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furafila
$Economia Brasileira

Política Industrial
e Comercial
Brasileira

Da ISI (1930-1980) à Nova Indústria Brasil (NIB, 2024). PITCE (2004), PDP (2008), PBM (2011) e NIB (2024). Política comercial: Mercosul, OMC, Mercosul-UE (2024), EFTA, Cingapura. Defesa comercial. Conteúdo local. Doutrina internacional (Ha-Joon Chang, Mazzucato) e brasileira (Bresser, Conceição Tavares, Coutinho).

Aula09 / 10
DisciplinaEconomia Brasileira
AtualizadoAbr / 2026
Nesta aula

Sumário

Política industrial é instrumento que governos usam para influenciar a estrutura produtiva. Brasil teve fases ricas: ISI (1930-1980), liberalização (1990s), retomada via PITCE (2004) → PDP (2008) → PBM (2011) → NIB (2024). Esta aula percorre as quatro políticas modernas e a política comercial associada.

  1. Histórico: ISI à liberalização
    1930-2003. Ciclo desenvolvimentista e abertura
    p. 04
  2. PITCE (2004)
    Primeira política industrial moderna pós-1990s
    p. 08
  3. PDP (2008) e PBM (2011)
    Política de Desenvolvimento Produtivo, Plano Brasil Maior
    p. 12
  4. NIB - Nova Indústria Brasil (2024)
    Lula 3, missões, neoindustrialização
    p. 16
  5. Política comercial
    Mercosul, OMC, Mercosul-UE (2024), EFTA, Cingapura
    p. 20
  6. Conteúdo local e defesa comercial
    Petrobras, Lei 14.133/2021, antidumping
    p. 24
  7. Doutrina internacional
    Ha-Joon Chang, Mazzucato, List, Hamilton
    p. 28
  8. Doutrina brasileira
    Bresser, Conceição Tavares, Coutinho, Suzigan, Furtado
    p. 32
  9. Mapa mental, revisão e questões comentadas
    10 questões fechando a aula
    p. 36
Meta desta aula
Compreender o ciclo da política industrial brasileira. Distinguir PITCE, PDP, PBM e NIB. Conhecer política comercial e defesa comercial. Dominar doutrina (Chang, Mazzucato, Bresser, Conceição Tavares).
Antes de começar

O que você vai aprender

01
ISI como política industrial

1930-1980: substituição de importações em 4 fases (Tavares). PAEG, II PND. Modelo desenvolvimentista.

02
Liberalização 90s

Collor, FHC. Tarifa média 51% → 12-14%. Privatizações. Mercosul (1991), OMC (1995). Recuo da política industrial ativa.

03
PITCE (2004)

Política Industrial, Tecnológica e de Comércio Exterior. Primeira política moderna. Foco em semicondutores, fármacos, software, bens de capital.

04
PDP (2008)

Política de Desenvolvimento Produtivo. Lançada em 12/5/2008. Foco em ampliação de competitividade e fortalecimento de cadeias.

05
PBM (2011)

Plano Brasil Maior. Lançado em 2/8/2011. Inovação, produtividade, defesa comercial, conteúdo local.

06
NIB (2024)

Nova Indústria Brasil. Lançada em 22/1/2024. 6 missões: agroindustrial, complexo da saúde, infraestrutura digital, transição energética, defesa, transporte.

07
Política comercial

Mercosul, OMC, Mercosul-UE (assinado 6/12/2024 após 25 anos), EFTA (2024), Cingapura (2023). Tarifa média Brasil cerca de 12%.

08
Doutrina

Ha-Joon Chang ("Chutando a Escada", 2002), Mariana Mazzucato ("Estado Empreendedor", 2013), Bresser-Pereira (novo desenvolvimentismo), Conceição Tavares.

Dica do Fuffu

Decora a sequência das 4 políticas industriais modernas: PITCE (2004) → PDP (2008) → PBM (2011) → NIB (2024). Cada uma com foco diferente. PITCE foi a primeira pós-liberalização. NIB é a atual de Lula 3, baseada em "missões" (Mazzucato).

Prof. Affonsinho explica, Módulo 01

1 Histórico: ISI à liberalização

Política industrial - conceito

A política industrial é o conjunto de instrumentos que governos usam para influenciar a estrutura produtiva. Características:

  • Horizontais: aplicáveis a toda a indústria (P&D, infraestrutura, educação).
  • Verticais: focados em setores específicos (semicondutores, automotivo, defesa).
  • Instrumentos: tarifas, subsídios, crédito, compras públicas, regulamentação, defesa comercial.

ISI - 1930-1980

O modelo de Substituição de Importações (ISI) foi a maior política industrial brasileira. Características já estudadas (Aula 01):

  • 4 fases: bens não duráveis → duráveis → intermediários → bens de capital (Tavares).
  • Industrialização restringida (1930-1955) → industrialização pesada (1956-1980) (Cardoso de Mello).
  • Tripé estatal-multinacional-nacional.
  • Resultado: indústria diversificada, mas com baixa produtividade e dependência tecnológica.
  • Esgotamento em 1982 com a crise da dívida.

Liberalização (1988-1995)

O processo de abertura comercial e privatização (Aula 04) significou recuo da política industrial ativa:

  • Sarney (1988): início da redução tarifária.
  • Collor (1990-1992): radicalização. Plano Industrial e de Comércio Exterior (PICE, 26/6/1990).
  • Itamar/FHC: consolidação. Câmara de Comércio Exterior (CAMEX) criada em 1995.
  • Foco em políticas horizontais (educação, infraestrutura, capital).
  • Privatizações em massa reduziram presença estatal.

FHC e a política industrial fragmentada

Nos anos FHC (1995-2002), a política industrial não foi prioridade. Iniciativas pontuais:

  • Lei 8.387/1991 (PPB): Processo Produtivo Básico para Zona Franca de Manaus.
  • Lei 10.176/2001: Lei de Informática.
  • Programa de Governo Eletrônico: digitalização do Estado.
  • Investimento em P&D: estagnado.

Críticos como Bresser-Pereira chamaram esse período de "anti-política industrial".

Volta da política industrial - 2003+

Com o governo Lula (2003), a política industrial voltou ao centro da agenda. Sequência:

  • PITCE (2004): primeira política moderna pós-liberalização.
  • PDP (2008): ampliação.
  • PBM (2011): foco mais amplo.
  • NIB (2024): missões (Mazzucato).

Crise da política industrial em 2015-2019

Entre 2015 (crise) e 2019 (Bolsonaro/Guedes), a política industrial sofreu retração:

  • Cortes orçamentários no MDIC (depois ME).
  • Foco no liberalismo de Guedes.
  • Manteve-se Lei de Informática e algumas políticas residuais.
  • Plano Mais Brasil de Bolsonaro: foco em desestatização.

Retomada Lula 3 (2023+)

O governo Lula 3 retomou a política industrial:

  • Recriou o MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços) em 2023.
  • Lançou a NIB (Nova Indústria Brasil) em 22/1/2024.
  • Geraldo Alckmin como Vice-Presidente e Ministro do MDIC.
  • Equipe técnica robusta (Uallace Moreira, Marcio Pochmann, Clovis Bueno).

Bate-papo com o Seu Teoffilo

A política industrial brasileira é tema cíclico. Forte (1930-1980), recuou (1988-2003), voltou (2003-2014), recuou novamente (2015-2022), voltou (2023+). Em prova, conheça as 4 fases: ISI, liberalização, retomada Lula 1-2, NIB Lula 3. Conexões com Mazzucato (missões) e Ha-Joon Chang (chutando a escada) são frequentes.

