normal.
- Medidas compensatórias: contra subsídios externos.
- Salvaguardas: contra surtos de importação que prejudiquem indústria nacional.
Antidumping - regulamentação
A Lei 9.019/1995 e o Decreto 8.058, de 26 de julho de 2013, regulamentam o antidumping no Brasil, em conformidade com a OMC. Estrutura:
- SECEX (subsecretaria de defesa comercial e interesse público): conduz investigações.
- Petição inicial: empresa nacional pode requerer.
- Investigação: prazo de 12 meses (até 18).
- Direitos antidumping provisórios: aplicados durante a investigação.
- Direitos antidumping definitivos: por até 5 anos (renováveis).
Setores beneficiados pela defesa comercial
- Siderurgia: investigações contra China.
- Têxteis: contra Bangladesh, Vietnã, China.
- Calçados: contra China.
- Químicos: contra diversos países.
- Pneus: contra China.
Drawback - regime especial
O drawback é regime aduaneiro de incentivo à exportação:
- Suspensão, isenção ou restituição de impostos sobre insumos importados destinados à fabricação de produtos exportados.
- Modalidades: integrado, isenção, suspensão.
- Regulado pelo Decreto 6.759/2009 (Regulamento Aduaneiro).
- Movimentou US$ 75 bi em exportações em 2024.
Reintegra
O Reintegra (Regime Especial de Reintegração de Valores Tributários) foi criado pela Lei 12.546/2011 (revogada pela Lei 13.043/2014). Reintegra valores tributários a exportadores de produtos manufaturados (alíquota variável de 0,1% a 3%).
Acordos de Cooperação Aduaneira
Brasil tem cooperação aduaneira com vários países, especialmente para combate ao contrabando, descaminho e lavagem de dinheiro relacionados ao comércio.
Pegadinha da Dotôra Soffya
Pegadinha clássica: quais os 3 mecanismos de defesa comercial? Resposta: antidumping, medidas compensatórias e salvaguardas. Lei 9.019/1995 + Decreto 8.058/2013: antidumping. Lei 14.133/2021: margem de preferência até 25%. Drawback: regulado pelo Decreto 6.759/2009.
Prof. Affonsinho explica, Módulo 077 Doutrina internacional sobre política industrial
Friedrich List (1789-1846)
Economista alemão, autor de "Sistema Nacional de Economia Política" (1841). Tese:
- Indústrias nascentes (infant industries): precisam de proteção temporária para amadurecer.
- Crítica ao livre comércio absoluto: aplicado a todos, beneficia os já industrializados.
- Defesa de tarifas educacionais.
- Países seguem etapas evolutivas.
List foi inspiração para protecionismo alemão (Bismarck) e para CEPAL (Prebisch).
Alexander Hamilton (1755-1804)
Pai fundador americano, autor do "Report on Manufactures" (1791). Defendeu:
- Tarifas para proteger indústria nascente americana.
- Subsídios e incentivos.
- Aliança com setor financeiro.
- Estado ativo na promoção da indústria.
Influenciou política americana do século XIX (Lincoln, McKinley).
Ha-Joon Chang
Economista coreano-britânico, professor de Cambridge. Obras-chave:
- "Chutando a Escada" ("Kicking Away the Ladder", 2002): países desenvolvidos usaram política industrial para crescer; agora pregam livre comércio aos demais.
- "23 Coisas que Não Te Contam Sobre o Capitalismo" (2010).
- "Bad Samaritans: The Myth of Free Trade and the Secret History of Capitalism" (2007).
Tese central: nenhum país se desenvolveu sob livre comércio. Todos usaram tarifas, subsídios, intervenção estatal. Quando se tornaram desenvolvidos, "chutam a escada" para impedir que outros sigam o mesmo caminho.
Mariana Mazzucato
Economista italo-americana, professora da UCL (University College London). Obras-chave:
- "O Estado Empreendedor" ("The Entrepreneurial State", 2013): Estado é fonte de inovações pioneiras (internet, GPS, touchscreen, etc.).
- "O Valor de Tudo" ("The Value of Everything", 2018): crítica à teoria do valor neoclássica.
- "Mission Economy" (2021): política orientada por missões (moonshot).
Tese: governos devem assumir risco em inovação pioneira (que privados não fazem) e capturar parte do valor criado.
Inspiradora da NIB brasileira (2024).
Justin Yifu Lin (China)
Economista chinês, ex-vice-presidente do Banco Mundial. Em "New Structural Economics" (2012), defendeu:
- Política industrial deve seguir vantagens comparativas dinâmicas.
- Estado pode "facilitar" desenvolvimento, não ditar.
- "Crescer atrás" (catching up) é possível com instituições adequadas.
Dani Rodrik (Harvard)
Economista turco-americano, professor de Harvard. Em "One Economics, Many Recipes" (2007), "The Globalization Paradox" (2011) e "Straight Talk on Trade" (2017), defendeu:
- Não há receita única para crescimento.
- "Trilema da economia global": democracia, soberania nacional, hiperglobalização - apenas 2 dos 3.
- Política industrial pragmática, com avaliação rigorosa.
- Comércio é positivo, mas não desregulado.
Joseph Stiglitz
Nobel de 2001. Em diversos trabalhos:
- Crítica ao livre comércio sem condicionantes.
- Política industrial como necessidade.
- Falhas de mercado justificam intervenção.
- Crítica à OMC e instituições financeiras internacionais.
Robert Wade
Economista britânico, autor de "Governing the Market" (1990). Documentou política industrial dos Tigres Asiáticos (Coreia, Taiwan, Singapura, Hong Kong). Mostrou que combinação de Estado forte + planejamento + integração ao comércio global gerou desenvolvimento.
Erik Reinert
Economista norueguês, autor de "How Rich Countries Got Rich... and Why Poor Countries Stay Poor" (2007). Tese histórico-institucional:
- Países ricos tornaram-se ricos via industrialização e proteção.
- Especialização em commodities perpetua pobreza.
- Política industrial é precondição para desenvolvimento.
A retomada da política industrial pós-2008
Após a crise de 2008, política industrial voltou ao mainstream:
- EUA: CHIPS Act (2022), Inflation Reduction Act (2022).
- UE: Green Deal (2019), Chips Act (2023), Critical Raw Materials Act (2024).
- China: Made in China 2025.
- Brasil: NIB (2024).
- Tema central de "geoeconomia" no século XXI.
Bate-papo com o Seu Teoffilo
Em prova, conheça os 5 grandes da doutrina internacional: Friedrich List (infant industries, 1841), Alexander Hamilton (1791), Ha-Joon Chang ("Chutando a Escada", 2002), Mariana Mazzucato (Estado Empreendedor 2013, missões 2021), Dani Rodrik (trilema, 2011). Em cada concurso, banca cobra um deles.
Prof. Affonsinho explica, Módulo 088 Doutrina brasileira sobre política industrial
Celso Furtado (1920-2004)
Economista paraibano, integrou a CEPAL. Obras já citadas (Aula 01). Tese sobre política industrial:
- Industrialização é precondição para sair do subdesenvolvimento.
- Estado precisa coordenar.
- Política industrial deve combater dependência tecnológica.
- "O Mito do Desenvolvimento Econômico" (1974): crítica ambiental.
Maria da Conceição Tavares (1930-2024)
Economista portuguesa-brasileira, professora da UFRJ. Já citada (Aula 01). Sobre política industrial:
- 4 fases da ISI (não duráveis → duráveis → intermediários → bens de capital).
- Crítica à liberalização dos 90s.
- Apoio à retomada Lula (PITCE, PDP, PBM).
- Falecida em junho de 2024.
Wilson Cano (1937-2020)
Economista paulista, professor da Unicamp. Em "Raízes da Concentração Industrial em São Paulo" (1977) e "Desequilíbrios Regionais e Concentração Industrial no Brasil" (1985), documentou:
- Concentração industrial paulista é histórica.
- Política industrial deve ter dimensão regional.
- Crítica ao localismo neoliberal.
Antônio Barros de Castro (1938-2011)
Economista carioca. "A Economia Brasileira em Marcha Forçada" (1985, com Pires de Souza) já citada. Sobre política industrial moderna:
- II PND consolidou a indústria brasileira.
- Liberalização dos 90s desorganizou cadeias.
- Defendeu política industrial seletiva.
Luiz Carlos Bresser-Pereira
Economista paulista, ex-ministro. Já citado (Aulas 01-08). Sobre política industrial:
- Novo desenvolvimentismo: política industrial seletiva + câmbio competitivo + ajuste fiscal.