Prof. Affonsinho explica, Módulo 02

2 PITCE - Política Industrial, Tecnológica e de Comércio Exterior (2004)

Lançamento - 26 de novembro de 2003

A PITCE foi anunciada em 26 de novembro de 2003 e lançada formalmente em 2004. Foi a primeira política industrial moderna pós-liberalização. Coordenada pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) com Luiz Fernando Furlan como ministro, e pela Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), criada pela Lei 11.080, de 30 de dezembro de 2004.

Estrutura da PITCE

Três eixos:

  1. Linhas de ação horizontais: inovação e desenvolvimento tecnológico, modernização industrial, melhoria do ambiente institucional.
  2. Setores estratégicos: 4 setores prioritários.
  3. Atividades portadoras de futuro: setores nascentes.

4 setores estratégicos

Setores priorizados:

  • Semicondutores: rota tecnológica, indústria nacional inicial.
  • Software: serviços, exportação, conteúdo nacional.
  • Fármacos e medicamentos: cadeia de saúde, genéricos.
  • Bens de capital: máquinas e equipamentos.

Atividades portadoras de futuro

  • Biotecnologia.
  • Nanotecnologia.
  • Energias renováveis.
  • Biomassa.

Lei 11.080/2004 - ABDI

A Lei 11.080, de 30 de dezembro de 2004, criou a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), serviço social autônomo (similar a Sebrae, Senai). Funções:

  • Articulação institucional.
  • Estudos e pesquisas.
  • Inteligência industrial.
  • Apoio à execução das políticas.

Lei do Bem - Lei 11.196/2005

A Lei 11.196, de 21 de novembro de 2005 (Lei do Bem) instituiu incentivos fiscais para inovação e P&D:

  • Dedução de IRPJ e CSLL para gastos com P&D.
  • Redução de IPI sobre bens de capital usados em P&D.
  • Depreciação acelerada.
  • Amortização acelerada de gastos de pesquisa.
  • Subvenção para pesquisadores (até 60% da remuneração).

Foi marco fiscal importante. Em 2024, foi atualizada com pequenas modificações.

Lei de Inovação - Lei 10.973/2004

A Lei 10.973, de 2 de dezembro de 2004, foi o Marco Legal da Inovação. Estabeleceu:

  • Cooperação público-privada para pesquisa.
  • Fundos setoriais.
  • Subvenção econômica para PMEs inovadoras.
  • Estímulo a startups.

Atualizada pela Lei 13.243/2016 ("Marco Legal de Ciência, Tecnologia e Inovação"), que ampliou.

EC 85/2015 - PEC de Ciência e Tecnologia

A EC 85, de 26 de fevereiro de 2015, alterou os Arts. 23 e 24 da CF, ampliando competências federativas em CT&I. Era complementar ao marco da inovação.

Resultados da PITCE

  • Aumento de gastos federais em CT&I de 0,5% para 0,8% do PIB.
  • BNDES ampliou financiamento à inovação.
  • EMBRAPII criada em 2013 (Decreto 7.643/2011).
  • Resultado em produção: modesto. Indústria de semicondutores não decolou.
  • Setor de fármacos: ampliou. Genéricos cresceram.

Crítica à PITCE

Coutinho, Suzigan e outros documentaram:

  • Falta de execução robusta: planejamento sem implementação proporcional.
  • Recursos limitados: orçamento aquém do prometido.
  • Cadeias setoriais: dificuldade de articulação setorial.
  • Continuidade frágil: PDP em 2008 mudou prioridades.

Pegadinha da Dotôra Soffya

Pegadinha clássica: quais os 4 setores prioritários da PITCE? Resposta: semicondutores, software, fármacos, bens de capital. Decora também: Lei 11.080/2004 (ABDI), Lei 11.196/2005 (Lei do Bem), Lei 10.973/2004 (Inovação), Lei 13.243/2016 (Marco CT&I), EC 85/2015.

Prof. Affonsinho explica, Módulo 03

3 PDP (2008) e PBM (2011)

PDP - Política de Desenvolvimento Produtivo (2008)

A PDP foi lançada em 12 de maio de 2008, no governo Lula 2. Sucessora ampliada da PITCE. Coordenada pelo MDIC com Miguel Jorge como ministro.

Macrometas da PDP

A PDP estabeleceu 4 macrometas para 2010:

  1. Investimento privado: aumentar de 17% (2007) para 21% do PIB.
  2. P&D privado: aumentar de 0,5% para 0,65% do PIB.
  3. Exportações: ampliar participação brasileira no comércio mundial de 1,18% para 1,25%.
  4. MPMEs: aumentar exportações de micro, pequenas e médias empresas.

Estrutura da PDP

Três níveis de programas:

  • Programas Mobilizadores em Áreas Estratégicas: complexo industrial da saúde, TI&C, energia nuclear, complexo industrial da defesa, nanotecnologia, biotecnologia.
  • Programas para Fortalecer a Competitividade: 25 setores (auto, aeronáutico, naval, têxtil, calçados, etc.).
  • Programas para Consolidar e Expandir a Liderança: 8 setores onde Brasil já era líder (mineração, siderurgia, papel/celulose, agronegócio, etc.).

Instrumentos da PDP

  • Crédito BNDES ampliado: TJLP subsidiada.
  • Desonerações tributárias.
  • Compras governamentais: prioridade nacional.
  • Defesa comercial: antidumping reforçado.
  • Inovação: Lei do Bem ampliada.
  • Capital de risco: Inovar Empresa.

Avaliação da PDP

Resultados parciais:

  • Investimento atingiu cerca de 19% do PIB em 2010 (abaixo da meta de 21%).
  • P&D privado: estagnado em 0,5%.
  • Exportações: 1,4% em 2010 (acima da meta), mas concentrada em commodities.
  • Crise de 2008 prejudicou execução.
  • Foco em campeãs nacionais foi controverso.

PBM - Plano Brasil Maior (2011)

O PBM foi lançado em 2 de agosto de 2011, no governo Dilma 1. Ministra de Desenvolvimento: Fernando Pimentel. Sucessor da PDP, com escopo ampliado.

Eixos do PBM

Quatro eixos:

  1. Competitividade da indústria nacional: produtividade, inovação.
  2. Comércio exterior: defesa comercial, exportações.
  3. Inovação e desenvolvimento tecnológico: P&D, inovação aberta.
  4. Sustentabilidade: indústria verde.

Setores priorizados no PBM

Cinco grandes blocos:

  • Sistemas da Mecânica, Eletro-eletrônica e Saúde: complexo industrial da saúde, defesa, automotivo, máquinas, eletrônica.
  • Sistemas Intensivos em Recursos Naturais: petróleo, gás, química, papel/celulose, mineração.
  • Sistemas Intensivos em Trabalho: têxtil, vestuário, calçados, móveis, brinquedos.
  • Sistemas Intensivos em Conhecimento: software, TI, comunicações, telecom.
  • Comércio, logística e serviços.

Instrumentos do PBM

  • Desoneração da folha (Lei 12.546/2011): 56 setores em pico.
  • Reduções de IPI.
  • Conteúdo local: especialmente em compras públicas e setor de petróleo (pré-sal).
  • Crédito BNDES: pico de R$ 170 bi em 2010.
  • Defesa comercial: antidumping ampliado.
  • INOVA Empresa: programas setoriais (energia, saúde, agro).
  • EMBRAPII: criada em 2013, para parceria com institutos de pesquisa.

Resultado do PBM

Avaliação:

  • Indústria continuou perdendo participação no PIB.
  • Produtividade industrial estagnada.
  • Exportações concentradas em commodities.
  • Benefícios fiscais alcançaram cerca de R$ 100 bi (mas custo elevado).
  • Em 2014-2016, plano foi praticamente abandonado pela crise fiscal.