- Crítica ao "anti-desenvolvimentismo" dos 90s.
- Defesa de PITCE-PDP-PBM com ressalvas.
- Apoio à NIB.
Luciano Coutinho
Economista paulista, professor da Unicamp. Foi presidente do BNDES (2007-2016) durante governos Lula 2 e Dilma. Articulou política industrial via BNDES. Coautor de "Estudo da Competitividade da Indústria Brasileira" (1995, com Joao Carlos Ferraz).
Wilson Suzigan
Economista, professor da Unicamp. Em "Indústria Brasileira: Origem e Desenvolvimento" (2000) e papers, documentou:
- História da indústria brasileira.
- Aglomerados produtivos (clusters).
- Política industrial regional.
João Carlos Ferraz
Economista, ex-diretor do BNDES, professor. Especialista em organização industrial. Coautor de obras com Coutinho.
João Sicsú e Luiz Fernando de Paula
Economistas pós-keynesianos, da UFRJ. Em diversos trabalhos defendem política industrial robusta combinada com regime de metas múltiplas.
Marcio Pochmann
Economista paulista, professor da Unicamp. Foi presidente do IBGE (2023-2024). Já citado (Aulas 06-07). Sobre política industrial:
- Defesa de política industrial robusta.
- Crítica à liberalização e financeirização.
- Apoio à retomada via NIB.
Edmar Bacha (visão liberal-pragmática)
Economista mineiro, ex-presidente do BNDES e diretor do BACEN. Em "Belíndia 2.0" (2010) e papers, posição:
- Política industrial pode ser útil, mas com cautela.
- Riscos de captura e ineficiência.
- Foco preferencial em educação, infraestrutura, P&D.
- Crítica a subsídios discricionários.
Mansueto Almeida
Economista, técnico do Tesouro. Crítica fiscal:
- Política industrial brasileira tem custo fiscal alto.
- Resultados modestos.
- Necessidade de avaliação rigorosa.
- Foco em externalidades positivas, não em "campeãs".
Ana Maria Bonomi Barufi e Naercio Menezes Filho
Economistas focados em produtividade e mercado de trabalho. Documentam que ganhos de produtividade dependem mais de educação e ambiente competitivo do que de política industrial específica.
Síntese - 4 visões sobre política industrial brasileira
Visões doutrinárias:
- Liberal-ortodoxa (Bacha, Lara Resende, Affonso Pastore): política industrial com cautela, foco em externalidades, transparência.
- Crítica fiscal (Mansueto Almeida): avaliar rigorosamente, custos altos.
- Novo desenvolvimentismo (Bresser-Pereira): política industrial + câmbio competitivo + ajuste fiscal.
- Heterodoxa-desenvolvimentista (Conceição Tavares, Belluzzo, Pochmann, Coutinho): política industrial robusta, ativa, integrada.
Lições do experimento brasileiro
Lições recorrentes:
- Política industrial sem âncora macro é frágil.
- Subsídios precisam de cláusulas de saída e avaliação.
- Foco em "campeãs nacionais" gera dependências.
- Conteúdo local pode ajudar, mas com custos.
- Coordenação entre ministérios é essencial.
- Competição com China exige sofisticação.
Pegadinha da Dotôra Soffya
Pegadinha clássica: quem foi presidente do BNDES no PBM? Resposta: Luciano Coutinho (2007-2016). Atravessou governos Lula 2, Dilma 1, Dilma 2 (até maio/2016). Equipe técnica importante para a política industrial brasileira. Wilson Suzigan: clusters e aglomerados. Bresser-Pereira: novo desenvolvimentismo.
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Industrial e
Comercial
Histórico
- ISI (1930-1980)
- Liberalização (1988-2003)
- Retomada (2004+)
- NIB (2024)
PITCE (2004)
- 4 setores (semicondutores, software, fármacos, capital)
- Lei 11.080/2004 (ABDI)
- Lei 11.196/2005 (Bem)
- Lei 10.973/2004 (Inovação)
PDP (2008) e PBM (2011)
- PDP 12/5/2008 (4 macrometas)
- PBM 2/8/2011 (4 eixos)
- Lei 12.546/2011 (folha)
- BNDES R$ 170 bi (2010)
NIB (2024)
- 22/1/2024, 6 missões
- Mazzucato (missões)
- R$ 300 bi em 4 anos
- Mover (Lei 14.902/2024)
Política comercial
- Mercosul, OMC
- Mercosul-UE (6/12/2024)
- EFTA, Cingapura
- Tarifa média 12%
Defesa comercial
- Antidumping (Lei 9.019/95)
- Decreto 8.058/2013
- Salvaguardas
- Conteúdo local
Doutrina internacional
- List (1841)
- Hamilton (1791)
- Chang (Chutando Escada 2002)
- Mazzucato (Estado Empr.)
Doutrina brasileira
- Furtado, Conceição Tavares
- Bresser (novo desenv.)
- Coutinho, Suzigan
- Bacha (liberal pragmático)
↻ Revisão relâmpago
Se você tem 5 minutos antes da prova, leia só isto.
- Política industrial: instrumentos para influenciar a estrutura produtiva (horizontais x verticais).
- ISI (1930-1980): maior política industrial brasileira. 4 fases (Tavares).
- Liberalização (1988-2003): recuo da política industrial ativa. Tarifa 51% → 12-14%.
- PITCE: 26/11/2003 → 2004. 4 setores: semicondutores, software, fármacos, bens de capital. Furlan ministro.
- Lei 11.080, de 30/12/2004: criou ABDI. Lei 11.196/2005: Lei do Bem (P&D).
- Lei 10.973, de 2/12/2004: Marco Legal da Inovação. Lei 13.243/2016: ampliou.
- EC 85/2015: PEC de CT&I. EMBRAPII: criada em 2013.
- PDP: 12/5/2008. 4 macrometas (investimento, P&D, exportações, MPMEs). Miguel Jorge ministro.
- PBM: 2/8/2011. 4 eixos. Fernando Pimentel ministro. Lei 12.546/2011: desoneração folha (CPRB, 56 setores).
- NIB: 22/1/2024 (Lula 3, Alckmin MDIC). 6 missões (agro, saúde, infra, digital, transição energética, defesa). R$ 300 bi em 4 anos. Inspiração Mazzucato.
- Lei 14.902/2024: Mover (substituiu Rota 2030, automotivo).
- Lei 14.876/2024: Combustível do Futuro. Lei 14.948/2024: hidrogênio verde.
- Mercosul-UE: assinado 6/12/2024 (após 25 anos).
- Bolívia plena no Mercosul: 7/7/2024. Venezuela suspensa: ago/2017.
- OMC: 1/1/1995. Brasil membro fundador. Crise do Órgão de Apelação desde 2019.
- CAMEX: 1995 (Decreto 1.386/1995, depois 4.732/2003). ApexBrasil: 1997.
- Lei 14.133/2021 (licitações): margem de preferência até 25% para nacionais.
- Antidumping: Lei 9.019/1995 + Decreto 8.058/2013.
- Doutrina internacional: List (1841, infant industries), Hamilton (1791), Chang (Chutando Escada 2002), Mazzucato (Estado Empreendedor 2013, Mission Economy 2021).
- Doutrina brasileira: Furtado, Conceição Tavares, Bresser-Pereira (novo desenvolvimentismo), Coutinho, Suzigan, Bacha (visão liberal pragmática), Mansueto Almeida (crítica fiscal).
? 10 questões comentadas
As dez questões a seguir foram elaboradas para cobrir o essencial desta aula.
- Leia cada questão sem olhar o gabarito.
- Marque sua resposta num papel.
- Só depois, confira o gabarito e leia o comentário.
- Se errou, marque em um caderno qual conceito ou data falhou, e volte ao módulo correspondente.
O vilão da aula: Desembargador Severo
Esse vilão gosta de pegadinha em divergência doutrinária e jurisprudência rara. Em política industrial, ele ataca: datas dos planos, leis específicas, autores e obras, eixos e setores. As próximas dez foram pensadas para você não cair onde ele cai.
Questão 01 · Comentada
Enunciado. Sobre a PITCE - Política Industrial, Tecnológica e de Comércio Exterior:
- A) Foi a política industrial do governo Bolsonaro.