Lições da PDP-PBM

  • Política industrial sem coordenação macro estável é frágil.
  • Subsídios tributários têm custo fiscal alto.
  • Conteúdo local pode criar oportunidades, mas custos para setores compradores.
  • Foco em "campeãs nacionais" gerou dependências e captura.
  • Necessidade de avaliação rigorosa.

Alerta do Examinador

Decora datas: PDP: 12/5/2008 (Lula 2). PBM: 2/8/2011 (Dilma 1). PDP teve 4 macrometas (investimento, P&D, exportações, MPMEs). PBM teve 4 eixos e 5 blocos setoriais. Lei 12.546/2011 (desoneração da folha) foi instrumento central do PBM.

Prof. Affonsinho explica, Módulo 04

4 NIB - Nova Indústria Brasil (2024)

Lançamento - 22 de janeiro de 2024

A NIB - Nova Indústria Brasil foi lançada em 22 de janeiro de 2024, no governo Lula 3. Coordenada pelo MDIC, com Geraldo Alckmin como vice-presidente e ministro do MDIC. Equipe técnica: Uallace Moreira (secretário-executivo), Márcio Pochmann (depois IBGE), Clóvis Bueno.

Inspiração - missões de Mazzucato

A NIB inspira-se em Mariana Mazzucato, economista italo-americana, em obras como:

  • "O Estado Empreendedor" (2013): Estado investe em pesquisa pioneira.
  • "O Valor de Tudo" (2018): crítica à teoria neoclássica.
  • "Mission Economy: A Moonshot Guide to Changing Capitalism" (2021): política orientada por missões.

A "economia de missões" propõe que governos definam missões (problemas concretos) e organizem a sociedade ao redor.

As 6 missões da NIB

A NIB definiu 6 missões para 2026-2033:

  1. Cadeias agroindustriais sustentáveis e tecnológicas: agro 4.0, redução de defensivos, valor agregado.
  2. Complexo econômico-industrial da saúde: redução da dependência de importações.
  3. Infraestrutura e saneamento: 5G, fibra óptica, mobilidade urbana, saneamento.
  4. Transformação digital da indústria: indústria 4.0, automação, IoT.
  5. Bioeconomia, descarbonização, transição energética: hidrogênio verde, eólica, solar.
  6. Tecnologias para o setor de defesa, soberania e segurança nacional: indústria de defesa, dual use.

Investimento previsto

R$ 300 bilhões em 4 anos (2024-2027), via:

  • BNDES: R$ 250 bi.
  • FNDCT: R$ 30 bi.
  • FINEP: R$ 20 bi.

Conselho Nacional de Desenvolvimento Industrial - CNDI

A NIB recriou e ampliou o CNDI, presidido pelo presidente da República, com 4 representantes empresariais, 4 trabalhadores, 4 governos, 4 órgãos federais.

Diferenças entre NIB e PBM

AspectoPBM (2011)NIB (2024)
FocoSetoresMissões
InspiraçãoPolítica industrial tradicionalMazzucato (missões)
CoordenaçãoMDICMDIC + CNDI
InvestimentoR$ 25 bi/ano (estimado)R$ 75 bi/ano
SustentabilidadeEixo periféricoCentral (missão 5)
DefesaSetorMissão (6)

Lei de Mobilidade Verde - Lei 14.902/2024

Em 27 de junho de 2024, foi sancionada a Lei 14.902/2024, que instituiu o programa "Mover" (Mobilidade Verde e Inovação), substituindo o "Rota 2030":

  • Incentivos fiscais para indústria automotiva.
  • Foco em descarbonização.
  • Eficiência energética.
  • Pesquisa e desenvolvimento.
  • Regime até 2028.

Política de hidrogênio verde

A Lei 14.948/2024 (Marco Legal do Hidrogênio Verde) instituiu o regime de incentivos para o setor. Brasil tem potencial significativo (energia eólica e solar abundantes).

Lei 14.876/2024 - Combustível do Futuro

A Lei 14.876, de 13 de junho de 2024, foi o Marco do Combustível do Futuro:

  • Aumento gradual de mistura de etanol na gasolina (de 27% para 30% prevista).
  • Aumento de mistura de biodiesel no diesel.
  • Programas de combustível sustentável de aviação (SAF).
  • Diesel verde.
  • Programa Nacional de Descarbonização do Produtor e Importador de Combustíveis.

Críticas à NIB

  • Implementação inicial: lenta nos primeiros anos.
  • Restrição fiscal: arcabouço fiscal limita expansão.
  • Articulação federativa: estados têm dificuldade.
  • Avaliação: difícil acompanhar 6 missões simultâneas.

Defensores

  • Mazzucato (consultora informal): missões orientam governo.
  • Bresser-Pereira: NIB se aproxima do novo desenvolvimentismo.
  • Conceição Tavares (até falecimento em 2024): apoiou a inflexão.
  • Marcio Pochmann: visão favorável.

Bate-papo com o Seu Teoffilo

Em prova: NIB: 22/1/2024. 6 missões: agroindustrial, saúde, infraestrutura, transformação digital, transição energética, defesa. Inspiração: Mazzucato (missões). R$ 300 bi em 4 anos. Mover: Lei 14.902/2024 (substituiu Rota 2030). Combustível do Futuro: Lei 14.876/2024.

Prof. Affonsinho explica, Módulo 05

5 Política comercial brasileira

Estrutura institucional

Atores principais da política comercial:

  • CAMEX - Câmara de Comércio Exterior: criada em 1995 (Decreto 1.386/1995, depois Decreto 4.732/2003). Coordena a política. Composta por ministros.
  • SECEX - Secretaria de Comércio Exterior: do MDIC. Operacionaliza políticas.
  • Receita Federal: aduana, controle.
  • BACEN: controle cambial.
  • Itamaraty: negociações internacionais.
  • ApexBrasil: promoção de exportações (criada em 1997).

Estrutura tarifária

Tarifa Externa Comum (TEC) do Mercosul:

  • Tarifa máxima: 35% (consolidada na OMC).
  • Tarifa média ponderada Brasil: cerca de 12%.
  • Listas de exceção nacionais (LETEC): BIT (informática e telecom), BK (bens de capital).
  • Regimes especiais: Zona Franca de Manaus, automotivo, etc.

Mercosul - estrutura atual

Membros plenos: Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai, Bolívia (desde 7/7/2024). Venezuela suspensa (ago/2017). Acordos de associação com Chile, Peru, Colômbia, Equador.

Sistema de Solução de Controvérsias: Protocolo de Olivos (2002), Tribunal Permanente de Revisão em Assunção.

Mercosul-União Europeia (2024)

Em 6 de dezembro de 2024, foi assinado o Acordo Mercosul-UE, após mais de 25 anos de negociação iniciada em 1999. É um dos maiores acordos de livre comércio do mundo:

  • População: 720 milhões de habitantes.
  • PIB combinado: cerca de 25% do PIB global.
  • Eliminação tarifária: gradual, em mais de 90% do comércio.
  • Setores: bens, serviços, contratação pública, propriedade intelectual.
  • Ratificação: em curso (parlamentos europeus, nacionais).

O acordo era criticado por setores agropecuários europeus (especialmente França) e por ambientalistas (Amazônia). Ajustes ambientais foram incluídos.

Mercosul-EFTA (2024)

Acordo com Suíça, Noruega, Islândia e Liechtenstein. Assinado em 2024, em ratificação.

Mercosul-Cingapura (2023)

Assinado em 2023, em ratificação. Primeiro acordo do Mercosul com país asiático.

Outras negociações

  • Mercosul-Israel: em vigor desde 2010.
  • Mercosul-Egito: em vigor desde 2017.
  • Mercosul-Cingapura: 2023.
  • Brasil-EUA: tentativas de acordo bilateral (sem sucesso).
  • Mercosul-Coreia do Sul: em negociação.
  • Mercosul-Vietnã: em negociação.
  • Mercosul-Indonésia: em negociação.