- B) A PITCE foi anunciada em 26 de novembro de 2003 e lançada formalmente em 2004 no governo Lula 1, com Luiz Fernando Furlan como ministro do MDIC. Foi a primeira política industrial moderna pós-liberalização. Estabeleceu 4 setores prioritários: semicondutores, software, fármacos e medicamentos, e bens de capital. Foi acompanhada pela criação da ABDI (Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial, Lei 11.080, de 30/12/2004), pela Lei 10.973, de 2/12/2004 (Marco Legal da Inovação), e pela Lei 11.196, de 21/11/2005 (Lei do Bem, com incentivos fiscais para P&D). Foi sucedida pela PDP em 2008.
- C) Tem 6 setores prioritários, incluindo bioeconomia.
- D) Foi lançada em 1990 com o Plano Collor.
- E) Não criou nenhuma agência específica.
Gabarito: B
Prof. Affonsinho comenta
Cobra a PITCE.
- A errada: governo Lula 1, ministro Furlan.
- B CORRETA PITCE 2003-2004: exato. Datas, ministros, 4 setores, leis associadas.
- C errada: 4 setores: semicondutores, software, fármacos, bens de capital.
- D errada: 2003-2004; em 1990 foi a PICE de Collor.
- E errada: criou ABDI (Lei 11.080/2004).
Tese central: PITCE: 2003-2004, governo Lula 1. 4 setores: semicondutores, software, fármacos, bens de capital. ABDI (Lei 11.080/2004), Lei do Bem (Lei 11.196/2005), Inovação (Lei 10.973/2004).
Questão 02 · Comentada
Enunciado. Sobre a NIB - Nova Indústria Brasil (2024):
- A) Foi lançada em 2018 pelo governo Bolsonaro.
- B) A NIB - Nova Indústria Brasil foi lançada em 22 de janeiro de 2024, no governo Lula 3, coordenada pelo MDIC sob comando de Geraldo Alckmin (vice-presidente e ministro). Inspira-se na economia de missões de Mariana Mazzucato ("Mission Economy", 2021). Definiu 6 missões para 2026-2033: (i) cadeias agroindustriais sustentáveis e tecnológicas; (ii) complexo econômico-industrial da saúde; (iii) infraestrutura, saneamento, mobilidade e habitação; (iv) transformação digital da indústria; (v) bioeconomia, descarbonização e transição energética; (vi) tecnologias para a defesa, soberania e segurança nacional. Investimento previsto: R$ 300 bilhões em 4 anos (BNDES, FNDCT, FINEP).
- C) Tem como ministro Paulo Guedes.
- D) Não tem inspiração teórica específica.
- E) Tem 10 missões.
Gabarito: B
Prof. Affonsinho comenta
Cobra a NIB.
- A errada: 22/1/2024, governo Lula 3.
- B CORRETA NIB 2024: exato. Lançamento, ministro, inspiração, 6 missões, investimento.
- C errada: Geraldo Alckmin; Guedes foi ministro de Bolsonaro (2019-2022).
- D errada: Mariana Mazzucato (missões).
- E errada: 6 missões, não 10.
Tese central: NIB (22/1/2024): governo Lula 3, Alckmin. 6 missões (Mazzucato). R$ 300 bi em 4 anos.
Questão 03 · Comentada
Enunciado. Sobre o Acordo Mercosul-União Europeia:
- A) Foi assinado em 2010 e está em vigor desde 2015.
- B) O Acordo de Associação Mercosul-União Europeia foi assinado em 6 de dezembro de 2024, após mais de 25 anos de negociação iniciada em 1999. É um dos maiores acordos de livre comércio do mundo, abrangendo cerca de 720 milhões de habitantes e 25% do PIB global; tem três pilares (comercial, político, cooperação); prevê eliminação progressiva de tarifas em mais de 90% do comércio; está em fase de ratificação pelos parlamentos europeus, do Conselho Europeu e dos países do Mercosul, com expectativa de implementação progressiva; coexiste com outros acordos recentes como Mercosul-EFTA (2024) e Mercosul-Cingapura (2023).
- C) Foi rejeitado pelos EUA.
- D) Inclui apenas comércio agrícola.
- E) Foi assinado em 2019 e desde então está em vigor.
Gabarito: B
Prof. Affonsinho comenta
Cobra o Mercosul-UE.
- A errada: assinado em 6/12/2024; em fase de ratificação.