OMC e Brasil

Brasil é membro fundador da OMC (1/1/1995). Atuou em diversos contenciosos:

  • Brasil x EUA - algodão (DS267, 2002-2014): vitória brasileira sobre subsídios.
  • Brasil x UE - açúcar (DS266, 2002-2005): vitória brasileira.
  • Brasil x Canadá - aeronaves (DS46, DS70, DS222): disputa Embraer x Bombardier.
  • Reforma da OMC: Brasil tem participação ativa nas discussões.

Crise da OMC e do Órgão de Apelação

Desde 2019, o Órgão de Apelação da OMC está paralisado (bloqueio dos EUA). Brasil tem promovido reformas. Em 2024-2025, esforços diplomáticos para reativação.

Brasil candidato à OECD

Em 2017, o Brasil formalizou candidatura à OECD (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico). Processo lento, com avaliação técnica em diversos setores. Em 2024-2025, avanços parciais, mas adesão plena ainda pendente.

Pauta de exportação brasileira

Em 2024:

  • Soja: 14% das exportações.
  • Petróleo: 13%.
  • Minério de ferro: 12%.
  • Carne bovina: 4%.
  • Açúcar: 3%.
  • Outros commodities: cerca de 25%.
  • Manufaturados: cerca de 20-25%.

Pauta concentrada em commodities: dependência da China e dos preços internacionais.

Alerta do Examinador

Decora Mercosul-UE: 6/12/2024 (após 25 anos). Bolívia plena: 7/7/2024. Venezuela suspensa: ago/2017. OMC: 1/1/1995. CAMEX: criada em 1995 (Decreto 1.386/1995). ApexBrasil: 1997. Tarifa média Brasil: cerca de 12%.

Prof. Affonsinho explica, Módulo 06

6 Conteúdo local e defesa comercial

Conteúdo local - conceito

O conteúdo local é exigência de que produtos ou serviços sejam parcial ou totalmente produzidos no Brasil. Aplicado em:

  • Compras públicas: preferência a produtos nacionais.
  • Concessões e contratos públicos: especialmente em setor de petróleo.
  • Lei de Informática: produtos de TI no Brasil.
  • Programa Mover: indústria automotiva.
  • Indústria de defesa: produtos da Base Industrial de Defesa (BID).

Conteúdo local em compras públicas

A Lei 14.133, de 1º de abril de 2021 (Nova Lei de Licitações), prevê:

  • Margem de preferência: até 25% para produtos nacionais (Art. 26).
  • Margem de preferência adicional: para produtos com tecnologia desenvolvida no Brasil.
  • Compras de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I): regimes diferenciados.
  • Reserva para PMEs: licitações específicas até R$ 80 mil.

Conteúdo local no setor de petróleo

Desde os anos 2000, contratos de concessão e partilha exigem conteúdo local. Histórico:

  • Rodada 0 (1999): exigência inicial.
  • Rodadas 1-13: percentuais crescentes.
  • Pré-sal (Lei 12.351/2010): conteúdo local elevado.
  • 2017+: percentuais reduzidos para atrair investimento.
  • 2024: revisão das regras pelo CNPE.

Lei de Informática (atual)

A Lei 8.387/1991 (PPB - Processo Produtivo Básico) e a Lei 10.176/2001 (Lei de Informática) foram atualizadas pela Lei 13.969/2019 e Lei 14.182/2021:

  • Incentivos fiscais para produtos de TI fabricados no Brasil.
  • PPB define percentual de produção local para usufruir incentivos.
  • Investimento em P&D obrigatório (cerca de 4% do faturamento).
  • Renovação periódica.

Defesa comercial - conceito

A defesa comercial é o conjunto de mecanismos de proteção contra práticas desleais ou contra surtos de importação. Três principais:

  1. Antidumping: contra produtos vendidos abaixo do valor normal.
  2. Medidas compensatórias: contra subsídios externos.
  3. Salvaguardas: contra surtos de importação que prejudiquem indústria nacional.

Antidumping - regulamentação

A Lei 9.019/1995 e o Decreto 8.058, de 26 de julho de 2013, regulamentam o antidumping no Brasil, em conformidade com a OMC. Estrutura:

  • SECEX (subsecretaria de defesa comercial e interesse público): conduz investigações.
  • Petição inicial: empresa nacional pode requerer.
  • Investigação: prazo de 12 meses (até 18).
  • Direitos antidumping provisórios: aplicados durante a investigação.
  • Direitos antidumping definitivos: por até 5 anos (renováveis).

Setores beneficiados pela defesa comercial

  • Siderurgia: investigações contra China.
  • Têxteis: contra Bangladesh, Vietnã, China.
  • Calçados: contra China.
  • Químicos: contra diversos países.
  • Pneus: contra China.

Drawback - regime especial

O drawback é regime aduaneiro de incentivo à exportação:

  • Suspensão, isenção ou restituição de impostos sobre insumos importados destinados à fabricação de produtos exportados.
  • Modalidades: integrado, isenção, suspensão.
  • Regulado pelo Decreto 6.759/2009 (Regulamento Aduaneiro).
  • Movimentou US$ 75 bi em exportações em 2024.

Reintegra

O Reintegra (Regime Especial de Reintegração de Valores Tributários) foi criado pela Lei 12.546/2011 (revogada pela Lei 13.043/2014). Reintegra valores tributários a exportadores de produtos manufaturados (alíquota variável de 0,1% a 3%).

Acordos de Cooperação Aduaneira

Brasil tem cooperação aduaneira com vários países, especialmente para combate ao contrabando, descaminho e lavagem de dinheiro relacionados ao comércio.

Pegadinha da Dotôra Soffya

Pegadinha clássica: quais os 3 mecanismos de defesa comercial? Resposta: antidumping, medidas compensatórias e salvaguardas. Lei 9.019/1995 + Decreto 8.058/2013: antidumping. Lei 14.133/2021: margem de preferência até 25%. Drawback: regulado pelo Decreto 6.759/2009.

Prof. Affonsinho explica, Módulo 07

7 Doutrina internacional sobre política industrial

Friedrich List (1789-1846)

Economista alemão, autor de "Sistema Nacional de Economia Política" (1841). Tese:

  • Indústrias nascentes (infant industries): precisam de proteção temporária para amadurecer.
  • Crítica ao livre comércio absoluto: aplicado a todos, beneficia os já industrializados.
  • Defesa de tarifas educacionais.
  • Países seguem etapas evolutivas.

List foi inspiração para protecionismo alemão (Bismarck) e para CEPAL (Prebisch).

Alexander Hamilton (1755-1804)

Pai fundador americano, autor do "Report on Manufactures" (1791). Defendeu:

  • Tarifas para proteger indústria nascente americana.
  • Subsídios e incentivos.
  • Aliança com setor financeiro.
  • Estado ativo na promoção da indústria.

Influenciou política americana do século XIX (Lincoln, McKinley).

Ha-Joon Chang

Economista coreano-britânico, professor de Cambridge. Obras-chave:

  • "Chutando a Escada" ("Kicking Away the Ladder", 2002): países desenvolvidos usaram política industrial para crescer; agora pregam livre comércio aos demais.
  • "23 Coisas que Não Te Contam Sobre o Capitalismo" (2010).
  • "Bad Samaritans: The Myth of Free Trade and the Secret History of Capitalism" (2007).

Tese central: nenhum país se desenvolveu sob livre comércio. Todos usaram tarifas, subsídios, intervenção estatal. Quando se tornaram desenvolvidos, "chutam a escada" para impedir que outros sigam o mesmo caminho.