- B CORRETA Mercosul-UE 2024: exato. Datas, escopo, pilares, contexto.
- C errada: EUA não participam do Mercosul-UE.
- D errada: amplo: bens, serviços, contratação pública, IP, etc.
- E errada: 2024, não 2019. 2019 foi conclusão da parte comercial; assinatura final em 2024.
Tese central: Mercosul-UE: assinado em 6/12/2024 após 25+ anos. Três pilares (comercial, político, cooperação). Em ratificação.
Questão 04 · Comentada
Enunciado. Sobre a defesa comercial brasileira:
- A) É composta por apenas dois mecanismos.
- B) A defesa comercial brasileira tem três principais mecanismos: (i) antidumping (contra produtos vendidos abaixo do valor normal); (ii) medidas compensatórias (contra subsídios externos); (iii) salvaguardas (contra surtos de importação que prejudiquem indústria nacional). Antidumping é regulado pela Lei 9.019/1995 e pelo Decreto 8.058, de 26/7/2013, em conformidade com a OMC. As investigações são conduzidas pela SECEX (Secretaria de Comércio Exterior, com a Subsecretaria de Defesa Comercial e Interesse Público); empresas nacionais podem solicitar; investigação dura até 18 meses; direitos definitivos podem ser aplicados por até 5 anos (renováveis). A CAMEX (Câmara de Comércio Exterior) coordena e decide aplicação de medidas.
- C) Não exige investigação prévia.
- D) Não está em conformidade com a OMC.
- E) Direitos definitivos são aplicados por 1 ano.
Gabarito: B
Prof. Affonsinho comenta
Cobra defesa comercial.
- A errada: 3 mecanismos: antidumping, compensatórias, salvaguardas.
- B CORRETA defesa comercial: exato. Estrutura, lei, decreto, atores, prazos.
- C errada: investigação obrigatória: até 18 meses.
- D errada: conforme OMC: Lei 9.019/1995 + Decreto 8.058/2013.
- E errada: até 5 anos (renováveis).
Tese central: Defesa comercial: antidumping + medidas compensatórias + salvaguardas. Lei 9.019/1995 + Decreto 8.058/2013. SECEX investiga; CAMEX decide.
Questão 05 · Comentada
Enunciado. Sobre a doutrina internacional sobre política industrial:
- A) Adam Smith é o principal teórico da política industrial moderna.
- B) A doutrina internacional sobre política industrial articula-se em diversas tradições: Friedrich List (alemão, "Sistema Nacional de Economia Política", 1841): tese das infant industries (indústrias nascentes precisam de proteção temporária); Alexander Hamilton (americano, "Report on Manufactures", 1791): defesa de tarifas e subsídios para a indústria nascente americana; Ha-Joon Chang (coreano-britânico, "Chutando a Escada", 2002): países desenvolvidos usaram política industrial para crescer e agora pregam livre comércio aos demais; Mariana Mazzucato (italo-americana, "O Estado Empreendedor", 2013, e "Mission Economy", 2021): Estado é fonte de inovações pioneiras e deve organizar economia em torno de missões; Dani Rodrik (turco-americano): trilema da economia global, política industrial pragmática.
- C) Friedrich List é contrário à política industrial.
- D) Mazzucato é contrária ao Estado Empreendedor.
- E) Ha-Joon Chang defende livre comércio sem restrições.
Gabarito: B
Prof. Affonsinho comenta
Cobra doutrina internacional.
- A errada: Adam Smith (1776) é contrário: defendeu "mão invisível" e livre comércio.
- B CORRETA doutrina internacional: exato. List, Hamilton, Chang, Mazzucato, Rodrik.
- C errada: defensor com infant industries.
- D errada: defensora: "O Estado Empreendedor" (2013) é tese central.
- E errada: crítico do livre comércio absoluto.
Tese central: Doutrina: List (1841), Hamilton (1791), Chang (Chutando Escada 2002), Mazzucato (Estado Empreendedor 2013, Mission Economy 2021), Rodrik (trilema).
Questão 06 · Comentada
Enunciado. Sobre a Lei do Bem (Lei 11.196/2005):
- A) Foi aprovada em 1995 no governo FHC.