Mariana Mazzucato

Economista italo-americana, professora da UCL (University College London). Obras-chave:

  • "O Estado Empreendedor" ("The Entrepreneurial State", 2013): Estado é fonte de inovações pioneiras (internet, GPS, touchscreen, etc.).
  • "O Valor de Tudo" ("The Value of Everything", 2018): crítica à teoria do valor neoclássica.
  • "Mission Economy" (2021): política orientada por missões (moonshot).

Tese: governos devem assumir risco em inovação pioneira (que privados não fazem) e capturar parte do valor criado.

Inspiradora da NIB brasileira (2024).

Justin Yifu Lin (China)

Economista chinês, ex-vice-presidente do Banco Mundial. Em "New Structural Economics" (2012), defendeu:

  • Política industrial deve seguir vantagens comparativas dinâmicas.
  • Estado pode "facilitar" desenvolvimento, não ditar.
  • "Crescer atrás" (catching up) é possível com instituições adequadas.

Dani Rodrik (Harvard)

Economista turco-americano, professor de Harvard. Em "One Economics, Many Recipes" (2007), "The Globalization Paradox" (2011) e "Straight Talk on Trade" (2017), defendeu:

  • Não há receita única para crescimento.
  • "Trilema da economia global": democracia, soberania nacional, hiperglobalização - apenas 2 dos 3.
  • Política industrial pragmática, com avaliação rigorosa.
  • Comércio é positivo, mas não desregulado.

Joseph Stiglitz

Nobel de 2001. Em diversos trabalhos:

  • Crítica ao livre comércio sem condicionantes.
  • Política industrial como necessidade.
  • Falhas de mercado justificam intervenção.
  • Crítica à OMC e instituições financeiras internacionais.

Robert Wade

Economista britânico, autor de "Governing the Market" (1990). Documentou política industrial dos Tigres Asiáticos (Coreia, Taiwan, Singapura, Hong Kong). Mostrou que combinação de Estado forte + planejamento + integração ao comércio global gerou desenvolvimento.

Erik Reinert

Economista norueguês, autor de "How Rich Countries Got Rich... and Why Poor Countries Stay Poor" (2007). Tese histórico-institucional:

  • Países ricos tornaram-se ricos via industrialização e proteção.
  • Especialização em commodities perpetua pobreza.
  • Política industrial é precondição para desenvolvimento.

A retomada da política industrial pós-2008

Após a crise de 2008, política industrial voltou ao mainstream:

  • EUA: CHIPS Act (2022), Inflation Reduction Act (2022).
  • UE: Green Deal (2019), Chips Act (2023), Critical Raw Materials Act (2024).
  • China: Made in China 2025.
  • Brasil: NIB (2024).
  • Tema central de "geoeconomia" no século XXI.

Bate-papo com o Seu Teoffilo

Em prova, conheça os 5 grandes da doutrina internacional: Friedrich List (infant industries, 1841), Alexander Hamilton (1791), Ha-Joon Chang ("Chutando a Escada", 2002), Mariana Mazzucato (Estado Empreendedor 2013, missões 2021), Dani Rodrik (trilema, 2011). Em cada concurso, banca cobra um deles.

Prof. Affonsinho explica, Módulo 08

8 Doutrina brasileira sobre política industrial

Celso Furtado (1920-2004)

Economista paraibano, integrou a CEPAL. Obras já citadas (Aula 01). Tese sobre política industrial:

  • Industrialização é precondição para sair do subdesenvolvimento.
  • Estado precisa coordenar.
  • Política industrial deve combater dependência tecnológica.
  • "O Mito do Desenvolvimento Econômico" (1974): crítica ambiental.

Maria da Conceição Tavares (1930-2024)

Economista portuguesa-brasileira, professora da UFRJ. Já citada (Aula 01). Sobre política industrial:

  • 4 fases da ISI (não duráveis → duráveis → intermediários → bens de capital).
  • Crítica à liberalização dos 90s.
  • Apoio à retomada Lula (PITCE, PDP, PBM).
  • Falecida em junho de 2024.

Wilson Cano (1937-2020)

Economista paulista, professor da Unicamp. Em "Raízes da Concentração Industrial em São Paulo" (1977) e "Desequilíbrios Regionais e Concentração Industrial no Brasil" (1985), documentou:

  • Concentração industrial paulista é histórica.
  • Política industrial deve ter dimensão regional.
  • Crítica ao localismo neoliberal.

Antônio Barros de Castro (1938-2011)

Economista carioca. "A Economia Brasileira em Marcha Forçada" (1985, com Pires de Souza) já citada. Sobre política industrial moderna:

  • II PND consolidou a indústria brasileira.
  • Liberalização dos 90s desorganizou cadeias.
  • Defendeu política industrial seletiva.

Luiz Carlos Bresser-Pereira

Economista paulista, ex-ministro. Já citado (Aulas 01-08). Sobre política industrial:

  • Novo desenvolvimentismo: política industrial seletiva + câmbio competitivo + ajuste fiscal.
  • Crítica ao "anti-desenvolvimentismo" dos 90s.
  • Defesa de PITCE-PDP-PBM com ressalvas.
  • Apoio à NIB.

Luciano Coutinho

Economista paulista, professor da Unicamp. Foi presidente do BNDES (2007-2016) durante governos Lula 2 e Dilma. Articulou política industrial via BNDES. Coautor de "Estudo da Competitividade da Indústria Brasileira" (1995, com Joao Carlos Ferraz).

Wilson Suzigan

Economista, professor da Unicamp. Em "Indústria Brasileira: Origem e Desenvolvimento" (2000) e papers, documentou:

  • História da indústria brasileira.
  • Aglomerados produtivos (clusters).
  • Política industrial regional.

João Carlos Ferraz

Economista, ex-diretor do BNDES, professor. Especialista em organização industrial. Coautor de obras com Coutinho.

João Sicsú e Luiz Fernando de Paula

Economistas pós-keynesianos, da UFRJ. Em diversos trabalhos defendem política industrial robusta combinada com regime de metas múltiplas.

Marcio Pochmann

Economista paulista, professor da Unicamp. Foi presidente do IBGE (2023-2024). Já citado (Aulas 06-07). Sobre política industrial:

  • Defesa de política industrial robusta.
  • Crítica à liberalização e financeirização.
  • Apoio à retomada via NIB.

Edmar Bacha (visão liberal-pragmática)

Economista mineiro, ex-presidente do BNDES e diretor do BACEN. Em "Belíndia 2.0" (2010) e papers, posição:

  • Política industrial pode ser útil, mas com cautela.
  • Riscos de captura e ineficiência.
  • Foco preferencial em educação, infraestrutura, P&D.
  • Crítica a subsídios discricionários.

Mansueto Almeida

Economista, técnico do Tesouro. Crítica fiscal:

  • Política industrial brasileira tem custo fiscal alto.
  • Resultados modestos.
  • Necessidade de avaliação rigorosa.
  • Foco em externalidades positivas, não em "campeãs".

Ana Maria Bonomi Barufi e Naercio Menezes Filho

Economistas focados em produtividade e mercado de trabalho. Documentam que ganhos de produtividade dependem mais de educação e ambiente competitivo do que de política industrial específica.

Síntese - 4 visões sobre política industrial brasileira

Visões doutrinárias:

  1. Liberal-ortodoxa (Bacha, Lara Resende, Affonso Pastore): política industrial com cautela, foco em externalidades, transparência.
  2. Crítica fiscal (Mansueto Almeida): avaliar rigorosamente, custos altos.
  3. Novo desenvolvimentismo (Bresser-Pereira): política industrial + câmbio competitivo + ajuste fiscal.
  4. Heterodoxa-desenvolvimentista (Conceição Tavares, Belluzzo, Pochmann, Coutinho): política industrial robusta, ativa, integrada.