- B) A Lei 11.196, de 21 de novembro de 2005 (Lei do Bem), instituiu incentivos fiscais para inovação e P&D no Brasil. Permite: (i) dedução de IRPJ e CSLL para gastos com P&D; (ii) redução de IPI sobre bens de capital usados em P&D; (iii) depreciação acelerada de equipamentos; (iv) amortização acelerada de gastos de pesquisa; (v) subvenção para pesquisadores (até 60% da remuneração). Foi marco fiscal importante da PITCE. Em 2024, foi atualizada com pequenas modificações. Empresas que aderem precisam apresentar relatórios anuais ao MCTI (Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação). É complementar à Lei 10.973/2004 (Marco Legal da Inovação) e à Lei 13.243/2016 (Marco Legal de CT&I).
- C) É lei sobre saúde pública.
- D) Não permite dedução de IRPJ.
- E) Apenas pessoas físicas se beneficiam.
Gabarito: B
Prof. Affonsinho comenta
Cobra Lei do Bem.
- A errada: Lei 11.196, de 21/11/2005, governo Lula 1.
- B CORRETA Lei 11.196/2005: exato. Estrutura, incentivos, complementaridade.
- C errada: incentivos fiscais para P&D e inovação.
- D errada: permite dedução de IRPJ e CSLL.
- E errada: pessoas jurídicas se beneficiam.
Tese central: Lei 11.196/2005 (Lei do Bem): incentivos fiscais para P&D. Dedução IRPJ/CSLL, redução IPI, depreciação acelerada. Marco da PITCE.
Questão 07 · Comentada
Enunciado. Sobre o conteúdo local nas compras públicas brasileiras:
- A) Não há margem de preferência para produtos nacionais.
- B) A Lei 14.133, de 1º de abril de 2021 (Nova Lei de Licitações), prevê margens de preferência para produtos manufaturados e serviços nacionais (Art. 26): margem de preferência de até 25% sobre o preço de bens e serviços importados; margem adicional para produtos com tecnologia desenvolvida no Brasil; regimes especiais para Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I); reserva para PMEs (microempresas e empresas de pequeno porte) em licitações de até R$ 80 mil; preferência para produtos da Lei do Bem (Lei 11.196/2005); aplica-se a compras públicas federais, estaduais e municipais. As margens são regulamentadas por decretos executivos específicos por setor.
- C) Limite de 50% para nacional.
- D) Apenas em compras federais.
- E) Não admite preferência por tecnologia nacional.
Gabarito: B
Prof. Affonsinho comenta
Cobra conteúdo local em compras.
- A errada: até 25% margem de preferência (Lei 14.133/2021 Art. 26).
- B CORRETA Lei 14.133/2021: exato. Margem, escopo, complementaridades.
- C errada: até 25%, não 50%.
- D errada: federal, estadual e municipal.
- E errada: admite: margem adicional para tecnologia nacional.
Tese central: Lei 14.133/2021: margem de preferência até 25% para produtos nacionais (Art. 26). Adicional para tecnologia nacional.
Questão 08 · Comentada
Enunciado. Sobre o Plano Brasil Maior (PBM):
- A) Foi lançado em 2008 com o nome PDP.
- B) O Plano Brasil Maior (PBM) foi lançado em 2 de agosto de 2011, no governo Dilma 1, com Fernando Pimentel como ministro do MDIC. Foi a sucessora da PDP (2008), com escopo ampliado. Estruturado em 4 eixos: competitividade da indústria nacional, comércio exterior, inovação e desenvolvimento tecnológico, sustentabilidade. Setores priorizados em 5 grandes blocos (mecânica/eletro-eletrônica/saúde, intensivos em recursos naturais, intensivos em trabalho, intensivos em conhecimento, comércio/logística/serviços). Instrumentos: desoneração da folha (Lei 12.546/2011, com 56 setores em pico), reduções de IPI, conteúdo local (especialmente no pré-sal), crédito BNDES (R$ 170 bi em 2010), defesa comercial reforçada, INOVA Empresa, EMBRAPII (criada em 2013).
- C) Foi lançado em 2008 e tinha 6 eixos.
- D) Foi do governo Bolsonaro.
- E) Não envolveu desoneração da folha.
Gabarito: B
Prof. Affonsinho comenta
Cobra o PBM.
- A errada: PBM em 2/8/2011; PDP em 12/5/2008 (anterior).
- B CORRETA PBM 2011: exato. Lançamento, eixos, blocos, instrumentos.
- C errada: 4 eixos, não 6. PDP em 2008, PBM em 2011.
- D errada: governo Dilma 1, ministro Fernando Pimentel.
- E errada: incluiu: Lei 12.546/2011 (desoneração da folha) foi instrumento central.
Tese central: PBM: 2/8/2011, governo Dilma 1, Fernando Pimentel. 4 eixos, 5 blocos. Lei 12.546/2011 (desoneração folha).
Questão 09 · Comentada
Enunciado. Sobre Mariana Mazzucato e a teoria das missões:
- A) Mazzucato é contrária à atuação do Estado em política industrial.
- B) Mariana Mazzucato (italo-americana, professora da UCL) é uma das principais teóricas contemporâneas da política industrial. Em "O Estado Empreendedor" ("The Entrepreneurial State", 2013), argumenta que o Estado é fonte de inovações pioneiras (internet, GPS, touchscreen, energia solar, etc.) e deve assumir riscos que privados não fazem; em "O Valor de Tudo" (2018), critica a teoria neoclássica do valor; em "Mission Economy" (2021), defende política orientada por missões (moonshots): governos definem problemas concretos (descarbonização, saúde universal, energia limpa) e organizam economia em torno de soluções; foi inspiração teórica para a NIB - Nova Indústria Brasil (2024), que estruturou suas 6 missões com base nessa abordagem.
- C) Defende livre comércio absoluto.
- D) É autora de "Chutando a Escada".
- E) Não tem relação com política industrial.
Gabarito: B
Prof. Affonsinho comenta
Cobra Mazzucato.
- A errada: defensora: Estado deve assumir riscos pioneiros.
- B CORRETA Mazzucato: exato. Obras, teses, influência na NIB.
- C errada: defende intervenção pública estratégica.
- D errada: "Chutando a Escada" é de Ha-Joon Chang (2002).
- E errada: tem relação central: tese principal sobre Estado Empreendedor e missões.
Tese central: Mazzucato: "Estado Empreendedor" (2013), "Mission Economy" (2021). Estado pioneiro + missões. Inspirou NIB (2024).
Questão 10 · Comentada
Enunciado. Sobre a Lei do Mover (Lei 14.902/2024):
- A) Lei do Mover foi aprovada em 2018.
- B) A Lei 14.902, de 27 de junho de 2024, instituiu o Programa Mobilidade Verde e Inovação (Mover), substituindo o programa Rota 2030 (Lei 13.755/2018) na indústria automotiva. O Mover prevê: incentivos fiscais para a indústria automotiva, com foco em descarbonização e eficiência energética; obrigatoriedade de investimento em P&D (cerca de 1,5% do faturamento); rotulagem energética veicular; metas para emissões e eficiência; vigência até 2028. Foi parte da política industrial Lula 3 (NIB, lançada em 22/1/2024). Outras leis associadas: Lei 14.876/2024 (Combustível do Futuro - aumento de mistura de etanol/biodiesel); Lei 14.948/2024 (Marco Legal do Hidrogênio Verde).
- C) É lei sobre mobilidade urbana, não automotiva.
- D) Substituiu a Lei do Bem.
- E) Tem vigência indeterminada.
Gabarito: B
Prof. Affonsinho comenta
Cobra o Mover.
- A errada: 27/6/2024; em 2018 foi a Lei do Rota 2030.
- B CORRETA Lei 14.902/2024: exato. Substituição, foco, leis associadas.
- C errada: indústria automotiva ("Mobilidade Verde").
- D errada: substituiu Rota 2030; Lei do Bem (Lei 11.196/2005) é distinta e está vigente.
- E errada: vigência até 2028.
Tese central: Lei 14.902/2024 (Mover): substituiu Rota 2030. Indústria automotiva. Foco em descarbonização. Vigência até 2028.
Fim da aula 09
Você dominou política industrial.
PITCE, PDP, PBM, NIB.
Mercosul-UE, conteúdo local, defesa comercial.
Chang, Mazzucato, Bresser, Conceição Tavares.
Aula 09 de 10 · Economia Brasileira
Próxima: Conjuntura Atual - PIB, inflação, juros, câmbio, fiscal e externo.