Lições do experimento brasileiro

Lições recorrentes:

  • Política industrial sem âncora macro é frágil.
  • Subsídios precisam de cláusulas de saída e avaliação.
  • Foco em "campeãs nacionais" gera dependências.
  • Conteúdo local pode ajudar, mas com custos.
  • Coordenação entre ministérios é essencial.
  • Competição com China exige sofisticação.

Pegadinha da Dotôra Soffya

Pegadinha clássica: quem foi presidente do BNDES no PBM? Resposta: Luciano Coutinho (2007-2016). Atravessou governos Lula 2, Dilma 1, Dilma 2 (até maio/2016). Equipe técnica importante para a política industrial brasileira. Wilson Suzigan: clusters e aglomerados. Bresser-Pereira: novo desenvolvimentismo.

Mapa mental

Visão de avião sobre a aula. Use para revisão rápida.

Política
Industrial e
Comercial

Histórico

  • ISI (1930-1980)
  • Liberalização (1988-2003)
  • Retomada (2004+)
  • NIB (2024)

PITCE (2004)

  • 4 setores (semicondutores, software, fármacos, capital)
  • Lei 11.080/2004 (ABDI)
  • Lei 11.196/2005 (Bem)
  • Lei 10.973/2004 (Inovação)

PDP (2008) e PBM (2011)

  • PDP 12/5/2008 (4 macrometas)
  • PBM 2/8/2011 (4 eixos)
  • Lei 12.546/2011 (folha)
  • BNDES R$ 170 bi (2010)

NIB (2024)

  • 22/1/2024, 6 missões
  • Mazzucato (missões)
  • R$ 300 bi em 4 anos
  • Mover (Lei 14.902/2024)

Política comercial

  • Mercosul, OMC
  • Mercosul-UE (6/12/2024)
  • EFTA, Cingapura
  • Tarifa média 12%

Defesa comercial

  • Antidumping (Lei 9.019/95)
  • Decreto 8.058/2013
  • Salvaguardas
  • Conteúdo local

Doutrina internacional

  • List (1841)
  • Hamilton (1791)
  • Chang (Chutando Escada 2002)
  • Mazzucato (Estado Empr.)

Doutrina brasileira

  • Furtado, Conceição Tavares
  • Bresser (novo desenv.)
  • Coutinho, Suzigan
  • Bacha (liberal pragmático)

Revisão relâmpago

Se você tem 5 minutos antes da prova, leia só isto.

  1. Política industrial: instrumentos para influenciar a estrutura produtiva (horizontais x verticais).
  2. ISI (1930-1980): maior política industrial brasileira. 4 fases (Tavares).
  3. Liberalização (1988-2003): recuo da política industrial ativa. Tarifa 51% → 12-14%.
  4. PITCE: 26/11/2003 → 2004. 4 setores: semicondutores, software, fármacos, bens de capital. Furlan ministro.
  5. Lei 11.080, de 30/12/2004: criou ABDI. Lei 11.196/2005: Lei do Bem (P&D).
  6. Lei 10.973, de 2/12/2004: Marco Legal da Inovação. Lei 13.243/2016: ampliou.
  7. EC 85/2015: PEC de CT&I. EMBRAPII: criada em 2013.
  8. PDP: 12/5/2008. 4 macrometas (investimento, P&D, exportações, MPMEs). Miguel Jorge ministro.
  9. PBM: 2/8/2011. 4 eixos. Fernando Pimentel ministro. Lei 12.546/2011: desoneração folha (CPRB, 56 setores).
  10. NIB: 22/1/2024 (Lula 3, Alckmin MDIC). 6 missões (agro, saúde, infra, digital, transição energética, defesa). R$ 300 bi em 4 anos. Inspiração Mazzucato.
  11. Lei 14.902/2024: Mover (substituiu Rota 2030, automotivo).
  12. Lei 14.876/2024: Combustível do Futuro. Lei 14.948/2024: hidrogênio verde.
  13. Mercosul-UE: assinado 6/12/2024 (após 25 anos).
  14. Bolívia plena no Mercosul: 7/7/2024. Venezuela suspensa: ago/2017.
  15. OMC: 1/1/1995. Brasil membro fundador. Crise do Órgão de Apelação desde 2019.
  16. CAMEX: 1995 (Decreto 1.386/1995, depois 4.732/2003). ApexBrasil: 1997.
  17. Lei 14.133/2021 (licitações): margem de preferência até 25% para nacionais.
  18. Antidumping: Lei 9.019/1995 + Decreto 8.058/2013.
  19. Doutrina internacional: List (1841, infant industries), Hamilton (1791), Chang (Chutando Escada 2002), Mazzucato (Estado Empreendedor 2013, Mission Economy 2021).
  20. Doutrina brasileira: Furtado, Conceição Tavares, Bresser-Pereira (novo desenvolvimentismo), Coutinho, Suzigan, Bacha (visão liberal pragmática), Mansueto Almeida (crítica fiscal).
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20 pontos densos sobre política industrial e comercial. Bora para as questões.

? 10 questões comentadas

As dez questões a seguir foram elaboradas para cobrir o essencial desta aula.

  1. Leia cada questão sem olhar o gabarito.
  2. Marque sua resposta num papel.
  3. Só depois, confira o gabarito e leia o comentário.
  4. Se errou, marque em um caderno qual conceito ou data falhou, e volte ao módulo correspondente.

O vilão da aula: Desembargador Severo

Esse vilão gosta de pegadinha em divergência doutrinária e jurisprudência rara. Em política industrial, ele ataca: datas dos planos, leis específicas, autores e obras, eixos e setores. As próximas dez foram pensadas para você não cair onde ele cai.

Q1

Questão 01 · Comentada

Enunciado. Sobre a PITCE - Política Industrial, Tecnológica e de Comércio Exterior:

  1. A) Foi a política industrial do governo Bolsonaro.
  2. B) A PITCE foi anunciada em 26 de novembro de 2003 e lançada formalmente em 2004 no governo Lula 1, com Luiz Fernando Furlan como ministro do MDIC. Foi a primeira política industrial moderna pós-liberalização. Estabeleceu 4 setores prioritários: semicondutores, software, fármacos e medicamentos, e bens de capital. Foi acompanhada pela criação da ABDI (Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial, Lei 11.080, de 30/12/2004), pela Lei 10.973, de 2/12/2004 (Marco Legal da Inovação), e pela Lei 11.196, de 21/11/2005 (Lei do Bem, com incentivos fiscais para P&D). Foi sucedida pela PDP em 2008.
  3. C) Tem 6 setores prioritários, incluindo bioeconomia.
  4. D) Foi lançada em 1990 com o Plano Collor.
  5. E) Não criou nenhuma agência específica.

Gabarito: B

Prof. Affonsinho comenta

Cobra a PITCE.

  • A errada: governo Lula 1, ministro Furlan.
  • B CORRETA PITCE 2003-2004: exato. Datas, ministros, 4 setores, leis associadas.
  • C errada: 4 setores: semicondutores, software, fármacos, bens de capital.
  • D errada: 2003-2004; em 1990 foi a PICE de Collor.
  • E errada: criou ABDI (Lei 11.080/2004).

Tese central: PITCE: 2003-2004, governo Lula 1. 4 setores: semicondutores, software, fármacos, bens de capital. ABDI (Lei 11.080/2004), Lei do Bem (Lei 11.196/2005), Inovação (Lei 10.973/2004).

Q2

Questão 02 · Comentada

Enunciado. Sobre a NIB - Nova Indústria Brasil (2024):

  1. A) Foi lançada em 2018 pelo governo Bolsonaro.
  2. B) A NIB - Nova Indústria Brasil foi lançada em 22 de janeiro de 2024, no governo Lula 3, coordenada pelo MDIC sob comando de Geraldo Alckmin (vice-presidente e ministro). Inspira-se na economia de missões de Mariana Mazzucato ("Mission Economy", 2021). Definiu 6 missões para 2026-2033: (i) cadeias agroindustriais sustentáveis e tecnológicas; (ii) complexo econômico-industrial da saúde; (iii) infraestrutura, saneamento, mobilidade e habitação; (iv) transformação digital da indústria; (v) bioeconomia, descarbonização e transição energética; (vi) tecnologias para a defesa, soberania e segurança nacional. Investimento previsto: R$ 300 bilhões em 4 anos (BNDES, FNDCT, FINEP).
  3. C) Tem como ministro Paulo Guedes.
  4. D) Não tem inspiração teórica específica.
  5. E) Tem 10 missões.

Gabarito: B

Prof. Affonsinho comenta

Cobra a NIB.

  • A errada: 22/1/2024, governo Lula 3.
  • B CORRETA NIB 2024: exato. Lançamento, ministro, inspiração, 6 missões, investimento.
  • C errada: Geraldo Alckmin; Guedes foi ministro de Bolsonaro (2019-2022).
  • D errada: Mariana Mazzucato (missões).
  • E errada: 6 missões, não 10.

Tese central: NIB (22/1/2024): governo Lula 3, Alckmin. 6 missões (Mazzucato). R$ 300 bi em 4 anos.

Q3

Questão 03 · Comentada

Enunciado. Sobre o Acordo Mercosul-União Europeia:

  1. A) Foi assinado em 2010 e está em vigor desde 2015.
  2. B) O Acordo de Associação Mercosul-União Europeia foi assinado em 6 de dezembro de 2024, após mais de 25 anos de negociação iniciada em 1999. É um dos maiores acordos de livre comércio do mundo, abrangendo cerca de 720 milhões de habitantes e 25% do PIB global; tem três pilares (comercial, político, cooperação); prevê eliminação progressiva de tarifas em mais de 90% do comércio; está em fase de ratificação pelos parlamentos europeus, do Conselho Europeu e dos países do Mercosul, com expectativa de implementação progressiva; coexiste com outros acordos recentes como Mercosul-EFTA (2024) e Mercosul-Cingapura (2023).
  3. C) Foi rejeitado pelos EUA.
  4. D) Inclui apenas comércio agrícola.
  5. E) Foi assinado em 2019 e desde então está em vigor.

Gabarito: B

Prof. Affonsinho comenta

Cobra o Mercosul-UE.

  • A errada: assinado em 6/12/2024; em fase de ratificação.
  • B CORRETA Mercosul-UE 2024: exato. Datas, escopo, pilares, contexto.
  • C errada: EUA não participam do Mercosul-UE.
  • D errada: amplo: bens, serviços, contratação pública, IP, etc.
  • E errada: 2024, não 2019. 2019 foi conclusão da parte comercial; assinatura final em 2024.

Tese central: Mercosul-UE: assinado em 6/12/2024 após 25+ anos. Três pilares (comercial, político, cooperação). Em ratificação.

Q4

Questão 04 · Comentada

Enunciado. Sobre a defesa comercial brasileira:

  1. A) É composta por apenas dois mecanismos.
  2. B) A defesa comercial brasileira tem três principais mecanismos: (i) antidumping (contra produtos vendidos abaixo do valor normal); (ii) medidas compensatórias (contra subsídios externos); (iii) salvaguardas (contra surtos de importação que prejudiquem indústria nacional). Antidumping é regulado pela Lei 9.019/1995 e pelo Decreto 8.058, de 26/7/2013, em conformidade com a OMC. As investigações são conduzidas pela SECEX (Secretaria de Comércio Exterior, com a Subsecretaria de Defesa Comercial e Interesse Público); empresas nacionais podem solicitar; investigação dura até 18 meses; direitos definitivos podem ser aplicados por até 5 anos (renováveis). A CAMEX (Câmara de Comércio Exterior) coordena e decide aplicação de medidas.
  3. C) Não exige investigação prévia.
  4. D) Não está em conformidade com a OMC.
  5. E) Direitos definitivos são aplicados por 1 ano.

Gabarito: B

Prof. Affonsinho comenta

Cobra defesa comercial.

  • A errada: 3 mecanismos: antidumping, compensatórias, salvaguardas.
  • B CORRETA defesa comercial: exato. Estrutura, lei, decreto, atores, prazos.
  • C errada: investigação obrigatória: até 18 meses.
  • D errada: conforme OMC: Lei 9.019/1995 + Decreto 8.058/2013.
  • E errada: até 5 anos (renováveis).

Tese central: Defesa comercial: antidumping + medidas compensatórias + salvaguardas. Lei 9.019/1995 + Decreto 8.058/2013. SECEX investiga; CAMEX decide.

Q5

Questão 05 · Comentada

Enunciado. Sobre a doutrina internacional sobre política industrial:

  1. A) Adam Smith é o principal teórico da política industrial moderna.
  2. B) A doutrina internacional sobre política industrial articula-se em diversas tradições: Friedrich List (alemão, "Sistema Nacional de Economia Política", 1841): tese das infant industries (indústrias nascentes precisam de proteção temporária); Alexander Hamilton (americano, "Report on Manufactures", 1791): defesa de tarifas e subsídios para a indústria nascente americana; Ha-Joon Chang (coreano-britânico, "Chutando a Escada", 2002): países desenvolvidos usaram política industrial para crescer e agora pregam livre comércio aos demais; Mariana Mazzucato (italo-americana, "O Estado Empreendedor", 2013, e "Mission Economy", 2021): Estado é fonte de inovações pioneiras e deve organizar economia em torno de missões; Dani Rodrik (turco-americano): trilema da economia global, política industrial pragmática.
  3. C) Friedrich List é contrário à política industrial.
  4. D) Mazzucato é contrária ao Estado Empreendedor.
  5. E) Ha-Joon Chang defende livre comércio sem restrições.

Gabarito: B

Prof. Affonsinho comenta

Cobra doutrina internacional.

  • A errada: Adam Smith (1776) é contrário: defendeu "mão invisível" e livre comércio.
  • B CORRETA doutrina internacional: exato. List, Hamilton, Chang, Mazzucato, Rodrik.
  • C errada: defensor com infant industries.
  • D errada: defensora: "O Estado Empreendedor" (2013) é tese central.
  • E errada: crítico do livre comércio absoluto.

Tese central: Doutrina: List (1841), Hamilton (1791), Chang (Chutando Escada 2002), Mazzucato (Estado Empreendedor 2013, Mission Economy 2021), Rodrik (trilema).

Q6

Questão 06 · Comentada

Enunciado. Sobre a Lei do Bem (Lei 11.196/2005):

  1. A) Foi aprovada em 1995 no governo FHC.
  2. B) A Lei 11.196, de 21 de novembro de 2005 (Lei do Bem), instituiu incentivos fiscais para inovação e P&D no Brasil. Permite: (i) dedução de IRPJ e CSLL para gastos com P&D; (ii) redução de IPI sobre bens de capital usados em P&D; (iii) depreciação acelerada de equipamentos; (iv) amortização acelerada de gastos de pesquisa; (v) subvenção para pesquisadores (até 60% da remuneração). Foi marco fiscal importante da PITCE. Em 2024, foi atualizada com pequenas modificações. Empresas que aderem precisam apresentar relatórios anuais ao MCTI (Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação). É complementar à Lei 10.973/2004 (Marco Legal da Inovação) e à Lei 13.243/2016 (Marco Legal de CT&I).
  3. C) É lei sobre saúde pública.
  4. D) Não permite dedução de IRPJ.
  5. E) Apenas pessoas físicas se beneficiam.

Gabarito: B

Prof. Affonsinho comenta

Cobra Lei do Bem.

  • A errada: Lei 11.196, de 21/11/2005, governo Lula 1.
  • B CORRETA Lei 11.196/2005: exato. Estrutura, incentivos, complementaridade.
  • C errada: incentivos fiscais para P&D e inovação.
  • D errada: permite dedução de IRPJ e CSLL.
  • E errada: pessoas jurídicas se beneficiam.

Tese central: Lei 11.196/2005 (Lei do Bem): incentivos fiscais para P&D. Dedução IRPJ/CSLL, redução IPI, depreciação acelerada. Marco da PITCE.

Q7

Questão 07 · Comentada

Enunciado. Sobre o conteúdo local nas compras públicas brasileiras:

  1. A) Não há margem de preferência para produtos nacionais.
  2. B) A Lei 14.133, de 1º de abril de 2021 (Nova Lei de Licitações), prevê margens de preferência para produtos manufaturados e serviços nacionais (Art. 26): margem de preferência de até 25% sobre o preço de bens e serviços importados; margem adicional para produtos com tecnologia desenvolvida no Brasil; regimes especiais para Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I); reserva para PMEs (microempresas e empresas de pequeno porte) em licitações de até R$ 80 mil; preferência para produtos da Lei do Bem (Lei 11.196/2005); aplica-se a compras públicas federais, estaduais e municipais. As margens são regulamentadas por decretos executivos específicos por setor.
  3. C) Limite de 50% para nacional.
  4. D) Apenas em compras federais.
  5. E) Não admite preferência por tecnologia nacional.

Gabarito: B

Prof. Affonsinho comenta

Cobra conteúdo local em compras.

  • A errada: até 25% margem de preferência (Lei 14.133/2021 Art. 26).
  • B CORRETA Lei 14.133/2021: exato. Margem, escopo, complementaridades.
  • C errada: até 25%, não 50%.
  • D errada: federal, estadual e municipal.
  • E errada: admite: margem adicional para tecnologia nacional.

Tese central: Lei 14.133/2021: margem de preferência até 25% para produtos nacionais (Art. 26). Adicional para tecnologia nacional.

Q8

Questão 08 · Comentada

Enunciado. Sobre o Plano Brasil Maior (PBM):

  1. A) Foi lançado em 2008 com o nome PDP.
  2. B) O Plano Brasil Maior (PBM) foi lançado em 2 de agosto de 2011, no governo Dilma 1, com Fernando Pimentel como ministro do MDIC. Foi a sucessora da PDP (2008), com escopo ampliado. Estruturado em 4 eixos: competitividade da indústria nacional, comércio exterior, inovação e desenvolvimento tecnológico, sustentabilidade. Setores priorizados em 5 grandes blocos (mecânica/eletro-eletrônica/saúde, intensivos em recursos naturais, intensivos em trabalho, intensivos em conhecimento, comércio/logística/serviços). Instrumentos: desoneração da folha (Lei 12.546/2011, com 56 setores em pico), reduções de IPI, conteúdo local (especialmente no pré-sal), crédito BNDES (R$ 170 bi em 2010), defesa comercial reforçada, INOVA Empresa, EMBRAPII (criada em 2013).
  3. C) Foi lançado em 2008 e tinha 6 eixos.
  4. D) Foi do governo Bolsonaro.
  5. E) Não envolveu desoneração da folha.

Gabarito: B

Prof. Affonsinho comenta

Cobra o PBM.

  • A errada: PBM em 2/8/2011; PDP em 12/5/2008 (anterior).
  • B CORRETA PBM 2011: exato. Lançamento, eixos, blocos, instrumentos.
  • C errada: 4 eixos, não 6. PDP em 2008, PBM em 2011.
  • D errada: governo Dilma 1, ministro Fernando Pimentel.
  • E errada: incluiu: Lei 12.546/2011 (desoneração da folha) foi instrumento central.

Tese central: PBM: 2/8/2011, governo Dilma 1, Fernando Pimentel. 4 eixos, 5 blocos. Lei 12.546/2011 (desoneração folha).

Q9

Questão 09 · Comentada

Enunciado. Sobre Mariana Mazzucato e a teoria das missões:

  1. A) Mazzucato é contrária à atuação do Estado em política industrial.
  2. B) Mariana Mazzucato (italo-americana, professora da UCL) é uma das principais teóricas contemporâneas da política industrial. Em "O Estado Empreendedor" ("The Entrepreneurial State", 2013), argumenta que o Estado é fonte de inovações pioneiras (internet, GPS, touchscreen, energia solar, etc.) e deve assumir riscos que privados não fazem; em "O Valor de Tudo" (2018), critica a teoria neoclássica do valor; em "Mission Economy" (2021), defende política orientada por missões (moonshots): governos definem problemas concretos (descarbonização, saúde universal, energia limpa) e organizam economia em torno de soluções; foi inspiração teórica para a NIB - Nova Indústria Brasil (2024), que estruturou suas 6 missões com base nessa abordagem.
  3. C) Defende livre comércio absoluto.
  4. D) É autora de "Chutando a Escada".
  5. E) Não tem relação com política industrial.

Gabarito: B

Prof. Affonsinho comenta

Cobra Mazzucato.

  • A errada: defensora: Estado deve assumir riscos pioneiros.
  • B CORRETA Mazzucato: exato. Obras, teses, influência na NIB.
  • C errada: defende intervenção pública estratégica.
  • D errada: "Chutando a Escada" é de Ha-Joon Chang (2002).
  • E errada: tem relação central: tese principal sobre Estado Empreendedor e missões.

Tese central: Mazzucato: "Estado Empreendedor" (2013), "Mission Economy" (2021). Estado pioneiro + missões. Inspirou NIB (2024).

Q10

Questão 10 · Comentada

Enunciado. Sobre a Lei do Mover (Lei 14.902/2024):

  1. A) Lei do Mover foi aprovada em 2018.
  2. B) A Lei 14.902, de 27 de junho de 2024, instituiu o Programa Mobilidade Verde e Inovação (Mover), substituindo o programa Rota 2030 (Lei 13.755/2018) na indústria automotiva. O Mover prevê: incentivos fiscais para a indústria automotiva, com foco em descarbonização e eficiência energética; obrigatoriedade de investimento em P&D (cerca de 1,5% do faturamento); rotulagem energética veicular; metas para emissões e eficiência; vigência até 2028. Foi parte da política industrial Lula 3 (NIB, lançada em 22/1/2024). Outras leis associadas: Lei 14.876/2024 (Combustível do Futuro - aumento de mistura de etanol/biodiesel); Lei 14.948/2024 (Marco Legal do Hidrogênio Verde).
  3. C) É lei sobre mobilidade urbana, não automotiva.
  4. D) Substituiu a Lei do Bem.
  5. E) Tem vigência indeterminada.

Gabarito: B

Prof. Affonsinho comenta

Cobra o Mover.

  • A errada: 27/6/2024; em 2018 foi a Lei do Rota 2030.
  • B CORRETA Lei 14.902/2024: exato. Substituição, foco, leis associadas.
  • C errada: indústria automotiva ("Mobilidade Verde").
  • D errada: substituiu Rota 2030; Lei do Bem (Lei 11.196/2005) é distinta e está vigente.
  • E errada: vigência até 2028.

Tese central: Lei 14.902/2024 (Mover): substituiu Rota 2030. Indústria automotiva. Foco em descarbonização. Vigência até 2028.

Fim da aula 09

Você dominou política industrial.
PITCE, PDP, PBM, NIB.
Mercosul-UE, conteúdo local, defesa comercial.
Chang, Mazzucato, Bresser, Conceição Tavares.

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Aula 09 de 10 · Economia Brasileira
Próxima: Conjuntura Atual - PIB, inflação, juros, câmbio, fiscal e externo.

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